Novena de São Policarpo de Esmirna — 9 Dias de Oração ao Mártir de 86 Anos
Há um bispo do século II que morreu na fogueira com oitenta e seis anos — e que quando o procônsul romano lhe ofereceu a liberdade se apenas renunciasse a Cristo, respondeu com uma das frases mais belas do martirológio cristão: “Oitenta e seis anos tenho servido a Cristo e Ele nunca me fez mal nenhum. Como posso blasfemar contra o meu Rei que me salvou?” São Policarpo de Esmirna foi o elo mais importante entre os apóstolos e a Igreja do século II: discípulo do apóstolo João, amigo de Santo Inácio de Antioquia, mestre de Santo Ireneu de Lyon — a cadeia viva que transportou a fé do testemunho ocular dos apóstolos até à geração que havia de sistematizá-la em teologia.
A sua morte no anfiteatro de Esmirna em 155 d.C. — descrita na “Carta da Igreja de Esmirna”, o relato de martírio mais antigo do Cristianismo — é de uma dignidade e de uma serenidade que impressionou tanto os cristãos que a viram como os pagãos que haviam organizado a execução. Policarpo entrou no anfiteatro sem fugir, recusou todas as ofertas de clemência, abençoou a Deus pela graça do martírio, e morreu na fogueira — segundo a tradição, as chamas contornaram o seu corpo sem o queimar, até que um algoz o trespassou com uma lança.
São Policarpo é o patrono das dioceses de Esmirna (actual Izmir, Turquia) e da diocese de Pinheiro, Brasil. A sua festa é celebrada em 23 de fevereiro.
Quem Foi São Policarpo de Esmirna

Policarpo nasceu por volta de 69 d.C. — possivelmente em Esmirna, na actual Turquia. A tradição mais sólida, atestada por Ireneu de Lyon (que o conheceu pessoalmente quando jovem), faz dele discípulo directo do apóstolo João, que o havia ordenado bispo de Esmirna. Esta filiação apostólica directa — que Policarpo preservava com uma fidelidade que desconcertava os que preferiam as novidades teológicas — foi a sua credencial mais preciosa e a sua responsabilidade mais pesada.
Policarpo encontrou-se com Santo Inácio de Antioquia durante a viagem deste para o martírio em Roma (c. 107-110 d.C.). Inácio escreveu-lhe uma carta pessoal de grande afecto — a que lhe pede que “suporte todas as coisas como o Senhor te suporta.” Esta amizade entre os dois últimos grandes da geração apostólica é um dos momentos mais ricos da história cristã primitiva.
Em Roma, por volta de 154-155 d.C., Policarpo visitou o Papa Aniceto para discutir a data da Páscoa — o Oriente cristão celebrava-a a 14 de Nisan (quartodecimanos), o Ocidente no primeiro domingo após a lua cheia de primavera. Não chegaram a acordo — mas separaram-se em paz, cada um mantendo a tradição recebida. Aniceto convidou Policarpo a presidir à Eucaristia como sinal de comunhão apesar do desacordo — um gesto de ecumenismo avant la lettre.
De regresso a Esmirna, foi preso durante uma perseguição local. O procônsul Estácio Quadrato ofereceu-lhe a liberdade se apenas blasfemasse contra Cristo e dissesse “César é o Senhor.” A resposta de Policarpo — “Oitenta e seis anos tenho servido a Cristo” — tornou-se a frase mais citada de todo o martirológio cristão primitivo. Foi condenado à fogueira. Morreu em 23 de fevereiro de 155 d.C. A sua festa é celebrada em 23 de fevereiro.
A Carta da Igreja de Esmirna: O Mais Antigo Relato de Martírio
A “Martírio de São Policarpo” — a carta escrita pela Igreja de Esmirna para a Igreja de Filomálio descrevendo a morte do bispo — é o relato de martírio cristão mais antigo que se conserva. Escrito pouco após o acontecimento, por testemunhas oculares ou por quem recebeu o testemunho de quem assistiu, é um documento histórico e literário de primeira ordem.
O relato é de uma vivacidade e de uma precisão que impressionam: a chegada de Policarpo ao anfiteatro, o silêncio que caiu sobre a multidão quando o viram, a voz que ouviram do céu dizendo “Policarpo, sê corajoso e combate como homem”, o diálogo com o procônsul, a recusa de apostatar, a oração de acção de graças que Policarpo proferiu antes de ser atado à estaca — tudo descrito com uma atenção ao detalhe que só os testemunhos oculares produzem.
