Novena de Santa Catarina de Génova — 9 Dias de Oração à Mística do Purgatório
Há uma mística italiana do século XV que escreveu sobre o Purgatório de uma forma que ainda hoje é reconhecida como o texto mais penetrante e mais belo que a tradição cristã produziu sobre o tema — e que o fez não a partir de uma visão estética da vida pós-morte mas a partir de uma experiência mística do amor de Deus que ela havia vivido pessoalmente e que lhe havia revelado como o Purgatório funciona. Santa Catarina de Génova foi a mulher que, depois de uma juventude infeliz no casamento com um marido violento e dissoluto, experienciou uma conversão mística tão radical que transformou não apenas a sua vida mas a do próprio marido — que acabou por se converter e por trabalhar ao seu lado na caridade aos pobres e doentes de Génova.
A sua “Obra Espiritual” — que inclui o “Tratado do Purgatório” e o “Diálogo da Alma com o Corpo” — é um dos textos místicos mais originais do Renascimento italiano. A imagem central do “Tratado do Purgatório” é de uma beleza teológica extraordinária: as almas no Purgatório não sofrem apesar de Deus mas em Deus — a dor do Purgatório não é pena externa imposta por Deus mas o ardor do próprio amor de Deus que queima o que é impuro na alma que deseja ser digna d’Ele. Esta visão — que transforma o Purgatório de um lugar de punição num espaço de purificação pelo amor — é a contribuição mais original de Catarina à teologia escatológica cristã.
Canonizada por Clemente XII em 1737. A sua festa é celebrada em 15 de setembro.
Quem Foi Santa Catarina de Génova

Caterina Fieschi nasceu em 1447 em Génova, numa das famílias aristocráticas mais importantes da cidade. Desde criança revelou uma inclinação contemplativa que a família não compreendia: queria entrar num mosteiro, mas os pais recusaram — por razões políticas, arranjaram-lhe um casamento com Giuliano Adorno em 1463, quando tinha dezasseis anos.
O casamento foi um desastre: Giuliano era violento, dissoluto, gastador, e a deixava sozinha durante longos períodos. Os primeiros anos foram de uma infelicidade que Catarina suportou com uma resignação exterior que escondia uma angústia interior crescente. Em 1473 — depois de dez anos de casamento infeliz — Catarina foi a uma confissão com o capelão do convento das Irmãs de São João e experienciou uma experiência mística tão intensa que a transformou radicalmente: uma visão do amor de Deus tão irradiante e tão total que a sua vida nunca mais foi a mesma.
O marido Giuliano, impressionado pela transformação da esposa, converteu-se também em 1477. Os dois venderam os bens e foram trabalhar no Hospital Pammatone de Génova — um dos maiores hospitais da Europa da época — cuidando dos pobres e dos doentes com uma dedicação que os contemporâneos descreviam como sobrenatural. Catarina tornou-se directora do hospital em 1490 — um cargo que geria com uma competência administrativa que se adicionava à santidade pessoal. Trabalhou no hospital durante décadas — inclusive durante as grandes epidemias de peste que devastaram Génova — sempre na linha da frente do cuidado dos mais doentes.
Morreu em 15 de setembro de 1510 em Génova, com sessenta e três anos. O seu corpo foi sepultado no Hospital Pammatone, onde ainda se conserva. Canonizada em 1737. Festa em 15 de setembro.
O Tratado do Purgatório: O Amor que Purifica
O “Tratado do Purgatório” de Santa Catarina de Génova é um dos textos mais originais e mais influentes da teologia escatológica cristã. A sua imagem central é de uma beleza que surpreende: as almas no Purgatório não sofrem a pena de um Deus que castiga, mas a dor do seu próprio amor por Deus — que deseja ser digno d’Ele e que sente a distância entre o que é e o que Deus quer que seja.
Para Catarina, o Purgatório não é um lugar de punição exterior mas de purificação interior pelo fogo do amor divino. As almas do Purgatório não desejam sair do Purgatório antes de estarem purificadas — porque compreendem que o Purgatório é o lugar onde se tornam capazes de receber o Amor que as espera. Esta visão — que transforma o Purgatório de um lugar de medo num espaço de esperança — é a que mais profundamente influenciou a teologia do Purgatório desde o século XV.
