Novena de Santo Atanásio de Alexandria — 9 Dias de Oração ao Campeão da Divindade de Cristo

Novena de Santo Atanásio de Alexandria — 9 Dias de Oração ao Campeão da Divindade de Cristo

 

 

Novena de Santo Atanásio de Alexandria — 9 Dias de Oração ao Campeão da Divindade de Cristo

Há uma frase latina que a história cunhou para descrever uma vida inteira de fidelidade solitária: “Athanasius contra mundum” — Atanásio contra o mundo. Santo Atanásio de Alexandria foi exilado cinco vezes por cinco imperadores diferentes ao longo de quarenta e seis anos de episcopado — dezassete desses anos passados fora de Alexandria — precisamente porque se recusava a assinar a fórmula ariana que os imperadores exigiam e que dizia que o Filho de Deus era uma criatura, inferior ao Pai. Atanásio nunca cedeu. E quando o mundo inteiro parecia ter cedido ao arianismo, foi Atanásio quem manteve a fé nicena até que os Concílios subsequentes confirmassem o que Niceia havia definido.

A sua contribuição à história cristã é absolutamente decisiva: sem Atanásio, é possível que o arianismo tivesse vencido — e que a fé cristã tivesse ficado reduzida a uma forma de monoteísmo judaico com um Jesus exaltado mas não divino. O que está em jogo na batalha de Atanásio não é apenas uma fórmula teológica abstracta: é a possibilidade da salvação cristã. Se Jesus não é verdadeiramente Deus, então a morte de Jesus não é a morte de Deus feito homem — é a morte de um homem excepcional, talvez a criatura mais perfeita que existiu, mas incapaz de nos comunicar a vida divina. A salvação cristã — a participação na vida de Deus — exige que quem nos a comunicou seja verdadeiramente Deus. Atanásio percebeu isto com uma clareza que os seus contemporâneos levaram décadas a alcançar.

Doutor da Igreja desde os primórdios da tradição. A sua festa é celebrada em 2 de maio. Santo Atanásio é padroeiro de Alexandria e da teologia ortodoxa no sentido mais literal da expressão: o ensino correcto sobre Cristo.

Quem Foi Santo Atanásio de Alexandria

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Atanásio nasceu por volta de 295 d.C. em Alexandria, Egipto — a segunda cidade do Império Romano e o maior centro intelectual do mundo antigo. Recebeu uma formação teológica excelente na escola catequética de Alexandria e tornou-se secretário e diácono do bispo Alexandre de Alexandria, a quem acompanhou ao Concílio de Niceia em 325 d.C.

O Concílio de Niceia foi o primeiro grande Concílio Ecuménico da história — convocado pelo imperador Constantino para resolver a crise ariana. Ário de Alexandria sustentava que o Filho de Deus era uma criatura — a mais perfeita de todas as criaturas, mas criatura — e que havia um tempo em que o Filho não existia. O Concílio de Niceia, em grande parte pela influência de Atanásio (ainda apenas diácono), definiu a doutrina oposta: o Filho é “consubstancial” (homousios) ao Pai — da mesma substância, verdadeiramente Deus.

 

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Quando Atanásio se tornou bispo de Alexandria em 328 d.C., o arianismo estava longe de estar derrotado. Os imperadores que se seguiram a Constantino favoreceram os arianos por razões políticas — o arianismo era teologicamente mais simples e mais compatível com a mentalidade imperial de uma hierarquia divina. E Atanásio pagou a sua fidelidade a Niceia com cinco exílios: sob Constantino II (335), Constâncio II (339-346), Constâncio II novamente (356-362), Juliano, o Apóstata (362-363), e Valente (365-366). Cada vez que regressava, era com mais prestígio moral — e cada exílio era mais uma prova da integridade que tornava impossível silenciá-lo definitivamente.

Morreu em Alexandria em 2 de maio de 373 d.C., depois de quarenta e seis anos de episcopado — o mais longo da história patrística. Três anos antes da sua morte, o imperador Valente havia relançado a perseguição dos nicenos — mas desta vez, segundo a tradição, apenas disse: “Deixai-o. Ele passará antes de nós.” Morreu na sua cama, rodeado pelo povo que sempre o havia amado. A sua festa é celebrada em 2 de maio.

