“Porque o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” Jesus pronuncia essa frase não como reflexão filosófica abstrata sobre humildade em geral, mas como conclusão direta de um dos discursos mais duros e diretamente confrontacionais de todo o seu ministério público — uma sequência de críticas específicas e detalhadas contra a hipocrisia religiosa de escribas e fariseus, pronunciadas em público, no Templo, poucos dias antes de sua própria prisão.
Não é exagero dizer que Mateus 23 é o capítulo mais severo do Evangelho na voz de Jesus — cheio de expressões fortes como “ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas” repetidas sete vezes ao longo do texto. É dentro desse contexto de confronto direto, não de ensinamento sereno e distante, que aparece o versículo sobre exaltação e humilhação que se tornaria, séculos depois, um dos princípios espirituais mais citados de toda a tradição cristã.
Neste texto você vai encontrar o versículo completo, o contexto do discurso mais amplo contra escribas e fariseus, os exemplos específicos de soberba religiosa que Jesus denuncia, e uma oração baseada diretamente no texto.
O Texto de Mateus 23:12
Na tradução Almeida Corrigida Fiel (ACF), Mateus 23:12 diz: “Porque o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.”
Na Nova Versão Internacional: “Pois quem a si mesmo se exalta será humilhado, e quem a si mesmo se humilha será exaltado.”
Este mesmo princípio aparece, com redação quase idêntica, em outros dois momentos do ministério de Jesus registrados no Evangelho de Lucas — na parábola dos convidados a um banquete (Lucas 14,11) e na conclusão da parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18,14) —, sugerindo que se tratava de um ensinamento central, repetido deliberadamente por Jesus em diferentes contextos ao longo de seu ministério.
Vale destacar que a estrutura repetitiva de “ai de vós” também ecoa diretamente os profetas do Antigo Testamento, especialmente Isaías e Amos, que usavam essa mesma fórmula para anunciar julgamento divino contra injustiças sociais e religiosas específicas de sua época. Ao adotar essa mesma linguagem profética tradicional, Jesus se posiciona deliberadamente dentro da tradição dos profetas hebreus, não como uma voz completamente nova e desconectada, mas como continuidade e cumprimento daquela mesma tradição de denunciar hipocrisia religiosa em nome de Deus.
O Contexto: O Discurso Contra Escribas e Fariseus
Este versículo conclui a primeira parte de um discurso muito mais longo — todo o capítulo 23 de Mateus —, pronunciado por Jesus publicamente, no Templo de Jerusalém, durante a última semana antes de sua Paixão. É um dos poucos momentos em que Jesus, geralmente descrito como paciente e ponderado em seus confrontos, adota tom de crítica direta, repetida e severa contra um grupo específico: os escribas (especialistas na Lei) e os fariseus (movimento religioso leigo dedicado à observância rigorosa da Lei judaica).
O capítulo inteiro é estruturado em torno de sete declarações que começam com “ai de vós” — fórmula profética tradicional de lamento e advertência, usada por profetas do Antigo Testamento para anunciar julgamento iminente. Jesus acusa esse grupo religioso específico de várias formas de hipocrisia: ensinar corretamente a Lei mas não praticá-la (23,3), impor fardos pesados aos outros sem ajudar a carregá-los (23,4), e — o ponto que antecede diretamente nosso versículo — fazer tudo “para serem vistos pelos homens” (23,5).
Vale um esclarecimento histórico sobre os fariseus especificamente: diferente da imagem simplificada e frequentemente negativa que a palavra carrega hoje em português coloquial, os fariseus históricos eram, em sua maioria, leigos piedosos genuinamente dedicados a tornar a Lei de Moisés aplicável à vida cotidiana do povo comum, em contraste com a elite sacerdotal saduceia, mais ligada ao Templo e à aristocracia. Estudiosos do judaísmo do Segundo Templo destacam que o próprio apóstolo Paulo se identificava como farisêu (Filipenses 3,5), o que complica qualquer leitura simplista que trate “fariseu” como sinônimo automático de hipócrita religioso.
