Retrato de mulher africana, representando a dignidade de Santa Josefina Bakhita

Novena de Santa Josefina Bakhita: 9 Dias de Oração (2026)

 

 

Há santos cuja história é tão dura de ler quanto necessária. Josefina Bakhita foi sequestrada ainda criança, forçada a caminhar quase mil quilômetros descalça até um mercado de escravos, e sofreu nas mãos de vários donos antes de, finalmente, encontrar liberdade — não apenas civil, mas espiritual — na Itália. O trauma foi tão profundo que ela esqueceu o próprio nome de nascença. “Bakhita”, que significa “afortunada”, foi o nome dado por quem a escravizou.

E, no entanto, é exatamente essa mulher — sequestrada, torturada, vendida como mercadoria — que a Igreja Católica coloca diante de nós como modelo de perdão. Ela nunca guardou rancor dos que a escravizaram. Quando lhe perguntavam o que faria se encontrasse seus antigos captores, respondia que ajoelharia para beijar-lhes as mãos, porque, se não fosse por eles, ela nunca teria conhecido a Deus.

Nesta novena, você vai encontrar a história completa e verificada de Santa Bakhita — da infância em Darfur à vida religiosa na Itália —, o relato do milagre brasileiro que a levou à canonização, e orações para cada um dos nove dias, muitas delas voltadas a quem sofre situações de escravidão moderna, tráfico humano ou qualquer forma de aprisionamento, físico ou espiritual.

Infância em Darfur e os Anos de Escravidão

Josefina Bakhita nasceu por volta de 1869, na aldeia de Olgossa, na região de Darfur, no Sudão, pertencente ao povo Daju. Era filha de uma família relativamente próspera para os padrões da região — seu tio era chefe tribal —, e ela mesma relatou, já adulta, que sua primeira infância foi feliz, sem sofrimento algum.

Essa infância tranquila terminou por volta de 1877, quando, ainda com sete ou nove anos, foi sequestrada por traficantes de escravos árabes. O trauma do sequestro foi tão violento que ela jamais conseguiu recordar seu nome de nascença nem os nomes dos próprios pais — um detalhe que, por si só, revela a profundidade do dano psicológico que a escravidão infantil causou nela. Foi obrigada a caminhar descalça por quase mil quilômetros até o mercado de escravos de El Obeid. Foi ali, entre mercadores que desconheciam qualquer coisa sobre ela além do valor comercial que representava, que recebeu o nome “Bakhita” — que em árabe significa, com amarga ironia, “afortunada”.

 

Terço São Bento Em Hematita Cruz Medalhas Prata Velha

 

Vale um esclarecimento sobre as datas: como Bakhita nunca soube seu ano exato de nascimento — mais um efeito do trauma do sequestro —, historiadores estimam sua data de nascimento com base em relatos indiretos e no cálculo aproximado de idade que ela própria fazia já adulta. Esse tipo de incerteza biográfica é incomum entre santos modernos, cuja documentação costuma ser mais completa, e é em si mesmo um testemunho de quanto a escravidão apagou registros básicos de identidade que hoje consideramos garantidos — nome, data de nascimento, origem familiar.

Anos de escravidão e sofrimento

Nos anos seguintes, Bakhita passou por diferentes donos, sendo revendida repetidas vezes. Sofreu maus-tratos sistemáticos: foi espancada, chicoteada e, em um episódio relatado por ela mesma, o filho de um de seus senhores a espancou com tal violência que ela passou um mês inteiro sem conseguir se levantar do colchão de palha onde dormia. Décadas mais tarde, já idosa e à beira da morte, essas memórias voltariam a assombrá-la — mas isso é parte da história que contaremos mais adiante.

Um dos seus últimos proprietários no Sudão foi um cônsul italiano, Callisto Legnani, que a tratou com uma humanidade que ela não conhecia havia anos. Quando precisou retornar à Itália, Legnani a levou consigo — não como presente comercial, mas efetivamente tirando-a do circuito de escravidão sudanês, ainda que a situação legal dela permanecesse ambígua durante a travessia.

É importante notar que Bakhita foi revendida várias vezes ao longo desses anos — pelo menos cinco proprietários diferentes, segundo relatos reunidos posteriormente por suas biografias oficiais. Cada mudança de dono representava não apenas nova incerteza, mas frequentemente novos abusos, já que ela não tinha nenhum controle sobre para quem seria vendida ou em que condições viveria em seguida. Essa instabilidade contínua — lar nenhum, segurança nenhuma, apenas a expectativa constante de nova venda — é um dos aspectos menos comentados, mas mais psicologicamente devastadores, da escravidão que ela viveu.

