Novena de Santa Margarida de Antioquia — 9 Dias de Oração à Mártir da Pureza e da Fé
Há santos cujas histórias a Igreja venera há séculos com uma devoção popular que a crítica histórica nunca conseguiu apagar — porque por baixo da lenda há uma verdade espiritual que ressoa em cada geração. Santa Margarida de Antioquia — conhecida no Oriente como Santa Marina — é uma dessas santas: a jovem filha de um sacerdote pagão que se converteu ao cristianismo, que foi perseguida pelo governador romano, que foi torturada e que morreu mártir com uma serenidade que impressionou os que a testemunharam.
A tradição que a Church venera é rica em elementos simbólicos — incluindo a lenda do dragão que a engoliu e do qual saiu ilesa. Esta lenda — que a crítica histórica descarta como não-histórica — contém uma verdade espiritual profunda: o mal que tenta devorar o inocente não tem poder sobre quem está protegido por Deus. Santa Margarida pisou a cabeça do dragão — como o Génesis havia prometido que a mulher faria.
A sua devoção foi extraordinariamente popular na Idade Média — especialmente em Inglaterra, onde foi uma das catorze “Santas Auxiliadoras” mais invocadas. Era uma das vozes que Santa Joana d’Arc ouvia. A sua festa é celebrada em 20 de julho.
Quem Foi Santa Margarida de Antioquia
Os dados históricos sobre Santa Margarida são escassos — o Papa Gelásio I, em 494 d.C., incluiu o seu nome entre os santos cujas vidas “eram desconhecidas à maioria e cuja autenticidade era questionável.” E ainda assim, a devoção popular continuou — porque a história espiritual que preserva é verdadeira independentemente dos detalhes históricos.
Segundo a tradição, Margarida nasceu em Antioquia da Pisídia (atual Turquia), filha de Aedésio, sacerdote pagão. A mãe morreu cedo e Margarida foi entregue a uma ama cristã, com quem se converteu ao cristianismo. Quando o pai soube da conversão, repudiou-a. A ama cuidou dela como pastora de ovelhas.
O prefeito romano Olíbrio viu Margarida, apaixonou-se e quis desposá-la ou torná-la concubina. Quando ela recusou, declarando-se cristã e consagrada a Cristo, foi presa. Sob tortura, manteve a fé. Segundo a tradição, na prisão apareceu-lhe o demônio em forma de dragão que a engoliu — e Margarida, com o sinal da Cruz, fez o dragão explodir de dentro. Foi decapitada em 20 de julho de 304 d.C., durante a perseguição de Diocleciano.
É padroeira das mulheres grávidas e das parturientes — pela lenda de ter saído intacta do ventre do dragão, que foi associada ao parto. É também padroeira dos agricultores e das parteiras. A sua festa é celebrada em 20 de julho.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Gloriosa Santa Margarida de Antioquia, mártir da pureza e da fé, que saístes ilesa do dragão pela força do sinal da Cruz, intercedei por mim nesta novena. Vós que recusastes o poder humano em nome da fidelidade a Cristo, intercedei para que eu também mantenha a fé quando o mundo me pressiona a abandoná-la. Amém.
Primeiro Dia — A Filha Repudiada
Meditação: Margarida foi repudiada pelo pai quando se converteu ao cristianismo. Esta rejeição familiar pela fé — que foi a experiência de muitos cristãos dos primeiros séculos e que continua a ser experiência de convertidos em muitas culturas hoje — é uma das formas mais dolorosas de perseguição. Não a perseguição do Estado mas a da família. Jesus havia dito: “Não vim trazer a paz, mas a espada… o filho contra o pai.” Margarida viveu literalmente esta palavra.
Santa Margarida, repudiada pelo pai por causa da fé, intercedei pelos convertidos que são rejeitados pelas famílias. Pelos que escolheram Cristo e perderam o amor dos pais, dos irmãos, dos cônjuges. Que encontrem em Deus o Pai que nenhuma rejeição humana pode substituir. Amém.
