Novena de São Leandro de Sevilha — 9 Dias de Oração ao Arcebispo que Converteu os Visigodos

Novena de São Leandro de Sevilha — 9 Dias de Oração ao Arcebispo que Converteu os Visigodos

 

 

 

 

Novena de São Leandro de Sevilha — 9 Dias de Oração ao Arcebispo que Converteu os Visigodos

Há um arcebispo do século VI que realizou uma das conversões mais estrategicamente importantes da história da Igreja ocidental: a conversão do povo visigodo do Arianismo ao Catolicismo Niceno. São Leandro de Sevilha foi o homem que, através de uma combinação de amizade pessoal com o príncipe Hermenegildo, de negociação diplomática com o Papa Gregório Magno e de organização do Terceiro Concílio de Toledo em 589 — conseguiu que toda a nação visigoda que governava a Península Ibérica abandonasse a heresia ariana e abraçasse o Credo Niceno que a Igreja universal professava.

Esta conversão — que aconteceu num momento em que o Arianismo era ainda uma força poderosa na Europa bárbara e em que a divisão entre católicos e arianos ameaçava fracturar permanentemente a herança cristã do Ocidente — foi talvez o acto político-religioso mais consequente da história ibérica medieval. Sem a conversão dos Visigodos em 589, a Península Ibérica poderia ter seguido um caminho diferente — e a cultura cristã que depois resistiria à conquista islâmica de 711 poderia não ter tido a coesão que a fé nicena proporcionou.

Leandro foi também o irmão mais velho de São Isidoro de Sevilha — o enciclopedista que sistematizou todo o conhecimento do mundo antigo para as gerações medievais — e o amigo íntimo de São Gregório Magno, que lhe dedicou os seus “Moralia in Job” numa das mais belas dedicatórias da literatura patrística latina. A sua festa é celebrada em 27 de fevereiro.

Quem Foi São Leandro de Sevilha

Novena de São Leandro de Sevilha — 9 Dias de Oração ao Arcebispo que Converteu os Visigodos - imagem 2

Leandro nasceu por volta de 534 em Cartagena (actual Espanha), filho de Severiano, governador da Cartaginense, e de Turtura. Era o mais velho de quatro filhos notáveis: depois de Leandro viriam Fulgêncio (que seria bispo de Ecija), Isidoro (que seria o grande doutor de Sevilha) e Florentina (que seria abadessa e a quem Leandro dirigiu o tratado “De institutione virginum”). A família foi obrigada a abandonar Cartagena quando a cidade foi conquistada pelos Romanos do Oriente (Bizâncio) e refugiou-se em Sevilha, onde Leandro entrou para o mosteiro beneditino e onde a família enraizaria a sua tradição eclesiástica por gerações.

Leandro foi eleito arcebispo de Sevilha por volta de 579 — num momento particularmente delicado da história visigoda: o rei Leovigildo era ariano convicto e perseguia activamente os católicos, mas o seu filho mais velho Hermenegildo havia casado com a princesa franca Ingunda — católica fervorosa que influenciou o marido a converter-se ao catolicismo. Leandro tornou-se o director espiritual e o conselheiro de Hermenegildo — e esta ligação ao príncipe católico dentro da corte ariana foi ao mesmo tempo uma oportunidade e um perigo: Hermenegildo acabaria por se rebelar contra o pai e seria capturado e morto como mártir em 585.

 

Terço São Bento Em Hematita Cruz Medalhas Prata Velha

 

 

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O envolvimento de Leandro na rebelião de Hermenegildo levou-o ao exílio em Constantinopla — onde passou vários anos como embaixador do reino visigodo junto ao imperador Tiberio II. Foi em Constantinopla que conheceu Gregório, o futuro Papa Gregório Magno, que era então o apocrisário (representante) do papa junto ao imperador. A amizade que nasceu entre os dois — dois grandes espíritos que descobriram uma afinidade intelectual e espiritual profunda num exílio estrangeiro — seria uma das mais fecundas da história da Igreja latina: Gregório enviaria a Leandro os “Moralia in Job” com uma dedicatória que é um dos documentos mais belos da amizade intelectual patrística.

De regresso a Sevilha após o exílio, Leandro retomou o projecto de conversão dos Visigodos — que a morte de Hermenegildo havia complicado mas não interrompido. Quando o rei Leovigildo morreu em 586, o filho Recaredo I — que havia assistido à morte heróica do irmão Hermenegildo e que Leandro havia trabalhado discretamente — converteu-se ao catolicismo. Em 589, Leandro presidiu ao Terceiro Concílio de Toledo — onde o rei Recaredo proclamou solenemente a adesão de toda a nação visigoda ao Credo Niceno. Foi o momento mais importante da vida de Leandro e um dos mais importantes da história da Igreja ibérica.