Paisagem desértica do Sudão, terra natal de Santa Josefina Bakhita

A Chegada à Itália e a Decisão de Ficar

Ao chegar à Itália, Legnani presenteou Bakhita a um casal amigo — a família Michieli —, para quem ela passou a trabalhar cuidando da filha pequena do casal, chamada Mimmina. Foi nessa casa que Bakhita, pela primeira vez em anos, experimentou um tratamento que se aproximava de dignidade humana, ainda que sua condição legal continuasse indefinida.

Quando a família Michieli precisou retornar ao Sudão por motivos de negócios, decidiram deixar temporariamente Bakhita e a pequena Mimmina aos cuidados do Instituto Catecúmenas, administrado pelas religiosas Canossianas em Veneza. Foi ali, entre as irmãs canossianas, que Bakhita teve seu primeiro contato real com os ensinamentos cristãos — e algo nela respondeu profundamente a essa mensagem, especialmente à ideia de um Deus que a amava incondicionalmente, algo que ela já sentia intuitivamente “dentro do coração”, nas palavras que usaria décadas depois, mesmo sem nunca ter ouvido falar de Jesus Cristo antes.

Um detalhe pouco lembrado sobre esse período: mesmo depois de chegar à Itália, a situação legal de Bakhita permaneceu ambígua por anos — não havia um processo formal de “libertação” no momento em que Legnani a trouxe consigo. Ela continuava, na prática, sob a guarda de quem a possuía, mesmo que o tratamento fosse incomparavelmente melhor do que no Sudão. Foi somente com a decisão formal do Patriarca de Veneza, anos depois, que sua condição de mulher livre se tornou juridicamente inequívoca — um processo lento, que contrasta com a rapidez de sua escravidização original.

A decisão que mudou sua vida

Quando a família Michieli retornou à Itália para buscar Bakhita e a filha, e planejava levar ambas de volta à África, Bakhita tomou uma decisão que surpreendeu a todos: recusou-se a partir. Queria permanecer no instituto, junto às irmãs, e seguir aprofundando sua fé recém-descoberta.

A família Michieli não aceitou a recusa com facilidade, e o caso acabou levado ao Patriarca de Veneza para resolução. A decisão que se seguiu tem importância histórica e jurídica além do caso individual de Bakhita: as autoridades italianas determinaram que, como a escravidão não era reconhecida legalmente na Itália daquele período, Bakhita era, tecnicamente, uma mulher livre — e, portanto, livre também para escolher seu próprio destino. Essa decisão selou sua permanência na Itália e, com ela, o início de sua vida religiosa.

Bakhita foi batizada, recebendo o nome de Josefina Margarida Fortunata — a tradução latina de “Bakhita” preservada no próprio nome batismal, como sinal de que a Igreja não apagava sua história, apenas a redimia. Pouco tempo depois, ingressou formalmente no Instituto das Filhas da Caridade Canossianas, tornando-se religiosa.

A decisão judicial envolvendo Bakhita teve, aliaás, relevância que ultrapassou seu caso individual: contribuiu para reafirmar publicamente, em pleno final do século XIX, que a escravidão simplesmente não tinha reconhecimento legal em solo italiano — um princípio que, embora já estabelecido, raramente havia sido testado de forma tão visível envolvendo uma pessoa africana trazida como propriedade por uma família italiana. O caso, por isso, também carrega um significado histórico e jurídico que vai além da biografia pessoal de Bakhita.

A Vida Religiosa em Schio e a Morte

A maior parte da vida religiosa de Josefina Bakhita transcorreu na cidade de Schio, no norte da Itália, onde exerceu funções simples dentro da comunidade canossiana: foi cozinheira, sacristã e porteira do convento por longos anos. Não era pregadora nem tinha função de destaque institucional — mas sua serenidade, gentileza e humildade profunda a tornaram uma figura amada por toda a cidade, que carinhosamente a chamava de “Madre Moretta” (a mãezinha preta).