Vale um esclarecimento adicional sobre a datação deste discurso: ocorre poucos dias antes da prisão e crucificação de Jesus, durante a chamada Semana Santa, num período de tensão crescente entre Jesus e as autoridades religiosas de Jerusalém. Estudiosos bíblicos apontam que esse contexto de proximidade com a Paixão ajuda a explicar a intensidade emocional incomum do discurso: Jesus já sabia, segundo a tradição cristã, que sua própria morte se aproximava, e a urgência dessa consciência pode ter contribuído para a franqueza mais direta e menos diplomática desse confronto público específico.
Um discurso, não um ataque generalizado
Vale um esclarecimento importante: Jesus não está condenando toda a tradição judaica ou todos os fariseus indistintamente — a crítica é dirigida especificamente contra práticas de ostentação religiosa e hipocrisia que ele observava em determinados líderes religiosos daquele contexto específico. O próprio Jesus reconhece, no início do capítulo, que os escribas e fariseus “se assentam na cadeira de Moisés” e que seus ensinamentos devem ser seguidos — o problema apontado é a incoerência entre o que ensinavam e como viviam, não a invalidade da própria Lei que ensinavam.
Vale, também, reconhecer que discursos de confronto duro contra hipocrisia religiosa específica, sem generalizar contra grupos inteiros, continuam sendo desafio difícil de equilibrar mesmo hoje — críticas legítimas a determinadas práticas ou líderes religiosos específicos correm sempre o risco de serem mal interpretadas como ataque generalizado à instituição religiosa como um todo, exatamente a mesma armadilha interpretativa que a leitura superficial de Mateus 23 pode produzir se não for lida com o cuidado contextual necessário.
Vale, por fim, um esclarecimento sobre por que esse mesmo capítulo continua sendo lido com cuidado especial em contextos de diálogo inter-religioso judaico-cristão contemporâneo: líderes de ambas as tradições reconhecem que uma leitura descuidada e descontextualizada de Mateus 23 já foi usada historicamente, de forma trágica, para justificar preconceito e hostilidade contra comunidades judaicas ao longo dos séculos — razão pela qual documentos eclesiásticos recentes, incluindo declarações do Concílio Vaticano II sobre a relação entre a Igreja e o povo judeu, enfatizam a importância de ler esses textos evangélicos dentro de seu contexto histórico específico, sem generalizações que apaguem essa nuance essencial.
Os Exemplos Específicos de Soberba Religiosa
Os versículos imediatamente anteriores ao 12 listam exemplos concretos e específicos do tipo de ostentação religiosa que Jesus criticava, tornando a acusação muito mais tangível do que uma condenação genérica de “soberba” em abstrato.
Vale destacar que esses três exemplos — filactérios, lugares de honra, títulos religiosos — compartilham uma lógica interna comum: todos envolvem transformar sinais externos de piedade ou autoridade em ferramentas de status social visível, em vez de mantê-los como expressões genuínas de devoção interior ou serviço à comunidade. Jesus não critica os objetos ou práticas em si — filactérios, assentos de honra e títulos de respeito existem legitimamente em várias culturas religiosas —, mas a instrumentalização deliberada deles para construção de imagem pessoal.
Filactérios largos e franjas compridas
“Alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos” (23,5). Filactérios eram pequenas caixas de couro contendo trechos da Lei, presas à testa e ao braço durante a oração, seguindo Deuteronômio 6,8. Usá-los era prática legítima e piedosa — o problema apontado por Jesus era alargá-los deliberadamente além do necessário, tornando a própria devoção um espetáculo visível de piedade para impressionar observadores.
Vale um esclarecimento técnico adicional: os filactérios (também chamados de tefilin em hebraico) continuam sendo usados até hoje por judeus praticantes durante a oração matinal em dias de semana, seguindo a mesma base bíblica citada por Jesus. A prática em si nunca foi condenada por ele — apenas o exagero deliberado no tamanho, usado especificamente para chamar atenção pública à própria piedade.
Os melhores lugares e as saudações públicas
“E amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: Rabi, Rabi” (23,6-7). Jesus identifica aqui uma busca ativa por reconhecimento social e deferência pública — não apenas aceitar honra quando oferecida espontaneamente, mas buscá-la deliberadamente como objetivo.
