Novena de São Francisco Xavier — 9 Dias de Oração ao Apóstolo do Oriente
Há um missionário que percorreu mais quilómetros do que qualquer outro cristão do seu tempo — da Europa à Índia, da Índia ao Japão, do Japão às portas da China — e que morreu sozinho numa ilha ao largo de Cantão, a poucos quilómetros do continente que havia sonhado evangelizar. São Francisco Xavier foi o maior missionário desde São Paulo: mais de cinquenta e dois países percorridos, centenas de milhar de baptismos, comunidades cristãs fundadas em três continentes — e tudo isto em apenas onze anos de missão (1542-1552).
A sua história começa com uma recusa. Francisco Xavier era jovem professor de filosofia em Paris — ambicioso, elegante, com uma carreira académica brilhante à frente. E o seu companheiro de quarto insistia em perguntar-lhe: “Francisco, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” Xavier resistiu. E depois cedeu. E quando cedeu, tornou-se o missionário mais extraordinário da história moderna.
São Francisco Xavier é o padroeiro das missões, dos missionários, do Japão, da Índia e de Navarra. A sua festa em 3 de dezembro é celebrada pela Igreja universal como memória do homem que demonstrou que o Evangelho pode atravessar todas as fronteiras culturais — quando quem o carrega está disposto a ir até ao fim.
Quem Foi São Francisco Xavier
Francisco de Jaso y Azpilcueta nasceu em 7 de abril de 1506 no Castelo de Xavier, em Navarra, Espanha, filho de uma família nobre basca. Estudou em Paris, onde foi professor de filosofia no Colégio de Santa Bárbara. Ali foi colega de quarto de Pierre Favre — e através de Favre entrou em contacto com Inácio de Loyola.
Inicialmente resistiu às propostas de Inácio. Mas a pergunta que Inácio lhe repetia — “Francisco, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” — foi trabalhando o seu coração. Em 1534, fez os votos em Montmartre com Inácio e os outros cinco companheiros. Em 1540, quando a Companhia foi aprovada, o rei de Portugal pediu ao Papa missionários para a Índia. Inácio escolheu Xavier.
Francisco partiu de Lisboa em 1541, chegou a Goa em 1542, e começou imediatamente a missão. Nos dez anos seguintes percorreu a costa da Índia, o Sri Lanka, as Molucas (actual Indonésia), chegou ao Japão em 1549 — o primeiro jesuíta a pisar no Japão — e fundou comunidades que sobreviveriam séculos de perseguição. Em 1552, preparou a missão à China. Morreu em 2 de dezembro de 1552 na ilha de Sanchão, ao largo da costa chinesa, com 46 anos, sem nunca ter entrado na China que havia sonhado evangelizar.
Canonizado em 1622, juntamente com Inácio de Loyola. A sua festa é celebrada em 3 de dezembro.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São Francisco Xavier, Apóstolo do Oriente e patrono das missões, intercedei por mim nesta novena. Vós que percorrestes três continentes pelo amor de Deus e que morreu sozinho numa ilha à espera de entrar na China, intercedei para que eu também aprenda a dar tudo sem calcular o retorno. Amém.
Primeiro Dia — “Que Adianta Ganhar o Mundo?”
Meditação: A pergunta que Inácio repetia a Xavier — “Francisco, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” — é a pergunta mais importante que qualquer ser humano pode receber. Xavier resistiu durante anos. E quando cedeu, tornou-se o missionário mais extraordinário da sua época. Esta resistência inicial de Xavier — o jovem ambicioso que não queria ouvir a verdade — e a sua conversão posterior são a história de qualquer conversão genuína: demora porque custa, e custa porque é real.
São Francisco Xavier, convertido pela pergunta sobre a alma, intercedei para que a mesma pergunta ecoe na minha vida. Que eu pare e pergunte: “O que estou a construir? Para quê?” E que a resposta honesta seja o começo de uma conversão que, como a vossa, mude tudo. Amém.