Seus superiores religiosos, percebendo o valor espiritual e histórico de seu testemunho, a instruíram a registrar suas memórias por escrito e a fazer palestras públicas sobre suas experiências de escravidão e conversão. Essas narrativas a tornaram conhecida em toda a Itália ainda em vida — um fato incomum para uma religiosa que, por temperamento, preferia a discrição ao protagonismo.

Vale destacar que Schio, cidade onde Bakhita passou a maior parte de sua vida religiosa, guarda até hoje viva memória da santa: o convento onde ela viveu tornou-se ponto de peregrinação, e a cidade inteira, que a conheceu pessoalmente ainda em vida, participou ativamente da causa de canonização, fornecendo testemunhos de moradores que a haviam conhecido diretamente — um diferencial raro em processos de canonização, que normalmente dependem apenas de documentos escritos e não de memória viva da população local.

Perdão sem reservas

Um dos traços mais marcantes do testemunho de Bakhita é a ausência total de rancor pelos anos de escravidão e tortura que sofreu. Quando perguntada, já religiosa, o que faria se encontrasse novamente seus antigos captores, respondeu que se ajoelharia para beijar-lhes as mãos — porque, se não fosse pelo que viveu, ela jamais teria conhecido a Deus. Esta frase resume o núcleo de sua espiritualidade: um perdão que não nega a gravidade do mal sofrido, mas que enxerga, mesmo no meio dele, a providência divina conduzindo-a a um bem maior.

Nos últimos anos de vida, Bakhita enfrentou doença prolongada e dor física intensa. É nesse período final que ocorre um dos episódios mais comoventes de sua biografia: em momentos de delírio causado pela doença, ela revivia os traumas da escravidão, chegando a suplicar às enfermeiras que a assistiam: “Soltem-me as correntes… elas pesam muito!” — uma prova viva de que, mesmo décadas depois e após uma vida inteira de fé, as feridas mais profundas da infância nunca desaparecem completamente, apenas se transformam sob a graça.

Josefina Bakhita faleceu em 8 de fevereiro de 1947, em Schio, de pneumonia. Segundo relatos de quem a acompanhava, suas últimas palavras foram “Nossa Senhora! Nossa Senhora!” — ditas com um sorriso, como se, naquele instante final, ela finalmente encontrasse a Mãe que a libertaria de toda dor. Seu corpo ficou exposto por três dias, e milhares de pessoas da região compareceram para prestar-lhe a última homenagem, evidência do quanto sua simplicidade havia tocado a cidade que a acolheu.

Essa capacidade de perdoar sem minimizar o mal sofrido é , para muitos teólogos que estudam sua espiritualidade, o elemento mais radical do testemunho de Bakhita. Ela nunca disse que a escravidão foi “boa” ou que não deveria ter acontecido — apenas testemunhou que, mesmo dentro daquele mal real e inegociável, Deus encontrou um caminho para conduzi-la à fé. É uma distinção importante: perdoar não significa reescrever a história como se o mal não tivesse sido mal. Significa recusar-se a deixar que esse mal tenha a última palavra sobre o próprio coração.

O Milagre Brasileiro e a Canonização

O processo de canonização de Josefina Bakhita começou de forma relativamente rápida para os padrões da Igreja: já em 1959, apenas doze anos após sua morte, teve início a investigação formal de sua causa. Em 1º de dezembro de 1978, o Papa João Paulo II declarou-a Venerável — primeiro grau formal do processo. Ela foi beatificada em 17 de maio de 1992, também por João Paulo II.

É exatamente aqui que entra um capítulo brasileiro dessa história. Dez dias após a beatificação, em maio de 1992, uma mulher chamada Eva (Tobias) da Costa, moradora da cidade de Santos, no litoral paulista, sofria de diabetes severa e apresentava feridas incuráveis nas pernas — quadro tão grave que os médicos já haviam determinado a amputação de um dos membros. Ao conhecer a história da recém-beatificada por meio de uma religiosa canossiana que visitava a região, Eva decidiu rezar pedindo a intercessão de Bakhita. Em 27 de maio daquele ano, apresentou seu pedido; sete dias depois, em 3 de junho, suas pernas já estavam completamente curadas — cura que ela confirmou diante de cerca de 80 pessoas presentes numa novena, incluindo a então conselheira geral das canossianas.

