Novena de São Jerónimo Emiliani — 9 Dias de Oração ao Pai dos Órfãos e Abandonados

Novena de São Jerónimo Emiliani — 9 Dias de Oração ao Pai dos Órfãos e Abandonados

 

 

Novena de São Jerónimo Emiliani — 9 Dias de Oração ao Pai dos Órfãos e Abandonados

Há um soldado veneziano do século XVI que foi feito prisioneiro numa guerra, acorrentado numa masmorra e que, ao escapar milagrosamente — atribuindo a libertação à intercessão de Nossa Senhora — saiu transformado: deixou as armas, distribuiu os seus bens, foi ordenado sacerdote e dedicou o resto da vida a recolher das ruas os órfãos e os abandonados que as guerras e as pestes haviam multiplicado pela Itália do Norte. São Jerónimo Emiliani é o patrono dos órfãos e dos abandonados, e fundou os Somascos — a congregação religiosa que ainda hoje trabalha com a juventude em dificuldade em todo o mundo.

A sua história começa com uma derrota militar e uma corrente partida. Em 1511, Jerónimo era capitão das forças venezianas em Quero, na região de Treviso. A cidade foi tomada pelo exército da Liga de Cambrai e Jerónimo foi preso e colocado numa masmorra com correntes nos pés. Na prisão, rezou a Nossa Senhora com uma intensidade que nunca havia rezado antes — e, segundo a tradição, a Virgem apareceu-lhe, partiu as correntes e guiou-o até ao exterior. Jerónimo foi imediatamente ao santuário mariano de Treviso depositar as correntes — o sinal da libertação — e ali fez o voto de mudar de vida.

Este padrão — a derrota que produz conversão, o sofrimento que abre os olhos para o sofrimento dos outros — é a chave da espiritualidade de Jerónimo Emiliani. O antigo soldado que havia aprendido o que era estar acorrentado e abandonado tornou-se o homem que mais trabalhou para libertar os que estavam acorrentados pela pobreza e abandonados pela orfandade. A experiência pessoal do sofrimento transformou-se em missão de aliviar o sofrimento dos outros.

São Jerónimo Emiliani é patrono dos órfãos e da juventude abandonada. Canonizado em 1767 por Clemente XIII. Proclamado patrono dos órfãos e dos jovens abandonados por Pio XI em 1928. A sua festa é celebrada em 8 de fevereiro.

Quem Foi São Jerónimo Emiliani

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Gerolamo Miani nasceu em 1486 em Veneza, de família nobre. Seguiu a carreira militar — habitual para os filhos da nobreza veneziana — e serviu como capitão nas guerras que assolavam a Itália do Norte no início do século XVI. Era homem do seu tempo e do seu estamento: ambicioso, despreocupado com a religião, dado ao mundo.

 

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A captura em Quero em 1511 e a libertação milagrosa transformaram-no. Regressou a Veneza, estudou teologia, foi ordenado sacerdote em 1518, e começou imediatamente a obra pela qual seria canonizado: a recolha e o acolhimento dos órfãos que as guerras, as pestes e a miséria haviam multiplicado pelas ruas das cidades do Norte de Itália.

Em Bergamo, Brescia, Como, Milão e Pavia — as cidades que percorreu nos anos seguintes — Jerónimo abriu casas para recolher os órfãos. Não eram apenas abrigos: eram comunidades educativas, com escola, formação profissional e, sobretudo, formação humana e religiosa. O antigo soldado criou um sistema de acolhimento que antecipava o que os Estados modernos só adoptariam séculos depois.

Em Somasca, um vilarejo perto de Bérgamo, fundou em 1532 a congregação religiosa que tomaria o nome do lugar: os Somascos (Companhia dos Servos dos Pobres). A congregação foi aprovada por Paulo III em 1540. Jerónimo morreu em Somasca em 8 de fevereiro de 1537 — infectado pela peste que havia contraído ao cuidar dos seus doentes. A sua festa é celebrada em 8 de fevereiro.