O Concílio de Niceia e o Homousios: A Batalha de Uma Única Palavra

A batalha teológica mais importante da história cristã foi travada, em grande parte, em torno de uma única palavra grega: “homousios” — consubstancial, da mesma substância. Esta palavra, que o Concílio de Niceia em 325 d.C. inseriu no Credo para descrever a relação entre o Pai e o Filho, foi o campo de batalha de décadas de controvérsia ariana. Os arianos queriam substituí-la por “homoiousios” — “de substância semelhante” — uma diferença de apenas uma letra (o iota que deu origem à expressão inglesa “not one iota of difference”), mas uma diferença teológica abismal: “similar” e “idêntico” são coisas muito diferentes quando se fala de Deus.

Atanásio defendeu o “homousios” niceno durante quarenta anos — com argumentos filosóficos, com argumentos bíblicos e com argumentos soteriológicos. O argumento soteriológico era o mais forte e o mais original: “Aquilo que não foi assumido não foi salvo.” Se Cristo não assumiu a natureza humana completa — ou se Cristo não é verdadeiramente Deus — então a salvação humana não foi realizada. Para que Cristo nos comunicasse a vida divina, era necessário que Cristo fosse verdadeiramente divino. Para que a morte de Cristo nos redimisse, era necessário que quem morreu na Cruz fosse verdadeiramente Deus feito homem.

As Obras de Santo Atanásio: Da Apologética à Mística

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As obras de Atanásio cobrem um espectro extraordinariamente amplo: desde as primeiras obras apologéticas (“Contra os Gentios” e “Sobre a Encarnação do Verbo”, escritas antes do episcopado, provavelmente por volta de 318 d.C.) até às obras polemicas anti-arianas (“Discursos contra os Arianos”, em três volumes, escritos durante o primeiro exílio), passando pela hagiografia monástica (“Vida de Santo António”, escrita por volta de 357 d.C., a obra mais lida da patrística depois das Escrituras).

O “Sobre a Encarnação do Verbo” — provavelmente o texto mais influente que Atanásio escreveu — foi descrito por C.S. Lewis como “um dos mais estimulantes e esclarecedores livros que alguma vez li.” Nele, Atanásio argumenta que a Encarnação — o Verbo de Deus tornando-Se homem — foi o único meio possível de restaurar a imagem de Deus no homem que o pecado havia desfigurado. A lógica é bela e rigorosa: só o Autor da imagem pode restaurar a imagem; portanto, só o próprio Verbo de Deus, tornando-Se homem, poderia restaurar o homem à sua condição original.

A Vida de Santo António: O Pai do Monaquismo

A “Vida de Santo António”, escrita por Atanásio durante o seu segundo exílio (356-362), foi um dos textos mais influentes da história cristã — lida amplamente no Ocidente latino e responsável em grande medida pela difusão do ideal monástico pela Europa. É a obra que Agostinho de Hipona estava a ler quando, nas “Confissões”, descreve a conversão de dois funcionários imperiais ao monaquismo — e que foi um dos catalisadores da sua própria conversão.

Atanásio conhecia pessoalmente António do Deserto — o pai do monaquismo eremítico egípcio — e a sua hagiografia está escrita com a autoridade de quem descreve o que viu. O contraste entre a sofisticação intelectual de Atanásio (o alexandrino formado na melhor tradição filosófica) e a simplicidade radical de António (o analfabeto do deserto que confundia os filósofos com a serenidade da sua fé) é um dos mais ricos da literatura patrística.

Como Rezar Esta Novena

A Novena de Santo Atanásio de Alexandria pode ser rezada nos nove dias que precedem a sua festa — de 23 de abril a 1 de maio — ou em qualquer momento do ano em que as intenções correspondam ao seu carisma. Santo Atanásio é invocado especialmente:

  • Para fortalecer a fé quando ela parece estar em minoria ou sob pressão social
  • Por teólogos e estudiosos da fé que trabalham em ambientes secularizados
  • Por quem está em situações de isolamento por causa de convicções de fé
  • Pela unidade das Igrejas cristãs em torno do Credo niceno-constantinopolitano
  • Para aprofundar a fé na divindade de Jesus Cristo
  • Pelos que enfrentam perseguição ou exílio por causa da fé

Para cada dia, siga a sequência: silêncio inicial, Oração de Abertura, meditação do dia, intenções pessoais, oração do dia, Pai-Nosso + Ave-Maria + Glória, Oração de Encerramento.