Segundo Dia — A Partida de Lisboa
Meditação: Francisco Xavier partiu de Lisboa em 1541 — sem saber que nunca regressaria. Deixou a Europa, os companheiros, a possibilidade de uma carreira académica, a segurança que conhecia. Esta partida definitiva — que só se revela definitiva depois, não na hora em que acontece — é o modelo de toda a missão cristã: partir sem garantias de regresso, sem seguro de saúde espiritual, confiando que Deus está no destino porque O encontramos no caminho.
São Francisco Xavier, que partiste de Lisboa sem saber que não voltarias, intercedei para que eu aprenda a partir quando Deus me chama — sem exigir garantias do regresso. Que eu confie que a protecção de Deus está no caminho da obediência e não na segurança da inacção. Amém.
Terceiro Dia — A Índia e os Pescadores de Pérolas
Meditação: Na Índia, Francisco Xavier trabalhou especialmente com os pescadores de pérolas da costa de Pescaria — povos humildes, sem instrução, que não falavam nenhuma das línguas europeias. Aprendeu os rudimentos do tamil, traduziu orações e o catecismo, percorria as aldeias a tocar uma campainha para reunir as crianças. Esta pedagogia da proximidade — ir onde as pessoas estão, falar a língua que elas falam — é o modelo de toda a inculturação missionária.
São Francisco Xavier, que aprendeste tamil para evangelizar os pescadores de pérolas, intercedei para que eu aprenda a língua dos que quero alcançar com o Evangelho. Que eu não exija que os outros venham ao meu território intelectual e cultural — que eu vá ao deles. E que a humildade de aprender a língua do outro seja o primeiro passo da minha missão. Amém.
Quarto Dia — O Japão: A Missão Mais Difícil
Meditação: Francisco Xavier chegou ao Japão em 1549 — o primeiro jesuíta a pisar no arquipélago — e encontrou uma cultura de uma sofisticação e de uma profundidade filosófica que o surpreendeu. Percebeu rapidamente que a estratégia das aldeias indianas não funcionava no Japão: os japoneses respeitavam a profundidade intelectual antes de respeitarem a autoridade espiritual. Xavier mudou de estratégia — aprendeu japonês, adoptou os costumes da corte, dialogou com os intelectuais budistas. Esta adaptabilidade metodológica é genialidade missionária.
São Francisco Xavier, que mudaste de estratégia no Japão quando a estratégia indiana não funcionava, intercedei para que eu aprenda a adaptabilidade apostólica. Que eu não insista em métodos que não funcionam porque me são habituais. E que a missão seja sempre mais importante do que o método. Amém.
Quinto Dia — As Comunidades que Sobreviveram
Meditação: As comunidades cristãs que Francisco Xavier fundou no Japão sobreviveriam décadas de perseguição brutal — os “Kakure Kirishitan” (cristãos escondidos) que mantiveram a fé sem sacerdotes durante mais de duzentos anos. Quando os missionários voltaram ao Japão no século XIX, encontraram comunidades que ainda rezavam as orações que Xavier havia ensinado. Esta durabilidade — uma semente plantada em 1549 que produziu frutos em 1865 — é a medida da qualidade da missão de Xavier.
São Francisco Xavier, cujas comunidades japonesas sobreviveriam duzentos anos sem sacerdotes, intercedei para que a fé que transmito seja suficientemente profunda para sobreviver às minhas ausências. Que eu forme não dependentes mas discípulos. E que o testemunho que deixo sobreviva ao tempo que lhe dei. Amém.
Sexto Dia — A China: O Sonho Não Realizado
Meditação: Francisco Xavier morreu à vista da China — na ilha de Sanchão, a poucos quilómetros do continente que havia sonhado evangelizar durante anos. Morreu sem entrar. A China que sonhou permaneceu fechada. E no entanto, as suas cartas sobre a China — publicadas na Europa — inspiraram décadas de missionários jesuítas que depois entraram onde Xavier não pôde. Matteo Ricci, o mais famoso deles, chegou a Pequim porque Xavier havia sonhado a missão. O sonho não realizado de Xavier produziu os que o realizaram.
