Se você já viu um cordão de lã com nós complexos, sem contas de plástico ou madeira lapidada, sendo usado por monges ortodoxos ou em fotos de peregrinações ao Monte Athos, provavelmente estava olhando para o que ficou popularmente conhecido no Ocidente como “Terço Bizantino”. O nome, porém, já carrega um pequeno equívoco que vale esclarecer logo de início.
Na própria tradição cristã oriental — ortodoxa e também católica de rito bizantino —, esse cordão nunca foi chamado de “terço” ou “rosário”: esses são termos da devoção mariana ocidental, ligados a uma prática de meditação bem diferente. O nome correto é Chotki (nas tradições eslavas) ou Komboskini (em grego), e a oração que ele acompanha não medita mistérios em dezenas, mas repete, continuamente, uma única súplica curtíssima: a Oração de Jesus.
Neste texto você vai encontrar a origem monástica dessa devoção, a Oração de Jesus que ela acompanha, como o cordão é tradicionalmente feito, o passo a passo para rezá-lo, e uma nota honesta sobre em que medida essa prática pode ou não fazer sentido para um católico de rito latino interessado em conhecê-la.
O Que é o Chotki (o “Terço Bizantino”)
O chamado “Terço Bizantino” é, mais precisamente, um cordão de oração — chamado Chotki nas tradições eslavas (russa, sérvia, ucraniana) e Komboskini em grego —, usado principalmente por monges e fiéis da Igreja Ortodoxa Oriental e das Igrejas Católicas de rito bizantino (que estão em plena comunhão com Roma, apesar de seguirem a liturgia oriental).
Diferente do terço mariano ocidental, que estrutura a oração em torno de mistérios da vida de Jesus e Maria meditados em grupos de dez Ave-Marias, o Chotki tem uma lógica completamente diferente: serve para contar repetições de uma única oração curta e constante, chamada Oração de Jesus. Não há mistérios, não há Ave-Marias, e tradicionalmente nem mesmo contas — os cordões originais eram feitos de nós complexos amarrados em lã, não de esferas separadas.
Vale destacar que essa mesma lógica de “oração de uma única frase repetida” — conhecida na literatura espiritual como oração jaculatória — também existe na tradição ocidental católica, embora sem a mesma centralidade estrutural que tem no Oriente. Jaculatórias como “Jesus, eu confio em Vós” ou “Meu Deus e meu tudo” cumprem função semelhante à Oração de Jesus — breves, repetíveis, fáceis de levar consigo ao longo do dia —, mas raramente organizadas em torno de um cordão específico de contagem como acontece na tradição oriental.
Uma diferença de nomenclatura que vale respeitar
É importante ser honesto sobre essa questão: a própria Igreja Ortodoxa não reconhece os termos “terço bizantino” ou “rosário bizantino” para se referir ao Chotki — nomes que surgiram no Ocidente, por comparação superficial com o terço católico, mas que não refletem a terminologia nem a lógica devocional real da tradição oriental. Vale a pena, ao pesquisar ou se referir a essa prática, preferir os nomes originais — Chotki ou Komboskini — sempre que possível.
Isso não significa que usar o termo popular esteja “errado” a ponto de ofender — apenas que, num espírito de respeito ecumênico genuíno, vale a pena conhecer e usar, quando possível, a terminologia que a própria tradição de origem emprega para descrever suas devoções, em vez de importar categorias familiares do próprio contexto religioso para descrever algo que nasceu em lógica diferente.
A Origem Monástica: São Pacômio e Santo Antônio
Existem duas tradições distintas sobre a origem desse cordão de oração, e vale apresentar ambas com honestidade, já que as fontes variam.
A tradição de São Pacômio
São Pacômio, considerado o fundador da vida monástica cenobítica (em comunidade) no século IV, é apontado por uma tradição como o organizador que estabeleceu que os monges rezassem a Oração de Jesus um número específico de vezes ao longo do dia, usando cordas com nós simples — feitas de cânhamo ou lã — para contar essas repetições sem perder a conta.
