Há um título que nenhum outro santo pode reclamar: o Primeiro. São Estêvão foi o primeiro cristão a morrer pela fé em Jesus Cristo — o Protomártir, palavra grega que significa exactamente isso: o primeiro mártir. Morreu apedrejado em Jerusalém, poucos meses ou anos após a Ressurreição de Cristo, com os olhos voltados para o céu e com as palavras de perdão nos lábios para os que o apedrejavam.
O martírio de Estêvão, narrado com uma riqueza de detalhe extraordinária em Actos 6-7, é o primeiro espelho humano do martírio de Cristo: como Jesus, Estêvão foi acusado falsamente, julgado pelo Sinédrio, condenado, e morreu pedindo perdão para os seus algozes. Esta correspondência deliberada entre a morte de Estêvão e a morte de Jesus — que o evangelista Lucas construiu com cuidado — transforma Estêvão no modelo de todo o martírio cristão: morrer como Cristo morreu, com o amor que Cristo amou.
E entre os que assistiram ao apedrejamento, guardando os mantos dos que atiravam pedras, estava um jovem chamado Saulo de Tarso — o futuro São Paulo. O sangue do Protomártir regou a conversão do maior missionário da história. “O sangue dos mártires é semente de cristãos” — e o sangue de Estêvão produziu Paulo.
Quem Foi São Estêvão Protomártir
Estêvão é apresentado em Actos dos Apóstolos como um dos sete diáconos escolhidos pela comunidade cristã de Jerusalém para o serviço às mesas — a distribuição diária de alimentos às viúvas da comunidade. Era homem “cheio de fé e do Espírito Santo” (Actos 6:5), “cheio de graça e de poder” que realizava “grandes maravilhas e sinais entre o povo” (Actos 6:8).
A sua pregação nas sinagogas de Jerusalém provocou a hostilidade dos judeus helenistas que não conseguiam “resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (Actos 6:10). Subornaram falsos testemunhas que o acusaram de falar contra o Templo e a Lei. Foi levado perante o Sinédrio.
Aí pronunciou um dos mais longos discursos do Novo Testamento — uma revisão de toda a história de Israel que culmina na acusação aos presentes de terem sempre resistido ao Espírito Santo e de terem matado o Justo. O Sinédrio enfureceu-se. Estêvão, “cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus” (Actos 7:55-56). Foi arrastado para fora da cidade e apedrejado. As últimas palavras foram: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” e “Senhor, não lhes imputes este pecado.”
Saulo de Tarso estava presente — aprovando a execução (Actos 8:1). A festa de São Estêvão é celebrada em 26 de dezembro — o dia a seguir ao Natal. O Primeiro Mártir celebrado no dia a seguir ao nascimento de Cristo: quem nasce em Belém leva à morte os que O seguem com fidelidade.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São Estêvão Protomártir, primeiro cristão a morrer pela fé e espelho humano do martírio de Cristo, intercedei por mim nesta novena. Vós que morrestes pedindo perdão para os que vos apedrejavam e cujo sangue regou a conversão de São Paulo, intercedei para que eu também aprenda a amar os inimigos com o amor de Cristo. Amém.
Primeiro Dia — O Protomártir: O Primeiro de Muitos
Meditação: Estêvão foi o primeiro — mas não o único. O seu martírio inaugurou uma tradição que durou séculos e que continua hoje: a tradição dos cristãos que morrem pela fé. O século XX foi o século com mais mártires cristãos da história — mais do que todos os séculos anteriores somados. O Protomártir não está sozinho: está à frente de uma multidão incontável, de todas as nações e línguas, que seguiu o mesmo caminho. Estêvão é o primeiro de uma família que ainda cresce.
São Estêvão, primeiro de uma família de mártires que ainda cresce, intercedei pelos cristãos perseguidos hoje em todo o mundo. Pelos que estão em prisões por causa da fé. Pelos que não podem praticar a religião livremente. E intercedei para que eu não esqueça os mártires contemporâneos — e que a sua fidelidade inspire a minha fidelidade mais confortável. Amém.