Hans Urs von Balthasar — o maior teólogo católico do século XX — considerava o “Tratado do Purgatório” de Catarina o texto cristão mais penetrante sobre a escatologia que conhecia. Este reconhecimento, vindo de um dos teólogos mais exigentes da história, é o sinal da qualidade excepcional da intuição mística de Catarina.
A Conversão de Giuliano: O Amor que Transforma o Outro

A conversão do marido Giuliano — de marido violento e dissoluto em companheiro de caridade que trabalha ao lado da esposa no hospital dos pobres — é um dos sinais mais eloquentes da fecundidade apostólica da santidade de Catarina. Ela não havia pregado ao marido nem o havia atormentado com exortações: havia mudado de vida de forma tão radical que o marido viu na mudança dela algo que não conseguia explicar de outra forma que não fosse a acção de Deus. A santidade que converte os que vivem perto é a mais eficaz de todas.
Como Rezar Esta Novena
- De 6 a 14 de setembro — nos nove dias antes da festa de 15 de setembro
- Para as almas do Purgatório — a devoção central de Catarina
- Para os casados em situações difíceis
- Para os profissionais de saúde
- Para aprofundar a teologia da vida após a morte
- Para pedir a graça de uma conversão radical
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Gloriosa Santa Catarina de Génova, mística do Purgatório que mostraste que o fogo que purifica as almas é o próprio amor de Deus, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que sofreste dez anos de casamento infeliz antes da conversão mística que transformou não apenas a vossa vida mas a do próprio marido, intercedei para que eu confie que Deus pode transformar qualquer situação humana que parece sem saída. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Primeiro Dia — A Juventude Infeliz: O Sofrimento que Prepara
Meditação: Os dez anos de casamento infeliz que Catarina suportou antes da conversão mística de 1473 não foram tempo perdido: foram a escola do sofrimento que formou a profundidade espiritual que depois a mística revelou. A pessoa que não conheceu o sofrimento não tem a profundidade de compreensão que o sofrimento produz. Catarina não pediu o sofrimento — mas quando chegou, não o desperdiçou: foi fazendo a pergunta mais profunda que o sofrimento permite: “Onde está Deus nisto?”
Santa Catarina de Génova, cujos dez anos de casamento infeliz prepararam a profundidade mística que depois floresceu, intercedei pelos que sofrem em situações que parecem sem saída. Que descubram em Deus a resposta que o sofrimento levanta. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Segundo Dia — A Conversão de 1473: O Amor que Avassala
Meditação: A experiência mística de 1473 — que Catarina descreveu como uma visão do amor de Deus tão intensa que a deixou durante dias incapaz de falar ou de agir normalmente — é o tipo de experiência que a mística cristã chama de “iluminação” ou de “visão intelectual”: não uma visão com os olhos externos mas uma percepção interior de uma realidade que supera toda a experiência habitual. Esta experiência — que transformou radicalmente a vida de Catarina — foi ao mesmo tempo um dom gratuito e o fruto de dez anos de sofrimento que havia preparado o coração para receber.
Santa Catarina de Génova, que em 1473 experienciaste o amor de Deus de uma forma que transformou toda a tua vida, intercedei para que eu permaneça aberto às formas inesperadas como Deus Se revela. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Terceiro Dia — O Tratado do Purgatório: O Fogo do Amor
Meditação: A imagem central do “Tratado do Purgatório” de Catarina — de que as almas no Purgatório sofrem não por punição exterior mas pelo ardor do amor de Deus que queima o que é impuro — é de uma profundidade teológica que ainda hoje alimenta a reflexão da Igreja. Esta visão transforma o Purgatório de um lugar de medo num espaço de esperança: um lugar onde o amor de Deus completa o que a vida não completou, onde a purificação acontece não apesar de Deus mas pelo amor de Deus.
Santa Catarina de Génova, autora do Tratado do Purgatório que transformou a compreensão cristã da vida após a morte, intercedei pelas almas do Purgatório que o fogo do amor de Deus purifica. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quarto Dia — A Conversão de Giuliano: A Santidade que Contagia
Meditação: A conversão do marido Giuliano — que a transformação de Catarina converteu sem que ela tivesse de pregar ou exortar — é a prova de que a santidade pessoal é a forma de apostolado mais eficaz que existe. Catarina não converteu Giuliano com argumentos: converteu-o com a vida. A pessoa que muda radicalmente a vida sem pedir ao cônjuge que mude a dele está a fazer o apostolado mais profundo que existe em contexto familiar.
