Novena de São Gregório de Nazianzo — 9 Dias de Oração ao Teólogo da Trindade
Há um teólogo do século IV que recebeu um título que ninguém antes ou depois recebeu na história da Igreja: “o Teólogo.” São Gregório de Nazianzo — um dos três Capadócios ao lado de São Basílio e São Gregório de Nissa — é o único na tradição cristã a quem a Igreja deu este cognome singular: não o biblista, não o místico, não o pregador — o Teólogo. A teologia trinitária que ele articulou no Concílio de Constantinopla em 381 é o fundamento do Credo que ainda hoje a Igreja recita.
A sua vida foi paradoxal: um dos maiores intelectos cristão do século IV que detestava a política eclesiástica, que era fisicamente frágil, que renunciou ao patriarcado de Constantinopla depois de apenas poucos meses, e que passou a última fase da vida a escrever poesia — tornando-se o único Padre da Igreja que foi também grande poeta. A sua autobiografia em verso — o “Carmen de Vita Sua” — é um dos mais honestos textos de reflexão sobre a vocação e os seus custos que a literatura cristã produziu.
Doutor da Igreja. A sua festa é celebrada em 2 de janeiro.
Quem Foi São Gregório de Nazianzo
Gregório nasceu por volta de 329 d.C. em Arianzo, perto de Nazianzo na Capadócia (actual Turquia), filho de Gregório, bispo de Nazianzo, e de Nona. Estudou em Cesareia, Alexandria e Atenas — onde se tornou amigo íntimo de Basílio de Cesareia (futuro São Basílio Magno), uma das amizades intelectuais mais fecundas da história cristã.
Depois dos estudos, foi ordenado sacerdote pelo pai — contra a sua vontade — e depois bispo de Sásima — uma diocese insignificante que Basílio lhe atribuiu por razões políticas que Gregório nunca perdoou. Esta série de ordens forçadas — que contrastavam com o seu desejo de vida contemplativa e de estudo — foi a cruz permanente da sua vida.
Em 379, foi chamado a Constantinopla para liderar a pequena comunidade nicena num momento em que o arianismo dominava a capital. Os seus Cinco Discursos Teológicos — pregados na pequena Igreja da Anastasis — são os textos mais brilhantes da teologia trinitária patrística: uma defesa da divindade do Espírito Santo (que completou a definição trinitária de Niceia) de uma precisão e de uma beleza sem paralelo.
Presidiu ao início do Concílio de Constantinopla (381) como Patriarca — e depois renunciou, cansado da política eclesiástica, retirando-se para a sua Capadócia natal. Os últimos anos foram de retiro, poesia e correspondência. Morreu por volta de 390 d.C. A sua festa é celebrada em 2 de janeiro.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São Gregório de Nazianzo, o Teólogo da Trindade, intercedei por mim nesta novena. Vós que articulastes a fé trinitária com uma precisão que o Credo ainda hoje proclama, intercedei para que eu conheça e ame o mistério da Santíssima Trindade com a profundidade que ele merece. Amém.
Primeiro Dia — “O Teólogo”: O Único com Este Título
Meditação: O título “o Teólogo” que a Igreja deu a Gregório de Nazianzo — reservado na tradição oriental apenas a ele e ao apóstolo João — é o mais alto reconhecimento da sua contribuição intelectual. Não “o bispo” nem “o pregador” nem “o santo”: o Teólogo. Aquele cuja principal contribuição foi compreender e articular a verdade de Deus com uma profundidade e uma precisão que a tradição considerou paradigmáticas.
São Gregório de Nazianzo, o único chamado “o Teólogo” na tradição latina, intercedei para que eu busque a compreensão de Deus com o rigor e a profundidade que o título “teólogo” exige. Que o meu pensamento sobre Deus seja sempre mais profundo, mais preciso, mais verdadeiro. Amém.
Segundo Dia — Os Cinco Discursos Teológicos
Meditação: Os Cinco Discursos Teológicos pregados na Igreja da Anastasis em Constantinopla (379-380) são os textos mais brilhantes da teologia trinitária patrística. Gregório não apenas defende a divindade do Espírito Santo: reflecte sobre o que significa falar de Deus, sobre os limites da linguagem humana quando fala do divino, sobre a necessidade de purificação interior antes de poder contemplar a verdade de Deus. A teologia de Gregório não começa no texto: começa na oração.
São Gregório de Nazianzo, cujos Discursos Teológicos começavam na oração e terminavam em contemplação, intercedei para que o meu pensamento sobre Deus também comece e termine em oração. Que eu nunca separe a teologia da espiritualidade nem a especulação da adoração. Amém.
Terceiro Dia — A Amizade com Basílio
Meditação: A amizade entre Gregório de Nazianzo e Basílio de Cesareia — começada nos estudos em Atenas — foi uma das mais fecundas da história patrística. Gregório descreveu-a assim: “Tínhamos uma só alma em dois corpos… cada um era a alma do outro.” Esta amizade intelectual e espiritual — que sobreviveu a tensões reais, incluindo o resentimento de Gregório pela diocese de Sásima — foi o sustento mútuo de duas vocações que a história não poderia ter produzido sem esta amizade.
São Gregório de Nazianzo, cuja amizade com Basílio foi “uma só alma em dois corpos”, intercedei pelas amizades intelectuais e espirituais profundas. Pelos amigos que se formam mutuamente. E que eu tenha — e seja — este tipo de amigo: o que sustenta a vocação do outro com a mesma intensidade com que a sua própria. Amém.
