Novena de São Justino Mártir — 9 Dias de Oração ao Primeiro Filósofo Cristão

Novena de São Justino Mártir — 9 Dias de Oração ao Primeiro Filósofo Cristão

 

 

Novena de São Justino Mártir — 9 Dias de Oração ao Primeiro Filósofo Cristão

Há um filósofo pagão do século II que percorreu as escolas de filosofia do mundo helenístico — platonismo, estoicismo, pitagorismo, aristotelismo — em busca da verdade, e que ao encontrar a fé cristã disse: “Encontrei a única filosofia segura e proveitosa.” São Justino Mártir foi o primeiro grande intelectual cristão que não apenas defendeu a fé perante o poder imperial mas que a apresentou ao mundo grego como a realização plena da busca filosófica que a Grécia havia iniciado com Sócrates. A sua “Apologia” ao imperador Antonino Pio é o primeiro grande texto de apologética cristã — a defesa racional da fé diante do poder que não a compreendia e a perseguia.

A figura de Justino é singular na história do Cristianismo: não foi bispo, não foi monge, não foi mártir por circunstância — foi um filósofo de profissão que converteu a filosofia ao serviço da fé, que abriu uma escola em Roma onde ensinava Cristianismo como filosofia, e que quando foi condenado à morte pelo prefeito Rústico porque se recusou a oferecer sacrifício aos deuses pagãos, morreu com a serenidade de quem sabia exactamente o que estava a fazer e por que.

São Justino Mártir é o patrono dos filósofos e dos apologistas cristãos. A sua festa é celebrada em 1 de junho.

Quem Foi São Justino Mártir

Novena de São Justino Mártir — 9 Dias de Oração ao Primeiro Filósofo Cristão - imagem 2

Justino nasceu por volta de 100 d.C. em Flavia Neápolis, a actual Nablus na Palestina, filho de pais pagãos de origem grega ou romana. Recebeu uma educação filosófica completa e percorreu sucessivamente as escolas estóica, peripatética, pitagórica e platónica em busca da verdade última. O platonismo foi o que mais o satisfez — até ao encontro decisivo.

Num passeio à beira-mar — provavelmente em Éfeso —, Justino encontrou um velho cristão que lhe falou dos profetas do Antigo Testamento, que haviam anunciado Cristo séculos antes do Seu nascimento. Esta argumentação — que a fé cristã era o cumprimento das mais antigas buscas da sabedoria humana — transformou Justino: “Um fogo se acendeu de repente na minha alma, e um amor pelos profetas e pelos amigos de Cristo me invadiu.” Continuou a usar o manto de filósofo — porque a filosofia era o caminho que o havia levado até Cristo — e instalou-se em Roma onde abriu uma escola de filosofia cristã.

 

Terço São Bento Em Hematita Cruz Medalhas Prata Velha

 

Versículos sobre Perdão — Os Mais Poderosos da Bíblia - imagem 4

Escreveu as duas “Apologias” ao imperador Antonino Pio e ao Senado romano, e o “Diálogo com Trifão”, uma longa conversa com um rabino judeu sobre as profecias messiânicas do Antigo Testamento. Estas obras — que são os primeiros grandes textos da apologética e da teologia cristãs em grego — estabeleceram o modelo da integração entre a razão filosófica e a fé cristã que a tradição subsequente, de Clemente de Alexandria a Tomás de Aquino, aprofundaria.

Por volta de 165 d.C., um adversário filosófico chamado Crescente denunciou Justino ao prefeito Rústico. Justino e seis companheiros foram julgados, recusaram oferecer sacrifício aos deuses e foram decapitados. A “Acta Sancti Justini” — o relato do processo — é um dos documentos mais autênticos do martirológio cristão primitivo. Morreu em 1 de junho de 165 d.C. A sua festa é celebrada em 1 de junho.

O “Logos Spermatikos”: A Semente do Verbo nas Filosofias Pagãs

A contribuição mais original de Justino à teologia cristã é a doutrina do “Logos Spermatikos” — a Semente do Verbo. Para Justino, o Verbo de Deus — o Logos que se encarnou em Jesus Cristo — havia semeado sementes de verdade em todas as culturas humanas antes da Encarnação. Sócrates, Platão, os estóicos — todos haviam participado, sem o saber, numa verdade que se revelaria plenamente em Cristo.