Reconhecimento oficial e canonização

O caso de Eva da Costa passou por rigorosa investigação: o inquérito diocesano sobre o milagre foi validado em 29 de setembro de 1995. Em 1998, sucessivamente, o Conselho Médico do Vaticano (em abril), os consultores teológicos (em setembro) e o colegiado de cardeais e bispos (em dezembro) opinaram favoravelmente ao reconhecimento do milagre, culminando na promulgação do decreto papal em 21 de dezembro daquele ano.

Josefina Bakhita foi finalmente canonizada em 1º de outubro de 2000, pelo Papa João Paulo II, junto com outros santos, incluindo os 120 Mártires da China. Tornou-se, assim, a primeira santa de origem africana subsaariana reconhecida pela Igreja em tempos modernos, e é venerada como padroeira do Sudão.

Sua influência ultrapassou os círculos devocionais tradicionais: o Papa Bento XVI abriu sua segunda encíclica, Spe Salvi (2007), justamente com a história de vida de Bakhita, apresentando-a como exemplo vivo da esperança cristã. Já o Papa Francisco, em audiência geral na Praça de São Pedro em 2023, voltou a mencioná-la em catequese sobre o zelo apostólico, destacando-a como testemunha da força transformadora do perdão de Cristo. Sua festa litúrgica, celebrada em 8 de fevereiro, foi também designada pela Igreja como o Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas.

Vale notar que o caso de Eva da Costa não foi um evento isolado: ao longo das décadas, dezenas de outros relatos de graças atribuídas à intercesão de Bakhita foram registrados em diferentes países, embora apenas este tenha passado pelo crivo formal exigido para uma canonização. O fato de o milagre reconhecido ter ocorrido no Brasil — e não na Itália, onde ela viveu, ou no Sudão, onde nasceu — reforça algo que a própria história de Bakhita já sugeria: sua intercesão não conhece fronteiras geográficas, assim como sua própria vida atravessou três continentes antes de chegar ao altar.

Pequena capela italiana, referência ao convento em Schio onde viveu Santa Bakhita

Como Fazer a Novena de Santa Josefina Bakhita

Não há uma data tradicional específica para iniciar esta novena além da proximidade com a festa de Santa Bakhita, celebrada em 8 de fevereiro — data que também marca o Dia Internacional de Oração contra o Tráfico de Pessoas. Ainda assim, a novena pode e deve ser rezada em qualquer época do ano, especialmente por quem enfrenta situações de aprisionamento, seja físico, emocional ou espiritual.

Um detalhe que vale destacar antes de começar: esta é uma das poucas devoções católicas com forte apelo para questões contemporâneas muito concretas — tráfico humano, escravidão moderna, exploração de trabalhadores e migrantes em situação de vulnerabilidade. Se você conhece alguém nessa situação, ou trabalha com pastorais e organizações de combate ao tráfico de pessoas, esta novena tem uma relevância direta que poucas outras devoções marianas ou de santos oferecem.

Para quem reza esta novena por intercêsão de vítimas de tráfico humano especificamente, vale complementar a oração com atenção prática: reconhecer sinais de exploração em situações de trabalho ao redor, e não hesitar em denunciar quando houver suspeita fundamentada. A devoção a Santa Bakhita, por sua própria natureza, resiste a ser apenas contemplativa — pede também vigilância ativa contra o mesmo mal que ela sofreu.

Estrutura sugerida para cada um dos nove dias

  • Sinal da cruz e um momento breve de silêncio
  • Leitura da meditação do dia sobre um aspecto da vida de Bakhita
  • Apresentação do seu pedido pessoal
  • Oração do dia
  • Um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai

Oração de Abertura da Novena

“Santa Josefina Bakhita, que conheceste a escravidão mais cruel e, ainda assim, encontraste liberdade e fé, intercede por mim nestes nove dias. Ensina-me a reconhecer a presença de Deus mesmo nos momentos mais difíceis da minha vida, e concede-me um coração capaz de perdoar como o teu perdoou. Amém.”

Novena de Santa Josefina Bakhita: Orações dos Nove Dias

Cada dia desta novena traz uma reflexão ligada a um momento da vida de Santa Bakhita, seguida de uma oração específica.

1º Dia — Pelas vítimas de tráfico humano e escravidão moderna

Bakhita foi vítima de escravidão real. Hoje, milhões ainda vivem situações análogas — tráfico de pessoas, trabalho forçado, exploração sexual. Pedimos, neste dia, libertação para essas vítimas.