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Glorioso Santo Atanásio de Alexandria, bispo que foi exilado cinco vezes em quarenta e seis anos porque nunca cedeu ao arianismo imperial, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que dissestes ao mundo inteiro “Cristo é Senhor” quando o mundo inteiro queria uma fórmula mais conveniente, intercedei para que eu também professe a fé com a mesma fidelidade — não quando é fácil, mas quando custa. Apresentai as minhas intenções ao Senhor Jesus, cuja divindade defendestes com toda a vossa vida. Por Cristo Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que convosco vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

Primeiro Dia — “Athanasius contra Mundum”: A Minoria Fiel

Meditação: A frase “Athanasius contra mundum” — Atanásio contra o mundo — foi cunhada para descrever o período mais sombrio do episcopado de Atanásio: a época em que o arianismo havia conquistado a maioria dos bispos do Império, em que os imperadores promoviam fórmulas de compromisso que esvaziavam o “homousios” de Niceia, e em que Atanásio era o único bispo de peso que se recusava a ceder. Estava só. E manteve a posição. Esta fidelidade solitária — que não busca o conforto da maioria nem o reconhecimento do poder — é uma das formas mais radicais de fé que existem.

Santo Atanásio, que estiveste contra o mundo durante décadas e não cedeste, intercedei para que eu aprenda esta fidelidade solitária. Que eu não substitua a verdade pelo consenso conveniente. Que quando a maioria ceder e a pressão for grande, eu saiba como vós que a verdade não se torna falsa por não ter defensores — e que um só defensor fiel é suficiente quando Deus está do seu lado. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Segundo Dia — O Concílio de Niceia: A Definição que Mudou a História

Meditação: Atanásio participou no Concílio de Niceia em 325 d.C. ainda como diácono — jovem, sem voto formal, mas com uma influência intelectual que os bispos presentes reconheceram. A definição “homousios” — consubstancial — que o Concílio adoptou foi a vitória teológica de que a fé cristã necessitava: não uma fórmula de compromisso que agradasse a todos, mas uma definição precisa que excluísse inequivocamente o arianismo. Atanásio percebeu que fórmulas vagas servem os adversários da fé — que usam a ambiguidade para introduzir o erro sem o parecer fazer.

Santo Atanásio, que defendestes a precisão doutrinária quando todos preferiam a ambiguidade conveniente, intercedei para que eu aprenda o valor da clareza na fé. Que eu não use a vagueza para evitar o conflito quando a clareza é necessária. E que o Credo que recito — fruto em grande parte do teu esforço — seja para mim não fórmula automática mas profissão de fé consciente e comprometida. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Terceiro Dia — “Aquilo que Não Foi Assumido Não Foi Salvo”

Meditação: O argumento soteriológico de Atanásio — desenvolvido especialmente no “Sobre a Encarnação do Verbo” — é de uma clareza e de uma beleza que C.S. Lewis identificou como um dos argumentos filosóficos mais convincentes da historia do pensamento. “Aquilo que não foi assumido não foi salvo”: se Cristo não assumiu a natureza humana completa, ou se Cristo não é verdadeiramente Deus, então a salvação humana não foi realizada. Para que Cristo nos comunicasse a vida divina, era necessário que Cristo fosse verdadeiramente divino. A salvação não é apenas o perdão dos pecados — é a participação na vida de Deus. E para nos comunicar essa participação, o comunicador devia ser Deus.

Santo Atanásio, que ensinaste que a salvação exige a divindade real de Cristo, intercedei para que eu compreenda o que está em jogo na fé na divindade de Jesus. Que a minha fé em Jesus não seja apenas admiração por um grande homem — mas reconhecimento de que o Filho de Deus Se fez homem para que os homens se tornassem filhos de Deus. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia — Os Cinco Exílios: A Fidelidade que Não Cede

Meditação: Cinco exílios em quarenta e seis anos de episcopado — dezassete anos fora de Alexandria. Cada exílio foi imposto por um poder imperial diferente, usando pretextos diferentes, mas com o mesmo objectivo: silenciar o bispo de Alexandria que se recusava a assinar as fórmulas de compromisso que os imperadores exigiam. E em cada exílio, Atanásio continuou a escrever, a corresponder com as comunidades que governava à distância, a sustentar a fé dos fiéis que ficavam. O exílio não o silenciou — aprofundou-o.