Santa Catarina de Génova, cuja santidade converteu o marido sem palavras, intercedei pelos cônjuges que desejam a conversão do esposo ou da esposa. Que tenham a sabedoria de ser antes de pregar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quinto Dia — O Hospital Pammatone: A Mística que Serve
Meditação: A gestão do Hospital Pammatone por Catarina — que foi directora durante anos e que trabalhou durante as epidemias de peste com a sua própria saúde em risco permanente — é o sinal mais eloquente de que a mística de Catarina não era contemplação sem acção. A mulher que havia escrito o texto mais penetrante sobre o Purgatório era a mesma que esvaziava as bacias dos doentes com as próprias mãos. A mística e a caridade não eram para ela dois momentos separados: eram a mesma realidade vista de dois ângulos diferentes.
Santa Catarina de Génova, directora do Hospital Pammatone que trabalhava durante as epidemias de peste, intercedei pelos gestores hospitalares e profissionais de saúde que servem os doentes mais graves. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Sexto Dia — Hans Urs von Balthasar e Catarina: O Reconhecimento dos Grandes
Meditação: O facto de Hans Urs von Balthasar — um dos maiores teólogos do século XX — considerar o “Tratado do Purgatório” de Catarina o texto cristão mais penetrante sobre a escatologia que conhecia é o reconhecimento mais eloquente que um não-teólogo especialista pode receber. Este reconhecimento tardio — quatro séculos após a morte de Catarina — é o sinal de que a profundidade mística genuína não envelhece: o texto que nasce de uma experiência real de Deus continua a iluminar as mentes mais exigentes em qualquer geração.
Santa Catarina de Génova, cujo Tratado do Purgatório ainda ilumina os maiores teólogos quatro séculos depois, intercedei para que eu aprenda a procurar as fontes mais profundas da tradição espiritual cristã. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Sétimo Dia — As Almas do Purgatório: A Devoção Mais Esquecida
Meditação: A devoção às almas do Purgatório — que foi o eixo central de toda a vida espiritual de Catarina — é uma das devoções mais esquecidas e mais urgentes da tradição cristã. Rezar pelas almas do Purgatório é o acto de caridade mais puro que existe: a ajuda a alguém que não pode ajudar-se a si mesmo, sem possibilidade de reciprocidade, sem benefício pessoal imediato, apenas pelo amor. Catarina via nesta caridade a expressão mais limpa do amor cristão.
Santa Catarina de Génova, que intercedias constantemente pelas almas do Purgatório, ensina-me a rezar pelas almas do Purgatório com a mesma constância e o mesmo amor com que tu rezavas. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oitavo Dia — O “Diálogo da Alma com o Corpo”: A Antropologia Mística
Meditação: O “Diálogo da Alma com o Corpo” — a outra obra principal de Catarina — é um texto de uma vivacidade dramática que descreve o combate interior entre a alma que deseja Deus e o corpo que a prende às coisas terrenas. Este combate — que Catarina viveu de forma intensa e que descreveu com uma honestidade que impressiona — é a experiência de todo o cristão que busca a santidade: a alma que quer voar e o corpo que pesa. A resolução de Catarina não é o desprezo do corpo: é a sua purificação pelo amor.
Santa Catarina de Génova, que descreveste no Diálogo o combate interior entre a alma que deseja Deus e o corpo que a prende, intercedei para que eu não desespere diante deste combate mas confie que o amor de Deus vence. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Santa Catarina de Génova viveu sessenta e três anos — dos quais os primeiros vinte e seis foram de preparação (muitas vezes dolorosa) e os últimos trinta e sete foram de mística activa ao serviço dos doentes de Génova. A mulher que havia experienciado o amor de Deus de forma tão intensa que não conseguia falar durante dias foi também a directora que geria um dos maiores hospitais da Europa com competência e dedicação. A mística e a acção não foram para ela opostos: foram as duas faces da mesma moeda do amor.
Santa Catarina de Génova, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a rezar regularmente pelas almas do Purgatório — o acto de caridade mais puro que Catarina nos ensinou. Intercedei pelas intenções desta novena. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Gloriosa Santa Catarina de Génova, mística do Purgatório e directora do Hospital Pammatone, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus. Obtende para mim a graça de uma compreensão mais profunda do amor de Deus que purifica, de uma caridade pelas almas do Purgatório que é o mais puro dos amores, e de uma santidade que transforma os que vivem perto sem que seja necessário pregar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre Santa Catarina de Génova e Esta Novena
1. Quem foi Santa Catarina de Génova?
Santa Catarina de Génova (1447-1510) foi uma mística italiana famosa pela conversão radical de 1473 e pelas obras “Tratado do Purgatório” e “Diálogo da Alma com o Corpo”. Trabalhou durante décadas no Hospital Pammatone de Génova, cuidando dos pobres e doentes. Canonizada em 1737. Festa em 15 de setembro.