Quarto Dia — A Vocação Forçada: A Cruz da Obediência
Meditação: Gregório foi ordenado sacerdote pelo pai, bispo de Sásima pelo amigo Basílio e Patriarca de Constantinopla pelas circunstâncias históricas — nunca pediu nenhum destes cargos. Esta sucessão de vocações não desejadas foi a mais intensa provação da sua vida. E em cada uma, serviu com fidelidade antes de retirar para a contemplação que sempre havia desejado. Esta capacidade de servir bem o que não se pediu — sem amargura permanente — é heroísmo espiritual raramente reconhecido.
São Gregório, que foste ordenado e nomeado sem o pedir e que ainda assim serviste com fidelidade, intercedei para que eu aceite as responsabilidades que chegam sem ser pedidas. Que eu sirva bem o que não escolhi antes de poder fazer o que escolheria. E que a amargura pelas vocações forçadas não enveneie o serviço que elas exigem. Amém.
Quinto Dia — A Renúncia ao Patriarcado
Meditação: Depois de presidir ao início do Concílio de Constantinopla e de consolidar a ortodoxia trinitária na capital, Gregório renunciou ao patriarcado — cansado da política eclesiástica, ferido pelas intrigas, desejando apenas o retiro e a poesia. Esta renúncia — que a política via como fraqueza — foi acto de lucidez e de integridade: Gregório sabia que não era o homem certo para o cargo de gestor eclesiástico, e teve a honestidade de o dizer. A coragem de renunciar é às vezes maior do que a coragem de aceitar.
São Gregório de Nazianzo, que tiveste a coragem de renunciar ao que não eras feito para exercer, intercedei para que eu aprenda a discernir honestamente os limites da minha vocação. Que eu não me agarre a cargos que estão para além da minha capacidade ou vocação. E que a renúncia honesta seja reconhecida como virtude e não como cobardia. Amém.
Sexto Dia — O Poeta dos Padres
Meditação: Gregório foi o único Padre da Igreja que foi também grande poeta. Nos últimos anos da vida, em retiro, escreveu poemas teológicos, autobiográficos e líricos — incluindo o “Carmen de Vita Sua”, a autobiografia em verso. Esta combinação — teólogo rigoroso e poeta sensível — é rara em qualquer época. Gregório entendia que a beleza era uma via de acesso à verdade, e que a poesia podia dizer sobre Deus o que a prosa teológica não conseguia exprimir.
São Gregório de Nazianzo, teólogo e poeta, intercedei para que eu aprenda que a beleza é via de acesso a Deus. Que a arte, a poesia e a música não sejam ornamentos da fé mas caminhos para a verdade. E que o Deus que Gregório descreveu com precisão teológica e com sensibilidade poética seja o Deus que eu busco com toda a minha inteligência e toda a minha sensibilidade. Amém.
Sétimo Dia — O Credo de Constantinopla
Meditação: O Concílio de Constantinopla de 381, que Gregório presidiu, completou o Credo de Niceia com a afirmação da divindade do Espírito Santo: “Senhor e vivificador, que procede do Pai, que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.” Este Credo — o Credo Niceno-Constantinopolitano que a Igreja recita na Missa — foi o trabalho teológico de toda a vida de Gregório: a articulação da fé trinitária que há quarenta anos combatia o arianismo.
São Gregório de Nazianzo, que presidiste ao Concílio que completou o Credo que ainda recitamos, intercedei para que eu recite o Credo na Missa não como fórmula automática mas como acto de fé consciente e comprometido. Que cada palavra do Credo seja profissão real de quem compreende o que afirma. Amém.
Oitavo Dia — A Pequena Igreja da Anastasis
Meditação: Gregório chegou a Constantinopla em 379 numa pequena comunidade nicena assoberbada numa cidade de maioria ariana. Pregou na pequena Igreja da Anastasis — a Igreja da Ressurreição — e os seus Discursos Teológicos foram o instrumento que reconquistou a capital para a ortodoxia. Esta vitória da minoria fiel sobre a maioria dominante — alcançada pela qualidade da pregação e não pela força — é o modelo de toda a evangelização em ambiente adverso.
São Gregório de Nazianzo, que conquistaste Constantinopla pela qualidade da pregação e não pela força, intercedei para que eu aprenda que a minoria fiel que prega bem é mais poderosa do que a maioria que prega mal. Que a qualidade do testemunho seja a minha arma principal em qualquer ambiente adverso. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Chegamos ao último dia. São Gregório de Nazianzo foi o teólogo que não queria ser bispo, o patriarca que renunciou, o poeta que era padre, o homem que amava a contemplação e que foi chamado repetidamente à acção. A tensão entre o que queria ser e o que foi chamado a ser foi a sua cruz e a sua glória. E no fim, foi a teologia que produziu na tensão — não a paz que nunca teve — que alimenta a Igreja há dezasseis séculos.
São Gregório de Nazianzo, o Teólogo, ao terminar esta novena, eu me comprometo a rezar o Credo com a consciência de que foi articulado por homens que pagaram o preço da fidelidade à verdade. Intercedei pelas intenções desta novena. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São Gregório de Nazianzo, o Teólogo e poeta dos Padres, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Que a vossa teologia trinitária profunda inspire a minha fé. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 24 a 31 de dezembro — nos nove dias antes da festa de 2 de janeiro