Paisagem de Uganda, com o Rio Nilo e savana da região onde viveram os mártires

Novena dos Mártires de Uganda: São Carlos Lwanga (2026)

 

 

Em 1886, num reino da África Oriental que hoje faz parte de Uganda, um grupo de jovens — a maioria pajens da corte real, com idades entre 14 e 30 anos — escolheu a morte antes de renegar a fé cristã recém-descoberta. Foram queimados vivos, decapitados ou esquartejados por ordem de um rei que temia perder o controle sobre eles. Entre os católicos executados estava Carlos Lwanga, líder do grupo, que segurou a mão do mais jovem deles, Kizito, de apenas 14 anos, e disse: “Se tivermos que morrer por Jesus, morreremos juntos, de mãos dadas.”

A história dos Mártires de Uganda não é uma lenda distante — é um dos episódios de perseguição religiosa mais bem documentados da África do século XIX, e um dos mais rápidos processos de canonização da Igreja moderna: menos de oitenta anos separam o martírio da proclamação oficial de santidade. Hoje, o país que testemunhou aquela violência é majoritariamente cristão, um contraste que muitos historiadores da Igreja apontam como fruto direto do sangue derramado em Namugongo.

Nesta novena, você vai encontrar a história verificada desses jovens mártires, o contexto político e religioso que levou à perseguição, e orações para cada um dos nove dias — muitas delas voltadas para quem enfrenta pressão para abandonar a própria fé, ou que precisa de coragem para proteger os mais jovens de situações de abuso e exploração.

O Contexto: Buganda e a Chegada dos Missionários

Na segunda metade do século XIX, o Reino de Buganda — hoje parte do Uganda moderno — era um dos mais poderosos da África Oriental. Foi nesse contexto que os “Padres Brancos”, congregação missionária fundada pelo Cardeal Charles Lavigerie e oficialmente chamada Missionários da África, chegaram à região em 1878, iniciando um trabalho de evangelização que encontraria, em poucos anos, milhares de neófitos entre a população local.

O rei Mtesa I, que governava a região quando os missionários chegaram, inicialmente favoreceu o trabalho deles. Com o tempo, porém, passou a temer que a nova religião representasse um obstáculo para o comércio de escravos que mantinha na região — um dos pilares econômicos do seu reinado — e acabou afastando os missionários. Ele foi sucedido no trono, em 1884, por seu filho Mwanga II, que, tendo sido educado em parte pelos próprios Padres Brancos, inicialmente demonstrou tolerância e até amizade com os cristãos.

 

Terço São Bento Em Hematita Cruz Medalhas Prata Velha

 

Vale entender melhor o pano de fundo econômico e político dessa história: Buganda, no final do século XIX, era disputada por interesses europeus concorrentes — franceses católicos, britanicos anglicanos e comerciantes árabes muçulmanos que já atuavam havia décadas na região. Essa disputa por influência religiosa e comercial deixou a corte de Buganda num equilíbrio político extremamente instável, no qual a conversão em massa de pajens e conselheiros a qualquer uma dessas fés representava, aos olhos do rei, uma ameaça concreta ao controle que ele exercia sobre a própria corte e sobre o comércio da região, historicamente ligado ao tráfico de escravos.

Os Padres Brancos, fundados pelo Cardeal Lavigerie especificamente para a evangelização do interior africano, adotavam uma metodologia que priorizava aprender as línguas locais e viver como os próprios africanos, em vez de impor costumes europeus — uma abordagem que favoreceu a rápida adesão de jovens da corte, mas que também os tornava mais difíceis de identificar como “estrangeiros” perante os olhos do rei, complicando ainda mais o cálculo político de Mwanga sobre como lidar com a nova religião.

Vale destacar também que José Mukasa, o primeiro mártir dessa perseguição, exercia papel de conselheiro real de tanta confiança que sua execução chocou profundamente a corte inteira — não se tratava de um jovem qualquer, mas de uma figura de proximidade real com dois reis sucessivos. Sua morte, decapitado sem julgamento formal em novembro de 1885, sinalizou a todos os demais cristãos da corte que nenhuma posição de confiança os protegeria caso permanecessem fiéis à nova religião — e, ainda assim, a comunidade cristã do palácio, sob a nova liderança de Lwanga, optou por continuar.