2. Quando é a festa de Santa Catarina de Génova?
A festa de Santa Catarina de Génova é celebrada em 15 de setembro, data da sua morte em 1510. A novena começa em 6 de setembro.
3. O que é o “Tratado do Purgatório” de Santa Catarina de Génova?
O “Tratado do Purgatório” é a obra mais importante de Catarina sobre a vida pós-morte. Afirma que as almas no Purgatório não sofrem por punição exterior de Deus mas pelo ardor do amor de Deus que queima o que é impuro. Esta visão transforma o Purgatório de um lugar de medo num espaço de purificação pelo amor.
4. O que foi a conversão de 1473 de Santa Catarina?
Em 1473, depois de dez anos de casamento infeliz, Catarina experienciou uma visão mística do amor de Deus tão intensa que transformou radicalmente a sua vida. A experiência foi tão poderosa que a deixou durante dias incapaz de funcionar normalmente. A partir daí, dedicou a vida à caridade e à vida mística.
5. Como se converteu Giuliano Adorno, o marido de Santa Catarina?
Giuliano era marido violento e dissoluto que se converteu em 1477 — quatro anos após a conversão de Catarina — impressionado pela transformação radical da esposa. Sem que Catarina tivesse pregado ou exortado, a mudança de vida dela convenceu-o de que algo sobrenatural havia acontecido. Os dois venderam os bens e foram trabalhar juntos no Hospital Pammatone.

6. Qual foi o papel de Santa Catarina no Hospital Pammatone?
Santa Catarina trabalhou no Hospital Pammatone de Génova durante décadas, tornando-se directora em 1490. Gerida com uma competência administrativa que se adicionava à santidade pessoal, permaneceu na linha da frente durante as grandes epidemias de peste que devastaram Génova, sempre cuidando dos mais doentes.
7. O que é o “Diálogo da Alma com o Corpo” de Santa Catarina?
O “Diálogo da Alma com o Corpo” é a outra obra principal de Catarina — um texto dramático que descreve o combate interior entre a alma que deseja Deus e o corpo que a prende às coisas terrenas. A resolução de Catarina não é o desprezo do corpo mas a sua purificação pelo amor.
8. Porque é que Hans Urs von Balthasar admirava Santa Catarina de Génova?
Hans Urs von Balthasar — considerado um dos maiores teólogos católicos do século XX — considerava o “Tratado do Purgatório” de Catarina o texto cristão mais penetrante sobre a escatologia que conhecia. Este reconhecimento reflecte a qualidade excepcional da intuição mística de Catarina, que quatro séculos depois continua a iluminar os maiores teólogos.
9. Quando foi canonizada Santa Catarina de Génova?
Santa Catarina de Génova foi canonizada pelo Papa Clemente XII em 1737 — mais de dois séculos após a sua morte em 1510. O processo foi longo em parte porque a vida mística de Catarina levantava questões teológicas complexas que a Santa Sé quis examinar cuidadosamente antes da canonização.
10. Como rezar a Novena de Santa Catarina de Génova para obter maiores frutos espirituais?
Para obter mais frutos: ler antes alguns capítulos do “Tratado do Purgatório” (disponível online em português); rezar cada dia um De Profundis pelas almas do Purgatório em honra da devoção central de Catarina; fazer durante os nove dias um gesto de caridade com os doentes ou idosos; e terminar cada dia com a meditação “o que há em mim que o amor de Deus ainda precisa de purificar?”
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a Santa Catarina de Génova aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de Santa Catarina de Siena complementa — a outra grande Catarina mística italiana do mesmo período, que reformou a Igreja com a mesma intensidade com que Catarina de Génova a serviu nos hospitais. A Novena pelas Almas do Purgatório aprofunda — a devoção central da vida espiritual de Catarina. O Salmo 130 — “Do abismo clamo por Ti, Senhor… espero no Senhor” — é o salmo das almas do Purgatório que Catarina intercedia: a alma que clama do abismo da purificação com a esperança de quem sabe que o Senhor é misericordioso.




