Novena de São Mateus Apóstolo — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Publicanos e Pecadores
Há uma cena nos Evangelhos que resume toda a misericórdia de Jesus numa única frase. Jesus vê um cobrador de impostos sentado na sua banca — um homem que na sociedade judaica era considerado traidor, impuro, excluído da comunidade religiosa — e diz apenas: “Segue-me.” E Mateus levantou-se e seguiu-O.
Esta cena é extraordinária não apenas pela conversão de Mateus — mas pela escolha de Jesus. Jesus não foi ao Templo buscar o seu apóstolo. Foi à banca dos impostos. Não escolheu o mais piedoso, o mais observante, o mais respeitado — escolheu o mais desprezado. E dessa escolha nasceu um dos quatro Evangelhos, o mais extenso e o mais citado ao longo da história cristã.
São Mateus é o patrono dos publicanos, dos contabilistas, dos banqueiros, dos alfandegários — e de todos os que se sentiram indignos da misericórdia de Deus. A sua história diz a cada um deles: não existe pessoa demasiado indigna para ser chamada por Jesus. O que Jesus pede não é perfeição — é disponibilidade.
Quem Foi São Mateus Apóstolo
Mateus — chamado também Levi, filho de Alfeu (Marcos 2:14) — era publicano em Cafarnaum. Os publicanos eram coletores de impostos ao serviço do Império Romano, frequentemente judeus que arrecadavam mais do que o devido e ficavam com a diferença. Eram considerados colaboradores da ocupação romana e, por isso, excluídos da sinagoga e da vida religiosa judaica. Ninguém jantava com publicanos — exceto Jesus.
Quando Jesus chamou Mateus, este levantou-se “e, deixando tudo, o seguiu” (Lucas 5:28). E depois deu um banquete em sua casa — convidando os seus amigos publicanos e pecadores para conhecerem Jesus. Os fariseus escandalizaram-se: “Por que é que o vosso Mestre come com os publicanos e pecadores?” E Jesus respondeu com uma das frases mais importantes dos Evangelhos: “Não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes. Não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mateus 9:12-13).
Mateus tornou-se um dos doze apóstolos e, segundo a tradição, escreveu o primeiro Evangelho — o mais longo dos quatro, com especial atenção à relação entre o Antigo e o Novo Testamento e à pedagogia de Jesus através dos grandes discursos. Após o Pentecostes, evangelizou a Etiópia e a Pérsia, onde teria sido martirizado, segundo a tradição, por volta de 70 d.C. A sua festa é celebrada em 21 de setembro.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São Mateus Apóstolo, publicano chamado por Jesus da banca dos impostos para anunciar o Evangelho ao mundo, intercedei por mim nesta novena. Vós que experimentastes a misericórdia de Cristo de forma tão radical — chamado do lugar da exclusão para o círculo dos mais íntimos — intercedei para que eu também experimente esta misericórdia que não exclui ninguém. Amém.
Primeiro Dia — “Segue-me”: O Chamamento do Excluído
Meditação: Jesus foi buscar Mateus ao lugar mais improvável — a banca dos impostos, símbolo da colaboração com o poder opresor e da exclusão da comunidade religiosa. Esta escolha de Jesus não foi acidental. Era declaração teológica: a misericórdia de Deus não respeita as fronteiras que os homens traçam para determinar quem é incluível e quem é excluível. O excluído pela religião foi escolhido pelo próprio Deus para escrever o Evangelho.
São Mateus, chamado do lugar da exclusão, intercedei para que eu não exclua ninguém que Deus pode estar chamando. Que eu não determine previamente quem é digno da misericórdia de Deus. E nos momentos em que me sinto excluído — por pecados, por falhas, por passado — que eu lembre que Jesus foi buscar Mateus exactamente onde estava. Amém.
