Novena de São Miguel Pro — 9 Dias de Oração ao Mártir Mexicano de Cristo Rei

Novena de São Miguel Pro — 9 Dias de Oração ao Mártir Mexicano de Cristo Rei

 

 

Novena de São Miguel Pro — 9 Dias de Oração ao Mártir Mexicano de Cristo Rei

Há um padre jesuíta mexicano do século XX que morreu fuzilado em 23 de novembro de 1927 com os braços abertos em cruz, gritando “Viva Cristo Rei!” — e cuja morte o governo mexicano fotografou para intimidar os católicos, mas que a Igreja preservou como umas das imagens mais poderosas do martírio cristão moderno. São Miguel Agustín Pro Juárez foi o padre que durante a Cristiada — a perseguição religiosa do governo de Plutarco Elías Calles que proibiu o exercício público da religião no México entre 1926 e 1929 — exerceu o seu ministério sacerdotal clandestinamente, disfarçado, servindo os católicos mexicanos que sem ele não teriam sacramentos.

A vida de Miguel Pro é de uma dramaticidade que raramente a hagiografia produz: o jovem que entrou para os Jesuítas, que estudou em Europa e foi ordenado na Bélgica, que regressou ao México proibido sabendo que a sua vida corria perigo — e que durante os catorze meses que viveu em México clandestino celebrou Missas em casas particulares, administrou sacramentos aos pobres, foi preso e liberto, e finalmente foi acusado injustamente de participar num atentado e fuzilado sem julgamento.

Beatificado por João Paulo II em 1988. A sua festa é celebrada em 23 de novembro.

Quem Foi São Miguel Pro

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Miguel Agustín Pro Juárez nasceu em 13 de janeiro de 1891 em Guadalupe de Zacatecas, México, filho de um engenheiro de minas. Cresceu numa família fervorosamente católica, com quatro irmãs que se tornaram religiosas. Em 1911, entrou para o noviciado da Companhia de Jesus.

A Revolução Mexicana obrigou os noviços a deixar o México em 1914. Miguel estudou em Estados Unidos, Espanha e Bélgica, onde foi ordenado sacerdote em 1925. Sofria de graves problemas de saúde (úlceras) mas pediu para regressar ao México — onde o governo de Calles havia decretado a lei Calles (1926) que proibia o exercício público da religião, fechava as igrejas e prendia ou expulsava os sacerdotes.

 

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Versículos sobre Perdão — Os Mais Poderosos da Bíblia - imagem 4

Miguel regressou ao México em julho de 1926 e viveu durante catorze meses de ministério clandestino — disfarçado de operário, de polícia, de mecânico, de noivo, de mendigo — para circular pelas ruas de Cidade do México sem ser reconhecido, celebrando Missas em casas particulares, administrando os sacramentos, distribuindo alimentos aos pobres. O seu humor e a sua audácia nos disfarces tornaram-se lendários.

Em novembro de 1927, um atentado de bomba ao carro do ex-presidente Obregón foi atribuído injustamente a Miguel e ao seu irmão Humberto. Foram presos sem julgamento e condenados à morte. Em 23 de novembro de 1927, Miguel Pro foi fuzilado no pátio da polícia de Cidade do México. Levantou os braços em cruz, recusou a venda nos olhos, perdoou os seus executores e morreu gritando “Viva Cristo Rei!” Beatificado em 1988. Festa em 23 de novembro.

A Cristiada: A Perseguição que Produziu Mártires

A Cristiada (1926-1929) foi a guerra civil e a perseguição religiosa que o governo de Plutarco Elías Calles desencadeou no México ao implementar a lei Calles — que proibia o exercício público da religião, fechava igrejas e escolas religiosas, expulsava os padres estrangeiros e prendia os mexicanos que exercessem funções sacerdotais. A resposta dos católicos mexicanos foi dupla: alguns pegaram em armas (os “Cristeros” que deram o nome à guerra); outros, como Miguel Pro, exerceram o ministério clandestinamente.