Este documento estabeleceu o modelo literário de todos os relatos de martírio subsequentes — a hagiografia cristã tem em Policarpo o seu primeiro texto de referência.
O Elo da Cadeia: De João a Ireneu

A importância histórica de Policarpo não reside apenas no seu martírio mas na sua posição de elo numa cadeia de transmissão da fé que vai dos apóstolos à teologia sistemática do século II. Policarpo recebeu a fé do apóstolo João; transmitiu-a a Ireneu de Lyon, que a sistematizou nas “Adversus Haereses” — a obra mais importante da teologia patrística do século II. Sem Policarpo como elo, a cadeia entre João e Ireneu seria invisível.
Ireneu descreve com um pormenor emocionante as memórias que guardou de Policarpo na sua juventude: “Posso descrever o lugar onde o bem-aventurado Policarpo se sentava para falar, as suas entradas e saídas, o carácter da sua vida, a aparência física do seu corpo, os discursos que endereçava ao povo, como descrevia o seu convívio com João e com os outros que tinham visto o Senhor.” Esta memória afectiva de Ireneu — que preservou o rosto, a voz e os gestos de Policarpo — é o sinal de que a transmissão da fé não é apenas intelectual mas pessoal.
Como Rezar Esta Novena
A Novena de São Policarpo de Esmirna pode ser rezada nos nove dias que precedem a sua festa de 23 de fevereiro — de 14 a 22 de fevereiro — ou em qualquer momento do ano. É especialmente indicada para:
- Para pedir fidelidade à fé recebida — Policarpo preservou a tradição apostólica durante oitenta e seis anos
- Pelos cristãos perseguidos nos países islâmicos do Médio Oriente — a região onde Policarpo viveu e morreu
- Para os idosos e os que enfrentam a proximidade da morte — Policarpo morreu com oitenta e seis anos com uma serenidade admirável
- Pelo diálogo ecuménico entre cristãos — em honra do encontro fraterno de Policarpo com o Papa Aniceto
- Para aprofundar o amor à tradição apostólica
- Por quem enfrenta pressão para apostatar ou para negar a fé
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São Policarpo de Esmirna, bispo mártir que com oitenta e seis anos respondeste ao procônsul “oitenta e seis anos tenho servido a Cristo e Ele nunca me fez mal nenhum — como posso blasfemar contra o meu Rei?”, intercedei por mim durante estes nove dias de novena. Vós que fostes o elo vivo entre os apóstolos e a Igreja de todos os séculos, intercedei para que eu também guarde e transmita a fé que recebi com a fidelidade que vós mostrastes durante oitenta e seis anos de serviço. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Primeiro Dia — “Oitenta e Seis Anos Tenho Servido a Cristo”: A Resposta que Não Precisa de Argumentos
Meditação: Quando o procônsul romano pediu a Policarpo que blasfemasse contra Cristo, a resposta do bispo de oitenta e seis anos não foi teológica nem apologética: foi autobiográfica. “Oitenta e seis anos tenho servido a Cristo e Ele nunca me fez mal nenhum — como posso blasfemar contra o meu Rei que me salvou?” Esta resposta — que substitui o argumento pela experiência pessoal — é a forma mais eficaz de testemunho que existe. Não “Cristo é verdadeiro porque as Escrituras o provam” mas “Cristo é bom porque eu O servi oitenta e seis anos e nunca me fez mal.”
São Policarpo, cuja resposta ao procônsul foi autobiográfica e não teológica, intercedei para que a minha fé seja suficientemente vivida para ser testemunhada com a experiência. Que quando for necessário dar razão da minha fé, eu possa falar não apenas do que aprendi mas do que vivi. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Segundo Dia — Discípulo de João: A Tradição Apostólica Pessoal
Meditação: Policarpo havia recebido a fé do apóstolo João — o último dos doze a viver, o que havia estado na Cruz, o que havia visto o Ressuscitado no túmulo vazio. Esta filiação apostólica directa — que Ireneu descreve com um pormenor emocionante — era para Policarpo não um título honorífico mas uma responsabilidade: guardar e transmitir exactamente o que havia recebido, sem adaptações convenientes e sem novidades não apostólicas. A fidelidade de Policarpo à tradição joanina foi o que tornava as suas palavras insubstituíveis.
