Há um santo que o mundo académico cristão invoca quando precisa de rigor bíblico — e que o mundo espiritual invoca quando precisa de coragem para dizer a verdade sem adornos. São Jerónimo foi o maior biblista da história da Igreja antiga: o homem que traduziu a Bíblia inteira do hebraico e do grego para o latim — a Vulgata — uma obra que a Igreja usou durante mil anos como texto oficial. E foi também um dos homens mais difíceis de suportar que a história cristã produziu: sarcástico, combativo, impaciente com a mediocridade, e com uma língua que os seus contemporâneos temiam com razão.
Esta combinação paradoxal — o grande scholar bíblico com o temperamento mais explosivo da patrística — é o que torna São Jerónimo fascinante. Não era santo porque era perfeito. Era santo apesar das suas imperfeições — ou talvez através delas. O mesmo ardor que tornava os seus comentários bíblicos extraordinariamente penetrantes tornava as suas polémicas extraordinariamente devastadoras. Jerónimo era um homem todo de uma peça — e a peça era tanto a inteligência como o temperamento.
São Jerónimo é patrono dos tradutores, dos biblistas e dos estudiosos da Escritura. A sua festa em 30 de setembro celebra o homem que deu à Igreja Ocidental a possibilidade de ler a Palavra de Deus em latim — e que morreu em Belém, próximo do lugar onde a Palavra se fez carne.
Quem Foi São Jerónimo
Eusébio Sophrônio Jerónimo nasceu por volta de 347 d.C. em Estridão, na Dalmácia (actual Croácia). Foi educado em Roma, onde recebeu a melhor formação retórica disponível — e onde se baptizou adulto, após uma juventude de que mais tarde se arrependeria.
Em 374 d.C., enquanto viajava pelo Oriente, teve uma experiência que o transformou: adoeceu gravemente e teve uma visão em que era levado perante o Tribunal de Cristo. Quando lhe perguntaram quem era, respondeu “Sou cristão.” Cristo disse: “Mentes — és ciceroniano, não cristão; onde está o teu tesouro, ali está o teu coração.” Esta visão converteu-o ao estudo das Escrituras em vez da literatura clássica — embora nunca conseguisse deixar completamente Cícero.
Viveu como eremita no deserto da Calcídis, aprendeu hebraico com um judeu convertido, foi chamado a Roma como secretário do Papa Dâmaso I, e depois estabeleceu-se em Belém em 386 d.C. — onde fundou um mosteiro e viveu os últimos 34 anos da sua vida a traduzir, comentar e polemizar. Morreu em 30 de setembro de 420 d.C., com cerca de 73 anos. Considerado Doutor da Igreja. A sua festa é celebrada em 30 de setembro.
Como Rezar Esta Novena
Faça o sinal da cruz e recite a oração de abertura
Leia a meditação do dia
Apresente a sua intenção específica
Recite a oração do dia
Reze o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai
Encerre com a oração de encerramento
Oração de Abertura (Todos os Dias)
Glorioso São Jerónimo, Doutor da Escritura e tradutor da Bíblia, intercedei por mim nesta novena. Vós que passastes a vida ao serviço da Palavra de Deus com uma dedicação que nunca perdoava a mediocridade, intercedei para que eu também ame e conheça as Escrituras com profundidade crescente. Amém.
Primeiro Dia — “Tu és Ciceroniano, não Cristão”
Meditação: A visão de Jerónimo diante do Tribunal de Cristo — onde foi acusado de ser “ciceroniano” em vez de cristão — é uma das mais penetrantes da literatura patrística. A acusação não era de imoralidade mas de idolatria intelectual: o coração de Jerónimo estava mais com os escritores clássicos do que com a Escritura. Esta distinção — entre cristão de nome e cristão de coração, entre quem tem a fé como elemento cultural e quem a tem como centro — é a questão que esta visão coloca a todos os que se chamam cristãos.
São Jerónimo, que foste acusado de ser “ciceroniano” em vez de cristão, intercedei para que eu examine honestamente onde está o meu coração. Que eu não seja cristão de cultura e de tradição familiar mas cristão de coração — onde a Escritura está no centro e não na periferia. Amém.
Segundo Dia — A Vulgata: A Bíblia de Mil Anos
Meditação: A Vulgata — a tradução latina da Bíblia que Jerónimo produziu entre 382 e 405 d.C. — foi o texto bíblico oficial da Igreja Ocidental durante mais de mil anos. Traduzir do hebraico e do grego originais — quando a maioria dos seus contemporâneos usava traduções secundárias — foi uma opção metodológica revolucionária e corajosa. Jerónimo foi ao original quando seria mais fácil e menos polémico usar o que já existia. A fidelidade ao original custou-lhe muitas críticas — e deu à Igreja um texto de qualidade incomparável.