São Francisco Xavier, que morreste à vista da China que não pudeste evangelizar, intercedei para que eu não desespere com as missões que não consigo completar. Que eu confie que o que começo sem terminar pode ser continuado por outros. E que a minha fidelidade ao sonho — mesmo sem o ver realizado — seja o legado mais importante que deixo. Amém.
Sétimo Dia — “Mais Almas, Mais Almas”
Meditação: Nas cartas que Francisco Xavier enviava a Inácio de Roma, repetia frequentemente a expressão “mais almas, mais almas” — o desejo insaciável de levar mais pessoas a Cristo. Este ardor apostólico — que não se satisfaz com o que já foi feito mas olha sempre para o que ainda falta — é a energia que o sustentou em onze anos de missão ininterrupta, em condições de extrema dificuldade física. O amor às almas como motor da missão: quando o amor é real, a cansaço é suportável.
São Francisco Xavier, que exclamava “mais almas, mais almas”, intercedei para que o meu amor às almas seja suficientemente real para me mover à acção. Que eu não me satisfaça com o que já fiz apostolicamente. Que o olhar de Cristo para as multidões — “compadeceu-se delas porque estavam cansadas e abandonadas” — seja também o meu olhar. Amém.
Oitavo Dia — Patrono das Missões e Missionários
Meditação: São Francisco Xavier foi declarado patrono das missões pelo Papa Pio X em 1904 — o reconhecimento de que a sua vida era o modelo de toda a actividade missionária cristã. Este patronato abrange não apenas os missionários no sentido estrito — os que vão a países distantes — mas todos os cristãos que têm a missão de anunciar o Evangelho onde estão. A missão não começa no aeroporto: começa na família, no bairro, no trabalho.
São Francisco Xavier, patrono de todos os missionários, intercedei pelos que hoje trabalham em países fechados ao Evangelho. Pelos que arriscam a vida para anunciar Cristo. E intercedei para que eu também seja missionário no meu ambiente quotidiano — com a mesma dedicação com que vós fostes missionário em três continentes. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Chegamos ao último dia. São Francisco Xavier morreu em 2 de dezembro de 1552 — sozinho, numa cabana de palha, numa ilha ao largo da China, com 46 anos. Tinha partido de Lisboa onze anos antes com o projecto de evangelizar a Índia. Acabou a sua vida à vista da China. O que havia planeado foi infinitamente superado pelo que Deus quis. E o que não conseguiu completar foi completado por outros. A vida de Xavier é a prova de que Deus usa o que damos totalmente — e que a totalidade da entrega é o único critério que conta.
São Francisco Xavier, ao terminar esta novena, eu me comprometo a dar o que tenho totalmente — sem calcular o retorno, sem exigir ver os resultados, sem negociar as condições. Intercedei pelas intenções desta novena. E que o ardor pelas almas que vos consumiu em onze anos de missão arda também em mim — aqui, agora, no pequeno campo que Deus me deu. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São Francisco Xavier, Apóstolo do Oriente e patrono das missões, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim, pelos missionários do mundo e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Que o vosso ardor missionário inspire a minha vida cristã. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 24 de novembro a 2 de dezembro — nos nove dias antes da festa de 3 de dezembro
Pelos missionários em terras distantes
Para pedir ardor apostólico
Pela evangelização da Ásia
Em intenções de conversão de não-crentes
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a São Francisco Xavier se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de São Inácio de Loyola complementa — Inácio foi o fundador que escolheu Xavier para a missão. A Novena de São Damião de Veuster aprofunda — outro missionário que foi até ao fim sem calcular o custo. O Salmo 96 — “anunciai a Sua glória entre as nações, as Suas maravilhas entre todos os povos” — é o salmo missionário de São Francisco Xavier. E o Salmo 67 — “que todos os povos Te louvem, ó Deus” — exprime o sonho universal de Xavier que ainda hoje move missionários em todo o mundo.