Segundo Dia — “Deixando Tudo, Seguiu-O”
Meditação: Lucas especifica que Mateus “deixou tudo” — a banca, os impostos, o rendimento, a carreira, a segurança financeira. Para um publicano, deixar a banca era deixar tudo o que tinha e o que era. Este abandono radical é o que Jesus pede a cada discípulo — não necessariamente no sentido literal de deixar o emprego, mas no sentido de não agarrar ao que possuímos com tanta força que nos impeça de seguir. O seguimento de Jesus requer mãos abertas.
São Mateus, que deixaste tudo para seguir Jesus, intercedei para que eu identifique o que me impede de seguir com liberdade. Os apegos que me prendem, as seguranças que me paralisam, os confortos que tornei indispensáveis. Que eu abra as mãos e deixe ir o que precisa de ser deixado para que o seguimento seja real. Amém.
Terceiro Dia — O Banquete dos Pecadores
Meditação: Depois de ser chamado, Mateus não guardou Jesus para si — deu um banquete e convidou os seus amigos publicanos e pecadores para conhecerem Jesus. Esta generosidade imediata de Mateus — partilhar o que acabou de receber, evangelizar o seu próprio círculo social, ser a ponte entre Jesus e os excluídos — é o modelo de todo o apostolado. Quem encontra Jesus quer que os outros o encontrem também. A misericórdia recebida torna-se misericórdia partilhada.
São Mateus, que partilhastes imediatamente a alegria do chamamento com os teus amigos, intercedei para que eu também partilhe a fé com os que estão ao meu redor. Que não guarde para mim o que recebi de graça. Que o meu “banquete” — o encontro com Cristo — seja aberto também aos que a religião institucional tende a excluir. Amém.
Quarto Dia — “Não Vim Chamar os Justos, Mas os Pecadores”
Meditação: A resposta de Jesus aos fariseus escandalizados — “não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes; não vim chamar os justos, mas os pecadores” — é uma das declarações mais radicais dos Evangelhos sobre a missão de Jesus. A surpresa não é que Jesus jante com pecadores — é que Jesus afirme que veio precisamente para eles. Os “justos” que não sentem necessidade de misericórdia estão fora do alcance d’Aquele que veio para dar misericórdia.
São Mateus, pelo banquete de quem Jesus disse “não vim chamar os justos, mas os pecadores”, intercedei para que eu me saiba pecador — não por auto-depreciação, mas por honestidade. Que eu nunca chegue a Jesus com a arrogância do que se acha justo — mas com a humildade do publicano que sabe que precisa do Médico. Amém.
Quinto Dia — O Evangelho de Mateus
Meditação: O Evangelho de Mateus é o mais extenso dos quatro e o mais citado ao longo da história cristã. Tem características únicas: cinco grandes discursos de Jesus (o Sermão da Montanha, a missão dos doze, as parábolas do Reino, a comunidade, o discurso escatológico), a genealogia que liga Jesus a Abraão e David, e uma atenção especial ao cumprimento das profecias do Antigo Testamento. O publicano que trabalhava com números escreveu o Evangelho mais estruturado e mais pedagógico. A graça usa os talentos naturais — não os elimina.
São Mateus, cujo talento para os números e a organização foi transformado em estrutura do Evangelho, intercedei para que eu também use os meus talentos naturais a serviço do Reino. Que os dons que Deus me deu — sejam eles quais forem — não sejam desperdiçados ou escondidos, mas colocados ao serviço do que é maior do que eu. Amém.
Sexto Dia — O Sermão da Montanha
Meditação: O Sermão da Montanha — preservado em Mateus 5-7, o texto mais extenso e mais influente de todos os Evangelhos — foi transmitido ao mundo pelo ex-publicano. As Bem-Aventuranças, o Pai-Nosso, as antíteses (“ouvistes que foi dito… eu porém vos digo”), o ensinamento sobre a esmola, o jejum e a oração — tudo isso chegou até nós através de Mateus. O homem que vivia de recolher impostos tornou-se o transmissor das palavras de Jesus sobre a generosidade, o despojamento e o amor aos inimigos.
