Novena de São Bento José Labre — 9 Dias de Oração ao Mendigo Santo de Roma

Novena de São Bento José Labre — 9 Dias de Oração ao Mendigo Santo de Roma

 

 

Novena de São Bento José Labre — 9 Dias de Oração ao Mendigo Santo de Roma

Há um santo do século XVIII cuja vida desafiou todas as categorias da santidade convencional: não foi bispo nem fundador, não foi teólogo nem mártir, não realizou obras visíveis nem escreveu tratados. São Bento José Labre foi simplesmente um mendigo — um jovem francês que percorreu a pé os grandes santuários da Europa durante anos, vivendo de esmolas, dormindo nos degraus das igrejas, recusando qualquer conforto, e passando horas em êxtase diante do Santíssimo Sacramento. Quando morreu em Roma em 1783, com trinta e cinco anos, exausto e coberto de andrajos, as crianças das ruas correram pelas ruas gritando “O santo morreu! O santo morreu!” E Roma inteira saiu para o velar.

A vida de Bento Labre é um desafio permanente às categorias com que a cultura — incluindo a cultura religiosa — mede o valor de uma pessoa: o que produz, o que constrói, o que realiza, qual é a sua posição social. Bento não produziu nada, não construiu nada, não realizou nada que o mundo pudesse medir. E foi proclamado santo. Este paradoxo — que a santidade mais pura pode existir despida de toda a utilidade social — é o escândalo permanente de São Bento Labre para qualquer época que meça o valor humano pela produtividade.

São Bento José Labre é patrono dos sem-abrigo, dos mendigos, dos peregrinos e dos jovens em dificuldade. Canonizado em 1881 por Leão XIII. A sua festa é celebrada em 16 de abril.

Quem Foi São Bento José Labre

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Bento José Labre nasceu em 26 de março de 1748 em Amettes, perto de Boulogne, no norte de França, o mais velho de quinze filhos de uma família de comerciantes modestos mas piedosos. Desde criança manifestou uma devoção intensa e uma tendência para a solidão e para a oração que desconcertava os seus pais. O tio que era padre tomou-o sob a sua protecção e tentou prepará-lo para o sacerdócio, mas Bento adoeceu repetidamente e nunca conseguiu terminar os estudos.

Entre os dezasseis e os vinte e dois anos, Bento tentou entrar em várias ordens religiosas: os Trapistas de Sept-Fontaines, os Trapistas de Monestier, os Cartuxos de Val-Sainte. Foi aceite, permaneceu algum tempo, e foi sempre dispensado — os superiores reconheciam a sua santidade mas percebiam que aquela não era a sua vocação. O jovem que não conseguia ficar num mosteiro estava a ser preparado para uma vocação diferente: a do peregrino sem lar fixo.

 

Terço São Bento Em Hematita Cruz Medalhas Prata Velha

 

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A partir de 1770, com vinte e dois anos, Bento começou a sua peregrinação. Percorreu a pé os grandes santuários da Europa: Loreto, Assis, Fabriano, Santiago de Compostela, Einsiedeln, Paray-le-Monial, e outros. Percorria centenas de quilómetros descalço ou com sandálias rotas, recusava dinheiro quando tinha, dava o que recebia aos pobres ainda mais pobres do que ele, dormia nos degraus das igrejas ou ao relento, e passava as horas dentro das igrejas em oração contemplativa.

Em 1774, estabeleceu-se definitivamente em Roma — sem nunca ter uma casa, sem nunca ter um quarto fixo. As ruínas do Coliseu eram o seu refúgio nocturno preferido. Durante o dia percorria as igrejas de Roma, passando horas em oração diante do Santíssimo Sacramento. Era sujo, andrajoso, coberto de parasitas — e irradiava uma paz e uma alegria que as pessoas que o encontravam reconheciam como sobrenaturais. Os romanos humildes que o viam começaram a chamá-lo “o santo.”

Morreu em 16 de abril de 1783, na sacristia da Igreja de Santa Maria dos Montes, para onde foi transportado depois de cair na rua. Tinha trinta e cinco anos. O testemunho dos romanos que o conheceram foi unânime: havia nele algo que não era deste mundo. Canonizado em 1881. A sua festa é celebrada em 16 de abril.

