Novena de São Damião de Veuster — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Leprosos

Novena de São Damião de Veuster — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Leprosos

Novena de São Damião de Veuster — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Leprosos

Há um sacerdote que o século XIX produziu e que fez o que quase ninguém estava disposto a fazer: foi viver com os leprosos. Não visitar. Não enviar mantimentos. Ir viver. São Damião de Veuster — o Padre Damião de Molokai — foi à ilha-colónia de leprosos no Hawaii e ficou dezasseis anos. Até contrair a lepra. Até morrer dela. E morreu dizendo que morreria feliz porque havia vivido entre os seus “filhos e irmãos mais queridos.”

A sua história é uma das mais puras expressões da espiritualidade da encarnação — a mesma lógica de Deus que se fez carne e habitou entre nós. Damião não enviou ajuda de longe: desceu ao fundo da miséria dos leprosos, habitou com eles, tornou-se um deles. E ao tornar-se um deles, trouxe-lhes a dignidade que a sociedade lhes havia roubado.

O Papa Bento XVI canonizou-o em 11 de outubro de 2009. A sua festa é celebrada em 10 de maio. E a colónia de Kalaupapa em Molokai — onde viveu e morreu — é hoje um parque histórico nacional dos Estados Unidos, preservado em sua honra.

Quem Foi São Damião de Veuster

Novena de São Damião de Veuster — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Leprosos - imagem 2

Jozef de Veuster nasceu em 3 de janeiro de 1840 em Tremelo, Bélgica, filho de agricultores flamengos. Desde jovem sentiu o apelo à vida religiosa. Entrou para a Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria (Picpucianos), tomando o nome de Damião, e foi ordenado sacerdote em 1864 nas ilhas do Hawaii, onde havia viajado para substituir o irmão doente.

As ilhas do Hawaii enfrentavam uma epidemia de lepra que devastava a população nativa. As autoridades haviam criado uma colónia de isolamento forçado na península de Kalaupapa, na ilha de Molokai — onde os leprosos eram enviados para morrer, sem cuidados médicos adequados, sem sacerdotes, sem dignidade. A situação era descrita pelos visitantes ocasionais como infernal.

Versículos sobre Perdão — Os Mais Poderosos da Bíblia - imagem 4
Versículos sobre Perdão — Os Mais Poderosos da Bíblia - imagem 4

Em 1873, Damião pediu ao seu superior para ser enviado a Molokai. Tinha 33 anos. Foi com a intenção de ficar algumas semanas — e ficou dezasseis anos. Construiu casas, uma igreja, um orfanato. Cuidou pessoalmente das feridas dos leprosos. Enterrou os mortos com as suas próprias mãos. Organizou a comunidade, ensinou música, agricultura, carpintaria.

Em 1884, percebeu que havia contraído a lepra — quando mergulhou involuntariamente o pé numa bacia de água muito quente e não sentiu dor. Continuou a trabalhar. Morreu em 15 de abril de 1889, com 49 anos. Beatificado em 1995 por João Paulo II, canonizado em 2009 por Bento XVI.

Como Rezar Esta Novena

  1. Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
  2. Leia a meditação do dia
  3. Apresente a sua intenção específica
  4. Recite a oração do dia
  5. Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
  6. Encerre com a oração de encerramento

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Novena de São Damião de Veuster — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Leprosos - imagem 3

Glorioso São Damião de Veuster, apóstolo dos leprosos e mártir da caridade, intercedei por mim nesta novena. Vós que fostes viver com os leprosos de Molokai e que morrestes da doença dos que servistes, intercedei para que eu também aprenda a proximidade corajosa que o amor cristão exige. Amém.

Primeiro Dia — A Ida a Molokai: Ir ao Fundo

Meditação: Quando Damião pediu para ser enviado a Molokai, sabia o que ia encontrar — e sabia que havia risco de contágio. Foi mesmo assim. Esta decisão de ir ao fundo — de ir onde a miséria é mais intensa, onde o risco é real, onde ninguém mais quer ir — é a lógica da Encarnação: Deus não enviou uma mensagem de longe mas desceu Ele mesmo ao fundo da condição humana. Damião imitou esta lógica de forma literal e heroica.