A Cristiada produziu um número extraordinário de mártires — mais de vinte dos quais foram beatificados por João Paulo II em 1992. Miguel Pro é o mais famoso porque a sua morte foi fotografada: o governo mexicano pensou que as fotografias do fuzilamento intimidariam os católicos. O efeito foi exactamente o oposto: as fotografias de Miguel Pro de braços abertos em cruz circularam por todo o mundo e tornaram-no um símbolo do martírio cristão do século XX.

Como Rezar Esta Novena

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  • De 14 a 22 de novembro — nos nove dias antes da festa de 23 de novembro
  • Pela liberdade religiosa no México e na América Latina
  • Para os Jesuítas e os seus missionários
  • Para pedir coragem no ministério em ambientes hostis
  • Para a juventude mexicana e católica
  • Para os padres que servem clandestinamente em países de perseguição

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Glorioso São Miguel Pro, padre jesuíta que morreste fuzilado com os braços abertos em cruz gritando “Viva Cristo Rei!”, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que servistes os católicos mexicanos durante catorze meses clandestinos com um humor e uma coragem que ainda hoje impressionam, intercedei para que eu também sirva Cristo com a mesma alegria corajosa que a perseguição não conseguiu apagar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Primeiro Dia — “Viva Cristo Rei!”: As Últimas Palavras

Meditação: O grito de Miguel Pro diante do pelotão de fuzilamento — “Viva Cristo Rei!” — é uma das expressões mais simples e mais poderosas do martírio cristão do século XX. Não é retórica piedosa: é a afirmação final de uma convicção que havia guiado toda a sua vida. Para Miguel, Cristo era o Rei — não apenas da vida religiosa privada mas de toda a vida, de toda a sociedade, de todo o mundo. E esta convicção valia a vida.

São Miguel Pro, que morreste gritando “Viva Cristo Rei!”, intercedei para que Cristo seja também o Rei da minha vida — não apenas da vida religiosa formal mas de todas as dimensões da existência. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Segundo Dia — Os Disfarces: O Humor ao Serviço da Missão

Meditação: Os disfarces de Miguel Pro — de operário, de polícia, de mecânico, de noivo, de mendigo — eram ao mesmo tempo estratégia de segurança e expressão de um humor que a perseguição não conseguia extinguir. Miguel não apenas sobreviveu graças aos disfarces: divertia-se com eles. Esta alegria no meio da perseguição — que não finge que o perigo não existe mas que se recusa a deixar que o perigo roube a alegria — é uma das marcas mais características da sua santidade.

São Miguel Pro, que circulavas disfarçado pelas ruas de Cidade do México com humor e alegria, intercedei para que eu aprenda a alegria cristã que não depende das circunstâncias favoráveis. Que eu sirva com a leveza que a perseguição não conseguia apagar em ti. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Terceiro Dia — A Missa Clandestina: O Sacramento que Vale a Vida

Meditação: Miguel Pro celebrava Missa em casas particulares de Cidade do México — com risco de prisão e de morte. Os católicos que participavam nessas Missas clandestinas também arriscavam. E continuavam a ir. Esta determinação — de receber os sacramentos mesmo quando custa — é o sinal mais eloquente de que os sacramentos valem o custo. Para os católicos da Cristiada, a Missa não era uma prática religiosa opcional: era o centro da vida que a perseguição tentava destruir.

São Miguel Pro, que celebraste Missa em casas particulares arriscando a vida, intercedei para que eu receba os sacramentos com o valor que os católicos da Cristiada lhes reconheceram. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia — A Fotografia do Fuzilamento: O Martírio Que Evangelizou

Meditação: O governo mexicano fotografou o fuzilamento de Miguel Pro pensando que as imagens intimidariam os católicos. O efeito foi o oposto: as fotografias de Miguel de braços abertos em cruz circularam por todo o mundo e tornaram-no um símbolo do martírio cristão. Este paradoxo — o instrumento da intimidação que se tornou instrumento da evangelização — é o padrão do martírio cristão desde o início: o que pretendia apagar a fé acabou por confirmá-la e difundi-la.