Segundo Dia — A Pastora de Ovelhas
Meditação: Depois de ser repudiada pelo pai, Margarida viveu com a ama como pastora de ovelhas — uma situação de pobreza e de humildade voluntária. Esta descida social — da filha do sacerdote à pastora — é pattern evangélico: quem perde tudo pela fé encontra a liberdade de servir sem calcular o preço. As ovelhas que Margarida pastoreava eram imagem das almas que ela, pela sua martírio posterior, ajudaria a libertar.
Santa Margarida, pastora humilde depois de ser filha de sacerdote, intercedei para que eu aceite com serenidade as descidas sociais que a fidelidade à fé pode trazer. Que eu não considere nenhum serviço humilde demais para quem serve Cristo. E que a humildade seja para mim libertação e não humilhação. Amém.
Terceiro Dia — “Sou Cristã e Consagrada a Cristo”
Meditação: Quando Olíbrio quis desposá-la ou tê-la como concubina, Margarida declarou simplesmente: “Sou cristã e consagrada a Cristo.” Esta identidade dupla — cristã e consagrada — era a razão de toda a sua recusa. Não era recusa do amor humano em si — era a recusa de um amor que contradizia a sua consagração a Cristo. A identidade cristã que define as escolhas — incluindo as mais pessoais — é a forma mais corajosa de ser cristão.
Santa Margarida, que declaraste “sou cristã” diante do poder que te queria, intercedei para que eu também saiba declarar a minha identidade cristã quando ela é posta à prova. Que a fé não seja aspecto privado que escondo em público mas a identidade que define quem sou e como escolho. Amém.
Quarto Dia — O Dragão Vencido pela Cruz
Meditação: A lenda do dragão — que tentou devorar Margarida na prisão e do qual ela saiu ilesa pelo sinal da Cruz — é rica em simbolismo. O dragão é o símbolo do mal que tenta engolir o inocente, que tenta fazer desaparecer o que é bom. E o sinal da Cruz — o instrumento da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte — é a arma que destrói o dragão de dentro. Margarida não derrotou o dragão pela força — mas pelo sinal da redenção. A Cruz vence o que a força humana não consegue.
Santa Margarida, que saístes ilesa do dragão pelo sinal da Cruz, intercedei para que eu também use a Cruz como arma nas batalhas espirituais. Que o sinal da Cruz não seja gesto automático mas acto de fé — a proclamação de que Cristo já venceu o que me ameaça. E que eu saia ileso das provações mais terríveis pela mesma força que vos protegeu. Amém.
Quinto Dia — Padroeira das Mulheres Grávidas
Meditação: Santa Margarida é padroeira das grávidas e parturientes — pela associação entre a sua saída do ventre do dragão e o nascimento. Esta patronagem é de uma ternura pastoral extraordinária: associar a experiência do parto — com todos os seus medos e perigos — à saída miraculosa de Margarida do ventre do dragão. O parto como vitória sobre o dragão do medo e da dor. E Margarida como intercessora de toda a mãe que treme diante do que está por vir.
Santa Margarida, padroeira das grávidas e parturientes, intercedei por todas as mulheres que esperam um filho. Pelas que têm medo do parto, pelas que enfrentam gravidezes de risco, pelas que perderam filhos antes do nascimento. Que a vossa intercessão proteja as mães e os bebés no momento mais vulnerável e mais glorioso da maternidade. Amém.
Sexto Dia — As Catorze Santas Auxiliadoras
Meditação: Santa Margarida era uma das catorze “Santas Auxiliadoras” — um grupo de mártires medievais especialmente invocados por graças específicas em situações de necessidade extrema. Esta devoção — que floresceu especialmente após a Peste Negra do século XIV, quando as populações aterrorizadas se voltaram para os santos como intercessores — revela algo sobre a espiritualidade cristã: nos momentos de maior desamparo, a comunhão dos santos é refugio real.