“Santa Josefina Bakhita, que conheceste a escravidão em carne própria, intercede por todas as vítimas de tráfico humano hoje. Que sejam libertadas e encontrem, como tu encontraste, um caminho de dignidade e fé. Amém.”

2º Dia — Pela cura das feridas da infância

O trauma do sequestro fez Bakhita esquecer o próprio nome. Pedimos, neste dia, cura para feridas de infância que ainda carregamos, mesmo décadas depois.

“Santa Josefina Bakhita, que carregaste feridas profundas desde a infância, intercede por mim para que as minhas próprias feridas antigas encontrem cura na graça de Deus. Amém.”

3º Dia — Pelo perdão aos que nos feriram

Bakhita perdoou seus captores sem reservas. Pedimos, neste dia, a mesma capacidade de perdoar quem nos causou dano profundo.

“Santa Josefina Bakhita, que perdoaste sem exceção aos que te escravizaram, ensina-me a perdoar quem me feriu, sem negar a dor, mas sem deixar que o rancor me aprisione. Amém.”

4º Dia — Pela coragem de decidir o próprio caminho

Bakhita recusou-se a voltar à escravidão, escolhendo um caminho novo mesmo sob pressão. Pedimos, neste dia, coragem para tomar decisões difíceis quando a própria vida pede mudança.

“Santa Josefina Bakhita, que tiveste coragem de escolher a liberdade mesmo sob pressão, dá-me coragem para tomar as decisões que a minha vida está pedindo agora. Amém.”

5º Dia — Pelos migrantes e refugiados

Bakhita atravessou fronteiras e culturas à força, sem escolha própria. Pedimos, neste dia, por migrantes e refugiados que hoje atravessam situações semelhantes de vulnerabilidade.

“Santa Josefina Bakhita, que atravessaste terras estranhas em condição de escravidão, intercede pelos migrantes e refugiados de hoje, para que encontrem acolhida e dignidade. Amém.”

6º Dia — Pela humildade no serviço simples

Bakhita serviu como cozinheira e porteira, sem nunca buscar destaque. Pedimos, neste dia, a graça de servir com humildade, mesmo nas tarefas mais simples do cotidiano.

“Santa Josefina Bakhita, que serviste com humildade nas tarefas mais simples, ensina-me a encontrar dignidade e propósito no meu trabalho diário, por menor que pareça. Amém.”

7º Dia — Pela fé que resiste à dúvida

Mesmo sem conhecer Jesus quando criança, Bakhita já sentia Deus no coração. Pedimos, neste dia, que a fé permaneça firme mesmo diante da dúvida e do sofrimento.

“Santa Josefina Bakhita, que sentiste a presença de Deus mesmo antes de O conhecer plenamente, fortalece a minha fé nos momentos de dúvida e escuridão. Amém.”

8º Dia — Pela paz diante da doença e do sofrimento

Nos últimos anos, Bakhita enfrentou doença e dor intensas, revivendo traumas antigos. Pedimos, neste dia, paz para quem enfrenta doença grave ou sofrimento prolongado.

“Santa Josefina Bakhita, que enfrentaste a doença com fé mesmo revivendo antigas dores, intercede por quem hoje sofre fisicamente, para que encontre paz e, se for da vontade de Deus, cura. Amém.”

9º Dia — Por uma boa morte e o encontro final com Deus

As últimas palavras de Bakhita foram de encontro com Nossa Senhora. Pedimos, neste último dia, a graça de uma vida — e uma morte — vividas em paz com Deus.

“Santa Josefina Bakhita, que partiste deste mundo com o nome de Nossa Senhora nos lábios, alcança para mim a graça de viver em fé e, quando chegar a hora, morrer em paz com Deus. Amém.”

Oração de Encerramento e Consagração

Ao concluir o nono dia, encerre com uma oração de consagração e agradecimento.

“Santa Josefina Bakhita, chego ao fim desta novena com o coração confiante. Obrigado por caminhares comigo nestes nove dias. Continua a interceder por mim, pelas vítimas de escravidão e tráfico humano em todo o mundo, e por todos que ainda precisam encontrar o caminho da liberdade que tu encontraste. Santa Josefina Bakhita, rogai por nós. Amém.”

Se você ou alguém que você conhece está em situação de exploração, trabalho forçado ou tráfico de pessoas, a oração deve caminhar ao lado de ajuda concreta: no Brasil, o Disque 100 (Direitos Humanos) recebe denúncias de exploração e tráfico de pessoas em qualquer parte do país, de forma gratuita e confidencial.

