Na noite entre o Domingo de Ramos e a Segunda-feira Santa de 1211, uma jovem de dezoito anos fugiu de casa pela porta dos mortos — abertura usada apenas para retirar caixões — para não ser vista, e caminhou até uma pequena igreja onde São Francisco de Assis a esperava. Ali, diante do altar, cortou os próprios cabelos e trocou suas roupas ricas por um hábito simples de penitência.
Essa jovem era Clara Offreduccio, que se tornaria Santa Clara de Assis — fundadora da Ordem das Clarissas e uma das figuras femininas mais influentes de toda a espiritualidade franciscana. Séculos depois, ela receberia também um título curioso e inesperado: padroeira da televisão, concedido pelo Papa Pio XII em 1958, por um motivo específico ligado a um episódio extraordinário de sua própria vida.
Neste texto você vai encontrar o texto completo da oração a Santa Clara de Assis, sua biografia ao lado de São Francisco, a história por trás de seu patronato sobre a televisão, e como recorrer a essa devoção com fé.
Oração a Santa Clara de Assis — Texto Completo
Esta é uma das versões mais rezadas da oração a Santa Clara de Assis:
“Ó gloriosa Santa Clara, que abandonastes as riquezas e o conforto de vossa família para seguir o caminho radical de pobreza e humildade proposto por São Francisco de Assis, alcançai para mim a graça de desapegar-me daquilo que verdadeiramente não importa, e de buscar, acima de tudo, a proximidade com Cristo pobre e humilde que vós tanto amastes. Vós que fostes chamada ‘luz clara’ por vossa própria vida, intercedei por mim nesta necessidade específica: (mencione seu pedido). Alcançai-me também a graça da clareza para discernir o caminho de Deus em minha própria vida, com a mesma determinação e fidelidade que vos caracterizaram por toda a existência. Santa Clara de Assis, rogai por nós. Amém.”
Sua festa é celebrada em 11 de agosto, data de sua morte, chamada pela tradição franciscana de “trânsito de Santa Clara”.
A Biografia: A Fuga Noturna para Seguir Francisco

A oração a Santa Clara nasce de uma biografia real e bem documentada, marcada por uma decisão radical tomada ainda muito jovem.
Uma jovem nobre em Assis
Clara nasceu por volta de 1193 ou 1194, em Assis, na Itália, filha de Favarone Offreduccio, conde de família nobre e rica, e de Hortolana, mulher de profunda religiosidade. Desde jovem, Clara já demonstrava inclinação espiritual incomum, dedicando-se à oração e à prática de caridade discreta com os mais pobres da cidade.
O encontro com Francisco de Assis
Clara conheceu Francisco de Assis, que já pregava publicamente uma nova forma radical de vida evangélica baseada em pobreza total, provavelmente através de pregações que ele realizava na própria cidade. Impressionada com sua mensagem, buscou encontros pessoais com ele, buscando orientação espiritual mais direta.
A fuga noturna — 1211
Na noite entre o Domingo de Ramos e a Segunda-feira Santa de 1211 (alguns registros indicam 1212), Clara, então com dezoito anos, fugiu de casa através da “porta dos mortos” — abertura lateral usada apenas para retirar caixões, evitando ser vista por sua família — e caminhou até a pequena igreja da Porciúncula, onde Francisco e seus primeiros companheiros a aguardavam.
A escolha específica dessa data litúrgica particular — início da Semana Santa — não foi acidental, refletindo a compreensão de Clara de que sua própria decisão pessoal de abandonar a vida mundana e seguir radicalmente o caminho evangélico proposto por Francisco deveria coincidir simbolicamente com o início da própria Paixão de Cristo, período central de todo o calendário litúrgico cristão. A “porta dos mortos”, elemento arquitetônico específico presente em muitas residências nobres medievais daquele período histórico, era normalmente mantida fechada e usada apenas excepcionalmente para retirada de caixões funerários — Clara escolheu essa saída específica precisamente por ser a menos vigiada e a menos esperada, garantindo maior chance de sucesso para sua fuga planejada cuidadosamente com antecedência.
O corte de cabelo e o hábito de penitência
Diante do altar, Clara cortou os próprios cabelos — gesto simbólico de renúncia à vaidade e à vida mundana — e trocou suas vestes ricas por um hábito simples de penitência em forma de cruz, consagrando-se formalmente à vida religiosa naquele mesmo momento.