São Miguel Pro, cuja morte fotografada evangelizou o mundo inteiro, intercedei para que eu confie que Deus pode usar os instrumentos mais inesperados para difundir o Evangelho. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quinto Dia — A Inocência: O Mártir Acusado Injustamente

Meditação: Miguel Pro foi acusado injustamente de participar no atentado ao carro do ex-presidente Obregón — e foi fuzilado sem julgamento por esta acusação que era falsa. A morte por uma acusação injusta — que confirma o padrão da Paixão de Cristo — é o tipo de martírio que mais claramente revela a origem divina da fortaleza com que o mártir a enfrenta. Miguel tinha razões humanas para protestar, para recusar, para fugir. Em vez disso, perdonou e morreu com os braços abertos.

São Miguel Pro, que morreste fuzilado por uma acusação injusta, intercedei pelos que são presos, condenados ou executados injustamente. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia — O Perdão aos Executores: A Graça da Morte

Meditação: Antes de ser fuzilado, Miguel Pro perdoou explicitamente os seus executores. Este gesto — que reproduz o gesto de Cristo na Cruz (“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”) — é a confirmação de que havia vivido o que pregava. O sacerdote que havia celebrado Missas clandestinas, que havia administrado o sacramento da confissão aos pecadores, administrou a si mesmo o último e mais exigente dos sacramentos: o perdão ao assassino.

São Miguel Pro, que perdoaste os teus executores antes de morrer, intercedei para que eu aprenda o perdão que não espera que o outro mereça. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sétimo Dia — A Saúde Frágil: O Dom que Vem da Fraqueza

Meditação: Miguel Pro sofria de graves problemas de saúde — úlceras que o acompanharam durante toda a vida e que tornavam o seu ministério fisicamente doloroso. Esta fraqueza física — que não o impediu de percorrer Cidade do México disfarçado de pol\u00edcia às três da manhã para administrar a unção aos moribundos — é a confirmação do paradoxo paulino: “quando sou fraco, então sou forte.” A graça de Deus que sustentava Miguel não eliminava a dor: tornava-a instrumento de serviço.

São Miguel Pro, que serviste com generosidade total apesar das úlceras que te acompanhavam, intercedei para que eu aprenda a servir com os recursos que tenho — não com os que gostaria de ter. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oitavo Dia — João Paulo II e a Beatificação: O Reconhecimento Tardio

Meditação: João Paulo II beatificou Miguel Pro em 1988 — sessenta e um anos após o fuzilamento. Esta beatificação — que aconteceu durante o pontificado do papa que havia sobrevivido à perseguição comunista na Polónia e que havia sido alvo de um atentado — foi de uma densidade simbólica extraordinária: o papa que conhecia a perseguição por dentro a beatificar o mártir da perseguição mexicana. A Igreja que reconhece os seus mártires é a Igreja que confessa que eles viveram o Evangelho mais plenamente do que todos nós.

São Miguel Pro, beatificado pelo Papa João Paulo II em 1988, intercedei para que a Igreja continue a reconhecer e a proclamar os seus mártires modernos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: São Miguel Pro viveu trinta e seis anos — dos quais os últimos catorze meses foram de ministério clandestino em Cidade do México com risco permanente de morte. Morreu com os braços abertos em cruz, gritando “Viva Cristo Rei!”, depois de ter perdoado os seus executores. A brevidade da vida foi inversamente proporcional à intensidade da entrega: trinta e seis anos que ainda hoje alimentam a fé dos católicos mexicanos e de todo o mundo.

São Miguel Pro, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a dizer “Viva Cristo Rei!” não apenas com os lábios mas com a vida — tornando Cristo o centro real de tudo o que faço. Intercedei pelas intenções desta novena e pelo México. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso São Miguel Pro, mártir mexicano da Cristiada, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus, cujo reino proclamastes com os braços abertos em cruz. Obtende para mim a graça de uma alegria que a perseguição não apaga, de um serviço que não recua diante do perigo, e de um perdão que não espera que o outro mereça. Viva Cristo Rei! Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre São Miguel Pro e Esta Novena

1. Quem foi São Miguel Pro?

São Miguel Agustín Pro Juárez (1891-1927) foi um padre jesuíta mexicano que exerceu o ministério sacerdotal clandestinamente durante a perseguição religiosa da Cristiada. Foi fuzilado em 23 de novembro de 1927, acusado injustamente de um atentado, morrendo com os braços abertos em cruz e gritando “Viva Cristo Rei!” Beatificado por João Paulo II em 1988. Festa em 23 de novembro.