São Policarpo, discípulo directo do apóstolo João, intercedei para que eu honre e transmita com fidelidade a fé que recebi pela cadeia ininterrupta que vai dos apóstolos até mim. Que eu não adapte a tradição às modas do tempo mas a transmita viva e intacta. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Terceiro Dia — A Amizade com Inácio: Os Santos que Se Sustentam
Meditação: O encontro entre Policarpo e Inácio de Antioquia durante a viagem deste para o martírio foi um dos momentos mais ricos da história cristã primitiva: dois bispos, dois discípulos de João, dois que haviam de morrer mártires (embora Policarpo décadas depois de Inácio), a sustentarem-se mutuamente para o encontro definitivo com Cristo. A carta que Inácio escreveu a Policarpo — “suporta todas as coisas como o Senhor te suporta” — é o modelo de como os santos se aconselham: com ternura, com profundidade e com a urgência de quem sabe que o tempo é precioso.
São Policarpo, amigo de Inácio e sustentado pela sua última carta, intercedei pelas amizades espirituais profundas que sustentam a fé. Pelos que têm amigos que os aconselham com ternura e profundidade. E que eu seja também esse amigo para quem precisa. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quarto Dia — A Carta a Filipe: O Pastor que Escreve
Meditação: Conserva-se uma carta de Policarpo à Igreja de Filipos — escrita por volta de 110-120 d.C. — que é o único escrito autêntico de Policarpo que chegou até nós. É uma carta pastoral de uma simplicidade e de uma profundidade que revelam o bispo que havia aprendido com o próprio João como se escreve para uma comunidade cristã. A carta insiste na humildade, na caridade mútua, na oração pelos perseguidores, e na fidelidade à doutrina recebida dos apóstolos. Nenhuma novidade teológica — apenas a transmissão fiel do que havia recebido.
São Policarpo, autor da carta a Filipos que ainda alimenta a Igreja, intercedei para que eu comunique a fé com a simplicidade e a profundidade que a carta a Filipos exemplifica. Que as minhas palavras sobre Cristo sejam fiéis ao que recebi — sem enfeites desnecessários nem adaptações que distorçam. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quinto Dia — O Encontro com o Papa Aniceto: Comunhão no Desacordo
Meditação: O encontro de Policarpo com o Papa Aniceto em Roma — onde os dois discutiram a data da Páscoa sem chegar a acordo — e a decisão de se separarem em paz, com Aniceto a convidar Policarpo a presidir à Eucaristia como sinal de comunhão, é um dos episódios mais maduros e mais relevantes da história ecuménica. Dois bispos com tradições diferentes, que não cederam na substância mas que mantiveram a comunhão de amor. Este modelo — que distingue entre o essencial (a fé apostólica) e o acessório (a data de uma festa) — é ainda hoje o mais sólido fundamento do diálogo ecuménico.
São Policarpo, que te separaste do Papa Aniceto em paz apesar do desacordo sobre a Páscoa, intercedei pelo diálogo ecuménico. Que eu aprenda a distinguir entre o essencial e o acessório. Que eu mantenha a comunhão de amor com os que têm tradições diferentes — sem trair a substância da fé nem exigir uniformidade onde ela não é necessária. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Sexto Dia — O Relato de Martírio: O Documento que Formou a Hagiografia
Meditação: A “Carta da Igreja de Esmirna” — o relato do martírio de Policarpo — é o texto fundador da hagiografia cristã: o primeiro relato de martírio escrito com intenção literária e espiritual, que estabeleceu o modelo de todos os que se seguiram. A sua importância literária e teológica é enorme: mostrou à Igreja como se escreve sobre os santos — com precisão histórica, com atenção espiritual ao que é significativo, e com a intenção de edificar os que lêem. Toda a hagiografia cristã é, em algum sentido, um comentário ao “Martírio de Policarpo.”