São Damião, que fostes a Molokai sabendo os riscos, intercedei para que eu aprenda a ir onde o amor me chama, mesmo quando há risco. Que o medo de me “contaminar” com os problemas dos outros não me afaste dos que precisam de mim. E que a proximidade corajosa seja a minha forma de amor. Amém.

Segundo Dia — “Nós, os Leprosos”

Meditação: Quando Damião contraiu a lepra, mudou a forma como se dirigia à sua congregação: passou de “meus queridos irmãos” para “nós, os leprosos.” Este pequeno pronome — “nós” — mudou tudo. Não era mais o sacerdote saudável que servia os doentes: era um deles. Esta identificação total com os que serve é a forma mais alta de caridade — a que não mantém distância de segurança, a que não preserva a sua própria integridade à custa da do outro.

São Damião, que disseste “nós, os leprosos” com toda a seriedade, intercedei para que eu aprenda a identificação com os que sirvo. Que não haja uma distância de segurança protegida entre mim e os vulneráveis. Que o serviço que presto seja de igual para igual — não de quem tem para quem não tem. Amém.

Terceiro Dia — Construir Onde Só Havia Ruína

Meditação: Quando Damião chegou a Molokai, encontrou ruína — física, moral e espiritual. As casas eram choupanas. Não havia chiesa decente. Os leprosos viviam em desespero, no vício, sem esperança. Damião começou a construir — literalmente. Com as suas mãos, construiu casas, uma igreja, um orfanato. E ao construir o físico, reconstruiu o espiritual. Esta dupla construção — material e espiritual — é inseparável na caridade autêntica.

São Damião, construtor de casas e de comunidade, intercedei pelas comunidades em situação de ruína. Pelas periferias urbanas sem infraestrutura. Pelos bairros onde a ausência do Estado é total. E intercedei para que eu também contribua para a construção — material e espiritual — do ambiente onde vivo. Amém.

Quarto Dia — A Dignidade Devolvida

Meditação: Os leprosos de Molokai haviam sido declarados pela sociedade como não-pessoas — enviados para morrer em isolamento, sem direitos, sem dignidade. Damião foi restituir-lhes a dignidade. Tratou-os pelos nomes. Sentou-se à sua mesa. Comeu com eles. Tratou as suas feridas com as próprias mãos. Esta devolução da dignidade — que começa pela simples decisão de reconhecer o outro como pessoa — é anterior a qualquer serviço material. A dignidade reconhecida é a primeira caridade.

São Damião, que devolveste a dignidade aos que a sociedade havia roubado, intercedei pelos que hoje são tratados como não-pessoas. Pelos sem-abrigo ignorados nas ruas. Pelos migrantes ilegais. Pelos presos. Que eu aprenda a ver em cada rosto humano — por mais desfigurado que seja pela doença ou pela marginalização — a imagem de Deus que merece ser honrada. Amém.

Quinto Dia — O Sacerdote que Enterrava os Mortos

Meditação: Em Molokai, Damião enterrava os mortos com as suas próprias mãos — porque não havia ninguém mais. Este serviço funerário — um dos mais antigos e mais humanos que existem — era a última caridade que podia oferecer aos leprosos: uma morte digna, com um sacerdote, com as orações da Igreja, com uma sepultura marcada. Não havia ninguém pequeno demais para merecer uma morte digna nas mãos de Damião.

São Damião, que enterravas os mortos de Molokai com as tuas próprias mãos, intercedei pelos que morrem sós e abandonados. Pelos sem-abrigo que morrem nas ruas. Pelos que não têm família que os acompanhe. Que a Igreja esteja presente na hora da morte de todos — como vós estivestes para os leprosos de Molokai. Amém.

Sexto Dia — A Lepra e a Cruz

Meditação: Quando Damião percebeu que havia contraído a lepra, escreveu ao seu superior: “Estou tão satisfeito e tão feliz em meio às minhas crianças. A santa vontade de Deus seja feita.” Não havia amargura, não havia queixa, não havia sentimento de injustiça. A lepra era, para Damião, a participação na cruz de Cristo — o último grau de identificação com os que havia servido. Esta paz diante da própria doença é possível apenas a quem habitou longamente a espiritualidade da Cruz.