Santo Atanásio, que o exílio não silenciou mas aprofundou, intercedei pelos cristãos perseguidos e exilados de hoje. Pelos bispos e padres que governam comunidades à distância por causa de regimes que perseguem a fé. E intercedei para que eu aprenda que a adversidade pode ser escola de profundidade espiritual — e que o silenciamento exterior nunca pode silenciar a fé interior. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quinto Dia — A Vida de Santo António: O Intelectual e o Analfabeto

Meditação: A “Vida de Santo António” que Atanásio escreveu é um dos textos mais paradoxais da patrística: o teólogo mais sofisticado de Alexandria a escrever a vida do ermita analfabeto do deserto que confundia os filósofos com a serenidade da sua fé. O que Atanásio viu em António era o que a sua própria vida intelectual buscava: a fé não como sistema de ideias mas como relação de amor com Deus que transforma inteiramente a pessoa. António havia chegado pelo caminho da renúncia e do deserto ao que Atanásio buscava pelo caminho da teologia e da luta doutrinal. Caminhos diferentes para a mesma santidade.

Santo Atanásio, que reconheceste em António analfabeto a sabedoria que o teu intelectualismo buscava, intercedei para que eu aprenda a humildade de reconhecer a santidade nos que percorrem caminhos diferentes do meu. Que a fé vivida na simplicidade do deserto me ensine o que a teologia mais rigorosa sozinha não pode — que Deus é encontrado no amor, não apenas no argumento. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia — O Povo de Alexandria: O Bispo e o Seu Rebanho

Meditação: Uma das constantes mais notáveis da vida de Atanásio é o amor do povo de Alexandria pelo seu bispo — e o amor de Atanásio pelo seu povo. Cada regresso do exílio era uma festa: o povo saía às portas da cidade para recebê-lo. Cada exílio era um luto colectivo. Esta relação de fidelidade mútua — entre o bispo que nunca cedeu pelos seus fiéis e o povo que nunca aceitou definitivamente os bispos arianos que os imperadores lhe impunham — é um dos modelos mais belos de comunidade eclesial que a história cristã preserva.

Santo Atanásio, cujo povo nunca te esqueceu nos exílios e sempre te festejou nos regressos, intercedei pelas comunidades cristãs que mantêm a fé apesar da pressão exterior. Pelos fiéis que resistem à imposição de pastores nomeados por poderes que não são o de Deus. E que eu aprenda que a fidelidade do pastor ao rebanho e do rebanho ao pastor é um dos sinais mais claros da presença de Cristo na Igreja. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sétimo Dia — O “Sobre a Encarnação”: Para Principiantes

Meditação: C.S. Lewis escreveu no prefácio à tradução inglesa do “Sobre a Encarnação” de Atanásio que os livros antigos — os Padres da Igreja, os grandes teólogos medievais — são frequentemente mais acessíveis do que os comentadores modernos que os explicam: “O original tem em si uma força, uma clareza e uma ousadia que são frequentemente suprimidas pelo comentário.” O “Sobre a Encarnação” foi escrito por Atanásio quando tinha cerca de vinte anos — e tem a clareza e a ousadia de quem ainda não aprendeu a complicar o que é simples. É um dos melhores pontos de entrada na teologia cristã que existem.

Santo Atanásio, que escreveste a teologia com a clareza de quem a vive antes de a explicar, intercedei para que eu leia os Padres da Igreja com a atenção que merecem. Que eu não me contente com resumos e comentários quando os originais estão disponíveis. E que a clareza e a ousadia de Atanásio inspire a minha própria comunicação da fé — simples sem ser simplista, profunda sem ser incompreensível. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oitavo Dia — O Epílogo da Vitória: A Fé Nicena Confirmada

Meditação: Quando Atanásio morreu em 373 d.C., o arianismo ainda era forte — o imperador Valente ainda perseguia os nicenos. Mas oito anos depois, em 381, o Concílio de Constantinopla confirmou definitivamente a fé nicena que Atanásio havia defendido durante toda a vida. Atanásio não viveu para ver a confirmação definitiva da vitória — mas plantou as sementes que outros colheram. Esta é a condição de muitos dos que trabalham pela verdade: não vêem os frutos, mas são necessários para que os frutos existam.

Santo Atanásio, que morreste antes de ver a confirmação da vitória que tornaste possível, intercedei para que eu aceite trabalhar por causas cujos frutos podem não ser colhidos na minha geração. Que eu plante sem exigir colher. E que a fidelidade à missão — independentemente dos resultados visíveis — seja a medida do meu serviço, como foi a medida do vosso. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: Santo Atanásio de Alexandria foi exilado cinco vezes, governou a sua diocese por carta durante dezassete anos, viu o mundo inteiro parecer ceder ao arianismo — e nunca cedeu. Morreu na sua cama, rodeado pelo povo que sempre o amou, com a fé nicena ainda a ser perseguida mas com a certeza interior de quem sabe que a verdade não precisa de maioria para ser verdade. A frase “Atanásio contra o mundo” não é sinal de teimosia: é sinal de que às vezes a fidelidade à verdade exige resistir ao mundo inteiro — com a paz de quem sabe que a verdade pertence a Deus e não ao mundo.

