Novena de São João Paulo II — 9 Dias de Oração ao Papa da Família e da Esperança
Houve um papa que abraçou o mundo — literalmente. Que beijou o chão de cada país que visitou como gesto de reverência pela terra que pisava e pelos povos que a habitavam. Que olhava nos olhos das pessoas, que chorava com os que choravam, que ria com os que riam, que rezava com católicos e com não-católicos, com cristãos e com muçulmanos e com judeus. Um homem que sofreu a perseguição do nazismo e do comunismo, que sobreviveu a um atentado, que perdoou o seu ator pessoalmente, que governou a Igreja por 26 anos e a transformou.
Karol Józef Wojtyla — São João Paulo II — foi uma das figuras mais extraordinárias do século XX. Não apenas da história da Igreja — da história do mundo. E foi declarado santo não por decreto político ou por conveniência institucional, mas pelo testemunho unânime de milhões de pessoas que o viram viver e morrer com a coerência de alguém que acreditava verdadeiramente no que pregava.
A sua mensagem central é simples e radical: “Não tenhais medo!” Não tenhais medo de Cristo, não tenhais medo do Evangelho, não tenhais medo de ser santo. Esta é a espiritualidade de São João Paulo II — e é esta espiritualidade que esta novena convida a aprofundar.
Quem Foi São João Paulo II
Karol Józef Wojtyla nasceu em 18 de maio de 1920 em Wadowice, na Polônia. Perdeu a mãe com 9 anos, o irmão com 12 e o pai com 20. Durante a ocupação nazista, trabalhou numa pedreira e numa fábrica química enquanto estudava teologia clandestinamente. Foi ordenado sacerdote em 1946, bispo em 1958, arcebispo de Cracóvia em 1964 e cardeal em 1967.
Em 16 de outubro de 1978, foi eleito papa — o primeiro papa não-italiano em 455 anos, o primeiro papa eslavo da história. Tinha 58 anos e era o papa mais jovem desde Pio IX. Escolheu o nome João Paulo II em homenagem ao seu predecessor de 33 dias.
O seu pontificado de 26 anos foi marcado por viagens apostólicas a 129 países, pela queda do comunismo no Leste Europeu (à qual contribuiu decisivamente), pela Jornada Mundial da Juventude, pela Teologia do Corpo, pela encíclica “Evangelium Vitae” sobre a defesa da vida, e por um diálogo inter-religioso sem precedentes.
Em 13 de maio de 1981 — aniversário da primeira aparição de Fátima — sobreviveu a um atentado na Praça de São Pedro. Visitou o atirador na prisão e perdoou-o pessoalmente. Em 2003 foi diagnosticado com Parkinson e viveu os últimos anos com sofrimento crescente — que ofereceu com serenidade e espiritualidade exemplares. Morreu em 2 de abril de 2005. Foi beatificado em 2011 e canonizado em 27 de abril de 2014 pelo Papa Francisco.
A Espiritualidade de São João Paulo II
A espiritualidade de São João Paulo II tem quatro pilares:
1. A centralidade de Cristo: “Cristo é a resposta a todas as perguntas do ser humano.” Todo o pontificado foi uma catequese sobre quem é Jesus Cristo e o que Ele significa para a humanidade.
2. A dignidade da pessoa humana: Cada pessoa é criada à imagem de Deus e tem dignidade inalienável — esta convicção fundamentou a sua defesa dos direitos humanos, a sua oposição ao nazismo, ao comunismo e ao aborto.
3. Maria: O seu lema episcopal era “Totus Tuus” — “Todo Teu” — consagração total a Maria. Atribuiu a sua sobrevivência ao atentado à intercessão de Nossa Senhora de Fátima.
4. O sofrimento redentivo: Unir o próprio sofrimento ao de Cristo tem valor redentor. Esta convicção sustentou a sua vida pública com Parkinson — um testemunho vivo da fé que não desaparece quando o corpo falha.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e a Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São João Paulo II, pastor extraordinário, testemunha fiel de Cristo e apóstolo incansável da dignidade humana, eu me apresento diante de vós nesta novena com confiança. Vós que percorrestes o mundo proclamando “não tenhais medo!”, intercedei por mim junto ao Senhor. Apresentai os meus pedidos ao Sagrado Coração de Jesus, por cuja causa tanto trabalhastes, e alcançai-me as graças de que necessito. Amém.
Primeiro Dia — “Não Tenhais Medo!”
Meditação: As primeiras palavras de João Paulo II como papa — “Não tenhais medo! Abri, mais ainda, escancarai as portas a Cristo!” — não foram apenas um discurso inaugural. Foram um programa de vida e um desafio a cada cristão. O medo é o maior obstáculo à santidade: medo de ser diferente, medo do que os outros pensarão, medo de comprometer-se com um Evangelho exigente. João Paulo II viveu sem esse medo — e o seu testemunho convida a fazer o mesmo.
São João Paulo II, que proclamastes “não tenhais medo!” como programa de vida, intercedei para que eu também viva sem o medo que paralisa a fé. Que eu não tenha medo de ser cristão(ã) de forma coerente e visível. Que não tenha medo do sofrimento nem da morte. Que não tenha medo de amar com totalidade. Que Cristo seja para mim, como foi para vós, a razão de toda a coragem. Amém.