São Damião, que aceitaste a lepra com paz e alegria, intercedei pelos doentes que sofrem doenças incuráveis. Pelos que receberam diagnósticos que mudam tudo. Pelos que estão em tratamentos longos e dolorosos. Que a paz de Damião — “estou satisfeito e feliz” — seja o sinal de que Deus pode estar presente mesmo nos diagnósticos mais terríveis. Amém.

Sétimo Dia — Patrono dos Doentes de HIV/SIDA

Meditação: Quando a epidemia de HIV/SIDA devastou o mundo nos anos 80 e 90, a Igreja propôs São Damião de Veuster como modelo e intercessor — porque a lepra do século XIX e a SIDA do século XX partilham a mesma dinâmica social: doença que estigmatiza, que isola, que exclui, que faz da vítima um intocável. A espiritualidade de Damião — ir ao fundo, ser um deles, devolver a dignidade — era a resposta cristã à epidemia da SIDA como havia sido à lepra.

São Damião, patrono dos doentes de HIV/SIDA e de todas as doenças estigmatizadas, intercedei pelos que sofrem não apenas da doença mas do estigma. Pelos que são rejeitados pela família ao revelar o diagnóstico. Pelos que vivem em segredo por medo da rejeição. Que a Igreja seja o lugar onde todos são acolhidos — como Molokai foi o lugar onde Damião acolheu todos. Amém.

Oitavo Dia — “Morrerei Feliz”

Meditação: Poucas semanas antes de morrer, Damião escreveu: “Estou satisfeito e alegre. O Senhor chama-me para celebrar a Páscoa com Ele. Morrerei feliz e contente porque empregues toda a minha vida ao serviço dos pobres leprosos.” Esta frase de despedida — de um homem que morria de lepra, exausto, longe da família, numa ilha isolada — é uma das mais extraordinárias da história da santidade. A felicidade de Damião não dependia das circunstâncias. Era o fruto de uma vida completamente doada.

São Damião, que morreste feliz porque viveste doado, intercedei para que a minha vida seja suficientemente doada para que eu possa morrer assim. Que os anos que me restam sejam anos de doação real — não de acumulação e de conforto. E que no fim, eu possa dizer com vós: “Morrerei feliz porque servi.” Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: Chegamos ao último dia. São Damião de Veuster viveu 49 anos — dezasseis dos quais numa ilha de leprosos no Pacífico. Não foi famoso em vida. Foi criticado, incompreendido, acusado por alguns de comportamento imoral (acusações que foram claramente falsas). E morreu de lepra, como os que havia servido. Esta vida — aparentemente falhada pelos padrões do mundo — foi canonizada pela Igreja como modelo de santidade. Deus mede diferente do mundo.

São Damião de Veuster, ao terminar esta novena, eu me comprometo a aprender com o vosso exemplo que a santidade não é sucesso — é doação. Intercedei pelas intenções desta novena. E que a proximidade corajosa que vivestes em Molokai inspire a minha aproximação aos vulneráveis que encontro na minha vida quotidiana. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Novena de São Damião de Veuster — 9 Dias de Oração ao Apóstolo dos Leprosos - imagem 4

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso São Damião de Veuster, apóstolo dos leprosos e mártir da caridade, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim, pelos doentes estigmatizados e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quando Rezar Esta Novena

  • De 1 a 9 de maio — nos nove dias antes da festa de 10 de maio
  • Por doentes de lepra, HIV/SIDA e doenças estigmatizadas
  • Por profissionais de saúde em zonas de risco
  • Para aprender a proximidade corajosa
  • Por comunidades isoladas e marginalizadas

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a São Damião se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de São Roque complementa — outro santo que serviu os doentes mais perigosos da sua época com coragem igual. A Novena de São Francisco de Assis aprofunda — Francisco também abraçou leprosos como acto fundador da sua conversão. O Salmo 22 — “porque não desprezou nem rejeitou o sofrimento do aflito” — é o salmo que descreve o Deus que Damião encontrou nos leprosos. E o Salmo 41 — “bem-aventurado o que cuida do pobre e do doente” — é a bem-aventurança que Damião viveu durante dezasseis anos em Molokai.

Veja Também