Vale um exemplo prático contemporâneo desse mesmo padrão: assim como buscar os primeiros lugares nas ceias antigas, hoje é possível reconhecer versões atualizadas do mesmo comportamento em ambientes de trabalho, redes sociais ou até comunidades religiosas — a busca ativa por reconhecimento visível em qualquer contexto onde status social esteja em jogo, seja através de cargos, seguidores, curtidas ou menções públicas de agradecimento.
Os títulos de “Rabi”, “Pai” e “Mestre”
Jesus instrui seus próprios discípulos a evitarem títulos honoríficos que sugiram autoridade espiritual exclusiva: “vós, porém, não queirais ser chamados Rabi… e a ninguém chameis vosso pai na terra… nem vos chameis mestres” (23,8-10). O argumento por trás dessa instrução é teológico: apenas Deus ocupa verdadeiramente essas posições de autoridade última, e toda liderança humana legítima permanece subordinada a essa autoridade maior, nunca competindo com ela.
Vale destacar que esse mesmo princípio, sobre evitar títulos que sugiram autoridade espiritual exclusiva, gerou debates históricos reais dentro da própria tradição cristã posterior — diferentes tradições interpretaram de formas distintas se essa instrução de Jesus deveria ser lida literalmente (evitando completamente títulos como “padre” ou “pastor”) ou de forma mais principiólógica (alertando contra o abuso de autoridade espiritual, sem proibir necessariamente qualquer forma de título honorífico dentro da estrutura eclesial). A Igreja Católica, por exemplo, mantém tradicionalmente o título “padre” para sacerdotes, entendendo que a proibição de Jesus visava especificamente a arrogância religiosa denunciada no contexto original, não qualquer uso respeitoso de linguagem hierárquica dentro da comunidade de fé.

Este Padrão em Outros Ensinamentos de Jesus
Vale destacar uma diferença importante de contexto em relação ao mesmo princípio expresso em outras passagens: enquanto Provérbios 16,18 fala de soberba em sentido geral, e a parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18,9-14) trata de autojustificação na oração pessoal, Mateus 23,12 aplica esse mesmo princípio especificamente à liderança religiosa institucional — ao uso de posição espiritual para ganhar status social, em vez de servir genuinamente à comunidade de fé.
Na parábola dos convidados a um banquete (Lucas 14,7-11), Jesus aplica esse mesmo princípio a um contexto social mais amplo: aconselha que, ao ser convidado para uma festa, a pessoa escolha deliberadamente o lugar menos honroso, em vez do lugar de destaque, para não correr o risco de ser publicamente rebaixada caso alguém mais importante chegue depois. É uma aplicação quase estratégica e social do mesmo princípio espiritual mais profundo.
Um padrão que atravessa todo o ministério de Jesus
A repetição desse princípio em contextos tão diferentes — discurso de confronto religioso, parábola sobre orações pessoais, e conselho sobre etiqueta social em banquetes — sugere que Jesus considerava essa inversão entre exaltação e humilhação um dos pilares mais centrais e transversais de todo seu ensinamento ético, aplicável a praticamente qualquer área da vida humana onde status e reconhecimento social estejam em jogo.
Vale destacar que a parábola dos convidados a um banquete traz um detalhe prático adicional que Mateus 23 não menciona: Jesus sugere que, ao escolher o lugar menos honroso deliberadamente, existe a possibilidade real de o anfitrião pedir que a pessoa suba para um lugar melhor diante de todos os convidados — “então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa” (Lucas 14,10). É um detalhe que mostra que a humildade recomendada por Jesus não é apenas ética abstrata, mas também, nas próprias palavras da parábola, estrategicamente mais segura socialmente do que a autopromoção arriscada.

Como Este Versículo se Aplica à Vida Hoje
A aplicação deste versículo específico à vida contemporânea passa por reconhecer que a busca por reconhecimento religioso ou espiritual não desapareceu — apenas mudou de forma.
Para líderes religiosos e voluntários de igreja
Qualquer pessoa que exerce função de liderança dentro de uma comunidade de fé — catequista, coordenador de pastoral, ministro de música, líder de grupo de oração — enfrenta a mesma tentação denunciada por Jesus: usar essa posição para ganhar reconhecimento e admiração pessoal, em vez de servir genuinamente à comunidade. Vale o exame honesto: a motivação principal para exercer essa função é o serviço, ou o reconhecimento que ele proporciona?