Esse gesto específico de cortar os cabelos diante do altar, realizado pelo próprio Francisco de Assis ou por um de seus companheiros mais próximos, seguia tradição já estabelecida dentro da vida religiosa medieval, simbolizando a renúncia definitiva às vaidades mundanas e a consagração completa daquela pessoa específica à vida dedicada exclusivamente a Deus. Para uma jovem de família nobre como Clara, cujos cabelos longos e bem cuidados representavam tradicionalmente símbolo de status social e beleza pessoal valorizado dentro daquela cultura específica, esse gesto carregava significado simbólico particularmente intenso — abandono público e irreversível de tudo aquilo que sua condição social original valorizava, em favor de uma vida completamente distinta e radicalmente mais simples que ela escolhia livremente abraçar naquele momento específico de sua juventude.
São Damião e a fundação das “Pobres Damas”
Pouco depois, Francisco estabeleceu Clara no pequeno mosteiro de São Damião, que ele mesmo havia restaurado anos antes. Ali, ela seria seguida por outras mulheres, incluindo sua própria mãe e suas irmãs Catarina e Beatriz, formando a comunidade que Francisco chamaria de “Pobres Damas” — origem da futura Ordem das Clarissas.
O ingresso de Catarina, irmã de Clara, na comunidade específica de São Damião não ocorreu sem resistência familiar considerável — relatos preservados descrevem episódio dramático em que parentes da família Offreduccio tentaram forçosamente arrastar Catarina de volta para casa, agarrando-a fisicamente e arrancando seus cabelos durante o confronto. Segundo a tradição, Clara teria orado intensamente naquele momento específico, pedindo intervenção divina, e os agressores teriam sido subitamente “confundidos” ou impedidos de completar seu intento, permitindo que Catarina permanecesse junto à irmã na vida religiosa que ambas haviam escolhido livremente seguir, apesar da forte oposição inicial de sua própria família nobre e tradicionalmente influente na região de Assis.
O Privilégio da Pobreza e a Padroeira da Televisão

Ao longo de sua vida religiosa, Clara enfrentaria desafios institucionais significativos para manter fiel o ideal de pobreza radical que a levara a deixar tudo, além de viver um episódio extraordinário que lhe renderia, séculos depois, título inesperado.
A luta pelo “Privilégio da Pobreza”
Diferente de outras ordens religiosas femininas da época, que geralmente possuíam propriedades e rendas para sustento, Clara insistiu obstinadamente que sua comunidade vivesse sem posse alguma, mesmo coletiva — buscando durante décadas obter aprovação papal formal para esse modo radical de vida. Obteve o chamado “Privilégio da Pobreza” do Papa Inocêncio III ainda em vida de Francisco, e passaria o restante de sua existência defendendo essa mesma radicalidade contra pressões de diferentes autoridades eclesiásticas que consideravam a proposta excessivamente severa.
Diferentes papas e autoridades eclesiásticas ao longo da vida de Clara tentaram, em diversas ocasiões, convencê-la a aceitar algum tipo de propriedade ou renda fixa para sua comunidade, argumentando que isso garantiria maior segurança e estabilidade material para as próprias religiosas ao longo do tempo. Clara resistiu firmemente a essas pressões repetidas, mantendo sua convicção pessoal de que a pobreza absoluta e completa dependência da providência divina era elemento essencial e não-negociável da própria vocação específica que ela havia recebido, seguindo diretamente o exemplo e o ensinamento de São Francisco de Assis sobre esse mesmo tema central da pobreza evangélica radical.
Décadas de doença, sem abandonar a oração
Os últimos trinta anos de vida de Clara foram marcados por doença física considerável, que a mantinha frequentemente acamada — mas, segundo relatos preservados, isso nunca comprometeu sua vida de oração constante e sua alegria espiritual, que ela descreveria numa de suas cartas: “Nada é tão grande quanto o coração do homem, no íntimo do qual Deus reside.”