A virada da perseguição

Essa tolerância inicial não duraria. Instigado por conselheiros tradicionalistas e feiticeiros da corte, que viam o crescimento cristão como ameaça à autoridade real, Mwanga II passou a enxergar os convertidos como uma ameaça direta ao seu poder. Havia também um fator mais pessoal e perturbador: o rei mantinha práticas de abuso contra os jovens pajens que serviam a corte, e muitos desses jovens, já convertidos ao cristianismo, passaram a resistir a essas investidas — o que aumentou ainda mais a fúria do monarca contra a comunidade cristã do palácio.

O primeiro grande mártir dessa perseguição foi José Mukasa Balikuddembe, conselheiro de confiança do rei e amigo pessoal tanto de Mtesa quanto de Mwanga, que havia levado a fé a muitos dos jovens pajens da corte através de sua influência e pregação. Mukasa foi decapitado em 15 de novembro de 1885, tornando-se o primeiro dos mártires ugandenses.

Carlos Lwanga: Liderança e Proteção dos Mais Jovens

Após a morte de José Mukasa, Carlos Lwanga — que pertencia ao clã Ngabi e havia sido tocado pela pregação dos Padres Brancos em 1885 — assumiu a liderança da comunidade cristã dentro do palácio real. Tornou-se chefe dos jovens pajens que serviam a corte, muitos dos quais recém-convertidos, e passou a formar catecúmenos secretamente, sabendo do risco crescente que essa atividade representava.

Carlos Lwanga não era apenas um organizador religioso discreto — era também um protetor ativo dos pajens mais jovens contra os abusos do próprio rei. Essa dupla função, de liderança espiritual e proteção física dos mais vulneráveis da corte, tornou-o alvo prioritário da fúria de Mwanga quando a perseguição se intensificou definitivamente em 1886.

Vale um esclarecimento importante sobre a natureza dos abusos que motivaram parte da fúria do rei: historiadores da Igreja e biógrafos dos mártires são diretos ao afirmar que Mwanga submetia os jovens pajens de sua corte a abusos sexuais, prática que a conversão ao cristianismo levou muitos desses jovens a resistir e recusar. Carlos Lwanga, como responsável pelo grupo de pajens, tornou-se o principal obstáculo a essas investidas — o que soma, à motivação puramente religiosa da perseguição, uma dimensão de proteção concreta à integridade física dos mais jovens da corte, muito antes de qualquer linguagem moderna sobre abuso infantil existir.

A prisão e a marcha até Namugongo

Ao descobrir a extensão da comunidade cristã dentro do palácio, Mwanga exigiu que todos os pajens convertidos renunciassem à fé. Diante da recusa unânime, mandou prender, torturar e condenar à morte um grupo de jovens católicos e anglicanos — a maioria com idades entre 14 e 30 anos. Compreendendo a gravidade da situação, Carlos Lwanga reuniu todos os companheiros, rezou com eles e batizou os que ainda não haviam recebido o sacramento, preparando o grupo para o que viria a seguir.

Os condenados foram forçados a caminhar por dias até Namugongo, local das execuções capitais, a cerca de sessenta a setenta quilômetros da capital do reino. Ao longo do trajeto — que muitos relatos da época descrevem como uma verdadeira via-sacra —, os prisioneiros foram submetidos a violência constante pelos soldados do rei, numa tentativa deliberada de fazê-los renunciar à fé antes mesmo de chegar ao local da execução. Nenhum deles cedeu.

Um detalhe que muitos relatos posteriores destacam é a serenidade incomum com que os condenados enfrentaram tanto a marcha quanto a própria execução. Testemunhas da época — inclusive não cristãs presentes no local — relataram surpresa diante do fato de que nenhum dos jovens gritou de pânico ou implorou clemência ao rei; muitos, ao contrário, seguiam rezando e cantando cânticos religiosos enquanto eram conduzidos à fogueira, uma cena que impressionou profundamente a população local e que, segundo relatos históricos, contribuiu diretamente para o crescimento das conversões nos anos seguintes ao martírio.

Essa pressão das autoridades da corte para renunciar à fé em troca da vida ecoa, ainda hoje, situações enfrentadas por cristãos em diversas regiões do mundo onde a fé permanece motivo de discriminação ou perseguição — tornando esta novena também uma forma de solidariedade concreta com cristãos perseguidos na atualidade, e não apenas uma lembrança devocional de um episódio histórico encerrado.