São Mateus, transmissor do Sermão da Montanha, intercedei para que eu viva o que o Sermão ensina. As Bem-Aventuranças que definem a vida cristã. O Pai-Nosso como escola de oração. O amor aos inimigos como medida do amor cristão. Que as palavras de Jesus que preservastes se tornem programa de vida para mim. Amém.
Sétimo Dia — Patrono dos Contabilistas e Financeiros
Meditação: São Mateus é patrono dos contabilistas, banqueiros, alfandegários, agentes fiscais e profissionais das finanças — pela sua profissão anterior de publicano. Esta patronagem é convite para os profissionais do mundo financeiro: que usem os seus talentos com integridade, que o manejo do dinheiro seja feito com justiça, e que a sua profissão seja iluminada pela fé. O ex-publicano que encontrou Jesus é o modelo de como a conversão transforma não apenas a alma mas também a forma de exercer uma profissão.
São Mateus, patrono dos profissionais das finanças, intercedei por todos os que trabalham com dinheiro. Pelos que são tentados pela corrupção e pela desonestidade. Pelos que gerem os recursos dos outros com responsabilidade. Que a integridade seja a sua bússola e que a fé ilumine as suas decisões profissionais. Amém.
Oitavo Dia — Da Banca dos Impostos ao Evangelho
Meditação: A transformação de Mateus — de cobrador de impostos a evangelista — é a mais radical de todos os apóstolos exceto Paulo. Num caso, um perseguidor tornou-se missionário. No outro, um colaborador do poder tornou-se anunciador do Reino. Em ambos os casos, a graça não apagou o passado — usou-o. Paulo usou a sua formação farisaica para argumentar com os judeus. Mateus usou o seu método metódico e estruturado para organizar o Evangelho. A graça redime o passado — e depois usa-o.
São Mateus, cuja banca de publicano se tornou mesa de evangelista, intercedei para que eu veja como Deus pode usar o meu passado — incluindo os erros, os desvios, os anos perdidos. Que eu não considere nada do que vivi como desperdiçado. Que a graça redima e use tudo — como usou os seus anos de publicano para formar o evangelista mais meticuloso. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Chegamos ao último dia desta novena. São Mateus morreu mártir — segundo a tradição, na Etiópia ou na Pérsia — pela mesma mensagem que antes desprezou: o Evangelho do Reino. O homem que fora excluído pela religião morreu pela religião — não pela religião dos excluídos, mas pelo Deus que inclui todos. O seu martírio foi o culminar de uma conversão que começou numa banca de impostos e terminou num altar de testemunho.
São Mateus Apóstolo e Evangelista, ao terminar esta novena eu me comprometo a viver o Evangelho que preservastes — especialmente a misericórdia sem exclusão que Jesus revelou no banquete dos publicanos. Intercedei pelas intenções desta novena junto ao Senhor. E que a misericórdia que recebestes seja a misericórdia que distribuo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São Mateus Apóstolo, publicano convertido e evangelista fiel, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Que a misericórdia que Jesus vos mostrou ao chamar-vos da banca dos impostos chegue também à minha vida. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 12 a 20 de setembro — nos nove dias antes da festa de 21 de setembro
Por profissionais das finanças e contabilidade — em honra do patrono
Para quem se sente indigno da misericórdia de Deus
Em intenções de conversão radical — como a de Mateus
Para aprofundar o Sermão da Montanha
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a São Mateus se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de São Pedro e São Paulo complementa — apóstolos que também viveram conversões profundas. A Novena de São Tomás Apóstolo aprofunda o tema da transformação pela graça. O Salmo 51 — “tem misericórdia de mim, ó Deus” — é o salmo da misericórdia que São Mateus experimentou. E o Salmo 103 — “como o pai se compadece dos filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem” — exprime a misericórdia de Deus que Mateus conheceu pessoalmente.