A devoção a Santa Bakhita também se conecta naturalmente a outras causas de justiça social dentro da tradição católica, como a pastoral do migrante e a pastoral carcerária — áreas de atuação da Igreja que lidam diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade extrema, muitas vezes análoga à que ela mesma viveu. Não é coincidência que paróquias engajadas nesse tipo de trabalho social adotem Bakhita como padroeira informal de suas atividades, mesmo fora do período estrito de sua novena ou festa.

Pessoa em oração ajoelhada, representando a novena e a fé de Santa Bakhita

Perguntas Frequentes

Quem foi Santa Josefina Bakhita?

Foi uma religiosa católica sudanesa que, sequestrada e escravizada ainda criança em Darfur, encontrou liberdade e fé na Itália, tornando-se freira canossiana. Canonizada em 2000, é padroeira do Sudão e das vítimas de tráfico humano.

Onde e quando Santa Bakhita nasceu?

Nasceu por volta de 1869 na aldeia de Olgossa, região de Darfur, Sudão, pertencente ao povo Daju. Foi sequestrada por traficantes de escravos árabes por volta dos sete ou nove anos de idade.

O que significa o nome Bakhita?

É uma palavra árabe que significa “afortunada”. Não foi o nome dado por seus pais — ela esqueceu o próprio nome de nasceça devido ao trauma do sequestro — mas o nome dado por seus captores, com amarga ironía.

Como Santa Bakhita se tornou livre?

Após ser levada à Itália por um cônsul italiano e entregue à família Michieli, Bakhita foi deixada temporariamente com as irmãs canossianas em Veneza. Quando a família quis levá-la de volta à África, ela recusou. O caso foi ao Patriarca de Veneza, que decidiu que, como a escravidão não era reconhecida na Itália, ela era juridicamente livre para escolher ficar.

Quando Santa Bakhita foi canonizada?

Foi canonizada em 1º de outubro de 2000 pelo Papa João Paulo II, junto com os 120 Mártires da China e outros santos. Tornou-se a primeira santa africana subsaariana reconhecida pela Igreja em tempos modernos.

Qual foi o milagre brasileiro da canonização?

O milagre envolveu Eva da Costa, moradora de Santos (SP), que sofria de diabetes grave com feridas incuráveis nas pernas e enfrentava amputação. Após pedir a intercesão da recém-beatificada Bakhita em maio de 1992, foi curada em sete dias — cura reconhecida oficialmente pelo Vaticano.

Quando é a festa de Santa Josefina Bakhita?

A festa de Santa Josefina Bakhita é celebrada em 8 de fevereiro, data de sua morte em 1947. Essa mesma data foi designada pela Igreja como o Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas.

Santa Bakhita é padroeira de quê?

É padroeira do Sudão e das vítimas de escravidão e tráfico humano. É invocada especialmente por quem sofre situações de exploração, migrantes e refugiados, e por quem busca a graça do perdão diante de feridas profundas.

Qual a relação dos papas recentes com Santa Bakhita?

O Papa Bento XVI abriu sua encíclica Spe Salvi (2007) com a história de Bakhita como exemplo de esperança cristã. O Papa Francisco também a mencionou em catequeése de 2023 sobre o zelo apostólico, destacando-a como testemunha do poder transformador do perdão de Cristo.

Quando devo começar a novena a Santa Bakhita?

Não há obrigatoriedade. Pode ser rezada em qualquer época do ano, embora seja comum iniciá-la próximo a 8 de fevereiro. É especialmente indicada para quem sofre situações de aprisionamento físico, emocional ou espiritual, e para quem trabalha no combate ao tráfico humano.

Conclusão

A história de Santa Josefina Bakhita não é uma história fácil de contar, e por bons motivos não deveria ser suavizada. Ela viveu, na pele, o pior que a crueldade humana é capaz de produzir — e, ainda assim, chegou ao fim da vida sem rancor, apenas com o nome de Nossa Senhora nos lábios.

Se você está rezando esta novena, que ela seja também um lembrete de que a fé não exige esquecer o sofrimento real, nem fingir que ele não aconteceu. Exige, isso sim, confiar que mesmo o pior capítulo de uma vida pode ser conduzido, pela graça de Deus, a um desfecho de liberdade e paz. Santa Josefina Bakhita, rogai por nós.

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