A natureza exata da doença crônica que afetou Clara ao longo de tantos anos não é totalmente conhecida pelos historiadores modernos, mas os relatos preservados descrevem sintomas persistentes que a mantinham fisicamente fragilizada e frequentemente incapaz de participar plenamente das atividades comunitárias regulares de sua própria comunidade religiosa. Apesar dessa limitação física prolongada e severa, Clara continuou exercendo liderança espiritual ativa sobre sua comunidade, recebendo visitantes, orientando espiritualmente suas irmãs, e mantendo correspondência regular com outras comunidades religiosas femininas que buscavam seguir seu mesmo exemplo de vida, demonstrando como a limitação física, por mais severa e prolongada que fosse, não impediu de forma alguma sua capacidade de continuar exercendo influência espiritual significativa sobre quem a rodeava ao longo de décadas inteiras de sua própria vida religiosa.
O episódio da visão na Noite de Natal
Numa Noite de Natal específica, já gravemente doente e impossibilitada de participar da celebração na igreja, Clara relatou ter visto e ouvido, de sua própria cela no mosteiro, toda a Missa que estava sendo celebrada simultaneamente na igreja de São Francisco, incluindo cânticos e sons de instrumentos musicais — mesmo estando fisicamente distante e sem qualquer possibilidade natural de acompanhar aquela celebração à distância.
Segundo o relato tradicional preservado sobre esse episódio, Clara teria expressado inicialmente sua tristeza por não poder participar fisicamente da celebração daquela noite específica, dizendo: “Senhor meu Deus, deixaram-me aqui sozinha” — momento em que, segundo o relato, começou a ouvir milagrosamente todo o ofício divino sendo celebrado na igreja de São Francisco, apesar da distância física real entre os dois locais tornar naturalmente impossível qualquer percepção auditiva direta daquela celebração específica. Na manhã seguinte, ao serem questionadas sobre como havia passado a noite sozinha, Clara relatou às irmãs preocupadas: “Bendito seja o Senhor Jesus Cristo, que não me deixou aqui abandonada… escutei, por graça do Senhor, toda a solenidade celebrada esta noite.”
Padroeira da televisão — 1958
Foi precisamente por causa desse episódio específico, interpretado como uma forma milagrosa de “transmissão à distância” de imagens e sons, que o Papa Pio XII proclamou oficialmente Santa Clara de Assis como padroeira da televisão, em 14 de fevereiro de 1958 — reconhecimento inesperado que uniu um episódio medieval específico a uma tecnologia moderna surgida sete séculos depois de sua morte.
A televisão, tecnologia relativamente nova naquele período histórico específico do final da década de 1950, ainda buscava consolidação institucional e cultural mais ampla, e o reconhecimento formal de uma padroeira católica específica para essa nova mídia refletia também o interesse mais amplo da Igreja em acompanhar e orientar espiritualmente o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação de massa que emergiam naquele período histórico particular. Pio XII, papa reconhecido por sua atenção específica às novas mídias e tecnologias de comunicação de sua época, viu na história de Clara conexão simbólica apropriada e significativa para oferecer aos fiéis católicos um patronato espiritual específico dentro dessa nova área tecnológica em rápida expansão e crescente influência cultural naquele momento histórico.
A morte em 1253
Clara morreu em 11 de agosto de 1253, no chão nu do Mosteiro de São Damião, tendo recebido, um dia antes, a visita do próprio Papa Inocêncio IV, que lhe entregou pessoalmente a Regra que ela mesma havia escrito, finalmente aprovada formalmente. Suas últimas palavras registradas foram: “Bendito sejais Vós, Senhor, que me criastes.”
Essa aprovação papal formal da Regra escrita por Clara representava, para ela, a conclusão de uma luta que durara praticamente toda sua vida religiosa adulta — décadas de insistência junto a diferentes autoridades eclesiásticas para obter reconhecimento oficial daquele modo específico e radical de vida que ela havia proposto e defendido desde sua juventude. Segundo relatos preservados sobre seu funeral, uma multidão extraordinariamente numerosa participou das celebrações fúnebres, incluindo o próprio papa e diversos cardeais, refletindo o reconhecimento já amplo que sua santidade e sua obra específica haviam alcançado ainda em vida, mesmo antes de sua canonização formal, que ocorreria apenas dois anos depois, em 1255, pelo Papa Alexandre IV — processo notavelmente rápido para os padrões históricos de canonização daquele período medieval específico.
Como Rezar a Santa Clara de Assis

A devoção a Santa Clara se aplica a diversos momentos e necessidades específicas, refletindo tanto sua história pessoal quanto seu patronato formal reconhecido pela Igreja.