São Jerónimo, que traduziste a Bíblia do original quando seria mais fácil copiar o que já existia, intercedei para que eu também busque as fontes directas da fé. Que eu não me contente com versões de segunda mão da Escritura. E que o esforço de conhecer a Bíblia em profundidade seja para mim tão prioritário quanto foi para vós. Amém.
Terceiro Dia — A Ignorância das Escrituras é Ignorância de Cristo
Meditação: A frase mais famosa de São Jerónimo — “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” — é um dos programas mais exigentes da tradição patrística. Não é convite opcional ao estudo bíblico: é afirmação de que quem não conhece a Escritura não conhece Cristo. Para Jerónimo, o estudo da Bíblia não era actividade académica mas encontro pessoal com o Verbo de Deus que se exprimiu através dos textos sagrados.
São Jerónimo, que disseste que a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo, intercedei para que eu leia e medite a Bíblia com regularidade. Que eu não seja cristão ignorante da Palavra que me constitui. E que cada leitura da Escritura seja para mim encontro real com Cristo que fala através dela. Amém.
Quarto Dia — O Eremita do Deserto
Meditação: Antes de ir para Belém, Jerónimo passou anos no deserto da Calcídis — em penitência, em silêncio, a aprender hebraico. Este tempo de deserto foi a escola que formou o biblista: sem o silêncio do deserto, sem o hebraico aprendido de um judeu convertido, a Vulgata não teria a qualidade que tem. O eremita que parecia estar a escapar da vida estava na verdade a preparar-se para o maior serviço que alguma vez prestou à Igreja. O deserto como escola da missão.
São Jerónimo, que aprendeste hebraico no deserto para melhor servir a Igreja, intercedei para que eu compreenda o valor das preparações longas e aparentemente improdutivas. Que os tempos de silêncio e de aprendizagem que Deus me dá sejam reconhecidos como preparação para a missão — e não como obstáculos a ela. Amém.
Quinto Dia — Belém: Próximo do Presépio
Meditação: Jerónimo escolheu Belém para os últimos 34 anos da sua vida — próximo da gruta onde nasceu Cristo, no lugar onde a Palavra se havia feito carne. Esta escolha geográfica não era arbitrária: Jerónimo queria estudar a Palavra de Deus no lugar onde a Palavra havia entrado no mundo. E do seu mosteiro de Belém, entre o estudo e a oração, produziu a obra que alimentaria a fé de toda a Igreja latina durante um milénio.
São Jerónimo, que escolheste Belém para estudar a Palavra perto do lugar onde a Palavra se fez carne, intercedei para que o meu estudo da Escritura seja sempre próximo do mistério da Encarnação. Que eu nunca esqueça que a Bíblia que estudo fala de uma Pessoa real — Jesus de Nazaré — e não apenas de textos. Amém.
Sexto Dia — O Santo Difícil
Meditação: São Jerónimo era difícil — sarcástico, impaciente, combativo. As suas cartas contêm alguns dos insultos mais elaborados da literatura patrística. E ainda assim, foi canonizado. Esta santidade com temperamento difícil é consoladora: a santidade não exige uma personalidade agradável. Exige um coração orientado para Deus — e o coração de Jerónimo estava inequivocamente orientado para Deus, mesmo quando a língua estava orientada para os adversários.
São Jerónimo, santo difícil que foi canonizado com o temperamento que tinha, intercedei para que eu não desespere das minhas dificuldades de temperamento. Que o trabalho espiritual sobre os meus defeitos seja paciente e persistente. E que aprenda com o vosso exemplo que Deus canoniza pessoas reais — não personagens de santidade fictícia. Amém.
Sétimo Dia — Patrono dos Tradutores
Meditação: São Jerónimo é patrono dos tradutores — porque a sua obra maior foi uma tradução. E a tradução é um dos serviços mais invisíveis e mais essenciais que existe: sem tradutores, as culturas ficam fechadas sobre si mesmas, as ideias não cruzam fronteiras, os livros morrem nas línguas que os produziram. A Vulgata de Jerónimo deu à Igreja Ocidental acesso à Palavra de Deus — e ao fazê-lo, tornou possível toda a cultura cristã medieval.
São Jerónimo, patrono dos tradutores, intercedei por todos os que traduzem — especialmente os que traduzem a Bíblia para línguas que ainda não a têm. Pelos que trabalham nas missões de tradução bíblica em línguas minoritárias. Que o serviço invisível da tradução continue a abrir a Palavra de Deus a todos os povos da terra. Amém.