Segundo Dia — Totus Tuus: A Consagração a Maria
Meditação: O lema “Totus Tuus” — “Todo Teu, ó Maria” — resume a espiritualidade mariana de João Paulo II, herdada de São Luís Maria Grignion de Montfort. Consagrar-se totalmente a Maria não é substituir Cristo por Maria — é reconhecer que o caminho mais seguro para Cristo passa pelo coração de Sua Mãe. João Paulo II atribuiu a sua sobrevivência ao atentado de 1981 à intercessão de Nossa Senhora de Fátima — e mandou colocar a bala que o feriu na coroa da imagem de Fátima como ato de gratidão.
São João Paulo II, que vivastes a consagração a Maria com totalidade, intercedei para que eu aprenda a confiar Maria com a mesma radicalidade. Que o vosso lema “Totus Tuus” se torne também o meu: todo(a) meu(minha) para Maria, que me levará a Cristo. E que Nossa Senhora de Fátima, que tanto amamostes, interceda também por mim. Amém.
Terceiro Dia — A Defesa da Dignidade Humana
Meditação: João Paulo II conheceu de perto dois sistemas que negam a dignidade humana: o nazismo e o comunismo. E a sua vida inteira foi uma resistência profética a qualquer sistema que trate a pessoa humana como meio e não como fim. “O homem é o caminho da Igreja” — esta frase da encíclica “Redemptor Hominis” resume toda a sua antropologia: a Igreja existe para servir o ser humano, que foi criado à imagem de Deus e redimido por Cristo.
São João Paulo II, defensor incansável da dignidade humana, intercedei para que eu nunca trate os outros como instrumentos, como obstáculos ou como números. Que eu veja em cada pessoa o rosto de Cristo. E intercedei pela construção de uma sociedade mais justa, onde a dignidade de todo ser humano — do não-nascido ao moribundo — seja protegida. Amém.
Quarto Dia — A Jornada Mundial da Juventude
Meditação: João Paulo II criou a Jornada Mundial da Juventude em 1984 — e os jovens do mundo inteiro responderam em números que ninguém esperava. Ele acreditava na juventude como não se acreditava na Igreja desde os tempos dos primeiros séculos. “Vós sois a esperança da Igreja e do mundo” — dizia-lhes. E eles sentiam que era verdade, porque ele os olhava como tal. Esta capacidade de ver nos jovens potencial e não problema, futuro e não ameaça, é uma das maiores heranças do seu pontificado.
São João Paulo II, amigo e pai espiritual dos jovens, intercedei pelos jovens de hoje. Pelos que estão perdidos em busca de sentido, pelos que foram feridos pela vida antes de tê-la vivido plenamente, pelos que nunca ouviram o Evangelho como boa notícia. Que a vossa certeza de que Cristo tem as palavras da vida eterna chegue também a eles. Amém.
Quinto Dia — O Perdão ao Atirador
Meditação: Dois anos após o atentado de 1981, João Paulo II visitou Mehmet Ali Ağca na prisão de Roma. A cena durou apenas 21 minutos — e nenhuma câmera registou o que foi dito. João Paulo II disse depois apenas: “Conversei com ele como com um irmão, e perdoei-o.” Este gesto — de um homem que quase morreu procurar o homem que o tentou matar para perdoá-lo pessoalmente — é uma das imagens mais poderosas do Evangelho vivido no século XX. O perdão não é teologia abstrata — é encontro pessoal que liberta quem perdoa tanto quanto quem é perdoado.
São João Paulo II, que perdonastes o vosso atirador com o coração aberto, intercedei para que eu também aprenda a perdoar. Pelos que me feriram, pelos que me traíram, pelos que me causaram danos que ainda dói lembrar. Que o vosso exemplo de encontro pessoal com o inimigo me inspire a não deixar que a amargura envenenem a minha vida. Que eu perdoe — não porque é fácil, mas porque é o único caminho para a liberdade. Amém.
Sexto Dia — O Sofrimento Oferecido
Meditação: Os últimos anos de João Paulo II foram de sofrimento crescente e público — o Parkinson que roubava o controlo do corpo, a voz que se tornava difícil de entender, as mãos que tremiam, o rosto que perdia a expressão. Ele poderia ter-se retirado — e houve quem pedisse que o fizesse. Escolheu ficar. E o seu sofrimento público tornou-se uma das catequeses mais poderosas do seu pontificado: um testemunho vivo de que a dignidade humana não desaparece com a doença, que o valor de uma pessoa não está na sua produtividade, que Cristo está presente no sofrimento.
São João Paulo II, que oferecestes o vosso sofrimento como catequese viva, intercedei para que eu aprenda a unir as minhas dores ao de Cristo. Que não desperdiça nenhum sofrimento — que cada dor, cada limitação, cada humilhação seja oferecida como participação na Cruz, com confiança de que tem valor redentor. E intercedei por todos os doentes e idosos que hoje sofrem em silêncio. Amém.
