Novena de Santa Gianna Beretta Molla — 9 Dias de Oração à Mãe que Deu a Vida pela Filha
Há uma médica italiana do século XX que recusou o aborto e a histerectomia que a salvariam — para não pôr em risco a vida da filha que carregava — e que morreu uma semana após o parto, em abril de 1962, com trinta e nove anos. Santa Gianna Beretta Molla é a santa do século XX que mais directamente fala ao debate contemporâneo sobre a vida: não com argumentos filosóficos nem com pronunciamentos teológicos, mas com uma escolha pessoal radical que custou a própria vida. A sua canonização por João Paulo II em 2004 — na presença do marido Pietro e da filha Gianna Emanuela, cujo nascimento havia custado a vida da mãe — foi um dos momentos mais emocionantes da história recente da canonização.
Mas Gianna Beretta Molla não é apenas a santa do pro-vida: é a santa da integração entre profissão, família e fé. Médica pediatra de Magenta, esposa amorosa, mãe de quatro filhos, mulher que esquiava e ia ao teatro e amava a música — Gianna mostrou que a santidade não exige a saída do mundo mas a sua transformação pelo amor de Deus. A “Introdução à Vida Devota” de São Francisco de Sales que rezava quotidianamente era o programa de vida que o seu exemplo confirma.
Canonizada por João Paulo II em 2004. A sua festa é celebrada em 28 de abril.
Quem Foi Santa Gianna Beretta Molla

Gianna Francesca Beretta nasceu em 4 de outubro de 1922 em Magenta, perto de Milão, décima de treze filhos de uma família fervorosamente católica. Estudou medicina em Pavia, especializou-se em pediatria e abriu uma clínica pediátrica em Mesero em 1952. Era activa no apostolado da Acção Católica, amava a montanha, o esqui, a música e o teatro.
Em 1955, casou com Pietro Molla — um engenheiro. Tiveram três filhos: Pierluigi (1956), Mariolina (1957) e Laura (1959). Em 1961, durante a quarta gravidez, os médicos descobriram um fibroma uterino. As opções eram três: remover apenas o fibroma (mais arriscado para a mãe); histerectomia (que salvaria a mãe mas mataria o bebé); ou aborto. Gianna escolheu a primeira opção — a que preservava a vida do bebé com o maior risco para a mãe. “Se tiverem de escolher entre mim e o bebé, escolham o bebé”, disse ao marido e ao médico.
Em 21 de abril de 1962, nasceu Gianna Emanuela — saudável. Gianna morreu uma semana depois, em 28 de abril de 1962, de peritonite séptica. Tinha trinta e nove anos. Beatificada por João Paulo II em 1994. Canonizada por João Paulo II em 2004, na presença do marido Pietro (então com oitenta e seis anos) e da filha Gianna Emanuela (que tinha quarenta e dois anos). Festa em 28 de abril.
“Se Tiverem de Escolher, Escolham o Bebé”: A Escolha que Define
A frase de Gianna ao marido e ao médico — “se tiverem de escolher entre mim e o bebé, escolham o bebé” — é a expressão mais simples e mais radical possível do amor materno que prefere a vida do outro à própria vida. Para Gianna, não era uma questão filosófica abstracta: era uma decisão concreta, tomada com consciência plena das consequências, por uma médica que sabia exactamente o que estava a arriscar.
Esta decisão — que a Igreja canonizou não porque foi a única “correcta” do ponto de vista moral (outras decisões eram admissíveis) mas porque foi o grau máximo do amor materno que a tradição cristã reconhece — é o sinal de que a santidade não é uma teoria mas uma escolha. Gianna escolheu amar até ao fim — e o fim foi a morte.
A Médica e a Mãe: A Santidade na Profissão

Gianna Beretta Molla era médica pediatra — e a sua prática médica era inseparável da sua fé: os pacientes eram para ela Cristo nos pequeninos, e o consultório era o lugar onde servia Cristo tanto quanto a Igreja era o lugar onde o adorava. Esta integração entre profissão e fé — que não reserva o religioso para a esfera privada mas que transborda para o trabalho — é o programa de santidade leiga que São Francisco de Sales havia descrito na “Introdução à Vida Devota” e que Gianna vivia concretamente em Mesero.