As Correntes Partidas: A Conversão pelo Sofrimento

A experiência da masmorra de Quero foi o ponto de viragem de toda a vida de Jerónimo. Estar acorrentado, abandonado, sem poder pedir ajuda — é uma experiência de impotência total que transforma quem a vive. Jerónimo não saiu da masmorra com ressentimento pelo sofrimento: saiu com compaixão pelo sofrimento dos outros. A experiência de estar na escuridão tornou-o sensível à escuridão em que viviam os órfãos das ruas.

Esta transformação pelo sofrimento — que não produz amargura mas compaixão — é o padrão de muitas das maiores vocações de serviço da história cristã. Damião de Veuster (São Damião de Molokai) foi ao encontro dos leprosos porque sabia o que era o sofrimento do isolamento. Camilo de Lélis fundou a sua ordem de enfermeiros depois de ter experimentado a crueldade dos hospitais do século XVI como paciente. Jerónimo foi ao encontro dos órfãos porque havia experimentado o abandono na masmorra de Quero.

A Pedagogia de Jerónimo: Educar para a Vida

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O sistema que Jerónimo criou para os órfãos que recolhia era revolucionário para o seu tempo. Não se limitava a dar-lhes pão e abrigo — dava-lhes educação, formação profissional e, sobretudo, uma comunidade onde eram tratados como pessoas com dignidade e com futuro. Num século em que os órfãos eram frequentemente escravizados ou explorados, Jerónimo via neles filhos de Deus que mereciam o mesmo que os filhos das famílias abastadas: uma formação completa.

Esta pedagogia integral — que educava o corpo, a mente e o espírito — antecipava o que Dom Bosco sistematizaria no século XIX como “sistema preventivo.” A diferença entre o castigo que corrige e a educação que forma; a diferença entre o abrigo que aloja e a comunidade que acolhe — Jerónimo percebeu estas distinções fundamentais três séculos antes de Dom Bosco as articular em teoria pedagógica.

Os Somascos: A Congregação do Serviço

A Companhia dos Servos dos Pobres — os Somascos — foi fundada por Jerónimo em Somasca em 1532 e aprovada pela Santa Sé em 1540. A congregação ainda hoje trabalha com a juventude em dificuldade em todo o mundo: em orfanatos, em escolas, em centros de acolhimento para jovens em situação de risco. O carisma somasca — que Jerónimo definiu como o cuidado dos pobres “no corpo e na alma” — continua a inspirar centenas de religiosos e colaboradores leigos em dezenas de países.

O nome “Somascos” vem de Somasca — o pequeno vilarejo lombardo onde Jerónimo estabeleceu a sua comunidade-mãe. Há uma humildade no nome: a congregação não se chama pelo nome do fundador nem por uma abstracção espiritual, mas pelo lugar concreto onde nasceu. Esta concretude — que prefere o lugar real ao nome grandioso — é o sinal do carisma de Jerónimo: sempre mais atento ao concreto do que ao abstracto, sempre mais interessado no órfão real do que na teoria da orfandade.

Como Rezar Esta Novena

A Novena de São Jerónimo Emiliani pode ser rezada nos nove dias que precedem a sua festa de 8 de fevereiro — de 30 de janeiro a 7 de fevereiro — ou em qualquer momento do ano em que as intenções correspondam ao seu carisma. É especialmente indicada para rezar:

  • Por órfãos e crianças abandonadas em todo o mundo
  • Por trabalhadores sociais e educadores de jovens em dificuldade
  • Para acompanhar uma conversão pessoal após um período de sofrimento
  • Por quem trabalha em orfanatos, centros de acolhimento e casas de família
  • Para os que estão presos — literalmente ou metaforicamente — e buscam libertação
  • Pelos Somascos e pelas obras que continuam o carisma de Jerónimo

Para cada dia da novena: entre em silêncio, recite a Oração de Abertura, leia a meditação do dia devagar, apresente as suas intenções específicas, recite a oração do dia, reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, e encerre com a Oração de Encerramento.

