Salmo 137 — Texto Completo, Significado e Oração “Às Margens dos Rios da Babilônia”
Há momentos em que cantar seria desonesto. Quando a dor é tão real, a perda tão concreta, o sofrimento tão presente — que qualquer canto soaria como traição ao que aconteceu. Não por falta de fé, mas por excesso de honestidade. Por recusa de performar alegria quando o coração está em frangalhos.
Os exilados de Israel conheceram esse momento. Sentados às margens dos canais da Babilônia, com Jerusalém em ruínas a centenas de quilômetros de distância, o Templo destruído, o rei deposto, toda a estrutura da vida religiosa e nacional desfeita — seus opressores lhes pediram que cantassem as canções de Sião. E eles penduaram as harpas nas salgueiras e responderam com uma das perguntas mais honestas da história espiritual humana: como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?
O Salmo 137 é o documento mais íntimo do exílio babilônico que a Bíblia possui. Não é teologia sobre o exílio — é o exílio em carne viva, em lágrimas reais, em amor inapagável por uma cidade destruída. É o salmo que a cultura tende a evitar porque é desconfortável — especialmente os seus últimos versículos, com imagens de violência que parecem incompatíveis com a noção de oração. Mas é exatamente por sua honestidade radical que ele merece ser lido com cuidado.
Porque o Salmo 137 não é apenas sobre a Babilônia de 586 a.C. É sobre todo exílio espiritual — toda experiência de estar longe do que deveria ser o centro, de sentir que a liturgia soa vazia, de não conseguir cantar quando o coração chora. E é, ao mesmo tempo, um testemunho do amor que resiste — que jura não esquecer Jerusalém mesmo quando seria mais fácil adaptar-se e calar.
Salmo 137 — Texto Completo

1 Às margens dos rios da Babilônia nos sentamos e choramos,
quando nos lembramos de Sião.
2 Nas suas salgueiras, nelas pendurámos as nossas harpas.
3 Pois ali os que nos levaram cativos nos pediam canções;
e os que nos saquearam nos pediam alegria, dizendo:
Cantai-nos uma das canções de Sião.
4 Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?
5 Se me esquecer de ti, ó Jerusalém,
que a minha mão direita me esqueça.
6 Que a minha língua se apegue ao meu paladar
se de ti não me lembrar,
se não elevar Jerusalém
acima de toda a minha alegria.
7 Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom
no dia de Jerusalém, que diziam:
Arrasai-a, arrasai-a até ao seu fundamento.
8 Ó filha da Babilônia, que serás destruída,
feliz aquele que te retribuir
o mal que nos fizeste.
9 Feliz aquele que pegar nos teus filhos
e os espatifar na pedra.— Salmo 137:1-9 (Almeida Revista e Atualizada)
O Documento Mais Íntimo do Exílio
Para compreender completamente o Salmo 137, é preciso situar-se historicamente com precisão. Em 586 a.C., o rei babilônico Nabucodonosor completou a conquista de Jerusalém que havia começado anos antes. O que aconteceu foi de uma brutalidade sistemática: o Templo de Salomão — o Templo que Davi havia sonhado, que Salomão havia construído em sete anos, que era o centro espiritual de toda a vida israelita — foi incendiado e demolido. Os muros de Jerusalém foram derrubados. A cidade foi saqueada. O rei Zedequias viu seus filhos serem mortos diante de seus olhos antes que os próprios olhos fossem arrancados. E então a maior parte da população foi deportada a pé para a Babilônia, a aproximadamente 1.500 quilômetros de distância.
O que os exilados levaram consigo não tinha peso físico: memórias. Canções. As palavras da Torá. O cheiro do Templo. A visão das muralhas de Sião. E o amor por tudo aquilo que havia sido destruído.
Os “rios da Babilônia” eram os canais de irrigação que tornavam a cidade uma das mais prósperas do mundo antigo — os canais do Eufrates e Tigre que dividiam a planície mesopotâmica em quadrículas férteis. Os israelitas se sentavam às margens desses canais. Não para admirar a engenharia babilônia. Para chorar.
O contraste é brutal: a água que sustentava a prosperidade do opressor era o palco do luto do oprimido. E esse contraste é o coração emocional do salmo.
Estrutura do Salmo 137

Versículos 1–3 — O cenário e a ofensa: A cena do exílio — as margens dos rios, as lágrimas, as harpas penduradas. E o pedido humilhante dos opressores: “cantai-nos uma das canções de Sião.”
Versículo 4 — A pergunta central: “Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?” — a questão teológica e espiritual que o exílio força à superfície.
Versículos 5–6 — O juramento de fidelidade: O amor declarado a Jerusalém, com a autoimprecação mais solene que um músico poderia fazer: que minha mão direita e minha língua me falhem se eu esquecer.
Versículos 7–9 — O clamor por justiça: O pedido a Deus para se lembrar da traição de Edom, e as imprecações contra a Babilônia — os versículos mais perturbadores do salmo.
Análise Versículo a Versículo
Versículos 1–2 — “Nos Sentamos e Choramos”
“Às margens dos rios da Babilônia nos sentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Nas suas salgueiras, nelas pendurámos as nossas harpas.”
O verbo hebraico para “nos sentamos” é yashavnu (יָשַׁבְנוּ) — a mesma raiz de “habitar”, de permanência. Não é o sentar ocasional de quem passa — é o habitar triste de quem está instalado no luto. Os exilados não estavam de passagem; estavam fixados ali, e o sentar junto à água era a postura do luto prolongado.
“Quando nos lembramos de Sião” — o verbo zakar (lembrar) em hebraico não é apenas recordação cognitiva. É atualização emocional e relacional — trazer para o presente, com toda a carga afetiva, o que está ausente. Lembrar-se de Sião na Babilônia era experimentar a ausência de Sião com a intensidade de uma perda fresca.
A salgueira (aravah — עֲרָבָה) é a árvore de luto por excelência no mundo antigo mediterrâneo. Seus galhos longos e curvados que pendiam sobre a água eram associados ao choro e ao lamento. Pendurar a harpa na salgueira é um gesto iconicamente triste: o instrumento do louvor e da alegria suspendido numa árvore de lamento, silenciado por um tempo indefinido.
Versículo 3 — A Demanda dos Opressores
“Pois ali os que nos levaram cativos nos pediam canções; e os que nos saquearam nos pediam alegria, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião.”
A demanda dos opressores tem uma crueldade particular que o texto captura perfeitamente. Não era uma demanda inocente de entretenimento — era uma humilhação calculada. “Cantai-nos as suas canções sagradas” é o equivalente de forçar um prisioneiro a exibir os símbolos mais sagrados de sua cultura como entretenimento para seus captores.
Há evidências arqueológicas de que músicos capturados eram levados como troféus de guerra no mundo antigo — os relevos assírios e babilônicos mostram procissões de cativos carregando instrumentos. O Salmo 137 descreve exatamente esse cenário: os músicos israelitas, levados como parte do espólio de guerra, sendo pressionados a performar.
E a recusa — expressa pelo gesto de pendurar as harpas — é ao mesmo tempo protesto ético e dignidade espiritual. O louvor a Deus não é produto de entretenimento. O sagrado não se transforma em espetáculo para satisfazer curiosidade ou humilhar o adorador. A harpa pendurada é o “não” mais eloquente que um músico pode dizer.
Versículo 4 — “Como Cantaremos?”
“Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?”
Esta é uma das perguntas mais teologicamente ricas do Saltério inteiro. E ela não tem resposta dentro do próprio salmo — permanece aberta, suspensa no ar como a harpa na salgueira.
A questão não é apenas prática (“como fazemos liturgia sem Templo?”) — é existencial e teológica. Toda a teologia israelita pressupunha que a presença de Deus estava especialmente vinculada ao Templo em Sião. O Templo era o beit YHWH — a casa do Senhor. Como adorar o Senhor quando a casa foi destruída? Como cantar as canções de um Deus que, aparentemente, não conseguiu proteger nem o seu próprio santuário?
Esta é a crise do exílio em sua dimensão mais profunda — não apenas a perda política e cultural, mas a crise teológica. O Deus de Israel havia sido derrotado pelo deus dos babilônios? Ou havia algo que os exilados ainda não compreendiam sobre a natureza da presença divina?
A resposta que Israel gradualmente elaborou durante o exílio foi revolucionária para a história da religião: Deus não está confinado ao Templo. Deus pode ser encontrado junto aos rios da Babilônia. A lei pode ser estudada sem sacerdotes. A fé pode ser vivida sem sacrifícios. Esta teologia nascida no exílio é a que tornou o judaísmo — e depois o cristianismo — religiões portáteis, não atadas a um lugar geográfico específico.
Versículos 5–6 — O Juramento de Fidelidade
“Se me esquecer de ti, ó Jerusalém, que a minha mão direita me esqueça. Que a minha língua se apegue ao meu paladar se de ti não me lembrar, se não elevar Jerusalém acima de toda a minha alegria.”
A transição do “nós” coletivo dos versículos 1-4 para o “eu” singular dos versículos 5-6 é um dos movimentos mais poderosos do salmo. O sofrimento coletivo se torna declaração pessoal e íntima de amor.
O juramento tem a forma de uma autoimprecação — a maldição que o falante chama sobre si mesmo se não cumprir a promessa. “Que a minha mão direita me esqueça” — a mão direita era a mão da habilidade, do serviço, da força. Para um músico (e o salmo foi claramente composto por alguém que tocava harpa), a mão direita era o instrumento do ofício. “Que eu perca minha habilidade de tocar se esquecer de ti” — é a oferta mais cara que um músico pode fazer.
“Que a minha língua se apegue ao meu paladar” — o cantor que não pode mais cantar porque perdeu a voz. O músico que perdeu os dedos e o cantor que perdeu a voz: o exilado que jura nunca esquecer Jerusalém se dispõe a perder o que tem de mais precioso.
“Se não elevar Jerusalém acima de toda a minha alegria” (al rosh simchati — “acima do topo da minha alegria”) — Jerusalém no topo de toda a escala de prioridades afetivas. Não apenas amada; amada mais do que qualquer outra coisa que poderia gerar alegria. Em terra estranha, onde a adaptação e o esquecimento seriam o caminho de menor resistência, o exilado escolhe a fidelidade dolorosa à memória.
Esta declaração de amor a Jerusalém tornou-se a base de uma das tradições mais antigas do judaísmo: a quebra de um copo de vidro no casamento judeu. Em cada casamento, um copo é quebrado em memória da destruição do Templo — para que Jerusalém seja lembrada mesmo no momento de maior alegria. É o versículo 6 encarnado em ritual: “se não elevar Jerusalém acima de toda a minha alegria.”
Versículo 7 — Edom e a Traição
“Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Arrasai-a, arrasai-a até ao seu fundamento.”
Edom — nação descendente de Esaú, irmão de Jacó — era o parente mais próximo de Israel. E sua traição no dia da queda de Jerusalém foi especialmente sentida. Em vez de ajudar o povo irmão, os edomitas encorajaram a destruição: “Arrasai-a, arrasai-a até ao seu fundamento.” Essa traição do irmão em momento de crise máxima é o tipo de ferida que não cicatriza facilmente.
O clamor ao Senhor para “lembrar” (zekor Adonai) não é pedido de vingança direta — é entrega do caso ao Juiz justo. O exilado não vai pessoalmente punir Edom; pede que Deus se lembre. É a postura do Salmo 129: não a mão do injustiçado que se vinga, mas o apelo ao Juiz eterno que não esquece.
Versículos 8–9 — As Imprecações contra a Babilônia
“Ó filha da Babilônia, que serás destruída, feliz aquele que te retribuir o mal que nos fizeste. Feliz aquele que pegar nos teus filhos e os espatifar na pedra.”
Estes são os versículos mais perturbadores do Saltério — e não há honestidade intelectual em suavizá-los ou ignorá-los. A imagem do versículo 9 é de violência brutal contra crianças — exatamente o tipo de violência que as tropas babilônias praticaram contra Israel na conquista de Jerusalém (cf. 2 Reis 8:12; Isaías 13:16).
Como entendê-los? A tradição cristã oferece pelo menos três caminhos:
Primeiro: como expressão honesta de sofrimento extremo, não como programa de ação. Os exilados não foram a Babilônia pegar crianças — foram humilhados, choram e cantam o que sentem. O salmo valida o sentimento sem necessariamente prescrever a ação. Deus pode receber nossa raiva em sua forma bruta, sem que isso signifique aprovação ou instrução para agir nessa raiva.
Segundo: como clamor profético de justiça histórica. Babilônia, de fato, foi destruída — pelo exército persa sob Ciro, em 539 a.C. A “filha da Babilônia” que “será destruída” (o futuro passivo hebraico carrega certeza profética) viu seu dia de julgamento. O salmo não está errado sobre o resultado histórico.
Terceiro: como alegoria da luta espiritual. Orígenes de Alexandria, seguido por Agostinho e vários Padres da Igreja, interpretou os “filhos da Babilônia” como os pensamentos pecaminosos que nascem na alma — e “espatifá-los na pedra” como destruir esses pensamentos nascentes antes que cresçam. A “pedra” é Cristo (1 Coríntios 10:4). Esta leitura alegórica não nega a realidade histórica, mas abre um caminho de aplicação espiritual que não precisa envolver violência física.
O que a tradição cristã não pode honestamente fazer é fingir que os versículos 8-9 não existem, ou que eles não causam desconforto. Eles existem, causam desconforto — e esse desconforto é parte do que o salmo tem para ensinar: que a Bíblia é honesta sobre a experiência humana em toda a sua extensão, incluindo os sentimentos que gostaríamos de não ter.
A Teologia do Salmo 137
1. O lamento é oração legítima: O Salmo 137 não começa com louvor — começa com choro. E isso é oração. A tradição bíblica não exige que o crente finja estar bem quando não está. O Deus que ouve o clamor do abismo (Salmo 130) também ouve o choro junto aos rios da Babilônia. O silêncio da harpa pendurada é também uma forma de oração.
2. A fidelidade ao sagrado é resistência ao mal: A recusa de cantar por encomenda não é derrota — é resistência. Os exilados que penduraram as harpas disseram “não” com um gesto. Mantiveram a integridade de sua fé recusando-se a comercializá-la ou usá-la como instrumento de um poder que não reconheciam como legítimo. Esta fidelidade é o fundamento da sobrevivência espiritual no exílio.
3. Deus pode ser encontrado fora do Templo: A pergunta do versículo 4 — “como cantaremos?” — recebeu resposta ao longo do exílio: com dificuldade, com criatividade, com a descoberta de que Deus não estava confinado ao Templo destruído. O exílio forçou Israel a descobrir a portabilidade de sua fé — e essa descoberta foi fundamental para o desenvolvimento do judaísmo e, depois, do cristianismo.
4. A raiva e o amor coexistem na oração autêntica: O Salmo 137 contém amor intenso (versículos 5-6) e raiva intensa (versículos 7-9). Ambos são dirigidos a Deus. A oração bíblica não requer que selecionemos apenas os sentimentos “apropriados” para apresentar a Deus — ela acolhe a totalidade da experiência humana e a transforma em diálogo com o Criador.
O Salmo 137 no Novo Testamento e na Tradição Cristã
O Salmo 137 não é citado diretamente no Novo Testamento, mas a experiência do exílio que ele descreve é a matriz de toda a espiritualidade do “já e ainda não” cristão. A carta aos Hebreus descreve os patriarcas como “estrangeiros e peregrinos na terra” (Hb 11:13) — a mesma condição dos exilados do Salmo 137. Pedro chama os cristãos de “estrangeiros e peregrinos” (1 Pe 2:11). O exílio é a condição espiritual permanente do crente neste mundo.
Orígenes escreveu o comentário mais influente sobre o Salmo 137 na tradição patrística. Para ele, Babilônia representa o mundo material que distrai a alma de sua pátria celeste (Jerusalém). As harpas penduradas são as virtudes em espera, não praticadas enquanto a alma está no “exílio”. E o versículo 9 — espatifar os filhos de Babilônia na pedra — é a destruição dos pensamentos carnais nascentes, antes que cresçam.
Agostinho usou o Salmo 137 na Cidade de Deus como símbolo da condição da Igreja no mundo: a Cidade de Deus (Jerusalém) em exílio na Cidade do Homem (Babilônia), saudosa do lar definitivo, tentada a adaptar-se e esquecer, mas fiel à memória do que é sua verdadeira pátria.
Na música, o Salmo 137 inspirou algumas das composições mais memoráveis da história — de Orlando di Lasso no século XVI a Verdi no século XIX, passando pela canção reggae “Rivers of Babylon” dos Melodians (1970), popularizada pelo grupo Boney M., que levou o salmo a milhões de pessoas que nunca abriram a Bíblia. A permanência musical do Salmo 137 é testemunho de que sua experiência de exílio ressoa universalmente.
Como Viver o Salmo 137 no Cotidiano
1. Quando o Louvor Parece Impossível — Versículos 1–4
Há momentos em que cantar seria desonesto. O Salmo 137 dá permissão para pendurar a harpa — para reconhecer que ainda não é hora de louvar, que o luto precisa de espaço antes da alegria. O Salmo 130 é o par natural: do fundo do abismo, ainda se pode clamar — mesmo sem conseguir cantar.
2. Como Declaração de Fidelidade Espiritual — Versículos 5–6
Quando o ambiente ao redor pressiona para esquecer Deus, para adaptar-se, para abandonar a prática espiritual — os versículos 5-6 são o juramento de resistência: “não me esquecerei de Ti, mesmo que custe.” Os versículos de confiança em Deus sustentam esse compromisso.
3. Para Entender o Sofrimento Sem Amenizá-lo
O Salmo 137 é um recurso para quem acompanha pessoas em sofrimento extremo — luto, trauma, injustiça. Ele valida que a raiva e a dor podem ser apresentadas a Deus sem filtro. Não há necessidade de “espiritualizar” o que é puramente humano. O Salmo 22 — “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” — é o par perfeito para essa honestidade radical.
4. Como Meditação sobre o Exílio Espiritual
Toda alma tem seu “exílio” — momentos em que a presença de Deus parece distante, o louvor impossível, a fé enfraquecida. O Salmo 137 nomeia essa experiência sem resolvê-la imediatamente — e nisso está sua sabedoria: às vezes o primeiro passo é simplesmente nomear o exílio. O Salmo 42 é o outro salmo do anseio e da sede de Deus, par natural do Salmo 137.
O Salmo 137 na Liturgia Cristã
Na Liturgia das Horas, o Salmo 137 aparece nas Vésperas de algumas semanas do saltério, usualmente com os versículos 8-9 omitidos ou com uma introdução que contextualiza as imprecações. A Igreja reconhece a dificuldade pastoral desses versículos e os enquadra com cuidado.
Na liturgia quaresmal, o Salmo 137 é frequentemente meditado como expressão do exílio espiritual da humanidade — longe de Deus pelo pecado, ansiosa pela “Jerusalém” da comunhão definitiva. A Quaresma é o tempo em que a Igreja reconhece sua condição de “exilada” e anseia pelo retorno da Páscoa.
Na tradição judaica, o Salmo 137 é recitado em dias de luto nacional — especialmente no Tisha B’Av, o jejum que commemora a destruição do Templo. Nesse dia, os judeus recitam as Lamentações de Jeremias e o Salmo 137 em contexto de luto coletivo pela perda do Templo e pelo exílio.
Oração Baseada no Salmo 137
Senhor,
há dias em que a harpa fica pendurada.
Em que o louvor não vem,
em que a canção seria desonesta,
em que o único que consigo fazer
é sentar-me à beira da água
e chorar.
E Tu sabes isso.
E aceitas isso.
Porque o choro junto aos rios
também chega até Ti.
Eu não me esquecerei de Ti,
mesmo quando parecer que Te esqueciste de mim.
Como o exilado que jura fidelidade a Sião
mesmo à beira dos canais da Babilônia,
eu elevo o Teu nome
acima de toda a minha alegria.
Não porque a dor não é real.
Mas porque o Teu amor
é mais real ainda.
E um dia —
quando for hora —
as harpas descerão das salgueiras.
E voltaremos a cantar.
Amém.
Frases do Salmo 137 para Compartilhar
- “Às margens dos rios da Babilônia nos sentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião.” — Salmo 137:1
- “Nas suas salgueiras, nelas pendurámos as nossas harpas.” — Salmo 137:2
- “Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?” — Salmo 137:4
- “Se me esquecer de ti, ó Jerusalém, que a minha mão direita me esqueça.” — Salmo 137:5
- “Se não elevar Jerusalém acima de toda a minha alegria.” — Salmo 137:6
- “Há momentos em que pendurar a harpa é o ato de fé mais honesto possível.”
- “O exílio não é o fim da história com Deus — é onde a portabilidade da fé é descoberta.”
- “A pergunta ‘como cantaremos?’ é oração. Deus ouve também o que não conseguimos cantar.”
O Salmo 137 e Outros Conteúdos do Site
- Salmo 130 — “Do Fundo do Abismo Clamo a Ti” — o outro grande salmo do clamor no sofrimento profundo.
- Salmo 42 — “Como o Cervo Brama pelas Correntes” — o salmo do anseio e da sede de Deus em exílio.
- Salmo 22 — “Deus Meu, Por que Me Abandonaste?” — honestidade radical na oração, par do Salmo 137.
- Salmo 126 — “Quando o Senhor Trouxe os Cativos de Volta” — a restauração que o Salmo 137 ainda aguarda.
- Salmo 46 — “Deus é o Nosso Refúgio e Força” — sustento durante o exílio que o Salmo 137 descreve.
- Versículos de Esperança — para quem está nas margens da Babilônia e aguarda o retorno.