Vale um exemplo prático de autoexame: antes de aceitar uma função de liderança dentro da paróquia ou comunidade, vale perguntar honestamente se a motivação principal seria a mesma caso ninguém nunca soubesse publicamente que você exerce essa função — se a resposta genuína for não, isso pode indicar que o reconhecimento público, e não o serviço em si, é a motivação real por trás do desejo de assumir aquele papel específico.
Para redes sociais e “vitrine espiritual”
Numa época em que fotos de momentos devocionais, citações bíblicas compartilhadas publicamente e frequência a eventos religiosos podem se tornar conteúdo de redes sociais, vale a mesma pergunta que Jesus fazia sobre os filactérios alargados: essa exposição pública da própria fé serve para glorificar a Deus e edificar outros, ou para construir uma imagem pessoal de piedade diante de espectadores?
Vale, também, um comentário sobre o próprio conceito de “humildade performática” — fenômeno contemporâneo em que a própria humildade se torna, ironicamente, objeto de exibição pública, através de postagens que declaram explicitamente “não gosto de aparecer, mas…” antes de compartilhar exatamente o conteúdo que busca reconhecimento. Jesus já alertava, implicitamente, contra esse tipo de sofisticação da soberba, que se disfarça de virtude para escapar da própria crítica que denuncia.
Oração baseada em Mateus 23:12
“Senhor Jesus, que confrontaste diretamente a hipocrisia religiosa que buscava reconhecimento público mais do que servir genuinamente a ti e ao próximo, examina meu próprio coração. Mostra-me onde busco reconhecimento disfarçado de devoção, onde a aparência de piedade importa mais para mim do que a realidade dela. Ensina-me a servir sem precisar ser visto, a orar sem precisar ser admirado, e a liderar, quando for chamado a isso, sem transformar essa posição em palco para minha própria vaidade. Que eu seja humilhado voluntariamente, pela minha própria escolha diária, em vez de precisar ser humilhado por circunstâncias que eu mesmo poderia ter evitado. Em teu nome, amém.”
O Restante do Capítulo: Das Sete “Ais” ao Lamento Final
Vale conhecer o restante do capítulo 23, já que o versículo 12 é apenas a conclusão da primeira parte de um discurso muito mais extenso. Depois dele, seguem-se as sete declarações de “ai de vós”, cada uma denunciando uma prática específica: pagar dízimo escrupulosamente sobre ervas de jardim enquanto se negligenciam “a justiça, a misericórdia e a fé” (23,23); coar um mosquito enquanto se engole um camelo (23,24) — uma das imagens mais vívidas e humorísticas usadas por Jesus para descrever prioridades distorcidas; e limpar o exterior do copo e do prato enquanto o interior permanece “cheio de rapina e de intemperança” (23,25).
O capítulo termina com um tom completamente diferente — não mais de confronto duro, mas de lamento profundo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas… quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste!” (23,37). Essa mudança de tom, de confronto público severo para lamento pessoal comovido, revela que a dureza das críticas anteriores não nascia de desprezo, mas de amor genuíno diante de uma cidade e uma liderança religiosa que Jesus via se afastando do caminho que ele próprio representava.
Vale destacar que a imagem do mosquito coado e do camelo engolido (23,24) é provavelmente humor deliberado de Jesus — uma hipérbole cômica exagerada, destinada a fazer os ouvintes rirem antes de perceberem a seriedade da crítica por trás dela. Coar líquidos para evitar ingerir pequenos insetos considerados impuros pela Lei era prática real entre fariseus escrupulosos; a imagem do camelo — animal muito maior, também seria considerado impuro segundo Levítico — sendo engolido inteiro sem problema algum cria contraste absurdo e memorável, técnica retórica que Jesus usa repetidamente ao longo de seu ensinamento.
Vale, ainda, destacar que este mesmo capítulo contém uma acusação especialmente grave contra a liderança religiosa da época: “para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias” (23,35) — responsabilizando aquela geração específica de líderes religiosos por uma longa história de rejeição aos mensageiros de Deus ao longo de toda a história bíblica anterior, desde o início do Antigo Testamento até aquele momento específico da narrativa evangélica.