Diante de trabalhos com comunicação e mídia
Como padroeira da televisão, muitos profissionais que trabalham com comunicação, mídia e tecnologias de transmissão recorrem à intercessão de Santa Clara, unindo essa dimensão mais moderna de seu patronato à contemplação de sua própria vida de séculos atrás.
Jornalistas, produtores de televisão, técnicos de transmissão e profissionais de radiodifusão frequentemente incluem Santa Clara entre os santos padroeiros específicos de sua profissão, muitas vezes desconhecendo a história completa por trás desse reconhecimento específico — a conexão entre uma santa medieval italiana e uma tecnologia moderna surgida sete séculos após sua morte costuma surpreender quem conhece essa devoção pela primeira vez. Diversas emissoras de televisão vinculadas a instituições católicas ao redor do mundo mantêm capelas ou espaços de oração dedicados especificamente a Santa Clara dentro de suas próprias instalações, reconhecendo formalmente esse patronato específico como parte da identidade espiritual dessas organizações de comunicação vinculadas à tradição católica.
Por clareza e discernimento
O próprio nome “Clara” — que significa luz, clareza — inspira muitos devotos a recorrer a ela em momentos de indecisão ou confusão pessoal, pedindo clareza espiritual para discernir o caminho certo diante de decisões importantes da própria vida.
Essa associação simbólica entre o nome e a devoção específica é reforçada por textos antigos sobre a própria Clara, que a descrevem através de metáforas luminosas — um texto medieval preservado sobre sua vida afirma: “Como é grande a veemência de sua luz e como é veemente a iluminação de sua claridade! Ficava essa luz fechada no segredo do claustro, mas emitia raios brilhantes para fora.” Essa imagem específica de luz irradiando mesmo de dentro de um espaço de clausura contemplativa tornou-se símbolo espiritual duradouro, usado até hoje por devotos que buscam clareza interior mesmo em momentos de confinamento ou limitação prática de sua própria vida cotidiana, seja por doença, dificuldades financeiras ou qualquer outra circunstância que limite temporariamente sua liberdade de ação externa.
Por desapego material
Dada sua história pessoal de renúncia radical às riquezas familiares, Santa Clara é frequentemente invocada por quem busca viver com mais simplicidade e desapego em relação a bens materiais, especialmente diante de contextos de consumismo excessivo ou apego desproporcional a posses.
Muitos fiéis contemporâneos, vivendo em sociedades marcadas por forte pressão consumista e acúmulo material constante, encontram na radicalidade de Clara convite espiritual valioso para reavaliar periodicamente a própria relação com bens e posses, mesmo sem qualquer intenção de replicar literalmente sua pobreza absoluta. Práticas espirituais inspiradas nessa reflexão específica incluem exercícios periódicos de doação consciente de bens não essenciais, reflexão regular sobre o que realmente é necessário versus o que é simplesmente desejado, e momentos de oração especificamente dedicados a pedir a graça do desapego interior, mesmo quando a vida concreta de cada fiel específico continua exigindo posse responsável de bens materiais necessários para o sustento próprio e da própria família dentro de sua vocação particular de vida.
Fé que inspira, não exige radicalidade idêntica
Vale um ponto de equilíbrio espiritual importante: a vida extremamente radical de Clara — pobreza absoluta, clausura total — foi vocação específica sua, não modelo que todo fiel católico deve replicar literalmente. Rezar a Santa Clara pode inspirar desapego saudável e reflexão sobre o próprio consumo e apego material, sem que isso signifique necessariamente abandonar todas as posses ou adotar vida monástica — cada pessoa vive sua própria vocação específica dentro da Igreja, seguindo o exemplo de santos como inspiração espiritual, não como roteiro obrigatório e idêntico a ser seguido à risca por qualquer fiel.
Muitos devotos unem essa reflexão sobre desapego material à própria devoção a São Domingos Sávio, outro santo cuja vida, embora vivida em contexto e vocação completamente distintos, também ensina sobre viver a fé com simplicidade e coerência dentro da própria realidade cotidiana. Essa combinação reforça que a santidade católica se manifesta de formas diversas e adaptadas a cada vocação específica — a radicalidade contemplativa de Clara e a santidade juvenil e escolar de Domingos Sávio são igualmente válidas e igualmente inspiradoras, cada uma dentro de seu próprio contexto de vida particular.
Perguntas Frequentes
O que é a oração a Santa Clara de Assis?