Segundo Dia — O Diácono que Fazia Maravilhas
Meditação: Estêvão foi escolhido como diácono — para o serviço às mesas, para a distribuição de alimentos às viúvas. Era um cargo de serviço humilde. E no exercício deste cargo humilde, realizava “grandes maravilhas e sinais entre o povo.” Esta combinação — serviço humilde e graças extraordinárias — é o padrão evangélico: não é o cargo que define a santidade mas a qualidade da presença de Deus em quem o exerce. O diácono das mesas tinha mais poder espiritual do que muitos sacerdotes.
São Estêvão, diácono cheio de graça e de poder, intercedei pelos diáconos da Igreja. Pelos que servem nas tarefas mais humildes da comunidade. E intercedei para que eu também descubra que as graças de Deus não são distribuídas segundo o prestígio do cargo mas segundo a disponibilidade do coração. Amém.
Terceiro Dia — “Não Conseguiam Resistir à Sua Sabedoria”
Meditação: Os adversários de Estêvão “não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (Actos 6:10). Esta combinação — sabedoria e Espírito — é a apologética cristã mais eficaz: o argumento bem construído animado pelo Espírito que dá às palavras uma força que nenhuma retórica sozinha consegue. Estêvão não venceu os debates por ser mais inteligente — venceu porque o Espírito falava através dele com uma clareza que a inteligência adversária não conseguia refutar.
São Estêvão, que falava com sabedoria e Espírito que ninguém conseguia refutar, intercedei para que eu também defenda a fé com esta combinação. Que a minha argumentação seja sólida e que o Espírito a anime. E que quando digo a verdade, o façana com a clareza que vem do Espírito e não apenas com a habilidade que vem do treino. Amém.
Quarto Dia — O Grande Discurso: A História de Israel Relida
Meditação: O discurso de Estêvão diante do Sinédrio é a mais longa fala do Novo Testamento depois dos discursos de Jesus — uma revisão corajosa de toda a história de Israel que culmina em acusação directa: “Vós, que recebestes a Lei por intermédio dos anjos, não a observastes” (Actos 7:53). Esta coragem profética — de dizer ao poder religioso o que ele não quer ouvir, com base na sua própria tradição — é a forma mais exigente de lealdade: dizer a verdade aos que amamos, usando as suas próprias palavras para mostrar onde falharam.
São Estêvão, que disseste a verdade ao Sinédrio usando a tradição que ele próprio invocava, intercedei para que eu aprenda a verdade dita com coragem e com amor. Que eu não silencie o que precisa de ser dito por medo da reacção. E que a minha fidelidade à verdade seja sempre acompanhada da caridade que torna a verdade recebível. Amém.
Quinto Dia — A Visão: “Jesus de Pé à Direita de Deus”
Meditação: No momento mais crítico — quando o Sinédrio se preparava para condenálo — Estêvão “cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus.” A posição de Jesus — de pé, não sentado — é significativa: Jesus levantou-Se para receber o Seu primeiro mártir. Esta visão de Estêvão — que o Sinédrio considerou blasfémia — é a confirmação de que estava do lado certo: o céu confirmou o que a terra rejeitava.
São Estêvão, a quem Jesus Se levantou para receber, intercedei para que eu viva com a consciência de que Jesus está de pé quando a minha fé é testada. Que nas situações em que sou rejeitado pela fé, eu levante os olhos como vós levandastes — e veja Jesus do lado de Deus, a confirmar o que o mundo nega. Amém.
Sexto Dia — “Senhor, Não Lhes Imputes Este Pecado”
Meditação: As últimas palavras de Estêvão foram o perdão: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” Esta frase — eco deliberado do “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” de Jesus — é a prova mais clara de que Estêvão morreu como Cristo morreu: com o amor que perdoa no momento em que seria mais natural odiar. Este perdão de Estêvão não foi passividade — foi o acto mais activo e mais difícil da sua vida: escolher amar enquanto morre.