Vilarejo tradicional em Uganda, região onde ocorreu o martírio de 1886

O Martírio em Namugongo

Em 3 de junho de 1886, Carlos Lwanga foi separado do restante do grupo e executado primeiro — o rei esperava que, vendo o líder morrer, os demais recuassem e renunciassem à fé para salvar a própria vida. Lwanga foi queimado vivo, rezando e professando sua fé até o último instante, sem que a estratégia do rei surtisse o efeito desejado.

Entre os companheiros de Lwanga estava Kizito, o mais jovem do grupo, com apenas 14 anos. É desse momento final que vem uma das frases mais lembradas de toda a história dos mártires ugandenses: segurando a mão do menino, Carlos Lwanga lhe disse: “Pegarei na tua mão. Se tivermos que morrer por Jesus, morreremos juntos, de mãos dadas.” Kizito foi executado logo em seguida, junto aos demais.

Vale destacar que a decisão do rei de executar Carlos Lwanga primeiro, na expectativa de que os demais recuassem ao testemunhar sua morte, é um padrão histórico repetido em várias perseguições religiosas ao longo da história do cristianismo — e que, quase invariavelmente, produz o efeito contrário ao pretendido. A firmeza de Lwanga diante da fogueira, em vez de intimidar os demais, parece tê-los fortalecido, reforçando entre eles a certeza coletiva de que a fidelidade até o fim era possível e valia o preço.

Vale lembrar, por fim, que a devoção aos Mártires de Uganda cresceu de forma considerável fora da África nas últimas décadas, especialmente entre grupos de jovens católicos e movimentos de escotismo católico, que adotaram Carlos Lwanga como padroeiro informal de encontros e retiros voltados a adolescentes — uma extensão natural do título de Padroeiro da Juventude Africana concedido por Pio XI.

A execução em massa

Ao todo, doze dos condenados foram queimados vivos naquele mesmo dia, junto com outros vinte cristãos anglicanos que compartilhavam o mesmo destino por se recusarem, igualmente, a renunciar à fé cristã diante do rei. Os dez mártires restantes do grupo foram executados de forma ainda mais brutal, esquartejados pelos soldados reais. Ao todo, a perseguição de 1885 a 1887 vitimou cerca de vinte e dois católicos e vinte e três anglicanos, a maioria jovens entre catorze e trinta anos de idade — um dado que os historiadores da Igreja destacam como um raro exemplo do que se chamou de “ecumenismo do sangue”: católicos e anglicanos, apesar das diferenças doutrinárias entre suas tradições, unidos no mesmo testemunho de fidelidade até a morte.

Nenhum dos executados recuou diante da oferta de perdão em troca de apostasia. É esse detalhe — a unanimidade da recusa, em um grupo que incluía adolescentes de apenas catorze anos — que impressionou tanto os contemporâneos quanto os historiadores posteriores da Igreja, tornando o episódio um dos testemunhos de martírio coletivo mais marcantes da história do cristianismo africano.

O conceito de “ecumenismo do sangue” — termo que o Papa Francisco viria a popularizar décadas mais tarde para descrever situações em que cristãos de diferentes tradições são perseguidos e mortos juntos, sem distinção denominacional por parte de seus algozes — encontra em Uganda um dos seus exemplos históricos mais claros e documentados. Católicos e anglicanos, que à época mantinham relacionamento de certa rivalidade missíónária na região, foram executados lado a lado, pelo mesmo motivo e no mesmo dia — uma ironía histórica que uniu, na morte, o que a política eclesiástica ainda mantinha separado na vida.

Beatificação, Canonização e o Legado na África

O reconhecimento oficial dos Mártires de Uganda pela Igreja seguiu um caminho relativamente ágil, em comparação com muitos processos de canonização que se estendem por séculos. Já em 6 de junho de 1920, o Papa Bento XV beatificou o grupo de vinte e dois mártires católicos, incluindo Carlos Lwanga, José Mukasa e os demais companheiros.

Em 1934, o Papa Pio XI concedeu a Carlos Lwanga o título de “Padroeiro da Juventude Africana” — reconhecimento direto de seu papel como líder jovem que protegeu outros jovens da corrupção e do abuso, mesmo sob risco de morte. Trinta anos mais tarde, em 18 de outubro de 1964, durante o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI canonizou formalmente todo o grupo de vinte e dois mártires católicos, na presença dos padres conciliares reunidos em Roma.