Morreu por volta de 600-601 em Sevilha, com cerca de sessenta e seis anos. A sua festa é celebrada em 27 de fevereiro.

Hermenegildo e Recaredo: Os Dois Príncipes de Uma Conversão

A conversão dos Visigodos envolveu dois príncipes — e a contribuição de Leandro foi decisiva em relação aos dois, de formas diferentes. Com Hermenegildo — o filho mais velho do rei Leovigildo — Leandro teve uma relação de director espiritual que culminou na conversão do príncipe e na sua morte como mártir. A morte de Hermenegildo não foi um fracasso da estratégia de Leandro: foi o martírio que plantou a semente que Recaredo depois colheu. O sangue de Hermenegildo foi o fundamento sobre o qual Leandro e Recaredo construíram a conversão da nação.

Com Recaredo — o segundo filho de Leovigildo, que sucedeu ao pai em 586 — Leandro teve um relacionamento diferente: mais discreto, mais paciente, mais diplomático. Recaredo havia visto o irmão morrer pela fé cristã, havia visto os bispos católicos como homens de integridade, havia tido contacto com Leandro durante os anos entre a morte de Hermenegildo e a morte do pai. Quando o momento chegou — quando Recaredo se converteu e convocou o Terceiro Concílio de Toledo — a conversão havia sido preparada durante anos de presença silenciosa e de amizade discreta.

A Amizade com Gregório Magno: Dois Exilados em Constantinopla

Novena de São Leandro de Sevilha — 9 Dias de Oração ao Arcebispo que Converteu os Visigodos - imagem 3

O encontro de Leandro com Gregório em Constantinopla — dois homens de grande inteligência e de grande espiritualidade, ambos em exílio numa cidade estrangeira, ambos servindo as suas respectivas Igrejas com uma dedicação que o exílio não diminuía — foi um dos encontros mais fecundos da história da Igreja latina. Gregório pediu a Leandro que o incentivasse a escrever os “Moralia in Job” — e Leandro deu o incentivo que Gregório precisava. A dedicatória dos “Moralia” a Leandro é um dos documentos mais belos da amizade intelectual cristã: Gregório reconhece que sem Leandro a obra não teria existido.

Esta amizade — que continuou por correspondência após o regresso de ambos aos seus respectivos países — foi também a ponte pela qual Leandro obteve o apoio de Roma para o projecto de conversão dos Visigodos. Quando Gregório se tornou papa em 590 — e Leandro presidiu ao Concílio de Toledo em 589 — os dois amigos de Constantinopla eram agora o papa e o arcebispo que juntos haviam transformado a história da Igreja ocidental.

O Terceiro Concílio de Toledo (589): O Momento Decisivo

O Terceiro Concílio de Toledo de 589 foi o evento mais importante do episcopado de Leandro e um dos mais importantes da história da Igreja ibérica. Presidido por Leandro como metropolita de Sevilha, com a presença do rei Recaredo que proclamou pessoalmente a sua conversão e a de toda a sua nação ao Credo Niceno, o Concílio produziu uma série de cânones disciplinares que organizaram a Igreja visigoda e uma declaração dogmática que colocou a Espanha visigoda definitivamente no campo da ortodoxia nicena.

Uma das inovações litúrgicas que Leandro introduziu neste contexto foi a prática de recitar o Credo Niceno na Missa — antes da consagração — como expressão da fé ortodoxa em cada celebração eucarística. Esta prática — que Leandro introduziu na liturgia hispânica e que depois se difundiu por toda a Igreja latina — é uma das contribuições litúrgicas mais duradouras do Concílio de Toledo presidido por Leandro.

Como Rezar Esta Novena

  • De 18 a 26 de fevereiro — nos nove dias antes da festa de 27 de fevereiro
  • Pela Espanha e os países hispânicos
  • Para os arcebispos e bispos que trabalham pela unidade da fé
  • Para pedir a graça da paciência apostólica que converte ao longo de anos
  • Pelas amizades que transformam a história da Igreja
  • Para os que trabalham pelo retorno dos hereges à plena comunhão

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Glorioso São Leandro de Sevilha, arcebispo que converteste a nação visigoda do Arianismo ao Catolicismo Niceno com décadas de paciência apostólica, de amizade com os príncipes e de organização conciliar, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que fostes exilado em Constantinopla onde fizestes a amizade com Gregório Magno que mudou a história da Igreja, intercedei para que eu aprenda que os exílios que a missão impõe são frequentemente os espaços onde as amizades mais fecundas se formam. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Primeiro Dia — A Família de Sevilha: O Berço dos Santos