É uma oração de intercessão dirigida à fundadora da Ordem das Clarissas, discípula de São Francisco de Assis, reconhecida também como padroeira da televisão desde 1958. É invocada por clareza espiritual, desapego material e trabalhos com comunicação, refletindo diferentes dimensões de sua rica biografia.
Quem foi Santa Clara de Assis?
Nasceu por volta de 1193, em Assis, Itália, filha de família nobre e rica. Aos dezoito anos, fugiu de casa para seguir São Francisco de Assis, tornando-se fundadora das Clarissas e vivendo pobreza radical pelo resto da vida.
Como foi a fuga de Santa Clara para seguir São Francisco?
Na noite entre o Domingo de Ramos e a Segunda-feira Santa de 1211, Clara fugiu de casa pela ‘porta dos mortos’ para não ser vista, e foi ao encontro de São Francisco na igreja da Porciuncula, onde cortou os cabelos e vestiu um habito de penitencia.
O que foi o Privilegio da Pobreza?
É a autorização papal formal, obtida junto ao Papa Inocêncio III, para que a comunidade de Clara vivesse sem posse alguma, nem mesmo coletiva — modo radical de pobreza que ela defendeu durante décadas contra pressões eclesiásticas.
Qual foi o episodio que a tornou padroeira da televisao?
Numa Noite de Natal, gravemente doente e impossibilitada de participar da Missa, Clara relatou ter visto e ouvido, de sua propria cela, toda a celebração que ocorria simultaneamente na igreja de São Francisco, distante do mosteiro.
Quando Santa Clara foi proclamada padroeira da televisao?
O Papa Pio XII a proclamou padroeira da televisão em 14 de fevereiro de 1958, interpretando o episodio da visão na Noite de Natal como uma forma milagrosa de ‘transmissão à distância’ de imagens e sons.
Quando é a festa de Santa Clara de Assis?
É celebrada em 11 de agosto, data de sua morte em 1253, chamada pela tradição franciscana de ‘transito de Santa Clara’.
O que sao as Clarissas?
É a ordem religiosa feminina fundada por Clara, originalmente chamada ‘Pobres Damas’, que segue a mesma espiritualidade franciscana de pobreza radical e vida contemplativa, com mosteiros ativos ate hoje ao redor do mundo.
O que aconteceu um dia antes da morte de Santa Clara?
Um dia antes de sua morte, recebeu a visita do Papa Inocencio IV, que lhe entregou pessoalmente a Regra que ela mesma havia escrito, finalmente aprovada formalmente pela Igreja apos decadas de luta pelo reconhecimento.
Preciso viver como Santa Clara para segui-la como exemplo?
Não necessariamente. Sua vida radical foi vocacao especifica dela, não modelo que todo fiel deve replicar literalmente — pode inspirar desapego saudável sem exigir abandono de todas as posses ou vida monastica.
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A Devoção a Santa Clara no Brasil
A devoção a Santa Clara também tem presença consolidada no Brasil, tanto através de comunidades religiosas quanto de paróquias dedicadas especificamente à sua memória.
As Clarissas no Brasil
A Ordem das Clarissas mantém diversos mosteiros de vida contemplativa espalhados por diferentes estados brasileiros, seguindo até hoje o mesmo carisma original de pobreza radical e vida de oração estabelecido por Clara há mais de oito séculos, com religiosas dedicadas exclusivamente à vida de clausura e intercessão espiritual pela Igreja e pelo mundo.
Paróquias e comunidades dedicadas à santa
Diversas paróquias brasileiras carregam o nome de Santa Clara, muitas delas unidas à devoção a São Francisco de Assis numa mesma comunidade paroquial, refletindo a ligação espiritual profunda e histórica entre os dois santos fundadores do movimento franciscano que continua viva também na organização eclesiástica brasileira contemporânea.
Uma devoção que une contemplação e vida ativa
Embora a própria Clara tenha vivido vida estritamente contemplativa e de clausura, sua devoção hoje alcança tanto religiosas dedicadas à mesma vida contemplativa quanto leigos que vivem ativamente no mundo, buscando nela inspiração espiritual sobre desapego, clareza interior e fidelidade radical ao próprio chamado espiritual, independentemente da forma específica — contemplativa ou ativa — que esse chamado assume na vida concreta de cada fiel católico brasileiro contemporâneo que a invoca em oração.