Esta teologia não é sincretismo nem relativismo: não diz que todas as religiões são iguais. Diz que onde quer que haja verdade genuína — nas filosofias, nas culturas, nas tradições religiosas — há uma semente do Verbo que Cristo veio regar e fazer florescer. A “novidade absoluta” do Cristianismo não apaga as sementes anteriores: as completa. Sem Justino, a tradição cristã dificilmente teria desenvolvido a capacidade de diálogo com a filosofia grega que produziu Clemente, Orígenes, Agostinho e Tomás de Aquino.

A Primeira Descrição da Missa Cristã

Novena de São Justino Mártir — 9 Dias de Oração ao Primeiro Filósofo Cristão - imagem 3

Um dos contributos históricos mais preciosos de Justino é a descrição da liturgia eucarística dominical que consta na sua “Primeira Apologia” — escrita por volta de 155 d.C. Esta descrição — destinada ao imperador pagão para explicar o que os cristãos faziam nas suas reuniões secretas — é o mais antigo relato detalhado da estrutura da Missa que se conserva.

Justino descreve: a reunião da comunidade no primeiro dia da semana (domingo), a leitura das “memórias dos apóstolos” (os Evangelhos) e dos “escritos dos profetas”, o sermão do presidente, a oração comum, o beijo da paz, a oferta do pão e do vinho misturado com água, a oração de acção de graças (Eucaristia) pelo presidente “com todas as forças”, o “Amém” de toda a assembleia, a distribuição do pão e do vinho aos presentes e o envio aos ausentes. Esta estrutura — leitura da Palavra, homilia, oração dos fiéis, ofertório, consagração, Comunhão — é a estrutura da Missa que ainda hoje celebramos, dezanove séculos depois.

Como Rezar Esta Novena

A Novena de São Justino Mártir pode ser rezada nos nove dias que precedem a sua festa de 1 de junho — de 23 a 31 de maio — ou em qualquer momento do ano. É especialmente indicada para:

  • Por filósofos, intelectuais e académicos que buscam a fé — Justino é o patrono desta busca
  • Para integrar a inteligência e a fé — o programa de toda a vida de Justino
  • Para pedir o dom da apologética cristã eficaz
  • Pelo diálogo entre a Igreja e a cultura contemporânea
  • Para os que estão em processo de conversão intelectual
  • Para aprofundar o amor e a compreensão da liturgia

Oração de Abertura (Todos os Dias)

Glorioso São Justino Mártir, primeiro filósofo cristão que percorreste todas as escolas do mundo grego em busca da verdade e que ao encontrar Cristo disseste “encontrei a única filosofia segura e proveitosa”, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que usastes toda a vossa formação filosófica ao serviço da fé e que morrestes decapitado por recusar oferecer sacrifício a deuses que sabíeis falsos, intercedei para que eu também use toda a minha inteligência ao serviço da fé que professo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Primeiro Dia — “Encontrei a Única Filosofia Segura e Proveitosa”

Meditação: A conversão de Justino — descrita no prólogo do “Diálogo com Trifão” — é a história de uma busca intelectual honesta que chegou ao fim. Após percorrer as escolas filosóficas do seu tempo sem ficar satisfeito, Justino encontrou um velho cristão que lhe mostrou que os profetas do Antigo Testamento haviam anunciado Cristo séculos antes. A resposta de Justino — “um fogo se acendeu de repente na minha alma” — é a expressão de uma conversão intelectual que é simultaneamente racional e afectiva: a razão encontrou o que havia buscado, e o coração reconheceu o que a razão encontrou.

São Justino Mártir, que a busca filosófica conduziu à fé cristã, intercedei pelos que estão em busca intelectual honesta da verdade. Pelos filósofos, pelos académicos, pelos cientistas que buscam a verdade sem ainda a encontrar no Deus cristão. Que a mesma honestidade que guiou Justino guie também os buscadores de hoje até ao encontro com Cristo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Segundo Dia — O Manto do Filósofo: A Fé como Filosofia

Meditação: Depois da conversão, Justino continuou a usar o manto de filósofo — o símbolo visível da identidade filosófica no mundo grego. Este gesto tinha um significado preciso: a fé cristã não era a negação da filosofia mas a sua realização. Justino não precisava de desvestir o filósofo para ser cristão — era precisamente como filósofo que havia chegado a Cristo, e era como filósofo que Cristo o havia recebido. Esta integração — que não obriga o intelectual a tornar-se menos intelectual para ser cristão — é um dos gestos mais libertadores da história do pensamento cristão.