O Escândalo da Santidade Improdutiva

A vida de Bento Labre constitui um desafio permanente à ideia de que a santidade se mede pela obra realizada. Todos os outros santos desta colecção de novenas deixaram algo: uma regra monástica, um tratado teológico, um hospital, uma congregação, uma hagiografia, uma reforma litúrgica, um martírio eloquente. Bento Labre não deixou nada — nenhuma obra escrita, nenhuma fundação, nenhum discurso, nenhuma conversão documentada. Apenas a memória da sua presença: um mendigo que rezava.

E no entanto, foi canonizado. A Igreja reconheceu que havia aqui algo de autenticamente cristão — a santidade como ser e não como fazer, a santidade como amor a Deus que não precisa de produzir para se justificar. Esta santidade improdutiva é de certa forma a mais pura que existe: porque não pode ser confundida com ambição, com construção de nome ou de obra, com qualquer forma de interesse próprio. Bento amava a Deus. E isso foi suficiente para que a Igreja o proclamasse santo.

A Peregrinação como Vocação: O Peregrino Perpétuo

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A vocação de Bento Labre não era o monaquismo — as muitas tentativas frustradas de entrar em ordens religiosas confirmaram isso. A sua vocação era a peregrinação perpétua: o movimento constante de santuário em santuário como expressão externa da busca interior de Deus. Esta vocação — rara na história da espiritualidade cristã mas presente desde os primeiros séculos (os “peregrini” irlandeses que navegavam sem destino entregando-se à providência) — é a forma mais radical de desprendimento que existe: desprendimento não apenas dos bens mas também do lugar.

A peregrinação de Bento não era turismo espiritual: era ascese. Cada quilómetro percorrido a pé, cada noite ao relento, cada refeição de sobras pedida à porta de conventos, era uma expressão concreta da fé que proclamava: “Aqui não tenho morada permanente — busco a cidade que há-de vir.” Bento levava a letra o que Paulo escreveu: “Somos estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11:13).

O Santíssimo Sacramento: O Centro de Tudo

O elemento mais constante da vida de Bento Labre — para além da pobreza extrema — foi a devoção eucarística. Em cada cidade que passava, a sua primeira paragem era a Igreja do Santíssimo Sacramento. Em Roma, percorria diariamente as igrejas para estar diante do Santíssimo. Os testemunhos das pessoas que o observavam descrevem estados de contemplação que duravam horas — os olhos elevados, o rosto transfigurado, a imobilidade completa. O Santíssimo Sacramento era para Bento o mesmo que o deserto era para os eremitas: o lugar onde Deus estava presente de forma particularmente intensa e onde a contemplação era mais profunda.

Esta devoção eucarística de Bento não era privada: era visível, contagiante, transformadora. Os romanos que o viam em contemplação diante do Santíssimo saíam com um sentido renovado da presença real de Cristo na Eucaristia. O mendigo analfabeto que não podia explicar a Eucaristia com palavras ensinava mais sobre ela com a qualidade da sua presença contemplativa do que muitos homilistas com muitas palavras.

Como Rezar Esta Novena

A Novena de São Bento José Labre pode ser rezada nos nove dias que precedem a sua festa de 16 de abril — de 7 a 15 de abril — ou em qualquer momento do ano. É especialmente indicada para:

  • Pelos sem-abrigo e pelos mendigos — São Bento é o seu patrono por excelência
  • Por quem vive uma vocação não convencional que o mundo não compreende
  • Para aprofundar a devoção ao Santíssimo Sacramento
  • Por quem atravessa um período de fracasso ou de “inutilidade” aparente
  • Para aprender o valor do ser sobre o fazer na vida espiritual
  • Pelos peregrinos — de Compostela, Fátima, Lourdes e de todos os santuários

Cada dia: silêncio inicial, Oração de Abertura, meditação do dia, intenções pessoais, oração do dia, Pai-Nosso + Ave-Maria + Glória, Oração de Encerramento.