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Glorioso São Jerónimo Emiliani, soldado convertido pela experiência da masmorra, sacerdote que dedicou a vida aos órfãos e abandonados, fundador dos Somascos, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que aprendestes o valor da liberdade nas correntes de Quero e que usastes essa aprendizagem para libertar os que estavam acorrentados pela pobreza e pelo abandono, intercedei para que eu também transforme as minhas experiências de sofrimento em compaixão pelos que sofrem. Apresentai ao Senhor Jesus as minhas intenções mais urgentes. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Primeiro Dia — A Masmorra de Quero: O Sofrimento que Liberta

Meditação: A masmorra de Quero onde Jerónimo foi acorrentado em 1511 foi o lugar da sua conversão. Não foi uma conversão de gabinete ou de livros: foi uma conversão no sofrimento, na escuridão, na impotência total. Jerónimo rezou como nunca havia rezado — não por devoção mas por necessidade. E quando foi libertado, compreendeu que a libertação exigia resposta: não apenas a gratidão da devoção, mas a transformação da vida. As correntes depositadas no santuário de Treviso não eram apenas sinal de gratidão — eram símbolo de uma vida que mudava de direcção.

São Jerónimo Emiliani, libertado da masmorra por Nossa Senhora e transformado por essa libertação, intercedei para que eu aprenda a ler o sofrimento como escola e não apenas como punição. Que os meus momentos de escuridão e de impotência sejam, como a tua masmorra, o lugar onde encontro Deus com uma intensidade que a vida confortável nunca provoca. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Segundo Dia — O Órfão das Ruas: Ver o Que os Outros Não Vêem

Meditação: Quando Jerónimo começou a percorrer as ruas de Bergamo e de Brescia, viu o que os outros não queriam ver: as crianças sozinhas, raquíticas, com fome, sem nome, sem família, sem futuro. A Itália do Norte do século XVI estava cheia de órfãos de guerra e de peste — e a resposta social da época era o abandono ou a exploração. Jerónimo parou, olhou, e decidiu que aqueles rostos eram o rosto de Cristo. Este olhar — que parava onde os outros aceleravam — foi o primeiro e o mais importante acto apostólico da sua vida convertida.

São Jerónimo Emiliani, que paraste para ver o órfão que os outros não viam, intercedei para que eu aprenda este olhar que para e vê. Que eu não passe pelos rostos do sofrimento com a pressa de quem tem coisas mais importantes para fazer. E que os invisíveis de hoje — os sem-abrigo, os migrantes não acompanhados, os jovens em risco — encontrem em mim alguém que para, olha e age. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Terceiro Dia — A Escola para os Órfãos: Educar é Amar

Meditação: Jerónimo não se contentou em dar pão aos órfãos que recolhia: ensinou-os a ler e a escrever, ensinou-os um ofício, ensinou-os a rezar. Esta pedagogia integral — que não separa a formação humana da formação espiritual — era revolucionária no seu tempo. Para Jerónimo, dar pão sem dar educação era metade da caridade. O pobre que não aprende a ser livre permanece dependente; o órfão que não aprende a pensar e a trabalhar permanece órfão mesmo quando adulto. A educação era, para Jerónimo, o acto de caridade mais profundo.

São Jerónimo Emiliani, que ensinaste os teus órfãos a ler e a trabalhar porque sabias que a caridade que não educa é incompleta, intercedei pelos educadores de crianças em situação de risco. Pelos professores de escolas em bairros difíceis. Pelos catequistas de zonas de pobreza extrema. E que eu contribua — de alguma forma — para que a educação chegue a quem mais precisa dela. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia — Nossa Senhora e as Correntes: A Devoção Mariana

Meditação: A devoção mariana de Jerónimo não era ornamento da sua espiritualidade — era o seu centro. Foi a Nossa Senhora que invocou na masmorra; foi a um santuário mariano que foi depositar as correntes; foi a Nossa Senhora que atribuiu a libertação que transformou a sua vida. Esta devoção radical a Maria — que não é sentimentalismo mas experiência vivida de protecção e de transformação — é o modelo da espiritualidade somasca: Maria como Mãe de todos os órfãos, como a que substitui a mãe que falta.