Vale explicar rapidamente o que significa “cenobítico”: trata-se da vida monacal vivida em comunidade estruturada, com regras compartilhadas e rotina comum de oração e trabalho — em contraste com a vida eremita solitária praticada por monges como Santo Antônio antes dele. Pacômio é justamente lembrado por ter organizado essa transição histórica do monaquismo solitário do deserto para comunidades monacais estruturadas, um passo fundamental para o desenvolvimento posterior de todas as ordens religiosas ocidentais também.
A tradição de Santo Antônio do Deserto
Outra tradição, talvez ainda mais popular, atribui a origem do cordão a Santo Antônio do Deserto, considerado o pai do monaquismo eremítico. Conta a tradição que Antônio fazia um nó na corda a cada oração repetida, mas o demônio desfazia os nós, impedindo-o de completar sua meta diária de orações. A solução, segundo a lenda, veio por meio do Anjo Gabriel, que ensinou Antônio a fazer um nó especial, entrelaçado com sete pequenas cruzes, que o demônio não conseguia mais desatar. Esse nó de sete cruzes, tecnicamente complexo, permanece até hoje o padrão tradicional usado na fabricação artesanal do Chotki.
Seja qual for a origem histórica exata, ambas as tradições situam o surgimento do cordão de oração no contexto do monaquismo do deserto egípcio dos primeiros séculos do cristianismo — o mesmo ambiente espiritual que produziu, de forma geral, boa parte da tradição contemplativa cristã oriental que conhecemos hoje.
Santo Antônio do Deserto, que viveu entre os séculos III e IV no Egito, é uma figura tão influente na história do cristianismo que é lembrado tanto na tradição oriental quanto na ocidental — sua biografia, escrita por Santo Atánásio de Alexandria, tornou-se um dos textos mais influentes de toda a literatura monacal cristã, inspirando gerações posteriores de eremitas e monges em ambas as tradições, incluindo outros eremitas do deserto egipício como Santo Onofre, cuja história compartilha o mesmo cenário geográfico e espiritual.

A Oração de Jesus
A oração central que se repete em cada nó ou conta do Chotki é conhecida como Oração de Jesus, e existe em algumas variações de comprimento. A forma mais tradicional e completa é: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador.”
Sua base bíblica combina dois episódios distintos dos evangelhos: o clamor do cego de Jericó, que gritava “Filho de Davi, tem piedade de mim!” (Lucas 18,38-39), e a oração humilde do publicano no Templo, que batia no peito dizendo “Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador” (Lucas 18,13) — parábola que o próprio Jesus contou como exemplo de oração verdadeiramente humilde, em contraste com a soberba do fariseu ao lado.
Existem também versões abreviadas da Oração de Jesus, usadas conforme a disposição e o contexto do momento: algumas pessoas rezam apenas “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”, ou ainda mais brevemente “Senhor, tem piedade” (o “Kyrie eleison” grego, presente também na liturgia ocidental). A versão mais longa e completa, no entanto, permanece a forma preferida para a prática formal com o cordão de oração.
Orar sem cessar
A repetição incessante dessa oração busca cumprir literalmente a exortação de São Paulo na Primeira Carta aos Tessalonicenses: “orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5,17). A tradição oriental compreende essa oração breve como um meio de manter o coração voltado para Deus continuamente, mesmo durante tarefas manuais ou atividades do dia a dia — diferente de reservar apenas blocos específicos de tempo exclusivamente para “rezar”.
Muitos praticantes acompanham a oração com uma técnica respiratória: inspirando enquanto pronunciam mentalmente “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus”, e expirando ao completar “tem piedade de mim, pecador” — prática que ajuda a integrar a oração ao próprio ritmo corporal, aprofundando a concentração.
A tradição espiritual oriental descreve três estágios progressivos nessa prática: primeiro, a oração vocal, pronunciada em voz alta ou sussurrada; depois, a oração mental, repetida apenas no pensamento; e, finalmente — segundo relatos de monges mais experientes —, a chamada “oração do coração”, na qual a súplica se torna tão interiorizada que continuaria, segundo essa tradição mística, mesmo durante o sono, como um batimento cardíaco espiritual constante. Nem todo praticante alcança ou busca esse estágio mais avançado — a prática é válida e valiosa em qualquer um dos três níveis.