Meditação: A família de Leandro — que produziu dois arcebispos (Leandro e Isidoro), um bispo (Fulgêncio) e uma abadessa (Florentina) — é um dos exemplos mais notáveis de santidade familiar da história da Igreja ibérica. Esta fecundidade espiritual de uma família inteira não foi acidente: foi o fruto de uma educação comum, de uma fé partilhada e de uma cultura de serviço à Igreja que os pais Severiano e Turtura transmitiram aos quatro filhos. A família que transmite a fé com coerência produz vocações que a Igreja não consegue fabricar por si mesma.

São Leandro de Sevilha, mais velho de uma família que produziu quatro santos, intercedei pelas famílias que transmitem a fé com coerência e que produzem vocações para a Igreja. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Segundo Dia — Hermenegildo: O Martírio que Prepara

Meditação: Hermenegildo — o príncipe visigodo que Leandro havia dirigido espiritualmente e que morreu como mártir em 585 — foi o sacrifício que preparou a conversão de Recaredo. Esta lógica — a morte que planta a semente que o vivo colhe — é o padrão que o Evangelho conhece desde o início: “Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica só” (Jo 12:24). Leandro viveu este padrão de forma concreta: viu o discípulo morrer e viu o irmão do discípulo converter-se poucos anos depois. A morte de Hermenegildo não foi o fim do projecto: foi a sua condição de possibilidade.

São Leandro de Sevilha, que viste o teu discípulo Hermenegildo morrer como mártir antes de veres a conversão dos Visigodos, intercedei para que eu confie que os “fracassos” apostólicos podem ser sementes que produzem frutos depois da minha morte. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Terceiro Dia — O Exílio em Constantinopla: A Amizade que Nasce do Desconforto

Meditação: O exílio de Leandro em Constantinopla — que parecia um contratempos na missão de converter os Visigodos — foi o espaço onde nasceu a amizade com Gregório que depois se tornaria o recurso mais valioso da sua vida episcopal. Este paradoxo — o exílio que produz o encontro que a missão precisava — é um dos mais frequentes na Providência: quando Deus fecha uma porta, abre uma janela que o olhar humano não havia visto. Leandro não escolheu o exílio; mas usou o exílio com uma inteligência providencial que só a fé torna possível.

São Leandro de Sevilha, cujo exílio em Constantinopla produziu a amizade com Gregório Magno que a missão precisava, intercedei para que eu aprenda a usar os contratempos como espaços providenciais em vez de os viver como obstáculos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia — A Amizade com Gregório: Os “Moralia in Job”

Meditação: A dedicatória dos “Moralia in Job” — os trinta e cinco volumes que Gregório Magno dedicou a Leandro com palavras de amizade e de gratidão que ainda hoje se lêem com comoção — é um dos documentos mais belos da amizade intelectual cristã. Gregório reconhece que sem o incentivo de Leandro a obra não teria existido: foi a amizade que criou as condições para a produção intelectual mais importante do pontificado de Gregório. As amizades que incentivam a criação intelectual ao serviço da Igreja são um dos dons mais preciosos que Deus dá às suas melhores mentes.

São Leandro de Sevilha, cuja amizade incentivou Gregório Magno a escrever os Moralia in Job, intercedei pelas amizades intelectuais cristãs que produzem obras ao serviço da Igreja. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quinto Dia — Recaredo: A Paciência que Vê o Fruto

Meditação: A conversão de Recaredo I em 587 — dois anos após a morte do irmão Hermenegildo e um ano após a morte do pai Leovigildo — foi o fruto de uma semente que Leandro havia plantado ao longo de décadas. A paciência apostólica que trabalha sem ver os frutos imediatos, que planta sem saber se colherá, que serve sem exigir resultados na sua geração — é a forma mais pura de missão que existe. Leandro havia começado a trabalhar pela conversão dos Visigodos quando ainda era jovem bispo; viu o fruto maduro quando já tinha mais de cinquenta anos. A missão tem o seu próprio tempo.