São Jerónimo Emiliani, devoto de Nossa Senhora que a invocaste no momento mais desesperado da tua vida, intercedei para que eu também aprenda a invocar Maria nos momentos de impotência. Que a Mãe de todos os órfãos seja a minha protecção nos momentos em que me sinto sozinho e acorrentado. E que a devoção mariana que nasceu de uma experiência real na tua vida seja também na minha uma relação real e não apenas uma prática formal. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quinto Dia — A Peste: Morrer pelo Que Se Ama

Meditação: São Jerónimo Emiliani morreu em 8 de fevereiro de 1537, infectado pela peste que havia contraído ao cuidar dos seus doentes. Esta morte — que era a morte mais temida do século XVI — não o havia assustado em vida: sabia que quem cuidava dos pestosos arriscava a vida, e escolhia esse risco como expressão do amor que profissava. Morrer pela causa que se ama é a confirmação mais eloquente de que se acreditava nela. Jerónimo morreu como havia vivido: ao cuidar de quem ninguém queria cuidar.

São Jerónimo Emiliani, que morreste de peste ao cuidar dos teus doentes, intercedei pelos profissionais de saúde que arriscam a vida ao servir. Pelos que trabalham em zonas de epidemia, de conflito ou de extrema pobreza. E intercedei para que eu aprenda que o amor real é o que arriscam — não o que guarda a si mesmo com medo de se gastar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia — O Fundador dos Somascos: O Carisma Que Continua

Meditação: A Companhia dos Servos dos Pobres — os Somascos — que Jerónimo fundou em 1532 ainda existe, ainda trabalha com a juventude em dificuldade, ainda abre escolas e orfanatos em dezenas de países. Este prolongamento institucional do carisma pessoal — que permite que a obra continue depois da morte do fundador — é um dos milagres mais silenciosos da história da Igreja: o amor que se organiza de forma que possa continuar quando o amante já não está.

São Jerónimo Emiliani, fundador de uma congregação que ainda serve os teus órfãos cinco séculos depois, intercedei pelos Somascos e por todas as obras que carregam o teu carisma. Pelos educadores, assistentes sociais e voluntários que trabalham com jovens em dificuldade. E que eu reconheça e apoie as obras que continuam o teu programa — porque cada criança acolhida é a tua obra continuada no mundo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sétimo Dia — Patrono dos Órfãos: Os Invisíveis de Cada Época

Meditação: Quando Pio XI proclamou Jerónimo Emiliani patrono dos órfãos e dos jovens abandonados em 1928, estava a reconhecer que o problema que Jerónimo havia enfrentado no século XVI — crianças sem família, sem protecção, sem futuro — não havia desaparecido. Em cada época há os seus órfãos: no século XVI, eram as crianças das guerras da Itália; no século XX, eram as crianças das guerras mundiais; no século XXI, são os menores migrantes não acompanhados, as crianças das famílias destruídas pela droga, os jovens sem lar de qualquer cidade do mundo. O carisma de Jerónimo é permanentemente actual.

São Jerónimo Emiliani, patrono dos órfãos de todas as épocas, intercedei pelas crianças abandonadas de hoje. Pelos menores migrantes que chegam sozinhos a países que não os querem. Pelas crianças das famílias destruídas pela violência e pela droga. E que a Igreja continue a ser para eles o que Jerónimo foi para os órfãos de Bergamo: uma casa que acolhe sem condições. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oitavo Dia — O Soldado Convertido: A Graça Muda Tudo

Meditação: O contraste entre o Jerónimo antes e depois da masmorra é um dos mais dramáticos da hagiografia italiana do século XVI. Antes: soldado ambicioso, homem do mundo, despreocupado com a religião. Depois: sacerdote, fundador, servidor dos pobres, mártir da caridade. Esta transformação total — que não deixou nada no lugar em que estava — é o sinal de que a graça de Deus não faz ajustamentos cosméticos: quando entra, muda tudo. E muda mais depressa do que qualquer programa de desenvolvimento pessoal poderia prometer.