São Policarpo, cuja morte gerou o primeiro relato de martírio da história cristã, intercedei para que a memória dos mártires continue viva na Igreja. Que os cristãos perseguidos de hoje encontrem na memória de Policarpo a força que precisam para manter a fé sob pressão. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Sétimo Dia — A Oração na Fogueira: “Pai, glorifica o Teu Filho”
Meditação: A oração que Policarpo proferiu antes de ser atado à estaca da fogueira — conservada na “Carta de Esmirna” — é um dos textos mais belos da liturgia cristã primitiva: “Pai de Jesus Cristo, Teu amado Filho bem-aventurado, por quem recebemos o conhecimento de Ti, Deus dos anjos e das potências e de toda a criação e de toda a família dos justos que vivem na Tua presença: Eu Te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, para tomar parte no número dos teus mártires e beber do cálice do Teu Cristo.” Esta oração — proferida por um homem de oitenta e seis anos à beira da morte — é acção de graças, não petição de salvamento.
São Policarpo, que à beira da morte bendisseste a Deus por te ter “julgado digno deste dia e desta hora”, intercedei para que eu aprenda a agradecer a Deus pelo sofrimento que purifica tanto quanto pelos dons que consolam. Que quando chegar a minha hora, eu também possa dizer “obrigado” antes de dizer “ajuda-me”. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oitavo Dia — Mestre de Ireneu: A Cadeia que Chega Até Nós
Meditação: Ireneu de Lyon, que conheceu Policarpo pessoalmente em Esmirna quando jovem, transmitiu a fé que havia recebido dele nas “Adversus Haereses” — a obra mais importante da teologia patrística do século II. Sem Policarpo, Ireneu não teria a credencial apostólica directa que tornava as suas afirmações sobre a tradição incontestáveis. E sem Ireneu, a teologia sistemática do século II não teria o fundamento que acabou por definir a ortodoxia cristã. A cadeia João → Policarpo → Ireneu é uma das mais fecundas da história do pensamento cristão.
São Policarpo, mestre de Ireneu e elo da cadeia que chega até nós, intercedei para que eu reconheça e honre os que me transmitiram a fé — pais, padres, catequistas, professores. E que eu também seja um elo fiel na cadeia que transmite a fé às gerações que me seguem. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: São Policarpo de Esmirna morreu com oitenta e seis anos — depois de uma vida inteira de serviço episcopal numa das regiões mais diversas e mais cosmopolitas do mundo antigo. Nasceu quando os apóstolos ainda viviam; morreu quando já havia uma segunda e terceira geração de cristãos. Transportou na sua própria memória o rosto, a voz e os gestos dos que haviam estado com Jesus — e transmitiu esse tesouro a Ireneu, que o transmitiu a toda a Igreja. A sua última frase antes da morte — “oitenta e seis anos tenho servido a Cristo e Ele nunca me fez mal nenhum” — é a autobiografia espiritual mais breve e mais completa que qualquer cristão poderia desejar.
São Policarpo de Esmirna, ao terminar esta novena de nove dias, eu me comprometo a servir a Cristo com a fidelidade que vós mostrastes durante oitenta e seis anos — para que no fim da minha vida eu também possa dizer: “X anos tenho servido a Cristo e Ele nunca me fez mal nenhum.” Intercedei pelas intenções desta novena. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São Policarpo de Esmirna, bispo mártir de oitenta e seis anos e elo vivo da tradição apostólica, recebei as orações desta novena e intercedei por mim junto ao Senhor Jesus, a quem servistes durante toda a vida sem que Ele vos fizesse mal nenhum. Obtende para mim a graça de uma fidelidade como a vossa — que persevera durante oitenta e seis anos sem ceder ao medo nem às conveniências. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
- De 14 a 22 de fevereiro — nos nove dias antes da festa de 23 de fevereiro
- Para pedir fidelidade à fé recebida
- Pelos cristãos perseguidos no Médio Oriente
- Para os idosos e os que enfrentam a proximidade da morte
- Pelo diálogo ecuménico entre cristãos
- Por quem enfrenta pressão para negar a fé
As 10 Perguntas Mais Frequentes sobre São Policarpo de Esmirna e Esta Novena
1. Quem foi São Policarpo de Esmirna?
São Policarpo de Esmirna (c. 69-155 d.C.) foi bispo de Esmirna (actual Izmir, Turquia), discípulo do apóstolo João e mártir com oitenta e seis anos. Conheceu Santo Inácio de Antioquia, visitou o Papa Aniceto em Roma, e foi mestre de Santo Ireneu de Lyon. É o elo mais importante entre os apóstolos e a teologia do século II. A sua festa é celebrada em 23 de fevereiro.
2. Quando é a festa de São Policarpo de Esmirna?
A festa de São Policarpo de Esmirna é celebrada em 23 de fevereiro, data do seu martírio em 155 d.C. A novena começa em 14 de fevereiro.
