Salmo 92 — Texto Completo, Significado e Oração “Bom É Dar Graças ao Senhor”
O Hino do Shabat — Gratidão, Prosperidade do Justo e Destino dos Ímpios

O Salmo 92 é o único do saltério com título litúrgico explícito: “Cântico para o dia do Shabat.” É o hino do descanso semanal — cantado nas sinagogas judaicas toda sexta-feira ao anoitecer e no sábado de manhã há mais de dois milénios. É texto que une a gratidão pelas obras de Deus (v.1-5), a incompreensão dos insensatos diante destas obras (v.6-7), o destino dos ímpios (v.8-9) e o florescimento do justo como palmeira e cedro (v.12-14). É teologia completa do Shabat em quinze versículos.
A abertura do Salmo 92 é uma das mais amadas do saltério: “Bom é dar graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; para publicar de manhã a tua misericórdia e a tua fidelidade cada noite” (v.1-2). Manhã e noite — o ciclo completo do dia — preenchido com gratidão e louvor. É o ritmo do Shabat transposto para o ritmo de toda a vida: não apenas um dia de descanso, mas toda a existência orientada pela gratidão matinal e pela fidelidade noturna de Deus.
O versículo mais poético do Salmo 92 é o versículo 12: “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.” Duas árvores que representam duas qualidades diferentes de prosperidade: a palmeira (flexível, produtiva, resistente ao calor do deserto) e o cedro (alto, majestoso, de madeira aromática e durável). O justo tem as qualidades de ambas — e o Salmo 92 é a afirmação de que esta prosperidade dupla é o destino de quem permanece fiel ao Deus do Shabat.
Salmo 92 — Texto Completo
Cântico para o dia do Shabat.
1 Bom é dar graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo;
2 para publicar de manhã a tua misericórdia e a tua fidelidade cada noite,
3 com instrumento de dez cordas e com o alaúde, com canto solene à harpa.
4 Pois me fizeste alegrar pelas tuas obras; nas obras das tuas mãos me regozijarei.
5 Como são grandes as tuas obras, Senhor! Muito profundos são os teus pensamentos!
6 O homem bruto não sabe, nem o louco entende isso.
7 Quando os ímpios brotam como a erva, e todos os que praticam a iniquidade florescem, é para serem destruídos para sempre.
8 Mas tu, Senhor, és o Altíssimo para sempre.
9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, pois eis que os teus inimigos perecerão; todos os que praticam a iniquidade serão espalhados.
10 Mas o meu chifre exaltarás como o dos unicórnios; serei ungido com óleo fresco.
11 Os meus olhos verão o que desejo nos meus inimigos; os meus ouvidos ouvirão o que desejo dos que se levantam contra mim, dos malfeitores.
12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.
13 Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Ainda na velhice darão fruto; serão gordos e verdejantes,
15 para mostrarem que o Senhor é reto; ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.— Salmo 92:1-15 (Almeida Revista e Atualizada)
Contexto — O Hino do Shabat na Tradição Judaica

O Salmo 92 é o único salmo com título que identifica seu uso litúrgico específico: “para o dia do Shabat.” Esta indicação remonta à prática do Templo de Jerusalém, onde um salmo diferente era cantado pelos levitas cada dia da semana. O Mishnah (Tamid 7:4) lista os sete salmos diários: Salmo 24 (domingo), Salmo 48 (segunda), Salmo 82 (terça), Salmo 94 (quarta), Salmo 81 (quinta), Salmo 93 (sexta) e o Salmo 92 (Shabat). O salmo do Shabat era cantado no sacrifício adicional do sábado — o dia em que a criação foi completada e Deus descansou.
A conexão do Salmo 92 com o Shabat vai além da designação litúrgica — está na sua teologia. O Shabat é o dia em que Israel para de trabalhar e contempla as obras de Deus (v.4-5). É o dia em que a perspectiva do eterno (v.8 — “tu, Senhor, és o Altíssimo para sempre”) relativiza a prosperidade aparente dos ímpios (v.7). É o dia em que o destino do justo (v.12-14) é contemplado à luz do governo de Deus sobre toda a história. O Shabat é o laboratório semanal da teologia do Salmo 92. Leia o Salmo 84 como par do Salmo 92 na teologia da habitação no espaço sagrado.
Estrutura do Salmo 92
Parte 1 — Gratidão pelas Obras de Deus (v.1-5): O louvor matinal e noturno (v.1-3), a alegria pelas obras de Deus (v.4), e a admiração pela profundidade dos pensamentos divinos (v.5).
Parte 2 — A Incompreensão dos Insensatos (v.6-7): O homem bruto que não entende (v.6), o florescimento dos ímpios como erva — que é para destruição (v.7).
Parte 3 — O Altíssimo Eterno e o Destino dos Inimigos (v.8-11): A eternidade de Deus (v.8), o perecimento dos inimigos (v.9), o chifre exaltado e o óleo fresco (v.10-11).
Parte 4 — O Florescimento do Justo (v.12-15): A palmeira e o cedro (v.12), os plantados na casa do Senhor (v.13), o fruto na velhice (v.14), e a declaração final de que o Senhor é reto (v.15).
Análise Versículo a Versículo
Versículos 1-3 — Bom É Dar Graças: Manhã e Noite
“Bom é dar graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; para publicar de manhã a tua misericórdia e a tua fidelidade cada noite, com instrumento de dez cordas e com o alaúde, com canto solene à harpa.”
“Bom é dar graças ao Senhor” (tov lehodot laYHWH) — declaração sapiencial que abre o Salmo 92 com afirmação de bondade. “Bom” (tov) é a mesma palavra usada em Gênesis 1 quando Deus via cada elemento da criação: “e viu Deus que era bom.” A gratidão é declarada boa — não apenas adequada, não apenas obrigatória — boa. É bondade em si mesma, independentemente do que produz.
“Para publicar de manhã a tua misericórdia e a tua fidelidade cada noite” (v.2) — o ciclo completo da gratidão: manhã e noite. De manhã, o chesed (misericórdia fiel) — o amor que acompanha o dia que começa. Cada noite, o emet (fidelidade) — a constância de Deus que permaneceu ao longo do dia. É o Shabat como enquadramento do dia inteiro em gratidão. Para a Oração da Manhã, o versículo 2 é o posicionamento mais completo disponível.
“Com instrumento de dez cordas e com o alaúde, com canto solene à harpa” (v.3) — o Shabat é celebrado com toda a riqueza instrumental disponível. É o mesmo impulso do Salmo 150 — que o louvor envolva todos os instrumentos. O Salmo 92 é hino de festa — não meditação quieta, não só contemplação silenciosa. É celebração com música rica e variada. Leia o Salmo 150 como o par desta celebração instrumental.
Versículos 4-5 — A Alegria pelas Obras e a Profundidade dos Pensamentos
“Pois me fizeste alegrar pelas tuas obras; nas obras das tuas mãos me regozijarei. Como são grandes as tuas obras, Senhor! Muito profundos são os teus pensamentos!”
“Pois me fizeste alegrar pelas tuas obras” — a alegria do Shabat tem origem específica: as obras de Deus. O Shabat é o dia em que Israel para e contempla o que Deus fez — na criação (Gn 2:2-3), no Êxodo (Dt 5:15), na história da salvação. Esta contemplação produz alegria — não a alegria forçada da performance religiosa, mas a alegria espontânea de quem vê o que Deus fez e maravilha-se. “Nas obras das tuas mãos me regozijarei” — o regozijo é resposta às obras divinas, não iniciativa autônoma.
“Como são grandes as tuas obras, Senhor! Muito profundos são os teus pensamentos!” (v.5) — admiração dupla: grandeza e profundidade. As obras de Deus são grandes — visíveis, impactantes, inquestionáveis. E os pensamentos de Deus são profundos (amqu me’od) — além do alcance da compreensão humana. É a mesma tensão do Salmo 139:17 — “como me são preciosos os teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles!” Leia o Salmo 139 como par desta admiração pelos pensamentos divinos.
Versículos 6-7 — O Insensato e o Florescimento que É Para Destruição
“O homem bruto não sabe, nem o louco entende isso. Quando os ímpios brotam como a erva, e todos os que praticam a iniquidade florescem, é para serem destruídos para sempre.”
“O homem bruto não sabe, nem o louco entende isso” (v.6) — o “isso” que o insensato não entende é precisamente o que o versículo 7 vai explicar: a aparente prosperidade dos ímpios. O “homem bruto” (ish ba’ar) e o “louco” (kesil) são os que olham para os ímpios prósperos e tiram a conclusão errada — que o crime compensa, que a injustiça tem vantagem, que Deus não age.
“Quando os ímpios brotam como a erva… é para serem destruídos para sempre” (v.7) — versículo que responde ao problema do Salmo 73 (a crise de Asafe diante da prosperidade dos ímpios). A erva brota rapidamente, cobre o chão de verde exuberante — e é ceifada igualmente de forma rápida e completa. O florescimento dos ímpios tem a qualidade da erva: impressionante no curto prazo, efêmero no longo. “Para serem destruídos para sempre” — o propósito do florescimento dos ímpios revelado: não é bendição mas prelúdio do julgamento definitivo. Leia o Salmo 37:2 — “em breve serão ceifados como a erva” — como par exato deste versículo.
Versículo 8 — Mas Tu, Senhor, És o Altíssimo para Sempre
“Mas tu, Senhor, és o Altíssimo para sempre.”
“Mas tu, Senhor, és o Altíssimo para sempre” — um dos versículos mais curtos e mais contundentes do Salmo 92. Em contraste com os ímpios que florescem temporariamente para serem destruídos (v.7), Deus é o Altíssimo “para sempre” (le’olam). Não é comparação com os ímpios — é afirmação de soberania absoluta que relativiza qualquer prosperidade temporal.
O “Altíssimo” (Marôm) — o que está mais alto que tudo — é título que o Salmo 83:18 havia usado no encerramento: “tu, cujo nome é o Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra.” Aqui no Salmo 92 o título é combinado com “para sempre” — eternidade da soberania que nenhuma prosperidade de ímpio pode ameaçar. É a perspectiva do Shabat: um dia por semana o povo de Israel pára e afirma que o Altíssimo eterno é o centro da realidade — não as forças do mercado, não as instituições políticas, não os poderosos do momento. Leia o Salmo 46:10 — “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” — como par desta soberania eterna.
Versículos 9-11 — Os Inimigos que Perecerão e o Chifre Exaltado
“Pois eis que os teus inimigos, Senhor, pois eis que os teus inimigos perecerão… Mas o meu chifre exaltarás como o dos unicórnios; serei ungido com óleo fresco. Os meus olhos verão o que desejo nos meus inimigos.”
“Pois eis que os teus inimigos perecerão” (v.9) — a repetição “pois eis que os teus inimigos, Senhor, pois eis que os teus inimigos perecerão” é recurso retórico de intensificação — o mesmo assunto é nomeado duas vezes antes da declaração. É como dizer: presta atenção ao que vou dizer. O que segue é absoluto: perecerão.
“Mas o meu chifre exaltarás como o dos unicórnios; serei ungido com óleo fresco” (v.10) — o “chifre” (qeren) é símbolo de força e de honra. “Como o dos unicórnios” (re’em — provavelmente o uro ou búfalo selvagem, animal de grande poder) — exaltação máxima de força. “Serei ungido com óleo fresco” — a unção com óleo fresco é símbolo de renovação, de bênção, de separação para serviço sagrado. É o contrário do envelhecimento e do declínio — é vitalidade renovada.
Versículos 12-14 — A Palmeira e o Cedro: O Justo que Floresce
“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Ainda na velhice darão fruto; serão gordos e verdejantes.”
“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano” — duas árvores com qualidades distintas e complementares:
A palmeira (tamar) — árvore do deserto mediterrâneo que: produz fruto durante décadas, mantém o verde mesmo em condições áridas, é flexível ao vento sem quebrar, cresce a grande altura a partir de solo pobre. É símbolo de produtividade persistente, de vitalidade em ambientes adversos, de elegância que resulta de resiliência.
O cedro do Líbano (erez balevanon) — a maior e mais majestosa árvore do Oriente Médio: altura impressionante (até 30 metros), madeira resistente e aromática que não apodrece, longevidade extraordinária (séculos), símbolo de solidez e de permanência. O Templo de Salomão foi construído com madeira de cedro do Líbano — a mais preciosa disponível.
O justo tem as qualidades de ambas: a produtividade e flexibilidade da palmeira, e a solidez, majestade e permanência do cedro. Não é apenas crescimento — é florescimento que combina estas qualidades. Leia o Salmo 1:3 — “será como a árvore plantada junto a ribeiros de água” — como o par desta metáfora do justo como árvore frutífera.
“Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus” (v.13) — a condição do florescimento é revelada: “plantados na casa do Senhor.” Não é florescimento autônomo — é florescimento que nasce da conexão com a casa de Deus, da habitação na presença divina. É o princípio de João 15:5 — “o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira.” O justo do Salmo 92 floresce porque está plantado onde Deus habita.
“Ainda na velhice darão fruto; serão gordos e verdejantes” (v.14) — o versículo mais consolador para os idosos do Salmo 92. Não “até a velhice” — “ainda na velhice.” A velhice não é o fim do florescimento — é quando o fruto já acumulado pode ser colhido. “Gordos e verdejantes” (deshenim vera’anannim) — cheios de seiva, saudáveis, viçosos — qualidades de árvore jovem na estação de crescimento, aplicadas ao ancião justo. É resposta direta ao medo do enfraquecimento do Salmo 71:9 — “não me abandones quando as minhas forças falharem.” O Salmo 92 garante que o justo “ainda na velhice dará fruto.” Leia o Salmo 71 como par desta esperança da velhice frutífera.
Versículo 15 — O Senhor É Reto: A Declaração Final
“Para mostrarem que o Senhor é reto; ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.”
“Para mostrarem que o Senhor é reto” — o propósito final do florescimento do justo é revelador: não o seu próprio bem-estar, mas a demonstração da retidão de Deus. O florescimento do justo é argumento a favor de Deus — evidência de que o caminho que Deus prescreve é verdadeiro e bom. É teologia da testemunha: a vida do justo é demonstração do caráter de Deus.
“Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça” — encerramento com dois títulos: “rocha” (fundamento estável — o mesmo do Salmo 61:2) e “sem injustiça” (Deus cujo caráter é inteiramente reto). É declaração de confiança que fecha o círculo: o Salmo 92 começou com “bom é dar graças” (v.1) e termina com “nele não há injustiça” (v.15). Da gratidão ao caráter — da celebração do Shabat à afirmação da retidão de Deus. Leia os versículos sobre confiança em Deus.
A Teologia do Shabat no Salmo 92
O Salmo 92 revela a teologia do Shabat em três dimensões:
1. O Shabat é tempo de gratidão específica pelas obras de Deus: “Me fizeste alegrar pelas tuas obras” (v.4) — o descanso do Shabat não é ausência de atividade mas presença de contemplação. É o dia em que se para de produzir para contemplar o que já foi produzido — pelas próprias mãos e pelas mãos de Deus. A gratidão do Shabat é o antídoto ao esquecimento da semana de trabalho.
2. O Shabat oferece perspectiva correta sobre a prosperidade dos ímpios: Os versículos 6-9 revelam que a incompreensão da prosperidade dos ímpios é “burrice” e “loucura” (v.6) para quem não tem a perspectiva do Shabat. Um dia por semana fora do ritmo frenético da produção e do sucesso visível permite ver o que o Salmo 92 descreve: o florescimento dos ímpios é como erva — temporário e destinado à destruição.
3. O Shabat antecipa o florescimento eterno do justo: Os versículos 12-15 descrevem o justo como palmeira e cedro — árvores que vivem décadas e séculos, que dão fruto continuamente. O Shabat semanal é antecipação do “descanso eterno” (Hb 4:9-11) — o shabbat escatológico em que o justo florescer permanentemente. Cada Shabat é amostra do que o destino final do justo será.
O Salmo 92 no Novo Testamento e na Tradição Cristã
O Salmo 92 não é citado diretamente no Novo Testamento, mas a sua teologia permeia vários textos. O versículo 12-14 — o florescimento do justo como palmeira e cedro — está subjacente à parábola da semente que cresce (Mc 4:26-29) e à promessa de João 15 — “o ramo que permanece em mim dará muito fruto.”
Na tradição cristã, o Salmo 92 é especialmente associado ao domingo — o “Shabat cristão” que substitui o sábado judaico como dia do Senhor. O versículo 1 — “bom é dar graças ao Senhor” — é frequentemente a antífona de abertura das Laudes dominicais. É o hino do dia do Senhor — o dia em que a Igreja para, contempla as obras de Deus, e especialmente a grande obra da Ressurreição que cada domingo celebra. Leia o Salmo 65 — outro hino de gratidão pelas obras de Deus — como par do Salmo 92.
Como Viver o Salmo 92 no Cotidiano
1. Praticar a Gratidão Matinal e Noturna — Versículos 1-2
“Para publicar de manhã a tua misericórdia e a tua fidelidade cada noite” — estabelecer a prática de gratidão dupla: pela manhã, agradecer pelo chesed de Deus que acompanhará o dia; à noite, reconhecer o emet de Deus que foi fiel ao longo do dia. É ritmo do Shabat transposto para cada dia. Para a Oração da Manhã e a oração noturna.
2. Contemplar as Obras de Deus — Versículos 4-5
“Me fizeste alegrar pelas tuas obras” — desenvolver a prática de contemplação das obras de Deus: na criação (um pôr do sol, uma flor, o mar), na história pessoal (as intervenções de Deus na própria vida), na história bíblica (as obras narradas no saltério). Esta contemplação é a causa da gratidão — e o Shabat é o tempo dedicado a ela. Para os versículos de esperança.
3. Aspirar ao Florescimento da Palmeira e do Cedro — Versículo 12
“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano” — fazer deste versículo afirmação de identidade e de destino. Não apenas esperança vaga mas declaração específica: “Sou o justo plantado na casa do Senhor. Florescerei como a palmeira. Crescerei como o cedro.” É afirmação proativa do caráter que o Salmo 92 descreve. Leia os versículos de fé e motivação.
4. Confiar na Frutificação da Velhice — Versículo 14
“Ainda na velhice darão fruto; serão gordos e verdejantes” — declarar este versículo sobre os anos de maturidade e de velhice. O fruto não termina quando as forças físicas diminuem — transforma-se. A sabedoria acumulada, o testemunho de décadas de fidelidade, a transmissão da memória das obras de Deus (Sl 71:18) — estes são os frutos que o ancião justo ainda pode dar. Para os versículos de encorajamento.
O Salmo 92 na Liturgia Cristã e Judaica
No judaísmo, o Salmo 92 é cantado em duas partes do serviço do Shabat: nas Vésperas de sexta-feira à noite (kabbalat Shabat — recepção do Shabat) e nas Laudes de sábado de manhã (shacharit). É o salmo mais associado ao Shabat na tradição judaica — e é cantado há mais de dois milénios com melodias que variaram por época e comunidade mas que sempre mantiveram o mesmo texto.
Na Liturgia das Horas cristã, o Salmo 92 é cantado nas Laudes de domingo — o dia do Senhor que a Igreja celebra como “oitavo dia,” o dia novo inaugurado pela Ressurreição. É o hino que abre o dia mais sagrado da semana cristã — e a sua abertura “bom é dar graças ao Senhor” é a disposição que a Igreja cultiva para cada domingo: gratidão pelas obras de Deus, especialmente pela obra maior — a Ressurreição de Cristo.
Oração Baseada no Salmo 92
Bom é dar graças ao Senhor.
Bom é cantar louvores ao Teu nome, ó Altíssimo.
De manhã — a Tua misericórdia.
Cada noite — a Tua fidelidade.
Com harpa e com canto solene.
Pois me fizeste alegrar pelas Tuas obras.
Nas obras das Tuas mãos me regozijarei.
Como são grandes as Tuas obras, Senhor!
Muito profundos são os Teus pensamentos!
O insensato não entende:
quando os ímpios florescem como erva —
é para serem destruídos para sempre.
Mas Tu, Senhor, és o Altíssimo para sempre.
Os Teus inimigos perecerão.
O justo florescerá como a palmeira;
crescerá como o cedro no Líbano.
Plantado na casa do Senhor,
florece nos átrios do nosso Deus.
Ainda na velhice dará fruto.
Gordo e verdejante.
Para mostrar que o Senhor é reto.
Ele é a minha rocha —
e nEle não há injustiça.
Amém.
Frases do Salmo 92 para Compartilhar
- “Bom é dar graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo.” — Salmo 92:1
- “Para publicar de manhã a tua misericórdia e a tua fidelidade cada noite.” — Salmo 92:2
- “Como são grandes as tuas obras, Senhor! Muito profundos são os teus pensamentos!” — Salmo 92:5
- “Mas tu, Senhor, és o Altíssimo para sempre.” — Salmo 92:8
- “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.” — Salmo 92:12
- “Ainda na velhice darão fruto; serão gordos e verdejantes.” — Salmo 92:14
- “Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.” — Salmo 92:15
- “O Salmo 92 é o hino do Shabat — e revela que um dia por semana contemplar as obras de Deus transforma a perspectiva sobre toda a semana.”

O Salmo 92 e Outros Conteúdos do Site
- Salmo 1 — “Como a árvore plantada junto a ribeiros de água” — par da metáfora do justo como árvore do v.12.
- Salmo 37 — “Em breve serão ceifados como a erva” — par do florescimento efêmero dos ímpios do v.7.
- Salmo 71 — “Ainda na velhice” — par da esperança de frutificação tardia do v.14.
- Salmo 73 — “O problema da prosperidade dos ímpios” — par do v.6-7.
- Salmo 150 — “Louvai com instrumentos” — par da celebração instrumental do v.3.
- Versículos de Esperança — “O justo florescerá como a palmeira” — o v.12 como esperança.
- Versículos sobre Confiança em Deus — “Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça” — o v.15.