São Estêvão, que pediste perdão para os que te apedrejavam, intercedei para que eu aprenda o perdão que não espera que o outro peça desculpa. Que eu perdoe os que me fizeram mal sem condição de arrependimento prévio. E que as palavras das minhas últimas horas sejam, como as vossas, mais de amor do que de acusação. Amém.
Sétimo Dia — Saulo a Guardar os Mantos
Meditação: “As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo” (Actos 7:58). Saulo estava ali — aprovando a execução, guardando as roupas dos que apedrejavam. E anos depois, quando Paulo narrava a sua conversão, recordava sempre a morte de Estêvão. O sangue do Protomártir — e o perdão com que morreu — foi a semente que germinou no coração de Saulo e que floresceu em Paulo. Não sabemos se Estêvão rezou especificamente por Saulo no martírio. Mas o resultado sugere que sim.
São Estêvão, cujo martírio regou a conversão de Paulo, intercedei pelos que hoje assistem aos testemunhos cristãos sem ainda crer. Pelos que guardam os mantos — que um dia, como Saulo, se convertam. E intercedei para que o meu testemunho — mesmo quando parece inútil ou rejeitado — seja semente que germina em tempo de Deus. Amém.
Oitavo Dia — 26 de Dezembro: O Mártir após o Natal
Meditação: A festa de São Estêvão em 26 de dezembro — no dia imediatamente a seguir ao Natal — é um dos posicionamentos litúrgicos mais teologicamente carregados do calendário cristão. O nascimento de Jesus torna possível o martírio de Estêvão: não porque Jesus cause a morte dos Seus, mas porque o amor que Jesus trouxe ao mundo é suficientemente grande para ser dado até ao fim. O Natal cria os mártires — porque cria os que amam ao ponto de dar tudo.
São Estêvão, celebrado no dia a seguir ao Natal, intercedei para que eu celebre o Natal com a consciência do que ele implica. Que a alegria do nascimento de Cristo não me esconda o custo do amor que Ele trouxe. Que o pão da manjedoura e o sangue do mártir sejam para mim os dois lados da mesma moeda: o amor de Deus que nasce e o amor humano que responde até ao fim. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Chegamos ao último dia. São Estêvão foi o Primeiro — e o seu exemplo estabeleceu o padrão para todos os que vieram depois. Morrer como Cristo morreu. Perdoar como Cristo perdoou. Ver o céu aberto quando a terra fecha todas as portas. E regar com o próprio sangue as conversões que a pregação não conseguiu alcançar. A herança de Estêvão não está apenas nas igrejas que lhe são dedicadas — está em cada cristão que, num momento de perseguição, escolheu o amor em vez do ódio.
São Estêvão Protomártir, ao terminar esta novena, eu me comprometo a aprender o perdão que vós mostrastes — o que não espera condições para ser dado. Intercedei pelas intenções desta novena. E que o Senhor que Se levantou para vos receber esteja também de pé no meu momento mais difícil — confirmando do lado de Deus o que a terra rejeita. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São Estêvão Protomártir, primeiro cristão a morrer pela fé e modelo de perdão heroico, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim, pelos cristãos perseguidos e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Que o vosso perdão inspire o meu. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 17 a 25 de dezembro — nos nove dias antes da festa de 26 de dezembro
Como extensão do espírito de Natal — a festa é no dia seguinte
Pelos cristãos perseguidos em todo o mundo
Para aprender o perdão dos inimigos
Pelos diáconos e ministros ordenados
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a São Estêvão se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de São Paulo Apóstolo complementa — Paulo estava presente no martírio de Estêvão, guardando os mantos, e a sua conversão foi regada pelo sangue do Protomártir. A Novena de São Maximiliano Kolbe aprofunda — outro mártir que morreu com amor e perdão no coração. O Salmo 31 — “nas vossas mãos entrego o meu espírito” — é o salmo das últimas palavras de Estêvão: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito.” E o Salmo 118 — “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” — é o salmo do mártir rejeitado pelos construtores humanos mas aceite por Deus.
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