É interessante notar que o próprio Papa Paulo VI, na homilia da canonização em 1964, fez questão de mencionar também os mártires anglicanos, elogiando sua fidelidade mesmo sem incluir formalmente seus nomes no processo de canonização católica — um gesto de reconhecimento ecumênico incomum para a época, quase uma década antes do Concílio Vaticano II consolidar de forma mais ampla o diálogo inter-religioso como prioridade da Igreja.

Vale notar que, ao contrário de outras perseguições religiosas do século XIX que foram largamente esquecidas fora dos círculos acadêmicos especializados, o martírio de Uganda permanece vivo na memória coletiva do país até hoje, celebrado nacionalmente e ensinado nas escolas ugandenses como parte fundamental da história do país — um caso raro em que um evento de perseguição religiosa se tornou, com o tempo, fonte de orgulho e identidade nacional compartilhada, independentemente da denominação cristã de cada cidadão.

O santuário de Namugongo

Em 1969, durante viagem à Uganda, o próprio Papa Paulo VI consagrou o altar-mor do Santuário de Namugongo, construído exatamente no local onde Carlos Lwanga e seus companheiros foram executados. O santuário se tornou, desde então, um dos principais destinos de peregrinação católica em toda a África Oriental, recebendo multidões todos os anos na data da festa dos mártires.

O impacto histórico do martírio na configuração religiosa do país é notável: hoje, cerca de 85% da população ugandense se identifica como cristã, sendo aproximadamente metade desse total católica — um dos maiores índices de cristianismo de toda a África subsaariana. Muitos historiadores da Igreja atribuem diretamente esse crescimento ao testemunho do martírio de 1886, que, ao contrário do que o rei Mwanga pretendia, impulsionou conversões em vez de sufocá-las.

A festa litúrgica de São Carlos Lwanga e Companheiros é celebrada em 3 de junho, data do martírio coletivo em Namugongo.

O santuário de Namugongo hoje reúne, todos os anos em 3 de junho, multidões estimadas em centenas de milhares de peregrinos vindos de todo o leste africano — incluindo Quênia, Tanzânia e Ruanda —, tornando a celebração um dos maiores eventos católicos anuais de toda a África subsaariana. Chefes de estado ugandenses costumam participar oficialmente das celebrações, reconhecendo o papel histórico e identitário que o martírio de 1886 ocupa na construção da própria nação moderna.

Altar de igreja católica, referência ao Santuário de Namugongo

Como Fazer a Novena dos Mártires de Uganda

A festa dos Mártires de Uganda é celebrada em 3 de junho, e é comum iniciar a novena nos nove dias que antecedem essa data. Mas, como em outras devoções a santos e mártires, a novena pode ser iniciada em qualquer época do ano — especialmente por quem enfrenta pressão para abandonar a própria fé, por jovens que precisam de coragem moral, ou por quem trabalha na proteção de crianças e adolescentes contra abuso e exploração.

Vale destacar que esta é uma das poucas devoções católicas centradas especificamente no testemunho de jovens — a maioria dos mártires tinha entre catorze e trinta anos. Isso torna esta novena particularmente adequada para grupos de jovens católicos, crismandos e catequistas que buscam um exemplo de fé concreto e próximo à própria faixa etária.

Um erro comum ao pensar nesta novena é assumi-la como relevante apenas para o contexto africano ou histórico distante. Na prática, o núcleo do testemunho — jovens que resistiram a abuso de poder e permaneceram fiéis à própria consciência sob pressão extrema — tem aplicação direta em ambientes de trabalho, instituições religiosas e até famílias onde hierarquias de poder são abusadas hoje. A atualidade do tema é, aliaás, um dos motivos pelos quais o Papa Francisco tem citado repetidamente os mártires de Uganda em discursos sobre proteção à infância dentro da própria Igreja.

Estrutura sugerida para cada um dos nove dias

  • Sinal da cruz e um momento de silêncio
  • Leitura da meditação do dia
  • Apresentação do pedido pessoal
  • Oração do dia
  • Um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai

Oração de Abertura da Novena

“São Carlos Lwanga e companheiros mártires de Uganda, que preferistes a morte a renunciar à fé em Cristo, intercedei por mim nestes nove dias. Dai-me a mesma coragem que vos sustentou diante da perseguição, e ensinai-me a proteger os mais jovens e vulneráveis como vós fizestes. Amém.”

Novena dos Mártires de Uganda: Orações dos Nove Dias

Cada dia desta novena traz uma reflexão ligada a um aspecto do testemunho dos Mártires de Uganda, seguida de oração específica.