Sétimo Dia — A Teologia do Corpo
Meditação: Uma das contribuições teológicas mais originais de João Paulo II foi a chamada “Teologia do Corpo” — uma série de 129 catequeses sobre o significado do corpo humano, da sexualidade e do amor. Ele ensinou que o corpo humano não é obstáculo à espiritualidade, mas linguagem de amor; que a sexualidade humana tem dignidade profunda porque revela algo do amor trinitário de Deus; que o amor entre homem e mulher é ícone do amor de Cristo pela Igreja. Esta visão positiva e elevada do corpo e da sexualidade é uma alternativa profética tanto ao puritanismo que deprecia o corpo quanto ao hedonismo que o vulgariza.
São João Paulo II, que revelasteS a grandeza do amor humano na sua Teologia do Corpo, intercedei pelos casais e pelas famílias. Pelos matrimônios em dificuldade, pelos noivos que se preparam para o casamento, pelos jovens que buscam orientação sobre o amor. Que o vosso ensinamento sobre o amor conjugal como vocação sagrada alcance os corações que mais precisam. Amém.
Oitavo Dia — O Diálogo Inter-Religioso
Meditação: João Paulo II rezou numa sinagoga — o primeiro papa a fazê-lo. Rezou numa mesquita — o primeiro papa a fazê-lo. Organizou o encontro de Assis (1986) onde líderes religiosos de todo o mundo rezaram juntos pela paz. Chamou os judeus de “irmãos mais velhos” na fé. Pediu perdão pelos pecados da Igreja ao longo da história. Estes gestos foram incompreendidos por alguns como relativismo religioso — mas João Paulo II era o contrário de um relativista. Era alguém tão seguro na sua fé que podia aproximar-se dos outros sem medo de se perder.
São João Paulo II, construtor de pontes entre os povos e as religiões, intercedei pela paz entre as nações. Pelos conflitos que dilaceram o mundo, pelos que morrem em guerras que não escolheram, pelos refugiados sem pátria. Que a vossa certeza de que todos os seres humanos são filhos do mesmo Pai inspire os que têm poder para construir a paz. Amém.
Nono Dia — “Deixai-me ir para a Casa do Pai”
Meditação: As últimas palavras públicas de João Paulo II foram pronunciadas da janela do seu apartamento em 2 de abril de 2005, poucas horas antes de morrer. Não conseguia falar — mas abriu a boca várias vezes, como se quisesse dizer algo. Segundo quem estava presente, murmurou: “Deixai-me ir para a casa do Pai.” Morreu nessa tarde. A morte de João Paulo II foi uma última catequese — tão coerente, tão serena, tão cheia de fé como toda a sua vida. Morreu como viveu: com Cristo no centro.
São João Paulo II, que mostraste como morrer na paz de Deus, intercedei para que eu também aprenda a viver de forma que a morte seja o passo natural para a Casa do Pai. Que eu não desperdice a vida que Deus me deu. Que quando chegar a minha hora, eu possa dizer com vós: “Deixai-me ir para a casa do Pai” — e que essa partida seja regresso, não fim. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São João Paulo II, pastor do mundo, testemunha de Cristo e apóstolo incansável da dignidade humana, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim e pelas minhas intenções junto ao Sagrado Coração de Jesus. Que o vosso exemplo de fé corajosa, de amor sem fronteiras e de esperança inabalável inspire a minha vida. E que o vosso grito “não tenhais medo!” ressoe no meu coração como chamada à santidade. Amém.
Oração a São João Paulo II
São João Paulo II, pastor fiel e testemunha corajosa de Cristo,
que ao longo de toda a vossa vida proclamastes sem medo
a grandeza do amor de Deus pela humanidade —
intercedei por nós.
Obtende-nos do Senhor a graça de viver com a mesma coragem,
a mesma confiança em Maria,
o mesmo amor pelos pobres e pelos jovens,
o mesmo respeito pela dignidade de toda pessoa humana.
E quando a nossa hora chegar,
recebei-nos no céu, onde convosco louvamos
o Deus que é amor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 13 a 21 de outubro — nos nove dias antes da festa de 22 de outubro
De 24 de abril a 2 de maio — nos nove dias após o aniversário da sua morte (2 de abril), culminando perto da sua canonização (27 de abril)
Por intenções de juventude e vocações — ele é o santo dos jovens
Em períodos de sofrimento e doença — pedindo a graça de oferecer as dores como ele fez
Por intenções de paz e justiça — em honra do seu legado de diálogo e construção da paz
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a São João Paulo II se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de Nossa Senhora de Fátima é indissociável da espiritualidade de João Paulo II — ele atribuiu a sobrevivência ao atentado à sua intercessão. A Novena de Nossa Senhora Aparecida remembra a visita histórica de João Paulo II ao Santuário de Aparecida em 1980. O Salmo 23 exprime a confiança no bom Pastor que João Paulo II tanto amou e tanto imitou. E o Salmo 91 — “o que habita no esconderijo do Altíssimo” — foi a proteção que Nossa Senhora de Fátima estendeu sobre ele no dia do atentado.