Santo Atanásio de Alexandria, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a professar a divindade de Jesus Cristo com a clareza e a coragem que vós mostrastes durante quarenta e seis anos de episcopado. Intercedei pelas intenções que trouxe a esta novena. E que “Atanásio contra o mundo” seja para mim não apenas admiração histórica mas inspiração pessoal: quando a verdade pede que eu esteja sozinho, que eu esteja com a serenidade de quem sabe Quem está do seu lado. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso Santo Atanásio de Alexandria, bispo que resistiu cinco exílios sem ceder um iota da fé nicena, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus, cuja divindade defendestes com toda a vossa vida. Obtende para mim a graça de uma fé que não muda com o vento das opiniões, que não cede à pressão das maiorias, e que encontra na fidelidade à verdade a paz que o mundo não pode dar nem tirar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quando Rezar Esta Novena

  • De 23 de abril a 1 de maio — nos nove dias antes da festa de 2 de maio
  • Para fortalecer a fé em situações de pressão social
  • Por teólogos em ambientes secularizados
  • Pelos cristãos perseguidos e exilados
  • Para aprofundar a fé na divindade de Cristo
  • Pelo diálogo ecumênico centrado no Credo niceno

As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre Santo Atanásio e Esta Novena

1. O que significa “Athanasius contra mundum” — Atanásio contra o mundo?

A expressão “Athanasius contra mundum” descreve o período em que o arianismo havia conquistado a maioria dos bispos e dos imperadores do século IV, e Atanásio era praticamente o único bispo de peso a recusar as fórmulas de compromisso que esvaziavam a definição de Niceia. Não é teimosia: é fidelidade à verdade quando a maioria cede. A expressão tornou-se proverbial para descrever qualquer situação em que uma pessoa fiel a uma verdade está solitária contra a pressão da maioria.

2. Quem foi Ário e o que ensinava o arianismo?

Ário (c. 256-336 d.C.) foi um presbítero de Alexandria que ensinava que o Filho de Deus era uma criatura — a mais perfeita das criaturas, exaltada acima de todas, mas criatura. Dizia que “havia um tempo em que o Filho não existia” e que o Filho era “homoi” (semelhante) ao Pai mas não “homoousios” (consubstancial, da mesma substância). O arianismo foi condenado pelo Concílio de Niceia (325 d.C.), mas sobreviveu e prosperou durante décadas com o apoio imperial, dividindo a Igreja entre nicenos e arianos.

3. Quantas vezes Santo Atanásio foi exilado e porquê?

Santo Atanásio foi exilado cinco vezes, num total de dezassete anos fora de Alexandria, durante quarenta e seis anos de episcopado. Os cinco exílios foram: 1º exílio sob Constantino II (335-337); 2º exílio sob Constâncio II (339-346); 3º exílio sob Constâncio II (356-362); 4º exílio sob Juliano, o Apóstata (362-363); 5º exílio sob Valente (365-366). Em todos os casos, o motivo real foi a sua recusa em assinar as fórmulas arianas ou semi-arianas que os imperadores promoviam.

4. O que é o “homousios” de Niceia e por que foi tão controverso?

“Homousios” significa “consubstancial” ou “da mesma substância” — a palavra que o Concílio de Niceia (325 d.C.) usou para descrever a relação entre o Pai e o Filho: o Filho é da mesma substância que o Pai, verdadeiramente Deus. Foi controverso porque: os arianos queriam “homoiousios” (de substância semelhante, não idêntica); a palavra não aparecia na Bíblia; e havia bispos que, sem serem arianos, preferiam fórmulas mais vagas para não dividir a Igreja. Atanásio defendeu o “homousios” durante quarenta anos porque percebeu que qualquer fórmula mais vaga permitia ao arianismo sobreviver.