Como Rezar Esta Novena
- De 19 a 27 de abril — nos nove dias antes da festa de 28 de abril
- Pela defesa da vida desde a concepção
- Para as mães grávidas, especialmente em gravidez de risco
- Para os médicos e profissionais de saúde cristãos
- Para pedir a graça da santidade na vida profissional e familiar
- Para as famílias cristãs
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Gloriosa Santa Gianna Beretta Molla, médica e mãe que disseste “se tiverem de escolher entre mim e o bebé, escolham o bebé” e que morreste uma semana após o parto pela filha que escolheste, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que mostrastes que a santidade é possível para uma médica casada com três filhos que esquiava e ia ao teatro, intercedei para que eu também aprenda que a santidade não espera o mosteiro mas que começa aqui, neste estado de vida, nesta profissão, nesta família. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Primeiro Dia — “Se Tiverem de Escolher, Escolham o Bebé”
Meditação: A frase de Gianna ao marido é a síntese de toda a sua santidade: o amor que não calcula o que fica para si, que coloca a vida do outro acima da própria vida, que vive até ao fim a lógica do Evangelho. Gianna não morreu por acidente: morreu por escolha — a escolha de uma médica que sabia exactamente o que escolhia e que escolheu de qualquer maneira. Este tipo de coragem — que não é impulso mas decisão consciente — é o heroísmo da santidade cristã.
Santa Gianna Beretta Molla, que escolheste a vida do bebé sabendo o que custava, intercedei para que eu aprenda o amor que não calcula. Pela defesa da vida de todos os bebés que esperam nascer. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Segundo Dia — A Médica Pediatra: Cristo nos Pequeninos
Meditação: Gianna era médica pediatra — e os seus pacientes eram crianças. Esta coincidência — a especialidade médica que escolheu e o sacrifício que fez pela criança que carregava — não é aleatória: Gianna via Cristo em cada criança que tratava, e esta visão tornava o seu trabalho inseparável da sua fé. Cada consulta era uma forma de adoração; cada criança curada era Cristo servido.
Santa Gianna Beretta Molla, médica que via Cristo em cada criança que tratava, intercedei pelos médicos e profissionais de saúde cristãos. Que vejam em cada paciente o rosto de Cristo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Terceiro Dia — A Esposa: O Amor Conjugal como Santidade
Meditação: Gianna amou Pietro Molla com uma fidelidade e uma ternura que as cartas trocadas entre os dois ainda hoje revelam. O amor conjugal — que a tradição cristã reconhece como caminho de santidade — foi para Gianna não apenas uma dimensão da vida pessoal mas o contexto em que a sua santidade cresceu. O amor que deu a vida pela filha foi alimentado pelo amor que havia dado a vida ao marido: o mesmo amor que cresce com a prática.
Santa Gianna Beretta Molla, que amaste Pietro com fidelidade e ternura, intercedei pelos casais cristãos. Pelo amor conjugal que é caminho de santidade e não apenas contexto de santidade. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quarto Dia — A Acção Católica: A Santidade Organizada
Meditação: Gianna era activa na Acção Católica desde a juventude — o movimento leigo que formou gerações de católicos italianos do século XX. Esta participação em movimentos eclesiais — que dá estrutura e comunidade à santidade pessoal — foi a escola onde a fé de Gianna cresceu antes de ser testada na decisão final. A santidade raramente é construída no isolamento: é construída nas comunidades de fé que formam e sustentam.
Santa Gianna Beretta Molla, formada na Acção Católica para a santidade que mostraste no fim da vida, intercedei pelos movimentos e comunidades eclesiais que formam os santos de hoje. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quinto Dia — A Canonização com a Filha Presente
Meditação: A canonização de Gianna Beretta Molla em 2004 — com o marido Pietro (oitenta e seis anos) e a filha Gianna Emanuela (quarenta e dois anos) presentes na Praça de São Pedro — foi um dos momentos mais emocionantes da história da canonização. A filha cuja vida havia custado a vida da mãe estava presente para ver a mãe ser proclamada santa pela Igreja. A vida que Gianna havia escolhido presenciou o reconhecimento da santidade dessa escolha.
