São Francisco de Assis: História, Estigmas e a Oração da Paz
Existe um santo que atravessou os séculos de uma forma que poucos conseguem: amado por católicos e não católicos, por religiosos e agnósticos, por ambientalistas e místicos. São Francisco de Assis é talvez o santo mais universal da história cristã — e paradoxalmente, é o que levou mais a sério as palavras literais do Evangelho. O filho rico que escolheu a pobreza radical. O guerreiro que escolheu a paz. O homem que amou as criaturas porque amava o Criador.
Aqui você encontra a história completa de São Francisco — sua conversão dramática, a fundação da Ordem dos Frades Menores, os estigmas, o lobo de Gubbio, o Cântico das Criaturas, a Oração da Paz, sua relação com Santa Clara, seu encontro com o Sultão, e o que ele tem a dizer para o século XXI — inclusive através do Papa Francisco, que tomou seu nome em 2013.

Quem Foi São Francisco — A História do Santo
Giovanni di Pietro di Bernardone nasceu em Assis, Itália, por volta de 1181-1182, filho de Pietro di Bernardone — um próspero comerciante de tecidos — e de Lady Pica, que era francesa. Seu pai, que amava a França e a língua provençal, o chamou carinhosamente de Francesco — “o francês.” Era um jovem vaidoso, generoso, boêmio e amado pela sociedade assisana. Sonhava se tornar cavaleiro e fazia festas nas ruas que duravam até a madrugada, pagando a conta para todos os amigos. Era o rei da boemia local.
A Conversão — Três Momentos Decisivos
A conversão de Francisco não aconteceu num único momento dramático — foi um processo em etapas. Primeiro: uma doença grave após uma batalha mal-sucedida contra Perugia o forçou a um período de recolhimento e reflexão. Segundo: um encontro com um leproso na estrada — Francisco, que tinha asco de leprosos, desceu do cavalo, abraçou o homem e o beijou. Ele próprio descreveu esse momento como o início de sua mudança interior: “O que me parecia amargo tornou-se doçura da alma e do corpo.” Terceiro e definitivo: numa igrejinha em ruínas chamada San Damiano, Francisco entrou para rezar e ouviu — de um crucifixo — as palavras: “Francisco, vai e repara minha Igreja, que está caindo em ruínas.”
Ele entendeu literalmente e foi vender tecidos do pai para pagar a reconstrução. Pietro di Bernardone, furioso, o levou diante do bispo. E Francisco, diante do bispo e de toda a cidade, tirou a roupa, devolveu-a ao pai e disse: “Agora posso dizer verdadeiramente: Pai nosso, que estais no céu.” Era a ruptura total com a vida anterior — e o início de uma das histórias mais radicais do Evangelho vivido.
A Fundação da Ordem dos Frades Menores
Em 1208, ouvindo na Missa o texto de Mateus 10:7-10 — “ide e pregai… não leveis ouro, nem prata, nem bolsa para o caminho, nem duas túnicas…” — Francisco entendeu que aquilo era dirigido a ele pessoalmente. Começou a pregar pelas ruas de Assis. Pouco a pouco, outros homens se uniram a ele — homens ricos como ele, que abriam mão de tudo para seguir o Evangelho em pobreza radical.
Em 1210, Francisco foi a Roma com doze companheiros para pedir aprovação do Papa Inocêncio III para sua forma de vida. O papa aprovou verbalmente a Regra franciscana — uma escolha ousada para os padrões da época. Nascia a Ordem dos Frades Menores (os franciscanos), que em poucos anos se espalharia por toda a Europa e além, tornando-se uma das maiores e mais influentes ordens religiosas da história cristã.
São Francisco e Santa Clara — Dois Caminhos do Mesmo Evangelho
Uma das histórias mais belas da espiritualidade medieval é a relação entre São Francisco e Santa Clara de Assis. Clara Offreduccio, filha de família nobre, ouviu Francisco pregar e foi completamente transformada. Na noite do Domingo de Ramos de 1212, fugiu de casa e foi ao encontro de Francisco e seus frades. Francisco cortou seus cabelos e lhe deu o hábito — fundando o ramo feminino da família franciscana, que depois seria chamado de Clarissas ou Ordem das Damas Pobres.