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Glorioso São Bento José Labre, mendigo de Roma que vivia de sobras e dormia nos degraus das igrejas mas que irradiava uma paz que o mundo não pode dar, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que escolhestes a pobreza mais radical como caminho para Deus, que passastes horas em êxtase diante do Santíssimo Sacramento, e que morrestes sem ter deixado nada visível além da memória da vossa santidade, intercedei para que eu aprenda que o valor de uma vida não se mede pelo que produz mas pelo amor com que é vivida. Apresentai as minhas intenções ao Senhor Jesus, diante de quem passastes a melhor parte da vossa vida. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Primeiro Dia — O Jovem que Nenhum Mosteiro Queria

Meditação: Bento tentou entrar em três ordens religiosas diferentes — e foi dispensado das três. Os superiores que o dispensaram não eram cruéis nem insensíveis: eram perspicazes. Percebiam que aquele jovem tinha uma vocação real, mas que não era a vocação do mosteiro. O problema não era Bento: era a tentativa de encaixar uma vocação numa forma que não era a sua. A história de Bento é também a história de uma vocação que precisou de muitas portas fechadas para encontrar o caminho certo — o único caminho que era verdadeiramente seu.

São Bento Labre, que as portas dos mosteiros se fecharam para que a porta da estrada se abrisse, intercedei pelos que sofreram recusas e rejeições nas suas tentativas de encontrar a vocação. Que as portas que se fecham sejam reconhecidas como providência e não apenas como fracasso. E que a vocação que Deus tem para cada pessoa seja encontrada — mesmo que exija muitas portas fechadas antes de encontrar a porta certa. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Segundo Dia — A Pobreza como Liberdade

Meditação: A pobreza de Bento Labre era a mais radical que se pode imaginar: não tinha nada, não pedia nada além do necessário, dava o que recebia a quem tinha menos. Esta pobreza não era masoquismo nem desprezo pelo corpo: era liberdade. O homem que não tem nada a perder não tem medo de perder — e o homem sem medo é o mais livre de todos. Bento podia caminhar por toda a Europa sem ansiedade sobre o amanhã precisamente porque havia libertado do amanhã qualquer expectativa. A sua segurança estava em Deus — não no que tinha.

São Bento Labre, que na pobreza mais radical encontrastes a liberdade mais completa, intercedei para que eu aprenda o desprendimento que a fé exige. Que eu não seja escravo do que tenho nem do que temo perder. E que a segurança que busco não esteja no que acumulo mas no Deus que nunca abandona — como nunca te abandonou nas ruínas do Coliseu. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Terceiro Dia — Os Santuários da Europa: Peregrino de Deus

Meditação: Bento percorreu a pé os grandes santuários da Europa — Loreto, Assis, Santiago de Compostela, Einsiedeln, Paray-le-Monial. Cada peregrinação era uma expressão concreta da busca de Deus que animava toda a sua vida. Os santuários eram para Bento os lugares onde o véu entre o visível e o invisível se tornava mais fino — onde a presença de Deus era mais palpável, onde a contemplação era mais fácil. Esta espiritualidade dos lugares sagrados — que reconhece que há lugares onde Deus age de forma especial na história — é um dos elementos mais antigos da tradição cristã e judaica.

São Bento Labre, peregrino perpétuo dos santuários da Europa, intercedei pelos peregrinos de hoje — de Fátima, de Lourdes, de Compostela, de Aparecida. Pelos que caminham dias e semanas para chegar a um lugar sagrado. E que eu, que talvez não possa peregrinar fisicamente, aprenda a fazer da minha vida uma peregrinação interior contínua em direcção a Deus. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia — O Coliseu de Roma: Morar nas Ruínas

Meditação: As ruínas do Coliseu de Roma — o anfiteatro onde os mártires haviam morrido séculos antes — eram o refúgio nocturno preferido de Bento Labre em Roma. Dormir entre as ruínas onde os mártires haviam sido devorados pelos leões tinha uma poesia espiritual que Bento talvez nunca articulasse mas que claramente sentia: identificar-se com os que haviam perdido tudo pelo amor de Cristo, estar presente no lugar da memória do martírio. O mendigo que dormia no Coliseu era, a seu modo, continuador do testemunho dos que ali haviam morrido.