Santa Gianna Beretta Molla, canonizada na presença da filha cuja vida custou a tua, intercedei pela filha Gianna Emanuela e por todos os filhos que crescem sabendo o que custaram. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Sexto Dia — O Esqui e a Música: A Santidade Humana
Meditação: Gianna esquiava, ia ao teatro, amava a música, viajava — uma vida de humanidade plena que a santidade não exigiu que abandonasse. Este aspecto da sua vida — que é frequentemente esquecido em favor do drama da morte — é talvez o mais importante para os cristãos leigos do século XXI: a santidade não é tristeza, não exige a renúncia das alegrias humanas legítimas, não reserva a “vida espiritual” para momentos separados da “vida normal.” Para Gianna, esquiar era também uma forma de louvar o Criador da neve.
Santa Gianna Beretta Molla, que esquiavas e ias ao teatro sendo santa, intercedei para que eu aprenda a santidade que integra as alegrias humanas em vez de as eliminar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Sétimo Dia — O Fibroma: A Decisão Médica e Ética
Meditação: A decisão de Gianna diante do fibroma uterino — escolher a cirurgia mais arriscada para a mãe mas que preservava o bebé — foi uma decisão médica e ética simultaneamente. Como médica, sabia exactamente o que cada opção implicava. Como cristã, sabia que a vida do bebé tinha um valor que não podia ser subordinado à conveniência da sua própria segurança. A integração entre competência profissional e convicção moral é o modelo de toda a bioética cristã.
Santa Gianna Beretta Molla, que tomaste uma decisão médica e ética com consciência plena das consequências, intercedei pelos médicos que enfrentam decisões difíceis onde a ética e a medicina se encontram. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oitavo Dia — A Morte como Última Oferta
Meditação: Gianna morreu de peritonite séptica em 28 de abril de 1962 — uma semana após o parto de Gianna Emanuela. A morte não foi instantânea nem indolor: foi uma semana de sofrimento progressivo que Gianna ofereceu com a paz de quem havia já feito a escolha definitiva antes do nascimento da filha. A morte como “última oferta” — que confirma e completa a escolha feita antes — é a forma mais eloquente de coerência entre a vida e a morte.
Santa Gianna Beretta Molla, que morreste uma semana após o parto como confirmação da escolha que já tinhas feito, intercedei para que a minha morte seja a confirmação da vida que vivi — e não a sua contradição. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Santa Gianna Beretta Molla viveu trinta e nove anos — uma vida breve mas de uma plenitude que impressiona: médica, esposa, mãe de quatro filhos, mulher de fé intensa, de alegria contagiante e de coragem radical. Morreu pela escolha mais simples e mais exigente que o amor pode fazer: a de preferir a vida do outro à própria vida. A filha que nasceu dessa escolha tem hoje mais de sessenta anos e ainda conta a história da mãe que nunca conheceu mas que nunca parou de conhecer.
Santa Gianna Beretta Molla, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a defender a vida com a mesma convicção com que tu a defendeste — não apenas no debate público mas nas escolhas concretas do dia a dia onde a vida dos outros depende das minhas decisões. Intercedei pelas intenções desta novena. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Gloriosa Santa Gianna Beretta Molla, médica e mãe que deste a vida pela filha com a consciência e o amor que só uma médica cristã podia ter, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus. Obtende para mim a graça de uma santidade que integra a profissão, a família e a fé sem separar nenhuma das três, de uma defesa da vida que é antes de tudo um testemunho vivido, e de um amor que chega até ao fim sem calcular o custo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre Santa Gianna Beretta Molla e Esta Novena
1. Quem foi Santa Gianna Beretta Molla?
Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962) foi uma médica pediatra italiana que escolheu preservar a vida da sua filha por nascer em detrimento da sua própria vida quando os médicos descobriram um fibroma uterino na quarta gravidez. Morreu de peritonite séptica em 28 de abril de 1962, uma semana após o parto. Canonizada por João Paulo II em 2004. Festa em 28 de abril.