Como é Feito o Cordão: Material, Nós e Quantidades
Tradicionalmente, o Chotki é feito de lã preta — cor que simboliza tanto o luto pelo próprio pecado quanto a identificação do fiel como ovelha do rebanho de Cristo —, tecida em nós complexos de sete pequenas cruzes entrelaçadas, e não em contas separadas como no terço ocidental. Versões mais modernas e comerciais também existem em madeira ou outros materiais, com contas no lugar dos nós tradicionais, embora a versão de lã com nós permaneça a mais fiel à origem monástica da prática.
Vale notar que a escolha da lã preta, ao invés de materiais mais nobres como ouro ou prata comuns em outras devoções cristãs, reflete diretamente o espírito de pobreza e simplicidade que caracterizava o monaquismo do deserto egipício desde suas origens — os primeiros monges rejeitavam deliberadamente qualquer ostentação material, e o cordão de oração, como ferramenta puramente funcional, seguiu essa mesma lógica de humildade material ao longo dos séculos seguintes.
Quantidades tradicionais
O número de nós ou contas varia conforme a tradição e o propósito: cordões de cem ou cento e cinquenta nós são comuns para uso monástico intensivo; versões de trinta e três nós simbolizam os trinta e três anos da vida terrena de Cristo; versões de quarenta e um nós recordam o número de açoites recebidos por Cristo na Paixão; e versões de sessenta e quatro nós fazem referência à idade atribuída a Maria no momento de sua Assunção, segundo essa tradição específica.
Muitos cordões também têm contas divisórias em pontos específicos, marcando pausas para o Sinal da Cruz ou uma breve doxologia (“Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”), e terminam numa borla ou pompom — tradicionalmente usado, segundo alguns praticantes, para simbolicamente enxugar as lágrimas de arrependimento durante a oração.
Vale, ainda, mencionar que a fabricação artesanal tradicional do nó de sete cruzes é considerada, por muitas comunidades monacais ortodoxas, uma prática devocional em si mesma — mosteiros de monjas e monges dedicam horas à confecção manual desses cordões, rezando enquanto tecem cada nó, de modo que o próprio processo de fabricação já incorpora oração antes mesmo de o cordão chegar às mãos de quem vai usá-lo.
Como Rezar o Chotki Passo a Passo
Rezar o Chotki é, mecanicamente, mais simples do que o terço ocidental — o desafio está na repetição sustentada, não na variedade de orações.
- Escolha uma postura tranquila: muitas tradições orientais recomendam inclinar levemente a cabeça, ou até fazer pequenas prostrações, para reforçar o senso de humildade diante de Deus
- Comece com o Sinal da Cruz
- A cada nó ou conta, repita mentalmente ou em voz baixa: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador”, passando ao próximo nó a cada repetição completa
- Use a respiração como apoio: inspire na primeira metade da oração, expire na segunda
- Nas contas divisórias: faça uma breve pausa, o Sinal da Cruz, ou reze o Glória ao Pai
- Encerre quando completar o cordão inteiro, ou quando sentir que a oração daquele momento específico chegou a um fechamento natural
Um erro comum de quem experimenta essa prática pela primeira vez é tentar completar cem ou cento e cinquenta repetições já no primeiro dia, sentindo-se desanimado com a dificuldade de manter atenção real por tanto tempo. É perfeitamente válido — e recomendado por diretores espirituais experientes na tradição — começar com quantidades bem menores, como vinte ou trinta repetições, aumentando gradualmente conforme a capacidade de concentração se desenvolve naturalmente ao longo de semanas ou meses de prática constante.
Não é preciso pressa nem perfeição
Diferente de uma meta numérica rígida, a tradição espiritual por trás dessa prática valoriza mais a qualidade da atenção do que a velocidade ou quantidade de repetições completadas. Praticantes experientes descrevem que, com o tempo, a oração passa a “descer do lábio para o coração” — deixando de ser um esforço mental consciente para se tornar quase automática, sustentando uma disposição orante contínua ao longo do dia.