Santa Margarida, uma das catorze santas auxiliadoras, intercedei com os outros santos auxiliadores pelas necessidades mais urgentes da humanidade. E intercedei para que eu recorra com confiança à intercessão dos santos nos momentos de maior desamparo — sabendo que a comunhão dos santos é real e que os que já chegaram ao fim da jornada ainda intercede pelos que ainda caminham. Amém.
Sétimo Dia — A Voz que Joana d’Arc Ouvia
Meditação: Santa Margarida era uma das três vozes que Joana d’Arc dizia ouvir — ao lado de São Miguel e Santa Catarina. Independentemente da questão histórica sobre a natureza destas vozes, o que é significativo é que Joana associou a coragem de Margarida — a jovem que resistiu ao poder imperial com apenas a sua fé — à coragem que precisava para enfrentar o próprio poder imperial francês e inglês. Margarida inspirou Margaridas por toda a história.
Santa Margarida, que inspiraste a coragem de Joana d’Arc, intercedei para que a tua coragem inspire também a minha. Que quando enfrento poderes que me parecem grandes demais, eu me lembre da jovem pastora de Antioquia que derrotou o governador romano pela força da fé. E que eu nunca pense que sou demasiado pequeno para resistir ao que é injusto. Amém.
Oitavo Dia — O Martírio Sereno
Meditação: Margarida foi decapitada — depois de torture que não conseguiu abalar a sua fé. A serenidade dos mártires diante da morte é um dos fenómenos mais desconcertantes para os que observam: como pode uma jovem de dezasseis anos enfrentar a morte com mais serenidade do que o governador romano que a condena? Porque viu o que o governador não via: que a morte é passagem, não fim, e que o que está do outro lado é maior do que o que fica para trás.
Santa Margarida, serena diante do martírio, intercedei para que eu desenvolva esta perspectiva da eternidade que tornava os mártires mais livres do que os seus algozes. Que a certeza da vida eterna transforme a minha relação com o que perco e com o que temo perder. E que quando a morte se aproximar — minha ou de quem amo — eu a enfrente com a serenidade de quem sabe o que está do outro lado. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Chegamos ao último dia. Santa Margarida de Antioquia — Marina no Oriente cristão — é venerada há dezassete séculos como modelo de coragem feminina, de pureza defendida, de fé que não cede ao poder. A sua história, com os seus elementos legendários, contém uma verdade que a história não pode falsificar: existiram mulheres assim — jovens que escolheram a morte em vez da traição. E estas mulheres mudaram o mundo — não pelas armas mas pelo testemunho.
Santa Margarida de Antioquia, ao terminar esta novena eu me comprometo a defender a minha identidade cristã com a mesma coragem com que vós defendestes a vossa. Intercedei pelas intenções desta novena. E que o sinal da Cruz que vos libertou do dragão me liberte também dos dragões que ameaçam a minha fé e a minha paz. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Gloriosa Santa Margarida de Antioquia, mártir da pureza e da fé, padroeira das grávidas e das parturientes, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Que a vossa coragem inspire a minha vida cristã. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 11 a 19 de julho — nos nove dias antes da festa de 20 de julho
Por mulheres grávidas e em trabalho de parto
Pelos que são rejeitados pela família por causa da fé
Em batalhas espirituais contra o mal
Para pedir coragem de declarar a identidade cristã
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a Santa Margarida se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de Santa Inês complementa — outra jovem mártir romana que defendeu a pureza com a mesma coragem. A Novena de Santa Joana d’Arc aprofunda — Joana ouvia a voz de Margarida como inspiração para a sua coragem. O Salmo 27 — “o Senhor é a minha luz e salvação; a quem temerei?” — é o salmo da coragem de Margarida diante dos seus algozes. E o Salmo 91 — “pisarás sobre o leão e sobre a cobra” — é a promessa bíblica que Margarida cumpriu ao pisar a cabeça do dragão.