A relação entre Francisco e Clara foi de amizade espiritual profunda — um vínculo de almas que reconhecem a mesma chama. Nunca foi romântica; foi algo mais raro: duas pessoas que se compreendem completamente na sua busca de Deus e se fortalecem mutuamente nessa busca. Clara sobreviveu a Francisco por quase 30 anos e defendeu o legado de sua espiritualidade com uma firmeza que o próprio Francisco teria admirado.

O Lobo de Gubbio — A História Mais Famosa
Conta a tradição que a cidade de Gubbio estava sendo aterrorizada por um lobo enorme que atacava pessoas e animais. Os habitantes viviam com medo. Francisco pediu permissão para ir ao encontro do lobo sozinho. Encontrou-o, fez o sinal da cruz e falou com ele como faria com um ser humano: “Irmão lobo, muitos males tens feito nesta terra. Mas quero fazer a paz entre ti e os homens.”
O lobo baixou a cabeça e se deitou aos pés de Francisco. O acordo: Francisco garantiria que os habitantes de Gubbio alimentariam o lobo regularmente; em troca, o lobo não os atacaria mais. O lobo viveu os restantes dois anos de sua vida em paz com os cidadãos, sendo alimentado de porta em porta.
Quer a história seja literal ou simbólica, ela expressa algo profundo na espiritualidade franciscana: a violência não se vence com mais violência, mas com a presença desarmada do amor. E todos os seres criados são irmãos porque todos têm o mesmo Pai. Essa visão ecológica e fraterna do mundo, que Francisco viveu no século XIII, ressoa com uma urgência crescente no século XXI.
Francisco e o Sultão — A Primeira Diplomacia Inter-Religiosa
Em 1219, no auge das Cruzadas, Francisco fez algo extraordinário: atravessou as linhas de batalha em Damieta (Egito) e foi voluntariamente ao encontro do Sultão Al-Malik al-Kamil — um “inimigo” segundo a lógica da guerra. O Sultão o recebeu com respeito e admiração. Durante dias, Francisco pregou sobre Jesus Cristo com toda a liberdade. O Sultão não se converteu, mas enviou Francisco de volta em segurança — com presentes e com uma estima sincera.
O episódio é considerado um dos primeiros gestos documentados de diálogo inter-religioso na história cristã. Francisco não foi como conquistador ou cruzado — foi como pregador desarmado, disposto a morrer pela fé mas não a matar por ela. Sete séculos antes do diálogo inter-religioso se tornar política oficial da Igreja, Francisco o praticou instintivamente, movido pelo mesmo amor que o levava a falar com o lobo de Gubbio.
Os Estigmas de São Francisco
Em setembro de 1224, Francisco retirou-se para o Monte Alverne para um período de quarenta dias de jejum e oração. No dia 14 de setembro — festa da Exaltação da Santa Cruz — enquanto meditava na Paixão de Cristo, apareceu-lhe um serafim com seis asas. E nas mãos, pés e lado de Francisco apareceram as chagas de Cristo — os estigmas.
São Francisco é o primeiro estigmatizado documentado da história cristã. Os estigmas — feridas nas mãos, pés e costado correspondentes às de Cristo na cruz — foram vistos e testemunhados por seus irmãos e permaneceram visíveis após sua morte. O Papa Gregório IX, ao canonizá-lo em 1228, referiu-se a eles explicitamente.
Teologicamente, os estigmas são interpretados como o fruto máximo da espiritualidade franciscana: o amor tão profundo à Paixão de Cristo que o corpo do amante começa a se tornar semelhante ao Amado. Francisco queria ser como Cristo — e Cristo marcou seu corpo com a própria assinatura. É um dos momentos mais extraordinários de toda a história mística cristã.