São Justino Mártir, que continuaste a usar o manto de filósofo depois da conversão, intercedei para que a fé cristã não seja para mim uma regressão intelectual mas uma elevação. Que eu use toda a minha formação ao serviço do Evangelho — sem precisar de ser menos inteligente para ser mais cristão. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Terceiro Dia — As Apologias: A Fé Apresentada ao Poder

Meditação: As duas “Apologias” de Justino — dirigidas ao imperador Antonino Pio e ao Senado romano — são os primeiros grandes textos da apologética cristã. Justino apresenta o Cristianismo ao poder imperial não como superstição irracional mas como a filosofia mais racional e mais exigente que existe: mais racional porque fundada não em mitos mas em factos históricos e em raciocínio rigoroso; mais exigente moralmente porque pede ao cristão o que nenhuma filosofia pagã havia pedido de forma sistemática. Esta apologética corajosa — que vai apresentar a fé cristã ao próprio imperador que pode ordenar a sua morte — é o modelo de toda a apologética que se segue.

São Justino Mártir, que apresentaste a fé cristã ao imperador com coragem e rigor intelectual, intercedei para que eu aprenda a apresentar a fé nos ambientes que a desconhecem ou a desprezam — não com agressividade mas com a clareza e a coragem de quem sabe o que acredita e por que. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia — O “Logos Spermatikos”: As Sementes do Verbo no Mundo

Meditação: A doutrina justiniana do “Logos Spermatikos” — que o Verbo de Deus semeou verdades parciais em todas as culturas antes da Encarnação — é uma das contribuições teológicas mais fecundas e mais actuais da patrística. Esta teologia permite reconhecer o que é genuinamente verdadeiro e bom nas culturas não-cristãs sem cair no relativismo que diz que todas as religiões são iguais: onde há verdade, há uma semente do Verbo; e onde há uma semente do Verbo, há algo que o Evangelho pode regar e completar.

São Justino Mártir, teólogo das sementes do Verbo nas culturas humanas, intercedei para que eu aprenda a reconhecer o que é verdadeiro e bom nas culturas que não são cristãs — sem trair a fé nem fingir que todas as religiões são iguais. Que eu seja capaz de dizer como Justino: “aquilo que é verdadeiro em vós pertence-nos” — com humildade e com firmeza. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quinto Dia — O Diálogo com Trifão: A Paciência da Razão

Meditação: O “Diálogo com Trifão” — uma longa conversa de Justino com um rabino judeu sobre as profecias messiânicas do Antigo Testamento — é um dos primeiros textos de diálogo inter-religioso da história cristã. Justino trata Trifão com respeito genuíno, apresenta os seus argumentos com paciência, aceita as objecções com atenção, e mantém o diálogo durante um longo período. Mesmo sem chegar à conversão de Trifão (que o texto não relata), o diálogo é em si mesmo um acto de civilização: a razão apresentada à razão, a fé apresentada à fé, com respeito pela dignidade do interlocutor.

São Justino Mártir, que dialogaste com Trifão durante horas com paciência e respeito, intercedei para que eu aprenda a paciência do diálogo inter-religioso. Que eu não substitua o argumento pelo grito nem a paciência pela desistência. E que eu respeite a dignidade intelectual de quem não partilha a minha fé. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia — A Descrição da Missa: O Testemunho que Atravessa Séculos

Meditação: A descrição da Missa dominical que Justino fez na sua “Primeira Apologia” — para explicar ao imperador pagão o que os cristãos faziam nas suas reuniões — é um dos documentos históricos mais extraordinários que existem: a estrutura da Missa que Justino descreve em 155 d.C. é essencialmente a mesma que ainda hoje celebramos. Leitura da Palavra, homilia, oração dos fiéis, ofertório, oração eucarística, Comunhão — dezanove séculos de continuidade litúrgica documentada pelo testemunho de um mártir.

São Justino Mártir, cujo testemunho sobre a Missa de 155 d.C. ainda hoje alimenta a nossa compreensão da liturgia, intercedei para que eu participe na Missa com a consciência histórica e espiritual que o seu testemunho provoca. Que eu veja em cada Missa a mesma celebração que Justino descreveu ao imperador. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Sétimo Dia — A Escola Filosófica: Ensinar a Fé como Filosofia

Meditação: Em Roma, Justino abriu uma escola onde ensinava o Cristianismo como filosofia — recebendo alunos de toda a cidade e discutindo a fé com a metodologia da filosofia grega: apresentação de questões, objecções, argumentos, conclusões. Esta escola foi o modelo de toda a tradição das escolas catequeticas cristãs — de Clemente de Alexandria à escola de Edessa, de Orígenes às universidades medievais. A ideia de que a fé cristã pode e deve ser ensinada com rigor intelectual — que a fé e a razão não são adversárias mas complementares — começa com a escola de Justino em Roma.