5. Quais são as obras mais importantes de Santo Atanásio?

As obras principais de Santo Atanásio são: “Contra os Gentios” e “Sobre a Encarnação do Verbo” (c. 318 d.C.) — apologética e cristologia; “Discursos contra os Arianos” (três volumes, c. 339-346 d.C.) — a mais completa refutação do arianismo; “Vida de Santo António” (c. 357 d.C.) — a hagiografia mais influente da patrística; “Cartas Pascais” — cartas anuais aos fiéis de Alexandria que incluem a primeira lista canónica dos 27 livros do NT idêntica ao cânone actual (Carta Pascal de 367 d.C.); e numerosas cartas teológicas e polémicas.

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6. Qual é a relação entre Santo Atanásio e o cânone do Novo Testamento?

A Carta Pascal de 367 d.C. de Atanásio é o primeiro documento da história cristã a listar exactamente os 27 livros do Novo Testamento que constituem o cânone actual — os mesmos que os Concílios subsequentes confirmariam. Antes desta carta, havia listas diversas e disputas sobre alguns livros (Apocalipse, 2 Pedro, Hebreus, etc.). A autoridade de Atanásio — reforçada pela sua reputação de fidelidade doutrinal — deu a esta lista um peso especial que contribuiu para a sua adopção universal.

7. Por que C.S. Lewis recomendava a leitura do “Sobre a Encarnação” de Atanásio?

C.S. Lewis escreveu o prefácio à tradução inglesa moderna do “Sobre a Encarnação” (1944) e recomendou-o como o melhor ponto de entrada na teologia cristã clássica. A razão: os livros antigos têm “uma força, uma clareza e uma ousadia que os comentadores modernos frequentemente suprimem.” O “Sobre a Encarnação” foi escrito por Atanásio quando tinha cerca de 20 anos e tem a frescura e a clareza de uma teologia ainda não domesticada pela tradição académica. Lewis dizia que quem lê uma página de Atanásio aprende mais sobre a fé cristã do que quem lê dez páginas de comentadores modernos.

8. O que é a “Vida de Santo António” e qual foi a sua influência histórica?

A “Vida de Santo António” (c. 357 d.C.) foi escrita por Atanásio durante o seu segundo exílio para descrever a vida de António do Deserto (c. 251-356 d.C.), o pai do monaquismo eremítico. Foi imediatamente traduzida para latim e tornou-se o texto mais lido da patrística depois das Escrituras. A sua influência histórica foi imensa: difundiu o ideal monástico pelo Ocidente latino, inspirou as conversões de Agostinho de Hipona e de muitos outros, e tornou-se o modelo de toda a literatura hagiográfica medieval. Sem a “Vida de Santo António” de Atanásio, a história do monaquismo cristão teria sido muito diferente.

9. Qual é a importância de Santo Atanásio para o ecumenismo cristão?

Santo Atanásio é uma figura ecuménica de primeira importância porque é venerado com igual fervor pela Igreja Católica, pelas Igrejas Ortodoxas (que o consideram um dos seus maiores santos) e pela maior parte das tradições protestantes. A fé nicena que ele defendeu — expressa no Credo Niceno-Constantinopolitano — é o terreno comum de todas as tradições cristãs que professam a divindade de Cristo. O diálogo ecuménico baseado no Credo tem em Atanásio o seu defensor histórico mais eloquente.

10. Como rezar a Novena de Santo Atanásio para obter maiores frutos espirituais?

Para obter mais frutos nesta novena: ler antes pelo menos os primeiros capítulos do “Sobre a Encarnação” (disponível em português e gratuito online) — para ouvir a voz de Atanásio antes das meditações; rezar o Credo niceno completo após cada oração diária, conscientemente, como profissão da fé que Atanásio defendeu; identificar a área da vida onde há maior pressão para ceder — e oferecer essa resistência diária a Santo Atanásio; e terminar cada dia com a frase “Atanásio contra o mundo” não como slogan mas como oração: a certeza de que a verdade não precisa de maioria para ser verdade.

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a Santo Atanásio aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de São Basílio Magno complementa — Basílio continuou a batalha de Atanásio pela fé nicena na geração seguinte. A Novena de São Gregório de Nazianzo aprofunda — Gregório presidiu ao Concílio de Constantinopla (381) que confirmou definitivamente o que Atanásio havia defendido. O Salmo 27 — “o Senhor é a minha luz e salvação; a quem temerei?” — é o salmo de Atanásio que resistiu a cinco imperadores. E o Salmo 46 — “Deus é o nosso refúgio e a nossa força” — exprime a confiança que sustentou Atanásio em cada um dos cinco exílios.

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