Essa expressão — a oração “descendo do lábio para o coração” — vem diretamente da literatura espiritual clássica ortodoxa, especialmente da coleção de textos conhecida como Filocalia, compilada ao longo de séculos por diversos padres espirituais orientais. Essa obra permanece, até hoje, a referência mais completa sobre a teoria e a prática da Oração de Jesus, embora seja um texto bastante técnico e voltado principalmente a praticantes já avançados na vida contemplativa.
Um Católico de Rito Latino Pode Usar o Chotki?
Essa é uma dúvida honesta e frequente entre católicos de rito latino curiosos sobre a espiritualidade oriental. A resposta é: sim, com algumas ressalvas importantes.
Católicos de rito bizantino — como fiéis ucranianos, melquitas ou outras Igrejas Orientais Católicas em plena comunhão com Roma — já praticam essa devoção normalmente, como parte de sua própria tradição litúrgica legítima dentro da Igreja Católica, apenas seguindo um rito diferente do latino. Para católicos de rito latino, rezar a Oração de Jesus e usar o Chotki não representa contradição doutrinária alguma — é uma prática de oração perfeitamente compatível com a fé católica, apenas originada numa tradição espiritual diferente da mais familiar ao Ocidente.
Vale destacar que o interesse ocidental crescente por essa devoção oriental não é fenômeno completamente novo: escritores espirituais católicos de renome, como Thomas Merton, monge trapista do século XX, escreveram extensamente sobre o valor da espiritualidade contemplativa oriental para enriquecer a própria vida de oração ocidental, sem que isso implicasse abandono ou substituição das devoções católicas tradicionais.
Vale acrescentar, por fim, um comentário sobre igrejas católicas orientais que existem no Brasil: comunidades ucranianas católicas, por exemplo, mantêm paróquias próprias em vários estados brasileiros, especialmente no Sul e Sudeste, onde a imigração ucraniana teve presença histórica significativa desde o final do século XIX. Essas comunidades preservam viva a liturgia bizantina e devoções como o Chotki, oferecendo, para quem tiver curiosidade e acesso geográfico, uma oportunidade real de conhecer essa tradição pessoalmente, dentro da própria Igreja Católica.
Uma forma de enriquecimento, não de substituição
Vale entender essa prática como um complemento à vida espiritual, não como substituto do terço mariano ou de outras devoções ocidentais já estabelecidas. Muitos católicos de rito latino que descobrem o Chotki relatam apreciar justamente a diferença: uma forma de oração ainda mais simples e repetitiva do que o próprio terço, focada inteiramente em Cristo e na consciência humilde do próprio pecado, sem a estrutura de mistérios do terço ocidental.
Vale mencionar também que o Grande Cisma de 1054, que separou formalmente as Igrejas do Oriente e do Ocidente, teve causas complexas envolvendo questões teológicas, litúrgicas e políticas — mas as práticas devocionais como o Chotki não foram, em si, motivo de disputa entre as duas tradições. Isso ajuda a explicar por que essa devoção específica pode transitar com relativa facilidade entre as tradições cristãs, mesmo diante de diferenças doutrinárias reais em outras áreas da fé.

Perguntas Frequentes
O que é o Terço Bizantino?
É o nome popular ocidental para o Chotki (tradições eslavas) ou Komboskini (grego), um cordão de oração da tradição cristã oriental usado para contar repetições da Oração de Jesus. A Igreja Ortodoxa não reconhece oficialmente o termo ‘terço’ para se referir a ele.
O que é a Oração de Jesus?
É a oração repetida continuamente com o Chotki: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador.’ Combina o clamor do cego de Jericó e a oração humilde do publicano, ambos relatados no Evangelho de Lucas.
Quem criou o cordão de oração Chotki?
Existem duas tradições: uma atribui a São Pacômio, fundador do monaquismo cenobítico no século IV, o estabelecimento da prática; outra atribui a Santo Antônio do Deserto, que teria recebido do Anjo Gabriel um nó especial de sete cruzes que o demônio não conseguia desatar.
Qual a diferença entre Chotki e Komboskini?