São Justino Mártir, fundador da primeira escola filosófica cristã, intercedei pelos professores e catequistas que ensinam a fé com rigor intelectual. Pelos professores universitários de teologia. E que eu aprenda a transmitir a fé com a clareza e o rigor que Justino ensinava — porque a fé que não sabe explicar-se é fácil de abandonar. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oitavo Dia — O Processo de Rústico: A Fé Defendida com Dignidade

Meditação: A “Acta Sancti Justini” — o relato do processo de Justino diante do prefeito Rústico — é um dos documentos mais autênticos do martirológio cristão primitivo. O diálogo entre Justino e o prefeito tem uma qualidade filosófica que impressiona: Rústico pergunta, Justino responde com precisão e sem agressividade. Quando Rústico anuncia a condenação à morte se Justino não oferecer sacrifício, Justino responde: “Ninguém pode ser punido se vive segundo os ensinamentos de Cristo.” A morte de Justino foi coerente com a vida de Justino: a mesma clareza, a mesma dignidade, a mesma recusa de qualquer compromisso que traísse a fé.

São Justino Mártir, que defendeste a fé diante do prefeito Rústico com a mesma clareza com que a defendeste perante o imperador nas Apologias, intercedei para que eu defenda a fé com a mesma dignidade — sem agressividade e sem capitulação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Nono Dia — Consagração Final

Meditação: São Justino Mártir morreu decapitado em 1 de junho de 165 d.C. — depois de ter percorrido as escolas filosóficas do mundo antigo, de ter encontrado a fé cristã como realização da busca filosófica, de ter escrito as primeiras grandes apologias do Cristianismo, de ter ensinado a fé como filosofia em Roma, e de ter descrito ao mundo pagão a liturgia que a Igreja ainda hoje celebra. A sua morte foi a sua última aula: a demonstração de que havia acreditado genuinamente no que ensinara. O filósofo que havia dito “encontrei a única filosofia segura e proveitosa” morreu por essa filosofia.

São Justino Mártir, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a usar a minha inteligência ao serviço da fé — a não ter vergonha de pensar como cristão, de argumentar como cristão, de defender a fé com razões. Intercedei pelas intenções desta novena. E que a “única filosofia segura e proveitosa” que encontrastes seja também a que eu aprofundo cada dia. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração de Encerramento (Todos os Dias)

Glorioso São Justino Mártir, primeiro filósofo cristão e apologista da fé diante do poder imperial, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus, de quem fostes testemunha intelectual e martirológica. Obtende para mim a graça de uma fé pensada e vivida com a integridade que vós mostrastes — capaz de ser apresentada com razões e confirmada com a vida. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Quando Rezar Esta Novena

  • De 23 a 31 de maio — nos nove dias antes da festa de 1 de junho
  • Por filósofos, intelectuais e académicos que buscam a fé
  • Para integrar a inteligência e a fé
  • Para pedir o dom da apologética eficaz
  • Pelo diálogo entre Igreja e cultura contemporânea
  • Para os que estão em processo de conversão intelectual

As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre São Justino Mártir e Esta Novena

1. Quem foi São Justino Mártir?

São Justino Mártir (c. 100-165 d.C.) foi um filósofo pagão convertido ao Cristianismo que se tornou o primeiro grande apologista cristão. Nascido em Flavia Neápolis (actual Nablus, Palestina), percorreu as escolas filosóficas do mundo grego antes de se converter. Em Roma, abriu uma escola filosófica cristã e escreveu as “Apologias” e o “Diálogo com Trifão”. Morreu decapitado em 165 d.C. Festa em 1 de junho.

2. Quando é a festa de São Justino Mártir?

A festa de São Justino Mártir é celebrada em 1 de junho, data do seu martírio em 165 d.C. A novena começa em 23 de maio.

3. O que foi a “Primeira Apologia” de São Justino?

A “Primeira Apologia” foi um texto escrito por Justino por volta de 155 d.C. e dirigido ao imperador Antonino Pio e ao Senado romano. Era uma defesa racional do Cristianismo contra as acusações de ateísmo e imoralidade que os pagãos lhe faziam. Contém também a descrição mais antiga detalhada da estrutura da Missa dominical cristã.