Perguntas Frequentes
O que é Mateus 23:12?
É o versículo em que Jesus conclui, dizendo: ‘porque o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e o que a si mesmo se humilhar será exaltado’, a primeira parte de seu discurso contra a hipocrisia religiosa de escribas e fariseus.
Qual o contexto de Mateus 23:12?
Acontece publicamente, no Templo de Jerusalém, durante a última semana antes da Paixão de Jesus, como parte de um discurso mais amplo (todo o capítulo 23) confrontando a hipocrisia de líderes religiosos específicos.
Quais exemplos específicos de soberba Jesus denuncia neste capítulo?
Incluem alargar filactérios e franjas deliberadamente para parecer mais piedosos, buscar os melhores lugares em ceias e sinagogas, e desejar ser chamados publicamente de ‘Rabi’ como título de honra.
Jesus estava condenando todos os fariseus e toda a Lei judaica?
Não. Jesus reconhece que escribas e fariseus ‘se assentam na cadeira de Moisés’ e que seus ensinamentos devem ser seguidos — a crítica é especificamente contra a incoerência entre o que ensinavam e como viviam, não contra a Lei ou toda a tradição judáica.
Este mesmo princípio aparece em outras partes dos evangelhos?
Sim. Aparece também na parábola dos convidados a um banquete (Lucas 14,11) e na conclusão da parábola do fariséu e do publicano (Lucas 18,14), sugerindo que era princípio central repetido por Jesus em diferentes contextos.
O que eram os filactérios mencionados no capítulo?
Eram pequenas caixas de couro contendo trechos da Lei, presas à testa e ao braço durante a oração (Deuteronômio 6,8). O problema criticado por Jesus era alargá-los deliberadamente para parecer mais piedoso diante de observadores.
O que são os ‘ais’ mencionados no capítulo 23 de Mateus?
São sete declarações de lamento e advertência, fórmula profética tradicional do Antigo Testamento, usadas por Jesus para denunciar práticas específicas de hipocrisia religiosa ao longo do restante do capítulo 23.
Como o capítulo 23 de Mateus termina?
O capítulo termina com um lamento comovido sobre Jerusalém (23,37), revelando que a dureza das críticas anteriores nascia de amor genuíno, não de desprezo pela cidade ou por seus líderes religiosos.
Como este versículo se aplica à vida hoje?
É relevante para líderes religiosos e voluntários de igreja que exercem funções de liderança, e também para reflexão sobre como redes sociais podem se tornar ‘vitrine espiritual’ de piedade voltada para reconhecimento público.
Esse tipo de soberba religiosa ainda existe hoje?
Provavelmente não completamente — a tentação de buscar reconhecimento através de posições ou práticas religiosas continua presente hoje, apenas manifestada de formas diferentes das denunciadas originalmente por Jesus no século I.
Um Confronto, Não Apenas uma Reflexão Abstrata
É significativo que este princípio — talvez um dos mais repetidos por Jesus em toda sua pregação — apareça justamente no contexto mais confrontacional de todo o seu ministério público. Não é ensinamento gentil e distante sobre virtude abstrata; é confronto direto contra pessoas específicas, em um momento histórico específico, que usavam sua posição religiosa para ganhar vantagem social em vez de servir genuinamente a Deus e ao povo.
Se você exerce alguma forma de liderança, visibilidade ou reconhecimento dentro da própria comunidade de fé, talvez valha o mesmo exame que este texto propõe a quem o lê hoje: o que realmente motiva o serviço prestado — o bem genuíno de quem é servido, ou o reconhecimento que esse serviço proporciona a quem o presta?
Vale, ainda, refletir sobre uma última aplicação prática: pais e educadores católicos podem usar este texto para ensinar crianças e adolescentes sobre a diferença entre fé genuína e religiosidade de fachada — explicando, com linguagem acessível, que Deus valoriza muito mais uma oração simples e sincera feita em particular do que uma demonstração pública elaborada de piedade, sem necessariamente correspondente compromisso interior real.