São Leandro de Sevilha, que trabalhastes décadas pela conversão dos Visigodos antes de veres o fruto no Concílio de Toledo de 589, intercedei para que eu aprenda a paciência apostólica que não exige frutos imediatos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia — O Terceiro Concílio de Toledo: A Organização que Consolida

Meditação: O Terceiro Concílio de Toledo de 589 não foi apenas a proclamação da conversão de Recaredo: foi a organização sistemática da Igreja visigoda que tornaria duradoura a conversão que a proclamação pública expressava. Os cânones disciplinares, as definições dogmáticas, as reformas litúrgicas — tudo isso foi o trabalho de Leandro como organizador conciliar, que sabia que uma conversão sem estrutura eclesial sólida não sobreviveria à morte do rei que a havia proclamado. A conversão que Leandro assegurou em Toledo foi a que perdurou.

São Leandro de Sevilha, que no Concílio de Toledo de 589 organizaste a Igreja visigoda para que a conversão fosse duradoura, intercedei para que eu aprenda que a evangelização sem organização eclesial não produz frutos permanentes. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sétimo Dia — O Credo na Missa: O Legado Litúrgico

Meditação: A introdução por Leandro da prática de recitar o Credo Niceno durante a Missa — antes da consagração — foi uma das decisões litúrgicas mais consequentes da história da liturgia latina. Esta prática, que expressava publicamente em cada Missa a fé nicena que o Concílio de Toledo havia proclamado, tornou-se tão central à liturgia hispânica que depois foi adoptada por toda a Igreja latina. Cada vez que a Igreja recita o Credo na Missa, está a fazer o que Leandro introduziu como afirmação antiariana em 589.

São Leandro de Sevilha, que introduziste a recitação do Credo na Missa como afirmação da fé nicena, intercedei para que eu recite o Credo durante a Missa com a consciência histórica e teológica que este gesto carrega. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oitavo Dia — O Irmão de Isidoro: A Grandeza que Prepara

Meditação: Leandro foi o irmão mais velho que educou Isidoro — o enciclopedista que sistematizaria todo o conhecimento do mundo antigo nas suas “Etymologiae”. A relação entre os dois — o irmão mais velho que formou o mais novo, que depois superou o formador em fama histórica — é o modelo da grandeza que prepara uma grandeza maior. Leandro não teve ciúme da fama crescente do irmão mais novo: criou as condições para ela e alegrou-se com ela. A grandeza que não tem ciúme da grandeza que ajudou a criar é a forma mais pura de fraternidade.

São Leandro de Sevilha, que formaste o teu irmão Isidoro sem ciúme da grandeza que depois ele atingiu, intercedei para que eu aprenda a alegrar-me com a grandeza dos que ajudei a crescer. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: São Leandro de Sevilha viveu cerca de sessenta e seis anos — dos quais mais de vinte foram de episcopado que transformou a história religiosa da Península Ibérica. A conversão dos Visigodos que Leandro assegurou em 589 foi o fundamento da identidade cristã hispânica que resistiria à conquista islâmica de 711 e que sustentaria a Reconquista durante sete séculos. Uma decisão episcopal do século VI moldou sete séculos de história ibérica. A magnitude dos frutos de uma acção apostólica genuína é sempre superior à previsão humana.

São Leandro de Sevilha, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a trabalhar pela unidade e pela ortodoxia da fé com a paciência apostólica que vós mostrastes — sabendo que os frutos de uma missão genuína superam sempre a previsão humana. Intercedei pelas intenções desta novena e pela Espanha. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso São Leandro de Sevilha, arcebispo que converteste a nação visigoda e que formaste o teu irmão Isidoro, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus. Obtende para mim a graça de uma paciência apostólica que trabalha sem exigir frutos imediatos, de uma amizade intelectual que produz obras ao serviço da Igreja, e de uma organização eclesial que torna duradoura a conversão que a pregação planta. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quando Rezar Esta Novena

  • De 18 a 26 de fevereiro — nos nove dias antes da festa de 27 de fevereiro
  • Pela Espanha e os países hispânicos
  • Para os bispos que trabalham pela unidade da fé
  • Para pedir paciência apostólica
  • Pelas amizades intelectuais cristãs
  • Para os que trabalham pelo retorno dos afastados à fé

As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre São Leandro de Sevilha e Esta Novena

1. Quem foi São Leandro de Sevilha?

São Leandro de Sevilha (c. 534-600/601) foi arcebispo de Sevilha e o principal articulador da conversão do povo visigodo do Arianismo ao Catolicismo Niceno. Presidiu ao Terceiro Concílio de Toledo (589) onde o rei Recaredo I proclamou a conversão de toda a nação. Foi irmão mais velho de São Isidoro de Sevilha e amigo íntimo de São Gregório Magno. Festa em 27 de fevereiro.