4. O que é o “Logos Spermatikos” de São Justino?

O “Logos Spermatikos” (Semente do Verbo) é a doutrina de Justino de que o Verbo de Deus semeou verdades parciais em todas as culturas humanas antes da Encarnação. Sócrates e Platão participaram parcialmente nesta verdade sem o saber. O Cristianismo não nega estas verdades mas as completa. Esta teologia é o fundamento de toda a tradição cristã de diálogo com a filosofia e com as culturas não-cristãs.

5. O que foi o “Diálogo com Trifão”?

O “Diálogo com Trifão” é um longo texto de Justino que relata uma conversa com um rabino judeu chamado Trifão sobre as profecias messiânicas do Antigo Testamento. É um dos primeiros textos de diálogo inter-religioso da história cristã, caracterizado pelo respeito genuíno pelo interlocutor e pela paciência do argumento racional.

Novena de São Justino Mártir — 9 Dias de Oração ao Primeiro Filósofo Cristão - imagem 4

6. Como São Justino descreveu a Missa do século II?

Na “Primeira Apologia”, Justino descreve a Missa dominical: reunião no primeiro dia da semana; leitura das “memórias dos apóstolos” (Evangelhos) e dos profetas; sermão do presidente; oração comum; beijo da paz; oferta de pão e vinho; oração de acção de graças pelo presidente “com todas as forças”; “Amém” de toda a assembleia; distribuição da Comunhão. Esta estrutura é essencialmente a mesma da Missa actual, dezanove séculos depois.

7. Por que São Justino continuou a usar o manto de filósofo depois da conversão?

Justino continuou a usar o manto de filósofo porque a fé cristã era para ele não a negação da filosofia mas a sua realização. Era precisamente como filósofo que havia chegado a Cristo. O manto era o sinal de que a fé não exige a renúncia à inteligência mas a sua elevação. Esta postura estabeleceu um princípio fundamental da tradição cristã: fé e razão são complementares, não adversárias.

8. Como morreu São Justino Mártir?

Por volta de 165 d.C., um adversário filosófico chamado Crescente denunciou Justino ao prefeito Rústico de Roma. Justino e seis companheiros foram julgados e recusaram oferecer sacrifício aos deuses pagãos. Foram condenados e decapitados. A “Acta Sancti Justini” — o relato do processo — é um dos documentos mais autênticos do martirológio cristão primitivo.

9. Qual é a importância de São Justino para o diálogo entre fé e razão?

São Justino é o fundador da tradição cristã de diálogo entre fé e razão. A sua doutrina do “Logos Spermatikos”, a sua apresentação do Cristianismo como a “verdadeira filosofia”, e a sua metodologia de diálogo com o mundo filosófico pagão estabeleceram o modelo que Clemente de Alexandria, Orígenes, Agostinho e Tomás de Aquino seguiriam. Sem Justino, é difícil imaginar a tradição filosófico-teológica cristã que produziu a síntese medieval.

10. Como rezar a Novena de São Justino Mártir para obter maiores frutos espirituais?

Para obter mais frutos: ler antes alguns parágrafos da “Primeira Apologia” de Justino (disponível online); identificar a área da vida intelectual onde fé e razão ainda não foram integradas e oferecer esta novena para saná-la; fazer durante os nove dias uma leitura filosófica ou teológica séria em vez de apenas conteúdo devocional — em honra do filósofo que era; e terminar cada dia com a frase de Justino “encontrei a única filosofia segura e proveitosa” como acção de graças pessoal.

Outras Devoções Relacionadas

A devoção a São Justino aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de Santo Atanásio de Alexandria complementa — outro defensor intelectual da fé que combateu sozinho quando o mundo inteiro cedia. A Novena de São João de Ávila aprofunda — outro intelectual convertido que usou toda a formação filosófica ao serviço da fé. O Salmo 19 — “os céus proclamam a glória de Deus… e o seu anúncio vai por toda a terra” — exprime a teologia do “Logos Spermatikos”: a verdade de Deus que se anuncia em toda a criação. E o Salmo 34 — “gostad e vede como o Senhor é bom” — é o salmo do filósofo convertido: quem “prova” a verdade de Cristo com a razão e com a vida descobre que é bom.

Veja Também