Vale um exemplo final concreto de como esse ensinamento pode ser vivido praticamente: escolher, deliberadamente, servir em funções que ninguém mais percebe ou agradece publicamente — limpar depois de um evento paroquial, ajudar alguém sem publicar nada a respeito, doar de forma anônima — é uma forma concreta e acessível de praticar, na vida cotidiana, exatamente o princípio que Jesus ensinou naquele confronto público há dois mil anos.
Que Deus continue revelando, a cada leitor deste texto, as formas específicas e às vezes sutis pelas quais a busca por reconhecimento ainda se disfarça de devoção genuína na própria vida diária.
Boa reflexão, e boa prática de serviço desinteressado, hoje e sempre.
Que a humildade genuína, escolhida livremente e não imposta pela circunstância, continue sendo o caminho preferido por cada leitor deste texto, hoje e em cada decisão futura que envolver reconhecimento ou serviço.
Que assim seja, e que esse mesmo padrão continue guiando decisões práticas, não apenas boas intenções abstratas.
Vale acrescentar um último detalhe pastoral: comunidades que cultivam cultura de reconhecimento mútuo genuíno — agradecendo sinceramente a quem serve, sem transformar isso em competição por destaque — costumam sofrer menos com esse tipo de tentação do que ambientes onde reconhecimento público se torna a única moeda de validação disponível para quem serve voluntariamente, sem remuneração material alguma em troca do próprio tempo e esforço dedicados.
Boa semana, com serviço genuíno e coração livre de necessidade constante de validação externa.
Que este texto sirva de referência útil sempre que você precisar reler o capítulo 23 de Mateus com mais contexto e profundidade do que uma leitura isolada do versículo 12 permitiria sozinha.
Amém, e que a humildade genuína continue sendo escolha diária, não apenas ideal distante e abstrato.
Que Deus continue abençoando, de forma especial, quem serve sem precisar ser visto, sem precisar ser agradecido publicamente, sem precisar de mais nada além da certeza silenciosa de ter feito o bem.
Até a próxima reflexão, com o mesmo coração disponível para aprender que caracterizava os melhores discípulos de Jesus.
Paz e bem, e boa caminhada de humildade prática, sempre.
Que este ensinamento, dado em meio ao confronto mais duro de todo o ministério público de Jesus, continue soando hoje com a mesma urgência que tinha naquele dia específico, no Templo de Jerusalém, pouco antes da Paixão.
Que cada leitor deste texto encontre, hoje, um caminho concreto e prático de servir sem precisar de aplauso, seguindo o mesmo exemplo que Jesus deu com sua própria vida, até a cruz.
Boa reflexão, hoje e sempre, com humildade genuinamente prática.
Que a próxima oportunidade de servir sem ser visto seja recebida com alegria genuína, não com ressentimento por falta de reconhecimento.
Deus continue moldando corações dispostos a servir na discrição, hoje e sempre, em cada paróquia e em cada casa.
Fica o convite à prática constante, sem pressa, sem cobrança excessiva de si mesmo, apenas com disposição sincera de melhorar aos poucos.
Que a semana que vem traga oportunidades reais de colocar esse ensinamento em prática, ainda que em gestos pequenos e discretos.
Boa semana e boa prática de fé vivida com sinceridade.
Que Deus continue abrindo os olhos de cada leitor para as pequenas formas cotidianas de soberba que passam despercebidas.
Assim seja, hoje e sempre.
Que cada gesto de serviço discreto praticado esta semana seja, aos olhos de Deus, exaltado no tempo certo dele.
Que assim seja para cada leitor deste texto, hoje e nos dias que virão.
Boa jornada de humildade prática e serviço genuíno.
Que Deus continue conduzindo cada passo dessa caminhada de fé vivida com sinceridade genuína, dia após dia.
Fica a paz e a boa vontade para toda a semana que se inicia.
Deus continue abençoando cada esforço sincero de crescimento espiritual.
Até a próxima leitura, com carinho e sinceridade renovados.
Boa prática de humildade genuína, hoje e sempre, em cada gesto pequeno do dia a dia.
Que assim seja, para sempre.
Boa semana, com Deus guiando cada passo.
Paz.
Bem.
Que a leitura de hoje continue rendendo frutos concretos de humildade nas próximas semanas e meses.