São Bento Labre, que dormias nas ruínas do Coliseu entre as memórias dos mártires, intercedei para que eu aprenda a honrar a memória dos que sofreram pela fé. E que a proximidade com os lugares de sofrimento sagrado — físicos ou espirituais — me aprofunde e não me deprima. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quinto Dia — O Êxtase Diante do Santíssimo: O Centro de Tudo

Meditação: Os testemunhos romanos que sustentaram o processo de canonização de Bento descrevem repetidamente a qualidade da sua presença diante do Santíssimo Sacramento: os olhos elevados, o rosto transfigurado, a imobilidade que durava horas, a paz que irradiava e que os observadores descreviam como “diferente de qualquer coisa que houvesse visto.” Esta contemplação eucarística de Bento não era performance: era a expressão exterior de um encontro interior com Cristo que havia sido o centro de toda a sua existência desde os primeiros anos.

São Bento Labre, que passavas as tuas melhores horas em êxtase diante do Santíssimo Sacramento, intercedei para que eu aprenda a presença real de Cristo na Eucaristia não apenas como doutrina que professo mas como realidade que experimento. Que cada visita ao Santíssimo seja para mim um encontro real — mesmo sem êxtase visível — com Cristo que espera. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia — “O Santo Morreu!”: Reconhecido pelo Povo

Meditação: Quando Bento morreu na sacristia da Igreja de Santa Maria dos Montes em 16 de abril de 1783, foram as crianças das ruas — os mendigos, os vendedores ambulantes, os pobres de Roma — que primeiro gritaram “O santo morreu!” Não foram os bispos nem os teólogos: foram os pobres que o reconheceram como santo. Este reconhecimento popular — que vinha dos que mais se pareciam com Bento e que mais directamente experimentavam a diferença da sua presença — é um dos mais eloquentes argumentos da santidade real: a santidade que é reconhecida pelos pobres antes de ser reconhecida pelos doutores.

São Bento Labre, reconhecido como santo pelos pobres de Roma antes de qualquer processo oficial, intercedei para que a Igreja continue a reconhecer a santidade onde quer que ela apareça — incluindo nos mendigos, nos sem-abrigo, nos descartados que o mundo não vê. E que eu aprenda a reconhecer a santidade nos rostos inesperados que a minha vida encontra. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sétimo Dia — Patrono dos Sem-Abrigo: A Mais Concreta das Patronagens

Meditação: A patronagem de Bento Labre sobre os sem-abrigo é a mais concreta que existe na hagiografia: ele foi literalmente sem-abrigo durante mais de uma década em Roma, dormindo ao relento, nas ruínas, nos degraus das igrejas. Não é patrono dos sem-abrigo por ter fundado um albergue ou por ter escrito um tratado sobre a dignidade dos pobres — é patrono porque foi um deles. Esta solidariedade de identificação — e não apenas de serviço — é a forma mais profunda de amor ao próximo: a que não olha de fora para dentro mas que habita a mesma condição.

São Bento Labre, patrono dos sem-abrigo porque foste um deles durante treze anos, intercedei pelos que dormem nas ruas das cidades de todo o mundo esta noite. Pelos sem-abrigo de Lisboa, do Porto, de São Paulo, do Rio, de Paris, de Roma. Que encontrem quem os veja com os olhos com que Bento via Cristo nos pobres. E que as obras de acolhimento continuem a multiplicar-se. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oitavo Dia — A Santidade sem Obra: O Valor do Ser

Meditação: A vida de Bento Labre levanta uma das questões mais profundas da teologia da santidade: é possível ser santo sem fazer nada de útil? A resposta da Igreja — ao canonizá-lo — é inequivocamente sim. Bento não construiu, não escreveu, não fundou, não converteu (pelo menos não de forma documentada). Amou a Deus com toda a sua capacidade. E isso foi suficiente. Esta resposta desafia radicalmente a tendência contemporânea de medir o valor humano pela produtividade — tendência que a cultura secular tem mas que a cultura religiosa também facilmente absorve.

São Bento Labre, canonizado sem ter deixado nenhuma obra visível além da memória da tua santidade, intercedei para que eu aprenda que o valor da minha vida diante de Deus não se mede pelo que produzo. Que em períodos de “inutilidade” — doença, desemprego, velhice, fracasso — eu saiba que posso ser tão valioso a Deus quanto Bento era a Deus nas ruínas do Coliseu. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: São Bento José Labre viveu trinta e cinco anos — e os últimos treze foram de peregrinação e de mendicidade em Roma. Morreu sem ter nada, sem ter deixado nada, sem ter construído nada. E as crianças das ruas correram a gritar “O santo morreu!” — porque sabiam, com a intuição dos pobres que reconhecem o que os ricos não vêem, que havia estado entre eles algo raro e precioso: um homem que amava a Deus com todo o ser, sem reservas, sem cálculo, sem produção. Bento Labre é o patrono de todos os que se sentem “inúteis” — e a prova de que a inutilidade aos olhos do mundo pode ser precisamente o sinal da utilidade aos olhos de Deus.

São Bento José Labre, mendigo de Roma que as crianças das ruas reconheceram como santo, ao terminar esta novena de nove dias eu me comprometo a revisar a minha definição de valor: a aprender que sou amado por Deus não pelo que produzo mas por quem sou, e a tratar os sem-abrigo que encontro com a dignidade que tu mereces ao encontrá-los. Intercedei pelas intenções desta novena. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso São Bento José Labre, mendigo de Roma e patrono dos sem-abrigo, recebei as orações desta novena de nove dias e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus, diante de cuja presença no Santíssimo Sacramento passastes as melhores horas da tua vida. Obtende para mim a graça de amar a Deus sem cálculo, de ver nos pobres o rosto de Cristo, e de aprender que o valor de uma vida se mede pelo amor e não pela produção. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quando Rezar Esta Novena

  • De 7 a 15 de abril — nos nove dias antes da festa de 16 de abril
  • Pelos sem-abrigo e mendigos de todo o mundo
  • Por quem atravessa períodos de fracasso ou inutilidade aparente
  • Para aprofundar a devoção ao Santíssimo Sacramento
  • Pelos peregrinos de todos os santuários
  • Por quem tem uma vocação não convencional que o mundo não compreende

As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre São Bento Labre e Esta Novena

1. Quem foi São Bento José Labre e por que é patrono dos sem-abrigo?

São Bento José Labre (1748-1783) foi um jovem francês que passou os últimos treze anos de vida a peregrinar pelos santuários da Europa e a viver como mendigo em Roma, sem casa fixa, dormindo nas ruínas do Coliseu e nos degraus das igrejas. Recusava qualquer conforto, passava horas em êxtase diante do Santíssimo Sacramento, e irradiava uma paz que os romanos reconheciam como sobrenatural. É patrono dos sem-abrigo porque foi literalmente um deles durante treze anos em Roma — não por ter fundado um albergue ou escrito um tratado, mas por ter habitado a mesma condição.

2. Quando é a festa de São Bento José Labre?

A festa de São Bento José Labre é celebrada em 16 de abril, data da sua morte em 1783. A novena começa em 7 de abril. Foi canonizado em 1881 pelo Papa Leão XIII.

3. Por que São Bento Labre tentou entrar em mosteiros e foi sempre dispensado?

Bento tentou entrar em três ordens religiosas — os Trapistas de Sept-Fontaines, os Trapistas de Monestier e os Cartuxos de Val-Sainte. Foi dispensado das três não por falta de vocação religiosa, mas porque os superiores percebiam que aquela não era a sua vocação específica. A doença frequente, a dificuldade de adaptação à vida comunitária regular e a intensidade da sua vida interior sugeriam uma vocação diferente — que se revelaria ser a do peregrino perpétuo. As portas fechadas dos mosteiros foram a providência que o abriu para a estrada.

4. O que São Bento Labre fazia durante o dia em Roma?

Em Roma, São Bento passava os dias a percorrer as igrejas da cidade para adorar o Santíssimo Sacramento. Tinha igrejas preferidas — especialmente as que tinham Adoração Perpétua — onde passava horas em contemplação. Os testemunhos descrevem estados de êxtase intenso: olhos elevados, rosto transfigurado, imobilidade prolongada. Entre as igrejas, pedia esmola para comer o mínimo indispensável, dava o que recebia a quem tinha menos, e conversava com os outros pobres com quem partilhava as ruas.

5. Onde dormia São Bento Labre em Roma?

São Bento dormia principalmente nas ruínas do Coliseu de Roma — o anfiteatro onde os mártires cristãos haviam sido executados séculos antes. Em períodos de maior frio ou chuva, dormia nos degraus das igrejas ou em albergues para pobres onde era aceite. Recusava sistematicamente qualquer oferta de quarto ou alojamento mais confortável. As ruínas do Coliseu — carregadas da memória dos mártires — tinham para ele um significado espiritual especial.

6. Como morreu São Bento José Labre?

São Bento morreu em 16 de abril de 1783, em Roma, com trinta e cinco anos. Caiu na rua durante a Semana Santa, exausto e doente, e foi transportado para a sacristia da Igreja de Santa Maria dos Montes, onde morreu horas depois. Quando a notícia se espalhou, as crianças das ruas correram a gritar “O santo morreu!” e o povo de Roma saiu para o velar. O processo de canonização foi aberto imediatamente, sustentado por centenas de testemunhos de romanos que descreveram a santidade que haviam observado.

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7. São Bento Labre deixou algum escrito ou obra?

São Bento Labre não deixou nenhum escrito, nenhuma fundação, nenhuma obra visível além da memória da sua santidade. Esta ausência de obra foi um dos aspectos mais debatidos no processo de canonização: a Igreja precisou de avaliar se uma vida sem obra externa podia ser proclamada modelo de santidade. A resposta afirmativa — baseada nos extraordinários testemunhos sobre a qualidade da sua vida interior e da sua contemplação eucarística — foi uma das declarações mais importantes sobre a natureza da santidade que o Magistério já fez.

8. Qual é a dimensão mística da vida de São Bento Labre?

A dimensão mística de São Bento Labre foi documentada extensamente nos testemunhos do processo de canonização. Os que o observavam descreviam êxtases regulares diante do Santíssimo Sacramento — estados de contemplação profunda que duravam horas, acompanhados de manifestações físicas (levitação em algumas testemunhas, luminosidade do rosto, imobilidade). Além da contemplação, os romanos descreviam uma paz interior que irradiava do mendigo andrajoso — “uma paz que não era deste mundo” — e uma alegria que não tinha explicação natural dada as condições em que vivia.

9. Qual é a relevância de São Bento Labre para a crise dos sem-abrigo no século XXI?

A relevância é dupla. Primeiro, São Bento é o patrono por excelência dos sem-abrigo porque foi um deles — não por escolha forçada mas por vocação espiritual — e a Igreja reconheceu que esta forma de vida pode ser caminho de santidade. Segundo, a sua vida desafia a tendência de tratar os sem-abrigo como problema social a resolver em vez de como pessoas com dignidade inalienável. Bento era reconhecidamente santo apesar de — ou por causa de — não ter casa, o que relativiza radicalmente a equação “sem casa = sem dignidade” que a cultura contemporânea frequentemente assume.

10. Como rezar a Novena de São Bento Labre para obter maiores frutos espirituais?

Para obter mais frutos: fazer durante os nove dias uma visita de adoração ao Santíssimo Sacramento — preferencialmente numa hora em que a igreja esteja quase vazia — em honra do santo que passou a vida em adoração; dar uma esmola real (não simbólica) a um sem-abrigo durante a novena, olhando-o nos olhos e tratando-o com a dignidade com que Bento tratava todos; rezar a novena de manhã cedo, antes da actividade do dia, em honra do santo que madrugava para ir às igrejas; e terminar cada dia com a pergunta “o que fiz hoje apenas por amor, sem expectativa de retorno?” — a pergunta que toda a vida de Bento responde.

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a São Bento Labre aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de São Pier Giorgio Frassati complementa — outro jovem que viveu a santidade com radicalidade e que morreu cedo sem ter construído uma obra monumental. A Novena de São Jerónimo Emiliani aprofunda — outro santo que conheceu pessoalmente o abandono e que o transformou em missão. O Salmo 84 — “quanto são amadas as vossas moradas, Senhor dos Exércitos! A minha alma deseja e se consome pelos átrios do Senhor” — é o salmo de Bento que percorria as igrejas de Roma consumido pelo desejo de Deus. E o Salmo 23 — “o Senhor é o meu pastor, nada me faltará” — exprime a confiança total de Bento que nunca se preocupou com o amanhã porque havia entregado o amanhã ao Senhor que era o seu único Pastor.

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