Chotki é o nome usado nas tradições eslavas (russa, sérvia, ucraniana), e Komboskini é o nome usado na tradição grega. Ambos se referem ao mesmo cordão de oração oriental.
De que material é feito o cordão de oração ortodoxo?
Tradicionalmente é feito de lã preta, tecido em nós complexos de sete pequenas cruzes entrelaçadas, terminando numa borla. Versões mais modernas também usam madeira ou outros materiais com contas no lugar dos nós.
Quantos nós tem um cordão de oração?
As quantidades mais comuns são cem, cento e cinquenta, trinta e três (idade de Cristo), quarenta e um (açoites de Cristo) e sessenta e quatro (idade atribuída a Maria na Assunção).
O Terço Bizantino é igual ao terço mariano católico?
Não é tão diferente na estrutura física, mas é completamente diferente na lógica de oração: o terço mariano medita mistérios específicos em dezenas de Ave-Marias; o Chotki repete continuamente a mesma Oração de Jesus, sem meditação de mistérios específicos.
Um católico pode rezar com o Chotki?
Sim. É uma prática compatível com a fé católica, já praticada normalmente por católicos de rito bizantino (Igrejas Orientais Católicas em plena comunhão com Roma). Para católicos de rito latino, também é uma prática legítima e enriquecedora, como complemento às devoções já estabelecidas.
Existe uma técnica de respiração para rezar com o Chotki?
Muitos praticantes inspiram durante a primeira metade da oração (‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus’) e expiram na segunda metade (‘tem piedade de mim, pecador’), integrando a oração ao ritmo respiratório para aprofundar a concentração.
Onde essa prática é mais popular?
É popular entre monges do Monte Athos, na Grécia, e em toda a tradição ortodoxa russa e eslava, mas também entre féis leigos ortodoxos e católicos de rito bizantino ao redor do mundo, incluindo comunidades no Brasil.
Conclusão
O Chotki — popularmente, mas imprecisamente, chamado de “Terço Bizantino” no Ocidente — carrega uma simplicidade radical: uma única frase curta, repetida sem cessar, buscando manter o coração voltado para Cristo mesmo em meio às tarefas mais comuns do dia. É um contraponto interessante à riqueza estrutural do terço mariano ocidental, sem que uma prática precise substituir a outra.
Se você se interessou por essa tradição, talvez valha experimentar rezar a Oração de Jesus algumas vezes hoje mesmo — mesmo sem um cordão físico em mãos —, e sentir na própria pele o que séculos de monges do deserto egípcio e do Monte Athos já descobriram sobre essa forma simples e poderosa de oração.
Que este texto sirva de introdução respeitosa a uma tradição cristã rica e menos conhecida no Brasil católico, sem apagar suas particularidades sob categorias importadas do próprio contexto ocidental.
A riqueza do cristianismo não se esgota numa única expressão cultural ou litúrgica — e conhecer, com respeito e precisão, tradições diferentes da própria só tende a aprofundar, e nunca ameaçar, a fé pessoal de quem se dispõe a esse aprendizado com humildade genuína.
Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de nós, pecadores. Que essa breve súplica, repetida com sinceridade, acompanhe cada leitor deste texto hoje e sempre.
Se você deseja continuar aprofundando sua vida de oração, vale também explorar as devoções ocidentais deste site sobre o terço mariano tradicional — sua estrutura, mistérios e passo a passo completo —, comparando conscientemente as duas grandes tradições de oração repetitiva que o cristianismo desenvolveu ao longo de dois mil anos de história, uma no Oriente e outra no Ocidente.
Que Deus continue revelando, a cada geração de cristãos — orientais e ocidentais — novas e antigas formas de manter o coração voltado para Ele em meio às ocupações do mundo.
Amém, e que a Oração de Jesus, repetida por mais de mil e quinhentos anos por incontáveis monges e fiéis, continue encontrando novos corações dispostos a recebê-la com a mesma simplicidade de quem a rezou pela primeira vez, no deserto egipício, séculos atrás.
Boa jornada nesta descoberta, e que ela enriqueça, sem substituir, tudo aquilo que você já conhece e ama na própria tradição de fé.