O Cântico das Criaturas — O Primeiro Poema em Italiano
Composto por Francisco em 1224-1225, quando estava quase cego e sofrendo intensamente, o Cântico das Criaturas (ou Cântico do Irmão Sol) é considerado o primeiro poema da literatura italiana. É um hino de louvor a Deus através das criaturas — o sol, a lua, o vento, a água, o fogo, a terra, e até “a irmã morte corporal.”
O contexto é fundamental: foi escrito num momento de sofrimento extremo. Francisco estava quase cego, com dores físicas intensas, e escreveu um hino de alegria e louvor. É uma das expressões mais puras da espiritualidade cristã que existe: a alegria que não depende das circunstâncias, mas da relação com Deus e com todas as suas criaturas. A mesma lógica de Santa Teresinha — que escreveu sobre a felicidade do céu quando vivia sua “noite escura.”
O Cântico das Criaturas é também o fundamento bíblico e espiritual da encíclica Laudato Si’ — publicada pelo Papa Francisco em 2015. O título da encíclica vem exatamente desse cântico: Laudato si’, mi’ Signore — “Louvado seja, meu Senhor.” Sete séculos depois, as palavras do poverello de Assis continuam gerando magistério papal.
A Oração da Paz de São Francisco
A famosa “Oração da Paz” — “Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz” — não foi escrita por Francisco. Ela apareceu pela primeira vez em 1912 num boletim católico francês. Mas o espírito que ela expressa é tão profundamente franciscano que se tornou inseparável de seu nome e de sua espiritualidade. Reze-a devagar — cada linha é um programa de vida:
Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar do que ser consolado,
compreender do que ser compreendido,
amar do que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Amém.
A Morte e a Canonização de São Francisco
Francisco morreu em 3 de outubro de 1226, com cerca de 44 anos, em Assis. Suas últimas palavras foram o Salmo 142: “A minha voz sobe ao Senhor, com ela imploro misericórdia.” Ele pediu para ser deitado nu no chão — em pobreza total, como havia vivido. Pediu que seus irmãos cantassem o Cântico das Criaturas ao redor de seu leito.
Foi canonizado menos de dois anos depois, em 1228, pelo Papa Gregório IX — um dos processos de canonização mais rápidos da história. Sua festa é celebrada em 4 de outubro — Dia Mundial dos Animais e data em que muitas igrejas realizam bênçãos dos animais de estimação em sua honra. Em 2013, o Papa Francisco escolheu o nome do santo de Assis — o primeiro papa a se chamar Francisco em toda a história.
São Francisco e a Ecologia — Uma Mensagem Para o Século XXI
Em 2015, o Papa Francisco publicou Laudato Si’ — uma encíclica inteiramente dedicada ao cuidado da criação. Em 2015, Francisco de Assis foi proclamado pelo Papa como padroeiro da ecologia. A visão franciscana da natureza não é uma espiritualidade new age — é profundamente cristã e bíblica.
Francisco amava as criaturas porque amava o Criador. Via em cada ser criado um traço da bondade de Deus. Chamar o sol de “irmão” e a terra de “irmã” não é panteísmo — é reconhecer que todos saímos das mesmas mãos do mesmo Pai. Essa visão ecológica e fraterna — que o Cântico das Criaturas articula com beleza poética — é hoje um dos recursos espirituais mais necessários diante da crise ambiental.
Francisco propõe que a solução para a crise ecológica não é apenas tecnológica ou política — é espiritual. Quando reconhecemos as criaturas como irmãs, não as exploramos. Quando reconhecemos Deus como Criador de tudo, tratamos a criação com a reverência que se deve ao que pertence a Deus.
As Orações de São Francisco
Oração Diante do Crucifixo de San Damiano
Deus altíssimo e glorioso,
iluminai as trevas do meu coração.
Dai-me fé reta, esperança certa e caridade perfeita,
senso profundo e conhecimento,
para que eu possa cumprir vosso santo e verdadeiro mandamento.
Amém.
Esta é a oração que Francisco rezou diante do crucifixo de San Damiano no momento de sua conversão — uma das orações mais antigas e autenticamente franciscanas.
Oração de Louvor a Deus Altíssimo
Tu és o Santo, Senhor Deus, o único que fazes maravilhas.
Tu és o Forte, Tu és o Grande, Tu és o Altíssimo.
Tu és o Rei onipotente, Tu és o Pai Santo, rei do céu e da terra.
Tu és o Bem, todo bem, o sumo Bem, Senhor Deus vivo e verdadeiro.
Tu és o Amor e a Caridade. Tu és a Sabedoria.
Tu és a Humildade, Tu és a Paciência.
Tu és a Beleza, Tu és a Mansidão, Tu és a Segurança.
Tu és a Alegria e a Esperança. Tu és a Justiça e a Temperança.
Tu és toda nossa riqueza a suficiência.
Tu és a Beleza, Tu és a Mansidão.
Tu és o Protetor, o Guardião e o Defensor.
Tu és a Força. Tu és o Refrigério.
Tu és a nossa Esperança. Tu és a nossa Fé.
Tu és a nossa Caridade. Tu és toda nossa Doçura.
Tu és a nossa vida eterna, grande e admirável Senhor,
Deus onipotente, misericordioso Salvador.
Amém.
A Espiritualidade Franciscana — O Que São Francisco Nos Ensina
A Pobreza Como Liberdade
Francisco não escolheu a pobreza como penitência — escolheu-a como liberdade. O homem que tem posses está sempre dividido entre Deus e as posses. O homem que nada tem é totalmente livre para pertencer a Deus. A “Lady Pobreza” — como Francisco a chamava com ternura de apaixonado — era para ele a condição que permitia total disponibilidade para Deus e para o próximo. Não somos todos chamados à pobreza franciscana radical, mas somos todos chamados ao desapego que liberta o coração para o essencial.
O Evangelho Ao Pé da Letra
O que distinguia Francisco de outros reformadores religiosos de sua época não era uma nova teologia — era a insistência em viver o Evangelho literalmente. Quando Mateus 10 dizia “não leveis bolsa nem ouro”, Francisco não levava. Quando o Sermão da Montanha dizia “bem-aventurados os pobres”, Francisco o vivia. Essa literalidade radical desconcertava as autoridades eclesiásticas — e ao mesmo tempo as conquistava, porque era impossível questionar a seriedade de alguém que simplesmente fazia o que Jesus dizia.
A Alegria Como Fruto da Fé
São Francisco era alegre. Profundamente, contagiosamente alegre — apesar das dores físicas, dos conflitos com a própria ordem, das incompreensões. Ele compôs o Cântico das Criaturas no sofrimento. Chamava o sofrimento de “perfeita alegria” quando era aceito por amor a Cristo. Sua alegria não era negação do sofrimento — era a certeza de que o amor de Deus transforma tudo, inclusive o sofrimento, em algo que vale a pena.
Para cultivar essa alegria espiritual com a Palavra de Deus, os versículos de gratidão são o ponto de partida — uma escola de olhar o mundo com os olhos de Francisco, vendo em cada criatura um dom de Deus. E para começar o dia com o espírito de entrega que Francisco viveu, veja nossa Oração da Manhã.
São Francisco e Outros Santos — Uma Família Espiritual
São Francisco não está sozinho na constelação dos santos — ele está rodeado de almas que viveram a mesma radicalidade evangélica, cada uma a seu modo:
Santo Antônio de Pádua — seu irmão franciscano, o grande pregador que Francisco mesmo aprovou com a carta histórica. Os dois juntos mostram como a mesma espiritualidade pode florescer em formas diferentes: a poesia do silêncio (Francisco) e o poder da palavra (Antônio).
Santa Teresinha do Menino Jesus — que nunca leu Francisco explicitamente mas viveu algo muito próximo de sua espiritualidade: o amor nas pequenas coisas, a alegria no sofrimento, a pobreza de espírito como caminho para Deus.
São Miguel Arcanjo — o arcanjo que protegia Francisco no Monte Alverne, onde os estigmas foram recebidos. A tradição franciscana tem uma devoção especial a São Miguel como protetor espiritual da ordem.
Frases de São Francisco Para Meditar
- “Começa fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente estarás fazendo o impossível.”
- “Louvado seja, meu Senhor, com todas as vossas criaturas.” — Cântico das Criaturas
- “O que me parecia amargo tornou-se doçura da alma e do corpo.” — Sobre o encontro com o leproso
- “Onde houver ódio, que eu leve o amor.” — Oração da Paz
- “Prega sempre o Evangelho — se necessário, usa palavras.”
- “Francisco, vai e repara minha Igreja, que está caindo em ruínas.” — A voz do crucifixo de San Damiano
- “Nossa irmã, a morte corporal, de quem nenhum vivente pode escapar.” — Cântico das Criaturas
Perguntas Frequentes Sobre São Francisco de Assis
São Francisco era rico antes de se converter?
Sim. Seu pai era um dos comerciantes mais prósperos de Assis, e Francisco cresceu numa família abastada. Era vaidoso, gostava de festas e sonhava se tornar cavaleiro. A conversão o levou a uma ruptura radical com essa vida — incluindo a devolução pública de todas as roupas ao pai e a escolha da pobreza absoluta como estilo de vida.
O que são os estigmas de São Francisco?
Os estigmas são feridas que correspondem às chagas de Cristo na crucificação — nas mãos, pés e costado. Apareceram em São Francisco em setembro de 1224, no Monte Alverne, e permaneceram visíveis até sua morte. São Francisco é o primeiro estigmatizado documentado da história cristã, e seus estigmas foram atestados por testemunhas contemporâneas e mencionados explicitamente pelo Papa Gregório IX na canonização.
São Francisco escreveu a Oração da Paz?
Não. A “Oração da Paz” — “Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz” — apareceu pela primeira vez num boletim católico francês em 1912, mais de 700 anos após a morte de Francisco. Mas o espírito que ela expressa é tão consonante com sua espiritualidade que se tornou inseparável de seu nome.
Por que o Papa Francisco escolheu esse nome?
Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis — o primeiro papa a fazê-lo em toda a história. Disse que escolheu o nome porque um cardeal amigo lhe sussurou no ouvido, após sua eleição: “Não esqueça dos pobres.” Francisco de Assis é o santo dos pobres por excelência. O nome sinalizava o programa do pontificado: uma Igreja pobre para os pobres, simples, próxima dos excluídos.
São Francisco é padroeiro da ecologia?
Sim. Em 2015, o Papa Francisco proclamou São Francisco de Assis padroeiro da ecologia — ao mesmo tempo em que publicava a encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado da criação. O título da encíclica vem do Cântico das Criaturas de Francisco. A visão de Francisco — que via em cada criatura um irmão porque todos têm o mesmo Pai — é considerada o fundamento espiritual mais sólido para a ética ecológica cristã.
Uma Última Palavra — O Santo Para Todos
São Francisco tem algo raro: a capacidade de falar a pessoas muito diferentes. Fala ao ecologista pela visão da natureza como criação fraterna. Fala ao pacifista pela recusa da violência. Fala ao pobre pela escolha radical da pobreza. Fala ao místico pelos estigmas e pelo amor apaixonado a Cristo. Fala ao alegre pelo Cântico das Criaturas escrito no sofrimento. Fala ao diplomata pelo encontro desarmado com o Sultão.
No fundo, fala a todo ser humano que já desejou, mesmo que por um momento, uma vida mais simples, mais autêntica, mais próxima do essencial. Francisco não propõe uma teoria — propõe um estilo de vida que ele próprio viveu até as últimas consequências. Essa coerência radical entre o que pregava e o que vivia é o que torna São Francisco insubstituível no panteão dos santos cristãos.