Oitavo Dia — Paula e as Mulheres de Belém
Meditação: Em Belém, Jerónimo trabalhou em estreita colaboração com Paula e a filha Eustóquio — duas mulheres aristocratas romanas que o haviam seguido para a Terra Santa e que fundaram mosteiros femininos próximos do seu. Paula financiou em parte a obra de Jerónimo, aprendeu hebraico para o ajudar, e foi para ele uma colaboradora indispensável. A morte de Paula, em 404 d.C., foi um dos maiores golpes da vida de Jerónimo. A amizade espiritual que sustenta a missão é um dos dons mais preciosos de Deus.
São Jerónimo, sustentado pela amizade espiritual de Paula e Eustóquio, intercedei para que eu também encontre — e seja — um colaborador fiel na missão de Deus. Que as amizades espirituais que Deus me dá sejam reconhecidas como dons providenciais e tratadas com gratidão e cuidado. Amém.
Nono Dia — Consagração Final
Meditação: Chegamos ao último dia. São Jerónimo morreu em 30 de setembro de 420 d.C. em Belém — depois de 34 anos de estudo, tradução, comentário e polémica. Tinha vivido mais tempo em Belém do que em qualquer outra cidade — próximo do presépio, a serviço da Palavra que havia nascido ali. A sua última obra — os comentários aos Profetas — ficou inacabada. Como a Suma de Tomás, como a obra de tantos grandes: a obra de Deus não cabe numa vida humana. E é isso que a torna infinitamente rica.
São Jerónimo, Doutor da Escritura, ao terminar esta novena, eu me comprometo a ler a Bíblia com mais regularidade e profundidade. Intercedei pelas intenções desta novena. E que a vossa frase — “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” — seja para mim não acusação mas convite: o convite a conhecer Cristo através da Palavra que Ele nos deixou. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração de Encerramento (Todos os Dias)
Glorioso São Jerónimo, Doutor da Escritura e tradutor da Vulgata, recebei as orações desta novena. Intercedei por mim, pelos biblistas e tradutores e pelas minhas intenções junto ao Senhor Jesus. Que o amor à Palavra de Deus que vos animou inspire também a minha vida cristã. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Quando Rezar Esta Novena
De 21 a 29 de setembro — nos nove dias antes da festa de 30 de setembro
Para aprofundar o estudo da Bíblia
Por biblistas e estudiosos da Escritura
Pelos tradutores da Bíblia em línguas minoritárias
Para trabalhar os defeitos de temperamento
Outras Devoções Relacionadas
A devoção a São Jerónimo se aprofunda com outros conteúdos do site. A Novena de São Tomás de Aquino complementa — outro grande Doutor da Igreja que colocou a inteligência ao serviço da fé. A Novena de São Gregório Magno aprofunda — um dos quatro grandes Doutores latinos ao lado de Jerónimo, Ambrósio e Agostinho. O Salmo 119 — “a Tua palavra é lâmpada para os meus pés” — é o salmo de São Jerónimo, o homem que passou a vida a iluminar as palavras de Deus. E o Salmo 1 — “bem-aventurado o homem que medita a Lei do Senhor de dia e de noite” — exprime a espiritualidade bíblica que Jerónimo viveu em Belém durante 34 anos.
Contains information related to marketing campaigns of the user. These are shared with Google AdWords / Google Ads when the Google Ads and Google Analytics accounts are linked together.
90 days
__utma
ID used to identify users and sessions
2 years after last activity
__utmt
Used to monitor number of Google Analytics server requests
10 minutes
__utmb
Used to distinguish new sessions and visits. This cookie is set when the GA.js javascript library is loaded and there is no existing __utmb cookie. The cookie is updated every time data is sent to the Google Analytics server.
30 minutes after last activity
__utmc
Used only with old Urchin versions of Google Analytics and not with GA.js. Was used to distinguish between new sessions and visits at the end of a session.
End of session (browser)
__utmz
Contains information about the traffic source or campaign that directed user to the website. The cookie is set when the GA.js javascript is loaded and updated when data is sent to the Google Anaytics server
6 months after last activity
__utmv
Contains custom information set by the web developer via the _setCustomVar method in Google Analytics. This cookie is updated every time new data is sent to the Google Analytics server.
2 years after last activity
__utmx
Used to determine whether a user is included in an A / B or Multivariate test.
18 months
_ga
ID used to identify users
2 years
_gali
Used by Google Analytics to determine which links on a page are being clicked
30 seconds
_ga_
ID used to identify users
2 years
_gid
ID used to identify users for 24 hours after last activity
24 hours
_gat
Used to monitor number of Google Analytics server requests when using Google Tag Manager