2. Quando é a festa de São Miguel Pro?

A festa de São Miguel Pro é celebrada em 23 de novembro, data do seu martyrio em 1927. A novena começa em 14 de novembro.

3. O que foi a Cristiada?

A Cristiada (1926-1929) foi a guerra civil e perseguição religiosa desencadeada pelo governo mexicano de Plutarco Elías Calles com a lei Calles — que proibia o exercício público da religião, fechava igrejas e escolas religiosas, e prendia ou expulsava os sacerdotes. Produziu um número extraordinário de mártires, mais de vinte dos quais foram beatificados por João Paulo II em 1992.

4. Por que Miguel Pro usava disfarces?

Miguel Pro usava disfarces — de operário, polícia, mecânico, noivo, mendigo — para circular pelas ruas de Cidade do México sem ser reconhecido pelas autoridades que procuravam os padres. Os disfarces permitiam-lhe celebrar Missas clandestinas, administrar sacramentos e distribuir alimentos aos pobres.

5. Por que Miguel Pro foi fuzilado?

Miguel Pro foi acusado injustamente de participar num atentado de bomba ao carro do ex-presidente Obregón em novembro de 1927. Foi preso com o irmão Humberto, condenado sem julgamento e fuzilado em 23 de novembro de 1927.

6. O que significam as fotografias do fuzilamento de Miguel Pro?

Novena de São Miguel Pro — 9 Dias de Oração ao Mártir Mexicano de Cristo Rei - imagem 4

O governo mexicano fotografou o fuzilamento de Miguel Pro pensando que as imagens intimidariam os católicos. O efeito foi o oposto: as fotografias de Miguel de braços abertos em cruz circularam por todo o mundo e tornaram-no um símbolo do martírio cristão do século XX. O instrumento da intimidação tornou-se instrumento de evangelização.

7. O que significa “Viva Cristo Rei”?

“Viva Cristo Rei” foi o grito de batalha dos Cristeros — os católicos mexicanos que resistiram à perseguição religiosa — e as últimas palavras de Miguel Pro antes do fuzilamento. Afirma que Cristo é o Rei de toda a vida humana e de toda a sociedade — não apenas da esfera religiosa privada. É a expressão do catolicismo social que o governo de Calles queria destruir.

8. Qual foi a relação de São Miguel Pro com os pobres?

Além de celebrar Missas clandestinas e administrar sacramentos, Miguel Pro distribuía alimentos e ajuda material aos pobres de Cidade do México durante a perseguição. Esta caridade — exercida em condições de risco permanente — era para Miguel inseparável do ministério sacerdotal: o padre que serve Cristo no sacramento serve Cristo no pobre.

9. Quando foi beatificado São Miguel Pro e por quem?

São Miguel Pro foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 22 de setembro de 1988 — sessenta e um anos após o fuzilamento. A beatificação aconteceu durante o pontificado do papa que havia sobrevivido à perseguição comunista na Polónia e que conhecia por experiência própria o custo da fidelidade à fé num regime hostil.

10. Como rezar a Novena de São Miguel Pro para obter maiores frutos espirituais?

Para obter mais frutos: rezar especificamente pela liberdade religiosa no México e nos países com perseguição religiosa; fazer durante os nove dias um gesto de serviço concreto aos pobres — em honra do padre que distribuía alimentos em plena Cristiada; terminar cada dia com o grito de Miguel: “Viva Cristo Rei!” como consagração de todas as actividades do dia a Cristo.

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a São Miguel Pro aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de São Maximiliano Kolbe complementa — outro mártir do século XX que morreu com alegria e perdão pelo amor a Cristo. A Novena de Nossa Senhora de Guadalupe aprofunda — a devoção mariana central do México cristão que Miguel Pro defendeu. O Salmo 2 — “por que as nações se agitam… o Senhor colocou o Seu Rei” — é o salmo de Miguel Pro: Cristo é o Rei que os governos não conseguem destronar.

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