1º Dia — Pela coragem de professar a fé publicamente

Diante do rei, os jovens responderam “até a morte” quando questionados se seguiriam cristãos. Pedimos, neste dia, coragem para professar nossa fé sem medo do julgamento alheio.

“São Carlos Lwanga e companheiros, que professastes a fé até a morte, dai-me coragem para viver e declarar minha fé sem medo, mesmo quando isso for impopular. Amém.”

2º Dia — Pela proteção das crianças e jovens

Carlos Lwanga protegeu os pajens mais jovens dos abusos do rei. Pedimos, neste dia, por todos que trabalham na proteção de crianças e adolescentes contra exploração e abuso.

“São Carlos Lwanga, que protegeste os mais jovens mesmo sob risco de morte, intercede por todos que hoje trabalham para proteger crianças e adolescentes de qualquer forma de abuso. Amém.”

3º Dia — Pela unidade entre cristãos

Católicos e anglicanos morreram juntos, unidos pelo mesmo testemunho de fé, apesar das diferenças doutrinárias. Pedimos, neste dia, por maior unidade entre os cristãos de diferentes tradições.

“Mártires de Uganda, católicos e anglicanos unidos no mesmo testemunho, intercedei por maior unidade entre os cristãos de todas as tradições hoje. Amém.”

4º Dia — Pela perseverança diante da pressão

Os soldados tentaram, ao longo de toda a marcha até Namugongo, fazer os prisioneiros desistirem da fé. Nenhum cedeu. Pedimos, neste dia, perseverança diante de pressões prolongadas.

“São Carlos Lwanga e companheiros, que resististes à pressão constante sem ceder, dai-me perseverança nas situações em que sou pressionado a abandonar o que acredito. Amém.”

5º Dia — Pela coragem dos jovens na fé

A maioria dos mártires tinha entre catorze e trinta anos. Pedimos, neste dia, especialmente pelos jovens católicos de hoje, que enfrentam pressões diferentes, mas igualmente reais, para abandonar a fé.

“Mártires de Uganda, jovens como Kizito, que morrestes fiéis com apenas catorze anos, intercedei pelos jovens católicos de hoje, para que tenham coragem de viver a fé em qualquer ambiente. Amém.”

6º Dia — Pela liderança espiritual corajosa

Carlos Lwanga assumiu a liderança da comunidade cristã mesmo sabendo do risco. Pedimos, neste dia, por líderes religiosos e catequistas que assumem responsabilidade espiritual mesmo diante de dificuldades.

“São Carlos Lwanga, que assumiste a liderança da comunidade cristã mesmo sob perseguição, intercede por catequistas e líderes religiosos que hoje formam outros na fé. Amém.”

7º Dia — Pela fidelidade em ambientes hostis

Os mártires viviam dentro do próprio palácio do rei que os perseguia. Pedimos, neste dia, fidelidade para quem vive ou trabalha em ambientes hostis à própria fé.

“Mártires de Uganda, que fostes fiéis mesmo dentro do palácio que vos perseguia, ajudai-me a viver minha fé com integridade, mesmo em ambientes que a hostilizam. Amém.”

8º Dia — Pela conversão dos que perseguem a Igreja

O próprio rei Mwanga, que ordenou o martírio, havia sido educado pelos mesmos missionários que perseguiu. Pedimos, neste dia, pela conversão dos que hoje perseguem cristãos ao redor do mundo.

“Mártires de Uganda, que perdoastes até quem vos condenou à morte, intercedei pela conversão de todos os que hoje perseguem a Igreja e os cristãos em qualquer parte do mundo. Amém.”

9º Dia — Por uma fé que gera frutos além da própria vida

O martírio de 1886 gerou, décadas depois, um dos países mais cristãos da África. Pedimos, neste último dia, que nossa própria fidelidade gere frutos que talvez não vejamos em vida.

“São Carlos Lwanga e companheiros, cujo sangue gerou a fé de milhões, alcançai para mim a graça de viver com tanta fidelidade que minha própria vida gere frutos duradouros, ainda que eu nunca os veja. Amém.”

Oração de Encerramento e Consagração

Ao concluir o nono dia, encerre com uma oração de consagração e agradecimento.