São Jerónimo Emiliani, soldado convertido que se tornou pai dos órfãos, intercedei pelos que estão no início de uma conversão e que têm medo de que a mudança seja demasiado radical. Que saibam que a graça que mudou um soldado em servo dos pobres pode mudar qualquer vida — com a mesma rapidez e com a mesma profundidade. E que confiem em Deus mais do que nos seus próprios planos de mudança. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: São Jerónimo Emiliani viveu apenas cinquenta e um anos — e passou os últimos vinte deles a recolher órfãos das ruas, a fundar casas de acolhimento, a educar os que ninguém queria educar, a cuidar dos pestosos que ninguém queria cuidar, e a morrer da doença que havia contraído neste cuidado. Uma vida breve, radical, totalmente entregue. A masmorra de Quero durou meses; o serviço aos órfãos durou vinte anos. As correntes de Quero pesavam quilos; o peso dos vinte anos de serviço era incalculável. Mas Jerónimo escolheu o segundo peso porque havia aprendido, na masmorra, que o peso mais leve é sempre o amor.

São Jerónimo Emiliani, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a olhar os “órfãos” da minha vida e do meu ambiente com o mesmo olhar que vós olhávies os órfãos de Bergamo: como rostos de Cristo que merecem mais do que indiferença. Intercedei pelas intenções que trouxe a esta novena. E que as correntes que alguma vez me prenderam — o medo, a autocomplacência, a indiferença — sejam partidas pela mesma graça que partiu as tuas em Quero. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso São Jerónimo Emiliani, pai dos órfãos e fundador dos Somascos, recebei as orações desta novena de nove dias e intercedei por mim e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Obtende para mim a graça de transformar as minhas experiências de sofrimento em compaixão pelos outros, de ver os invisíveis que a minha vida encontra, e de servir com a generosidade total que vós mostrastes ao morrer de peste ao cuidar dos vossos doentes. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quando Rezar Esta Novena

  • De 30 de janeiro a 7 de fevereiro — nos nove dias antes da festa de 8 de fevereiro
  • Por órfãos e crianças abandonadas em todo o mundo
  • Por trabalhadores sociais e educadores de jovens em risco
  • Durante períodos pessoais de sofrimento ou conversão
  • Pelos Somascos e obras de acolhimento de crianças
  • Por profissionais de saúde em zonas de epidemia

As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre São Jerónimo Emiliani e Esta Novena

1. Quem foi São Jerónimo Emiliani e por que é patrono dos órfãos?

São Jerónimo Emiliani (1486-1537) foi um nobre veneziano que, após uma conversão profunda após ser aprisionado e libertado milagrosamente em 1511, se tornou sacerdote e dedicou a vida a recolher órfãos das ruas das cidades do Norte de Itália. Fundou a Companhia dos Servos dos Pobres (Somascos) em 1532 e morreu de peste em 1537 ao cuidar dos seus doentes. Foi proclamado patrono dos órfãos e dos jovens abandonados pelo Papa Pio XI em 1928.

2. O que foi o milagre das correntes de Quero?

Em 1511, durante as guerras da Liga de Cambrai, Jerónimo foi capturado e acorrentado numa masmorra em Quero. Na prisão, rezou intensamente a Nossa Senhora. Segundo a tradição, a Virgem apareceu-lhe, partiu as correntes e guiou-o para fora. Jerónimo foi imediatamente ao santuário mariano de Treviso depositar as correntes — sinal da libertação — e fez o voto de mudar radicalmente de vida. Este evento é o ponto de partida de toda a sua vocação apostólica.

3. Quando é a festa de São Jerónimo Emiliani?

A festa de São Jerónimo Emiliani é celebrada em 8 de fevereiro, data da sua morte em 1537. A novena começa em 30 de janeiro. Pio XI canonizou-o em 1767 (na realidade canonizado por Clemente XIII) e proclamou-o patrono dos órfãos em 1928.

4. O que são os Somascos e onde trabalham hoje?

A Companhia dos Servos dos Pobres, conhecida como Somascos (do nome do vilarejo lombardo de Somasca onde Jerónimo fundou a comunidade-mãe em 1532), é uma congregação religiosa católica que trabalha com a juventude em dificuldade. Aprovada pela Santa Sé em 1540, está hoje presente em mais de 20 países, gerindo orfanatos, escolas, centros de acolhimento e programas de reinserção social para jovens em situação de risco.

5. Como foi a morte de São Jerónimo Emiliani?

Jerónimo morreu em 8 de fevereiro de 1537, em Somasca, infectado pela peste bubónica que havia contraído ao cuidar dos seus doentes. Tinha 51 anos. A sua morte foi o culminar de uma vida de serviço total: morreu da mesma doença que combatia, ao lado dos mesmos pobres que havia servido durante vinte anos.

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6. Qual é a pedagogia de São Jerónimo Emiliani?

A pedagogia de Jerónimo era integral e revolucionária para o século XVI: não se limitava a dar pão e abrigo aos órfãos, mas proporcionava educação básica (ler e escrever), formação profissional (um ofício), formação religiosa e humana, e comunidade de pertença. Esta abordagem antecipa o que Dom Bosco sistematizaria no século XIX como “sistema preventivo” e o que a pedagogia moderna chama de “educação integral”.

7. Por que São Jerónimo Emiliani é relevante para os problemas sociais do século XXI?

O problema que Jerónimo enfrentou — crianças sem família, sem protecção, exploradas ou abandonadas — não desapareceu. No século XXI, são os menores migrantes não acompanhados, os jovens das famílias destruídas pela droga e pela violência, as crianças trabalhadoras dos países em desenvolvimento. O carisma somasca — acolhimento integral da criança em dificuldade — é permanentemente actual e a congregação continua a encarná-lo em contextos contemporâneos.

8. Qual é a relação entre São Jerónimo Emiliani e Dom Bosco?

Jerónimo Emiliani (século XVI) e Dom Bosco (século XIX) partilham o mesmo carisma fundamental: o serviço à juventude em dificuldade através de comunidades educativas que combinam acolhimento, educação e formação religiosa. Dom Bosco conhecia a obra de Jerónimo e os Somascos. As semelhanças são notáveis: ambos trabalharam em Itália do Norte, ambos com jovens abandonados, ambos com uma pedagogia que preferia a formação ao castigo. São os dois maiores educadores de juventude em dificuldade da história católica italiana.

9. Como a devoção a Nossa Senhora marcou a vida de São Jerónimo Emiliani?

A devoção mariana foi o centro da vida espiritual de Jerónimo. Foi a Nossa Senhora que invocou na masmorra de Quero; foi a um santuário mariano que foi depositar as correntes; foi a Nossa Senhora que atribuiu a libertação que transformou a sua vida. A espiritualidade somasca tem uma dimensão mariana forte: Maria é vista como Mãe de todos os órfãos, como a que substitui a mãe que falta. As casas somascas sempre tiveram um lugar especial para a devoção mariana.

10. Como rezar a Novena de São Jerónimo Emiliani para obter maiores frutos espirituais?

Para obter mais frutos: ler antes uma breve biografia de Jerónimo — especialmente o episódio da masmorra de Quero — para sintonizar o coração com a experiência que gerou o seu apostolado; fazer durante os nove dias uma visita concreta a uma obra de caridade com crianças em dificuldade (orfanato, escola de bairro difícil, centro de acolhimento); definir claramente que “correntes” pessoais deseja pedir a São Jerónimo que interceda para partir; e oferecer cada oração diária por uma criança concreta — conhecida ou desconhecida — que esteja em situação de abandono ou dificuldade.

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a São Jerónimo Emiliani aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de São João Bosco complementa — o outro grande patrono da juventude em dificuldade, que continuou o carisma de Jerónimo três séculos depois. A Novena de São Damião de Veuster aprofunda — outro santo que morreu da doença que tratava ao serviço dos mais excluídos. O Salmo 68 — “Deus que dá um lar aos que estavam sós… que faz habitar em casa os que estavam abandonados” — é o salmo de Jerónimo que fazia exactamente isso: dava um lar aos que estavam sós. E o Salmo 103 — “o Senhor é compassivo e misericordioso” — exprime a misericórdia que animou a vida inteira de São Jerónimo Emiliani.

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