3. O que disse São Policarpo quando lhe pediram para apostatar?
Quando o procônsul romano Estácio Quadrato pediu a Policarpo que blasfemasse contra Cristo, o bispo de oitenta e seis anos respondeu: “Oitenta e seis anos tenho servido a Cristo e Ele nunca me fez mal nenhum. Como posso blasfemar contra o meu Rei que me salvou?” Esta resposta é a mais citada de todo o martirológio cristão primitivo.
4. O que foi o “Martírio de São Policarpo”?
O “Martírio de São Policarpo” é a carta escrita pela Igreja de Esmirna para a Igreja de Filomálio, descrevendo a morte do bispo. É o relato de martírio cristão mais antigo que se conserva, escrito por testemunhas oculares ou por quem recebeu o seu testemunho. Estabeleceu o modelo literário de todos os relatos de martírio subsequentes na hagiografia cristã.
5. Qual foi a relação de São Policarpo com o apóstolo João?
A tradição mais sólida, atestada por Ireneu de Lyon, faz de Policarpo discípulo directo do apóstolo João, que o havia ordenado bispo de Esmirna. Ireneu descreve com emoção as memórias que guardou de Policarpo na sua juventude, incluindo os relatos que o bispo fazia do seu convívio com João e com os outros que tinham visto o Senhor.

6. Qual foi a importância do encontro de Policarpo com o Papa Aniceto?
Em c. 154-155 d.C., Policarpo visitou o Papa Aniceto em Roma para discutir a data da Páscoa. Não chegaram a acordo — mas separaram-se em paz, com Aniceto a convidar Policarpo a presidir à Eucaristia como sinal de comunhão. Este episódio é o mais importante exemplo de ecumenismo intra-cristão da era apostólica: comunhão de amor no desacordo sobre uma questão disciplinar.
7. Qual foi a relação de Policarpo com Ireneu de Lyon?
Ireneu de Lyon conheceu Policarpo pessoalmente em Esmirna quando jovem. Policarpo foi o seu mestre na fé. Ireneu transmitiu esta herança nas “Adversus Haereses” — a obra mais importante da teologia patrística do século II. A cadeia João → Policarpo → Ireneu é uma das mais fecundas da história do pensamento cristão.
8. Como morreu São Policarpo de Esmirna?
Policarpo foi condenado à fogueira. Segundo o relato, as chamas contornaram o seu corpo sem o queimar, formando uma câmara de ar em volta dele — até que um algoz o trespassou com uma lança. Morreu em 23 de fevereiro de 155 d.C., com cerca de oitenta e seis anos, em Esmirna.
9. Qual é a única carta preservada de São Policarpo?
A única carta autêntica de Policarpo que se conserva é a “Carta aos Filipenses”, escrita por volta de 110-120 d.C. É uma carta pastoral que insiste na humildade, na caridade mútua, na oração pelos perseguidores e na fidelidade à doutrina apostólica. Nenhuma novidade teológica — apenas a transmissão fiel do que havia recebido de João.
10. Como rezar a Novena de São Policarpo para obter maiores frutos espirituais?
Para obter mais frutos: ler antes a “Carta aos Filipenses” de Policarpo (muito curta, disponível online); identificar as “pressões para apostatar” da vida moderna — as situações onde a fé é socialmente inconveniente — e oferecer a resistência a essas pressões como participação no testemunho de Policarpo; rezar especificamente pelos cristãos da Turquia (país onde Policarpo viveu e morreu); e terminar cada dia com a pergunta “quantos anos tenho servido a Cristo?” como exame de gratidão.
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a São Policarpo aprofunda-se com outros conteúdos do site. A Novena de Santo Inácio de Antioquia complementa directamente — o amigo de Policarpo que lhe escreveu a última carta antes do martírio. A Novena de São João Evangelista aprofunda — o apóstolo de quem Policarpo foi discípulo directo. O Salmo 116 — “preciosa aos olhos do Senhor é a morte dos Seus santos” — é o salmo do mártir de oitenta e seis anos que abençoou a Deus pela graça do martírio. E o Salmo 71 — “em Ti, Senhor, me refugiei… desde a minha juventude Tu foste o meu sustento” — exprime a fidelidade de oitenta e seis anos de Policarpo que começou na juventude e nunca foi interrompida.