2. Quando é a festa de Santa Gianna Beretta Molla?
A festa de Santa Gianna Beretta Molla é celebrada em 28 de abril, data da sua morte em 1962. A novena começa em 19 de abril.
3. Qual foi a decisão que custou a vida a Santa Gianna?
Na quarta gravidez, os médicos descobriram um fibroma uterino. As opções eram: histerectomia (que salvaria a mãe mas mataria o bebé); aborto; ou remoção apenas do fibroma (mais arriscada para a mãe). Gianna escolheu a terceira opção, dizendo ao marido e ao médico: “Se tiverem de escolher entre mim e o bebé, escolham o bebé.”
4. Como foi a canonização de Santa Gianna?
João Paulo II canonizou Gianna Beretta Molla em 16 de maio de 2004, na Praça de São Pedro. Estavam presentes o marido Pietro Molla (então com 86 anos) e a filha Gianna Emanuela (então com 42 anos) — a filha cuja vida havia custado a vida da mãe. Foi um dos momentos mais emocionantes da história da canonização moderna.
5. Qual foi a profissão de Santa Gianna Beretta Molla?
Gianna Beretta Molla era médica especializada em pediatria. Abriu uma clínica pediátrica em Mesero em 1952 e exerceu a medicina até à gravidez fatal em 1961. A sua prática médica era inseparável da fé: via Cristo em cada criança que tratava.
6. Por que Santa Gianna é padroeira dos médicos e das mães?

Gianna é padroeira dos médicos porque integrou a prática médica com a fé cristã de forma exemplar, e porque a sua decisão final foi uma decisão médica e ética simultaneamente. É padroeira das mães porque a sua escolha representa o grau máximo do amor materno que prefere a vida do filho à própria vida.
7. Como era a vida pessoal de Santa Gianna?
Gianna era uma mulher de humanidade plena: esquiava, ia ao teatro, amava a música, viajava. Era activa na Acção Católica e na vida paroquial. Amou o marido Pietro com fidelidade e ternura — as cartas trocadas entre os dois são um testemunho de amor conjugal profundo e alegre.
8. Qual é a mensagem de Santa Gianna para o debate sobre o aborto?
Santa Gianna não argumentou sobre o aborto: viveu a alternativa. A sua canonização não significa que a Igreja canonize como obrigatória a sua escolha específica (que foi heroica mas não era a única opção moralmente admissível). Significa que a sua escolha foi o grau máximo de amor que uma mãe pode dar — e que este amor heroico é reconhecível e imitável pelos cristãos.
9. Onde pode ler-se mais sobre Santa Gianna Beretta Molla?
As principais fontes são: a biografia escrita pelo marido Pietro Molla “Gianna Beretta Molla: una donna del nostro tempo”; as cartas trocadas com Pietro, publicadas em vários idiomas; e o site oficial da causa de canonização. Em Portugal e no Brasil existem grupos de oração em seu nome.
10. Como rezar a Novena de Santa Gianna para obter maiores frutos espirituais?
Para obter mais frutos: rezar especificamente por uma mãe grávida que se conhece — com ou sem risco; fazer um gesto de defesa da vida concreta — uma doação a uma casa de acolhimento para mães em dificuldade, uma visita a uma grávida que precisa de apoio; e terminar cada dia com a frase de Gianna: “Se tiverem de escolher, escolham o bebé” — como programa de prioridades na vida quotidiana.
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a Santa Gianna aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de São Francisco de Sales complementa — o mestre espiritual cuja “Introdução à Vida Devota” Gianna lia quotidianamente e que foi o programa da sua santidade laica. A Novena de Santa Jacinta Marto aprofunda — outra santa do século XX que morreu jovem por uma doença que não quis tratar para oferecer o sofrimento pelos pecadores. O Salmo 139 — “Tu formaste os meus rins, teceste-me no ventre da minha mãe” — é o salmo de Gianna: a vida que começa antes do nascimento e que ela defendeu com a própria vida.