2. Quando é a festa de São Leandro de Sevilha?

A festa de São Leandro de Sevilha é celebrada em 27 de fevereiro. A novena começa em 18 de fevereiro.

3. O que foi a conversão dos Visigodos em 589?

Em 589, no Terceiro Concílio de Toledo presidido por Leandro, o rei visigodo Recaredo I proclamou a conversão de toda a nação visigoda do Arianismo ao Catolicismo Niceno. Esta conversão — preparada por Leandro ao longo de décadas — foi um dos eventos mais importantes da história religiosa da Península Ibérica, colocando a Espanha visigoda definitivamente na comunhão com Roma e a ortodoxia nicena.

4. O que foi o Arianismo que os Visigodos professavam?

O Arianismo foi a heresia cristológica do século IV que negava a plena divindade de Cristo — afirmando que o Filho era uma criatura criada pelo Pai, inferior a Ele. O Concílio de Niceia (325) condenou o Arianismo e definiu que o Filho é “da mesma substância” que o Pai (homoousios). Apesar da condenação, o Arianismo sobreviveu entre os povos germânicos (Godos, Visigodos, Ostrogodos, Vândalos) até à conversão dos Visigodos em 589.

Novena de São Leandro de Sevilha — 9 Dias de Oração ao Arcebispo que Converteu os Visigodos - imagem 4

5. Qual foi o papel de Hermenegildo na conversão dos Visigodos?

Hermenegildo foi o filho mais velho do rei ariano Leovigildo que se converteu ao catolicismo sob a influência da esposa franca Ingunda e da direcção espiritual de Leandro. A sua conversão levou-o a rebelar-se contra o pai. Capturado, recusou a comunhão ariana que o pai lhe oferecia como condição de libertação e foi executado em 585. João Paulo II canonizou-o em 1986. A sua morte como mártir preparou a conversão do irmão Recaredo.

6. Como nasceu a amizade de São Leandro com São Gregório Magno?

Leandro e Gregório encontraram-se em Constantinopla durante o exílio de Leandro (por volta de 580). Gregório era então apocrisário (representante) do papa junto ao imperador. Os dois formaram uma amizade profunda durante os anos de exílio partilhado. Gregório dedicou os seus “Moralia in Job” a Leandro — reconhecendo que foi o incentivo de Leandro que o levou a escrever a obra.

7. O que foram os “Moralia in Job” de Gregório Magno e qual foi o papel de Leandro?

Os “Moralia in Job” são os trinta e cinco volumes de comentário ao Livro de Job escritos por Gregório Magno — uma das obras mais importantes da patrística latina. Gregório dedicou a obra a Leandro com uma dedicatória que reconhece que sem o incentivo de Leandro a obra não teria existido. É um dos testemunhos mais belos da amizade intelectual cristã.

8. Por que Leandro introduziu a recitação do Credo durante a Missa?

Leandro introduziu a prática de recitar o Credo Niceno na Missa na liturgia hispânica após o Concílio de Toledo de 589 — como afirmação pública da fé nicena em cada celebração eucarística, em contraste com a fé ariana que os Visigodos haviam abandonado. Esta prática espalhou-se depois por toda a liturgia latina.

9. Quais foram os irmãos de São Leandro de Sevilha?

São Leandro era o mais velho de quatro irmãos notáveis: Fulgêncio (bispo de Ecija), Isidoro (arcebispo de Sevilha e Doutor da Igreja, famoso pelas “Etymologiae”) e Florentina (abadessa, a quem Leandro dedicou o tratado “De institutione virginum”). A família é uma das mais notáveis da história eclesiástica ibérica.

10. Como rezar a Novena de São Leandro de Sevilha para obter maiores frutos espirituais?

Para obter mais frutos: ler a dedicatória dos “Moralia in Job” de Gregório Magno a Leandro (disponível online) como meditação sobre a amizade que produz frutos intelectuais; rezar especificamente pela Espanha e pelos países hispânicos; identificar uma pessoa afastada da fé por quem oferecer esta novena com a paciência de Leandro; e terminar cada dia com a pergunta “que sementes estou a plantar hoje que os meus sucessores colherão?”

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a São Leandro de Sevilha aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de São Isidoro de Sevilha complementa — o irmão mais novo que Leandro formou e que depois se tornou o maior Doutor da Igreja ibérica. A Novena de São Gregório Magno aprofunda — o amigo de Constantinopla que dedicou a Leandro os Moralia in Job. O Salmo 133 — “como é bom e agradável os irmãos viverem juntos” — é o salmo de Leandro: o irmão mais velho de uma família que viveu a fraternidade como missão comum ao serviço da Igreja.

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