“São Carlos Lwanga e Companheiros, Mártires de Uganda, chego ao fim desta novena com o coração fortalecido pelo vosso exemplo. Obrigado por caminhardes comigo nestes nove dias. Continuai a interceder por mim, pelos jovens que hoje enfrentam pressão para abandonar a fé, e por todas as crianças e adolescentes que precisam de proteção contra o abuso. Mártires de Uganda, rogai por nós. Amém.”

Uma nota final: se você trabalha com crianças ou adolescentes, ou conhece alguém em situação de abuso, a devoção aos Mártires de Uganda pode e deve caminhar ao lado de ação concreta — denúncia às autoridades competentes e apoio a organizações sérias de proteção à infância.

Velas de oração acesas, símbolo da fé e do martírio dos jovens de Uganda

Perguntas Frequentes

Quem foram os Mártires de Uganda?

Foram um grupo de 22 jovens católicos (e 23 anglicanos) executados entre 1885 e 1887 no Reino de Buganda, hoje parte de Uganda, por ordem do rei Mwanga II, por se recusarem a renunciar à fé cristã. São liderados por São Carlos Lwanga.

Por que o rei Mwanga perseguiu os cristãos?

O rei Mwanga II temia perder autoridade sobre os jovens pajens da corte que haviam se convertido ao cristianismo, e ficou furioso porque muitos deles, já cristãos, passaram a resistir aos seus abusos contra os pajens mais jovens.

Quem foi São Carlos Lwanga?

Carlos Lwanga era chefe dos jovens pajens da corte real de Buganda. Após a morte do primeiro mártir, José Mukasa, assumiu a liderança da comunidade cristã do palácio e protegia os pajens mais jovens dos abusos do rei, tornando-se o principal alvo da perseguição.

Como os mártires foram executados?

Foram executados em 3 de junho de 1886, em Namugongo. Doze foram queimados vivos junto a vinte anglicanos; os outros dez foram esquartejados pelos soldados do rei. Carlos Lwanga foi separado do grupo e morto primeiro.

Quem foi Kizito?

Kizito era o mais jovem dos mártires católicos, com apenas 14 anos. Foi a ele que Carlos Lwanga disse, momentos antes da execução: “Pegarei na tua mão. Se tivermos que morrer por Jesus, morreremos juntos, de mãos dadas.”

Quando os mártires foram canonizados?

Foram beatificados em 6 de junho de 1920 pelo Papa Bento XV, e canonizados em 18 de outubro de 1964 pelo Papa Paulo VI, durante o Concílio Vaticano II.

Quando é a festa dos Mártires de Uganda?

A festa litúrgica de São Carlos Lwanga e Companheiros é celebrada em 3 de junho, data do martírio coletivo em Namugongo, em 1886.

Carlos Lwanga é padroeiro de quê?

Em 1934, o Papa Pio XI concedeu a Carlos Lwanga o título de Padroeiro da Juventude Africana, reconhecendo seu papel de liderança e proteção dos jovens da corte mesmo sob risco de morte.

Onde fica o Santuário de Namugongo?

Fica em Namugongo, Uganda, no local exato onde os mártires foram executados em 1886. O altar-mor foi consagrado pelo Papa Paulo VI em 1969, e o santuário é hoje um dos principais destinos de peregrinação católica da África Oriental.

Qual o impacto do martírio no cristianismo de Uganda hoje?

Hoje cerca de 85% da população ugandense é cristã, sendo aproximadamente metade católica — um dos maiores índices de cristianismo da África subsaariana, que muitos historiadores atribuem diretamente ao testemunho do martírio de 1886.

Conclusão

A história dos Mártires de Uganda desafia qualquer ideia de que a fé cristã seja um fenômeno “importado” ou estranho ao continente africano. Foram jovens africanos, formados por missionários, que escolheram morrer por uma fé que já haviam feito genuinamente sua — a ponto de preferirem a fogueira à renúncia.

Se você está rezando esta novena, que o exemplo desses jovens — muitos da sua própria idade, ou mais novos — sirva de lembrete de que a fidelidade cristã sempre teve um custo real, em qualquer época e lugar, e de que ela também sempre gerou frutos que ultrapassam a compreensão de quem a viveu. São Carlos Lwanga e Companheiros, Mártires de Uganda, rogai por nós.

Veja também

Novena de Santa Josefina Bakhita: 9 Dias de Oração (2026)

Novena de Nossa Senhora Desatadora dos Nós: 9 Dias (2026)

Novena de São Francisco Solano: O Frade do Violino (2026)

Você também poderá gostar: