O Salmo do Discípulo — Quando a Oração é Principalmente Aprender

O Salmo 25 é uma das orações mais completas de orientação e aprendizado em todo o saltério. Diferentemente de muitos salmos que clamam por vitória, por proteção ou por salvação — o Salmo 25 tem como pedido central o ensino: “Ensinai-me os vossos caminhos, Senhor; instruí-me nas vossas veredas” (v.4). Davi não está pedindo primariamente que Deus resolva o problema — está pedindo que Deus o ensine a navegar o problema com sabedoria. É a oração do discípulo, do aprendiz, de quem reconhece que a maior necessidade não é intervenção divina mas formação divina.
O Salmo 25 é também um poema acróstico hebraico — cada versículo começa com a letra seguinte do alfabeto hebraico, do alef ao tav. Esta forma poética deliberada indica que o conteúdo é organizado com cuidado extremo — de A a Z, o relacionamento com Deus é coberto em sua completude. A oração do discípulo não é improvisada — é estruturada, aprofundada, cobrindo toda a extensão da experiência de quem busca ser ensinado por Deus.
Três temas se entrelaçam no Salmo 25: o pedido de orientação divina (v.4-5), a confissão de pecados passados com pedido de perdão (v.6-7, 11, 18) e a declaração de confiança no Deus que guia os humildes (v.9-10). O salmo não separa a orientação para a vida do perdão dos erros passados — porque ambos fazem parte do mesmo relacionamento: o discípulo que quer aprender o caminho de Deus precisa primeiro ser libertado do peso do passado que distorce a visão do caminho futuro.
Salmo 25 — Texto Completo
De Davi.
1 A ti, Senhor, elevo a minha alma.
2 Meu Deus, em ti confio; não me deixes envergonhado, e não deixes que os meus inimigos triunfem sobre mim.
3 Na verdade, nenhum dos que esperam em ti será envergonhado; mas os que transgridem sem causa serão envergonhados.
4 Faze-me conhecer os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas.
5 Conduz-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; em ti espero todo o dia.
6 Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas bondades, pois são desde a eternidade.
7 Não te lembres dos pecados da minha mocidade nem das minhas transgressões; lembra-te de mim segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, Senhor.
8 Bom e reto é o Senhor; portanto, ensinará os pecadores no caminho.
9 Guiará os humildes no julgamento e ensinará aos humildes o seu caminho.
10 Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.
11 Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande.
12 Quem é o homem que teme ao Senhor? A este ensinará o caminho que deve escolher.
13 A sua alma ficará em bem, e a sua descendência herdará a terra.
14 O segredo do Senhor é para os que o temem; e ele lhes fará conhecer a sua aliança.
15 Os meus olhos estão sempre no Senhor; porque ele tirará os meus pés do laço.
16 Olha para mim e tem misericórdia de mim; porque estou só e aflito.
17 As angústias do meu coração se multiplicaram; livra-me das minhas atribulações.
18 Vê a minha aflição e o meu sofrimento e perdoa todos os meus pecados.
19 Vê os meus inimigos, pois se multiplicaram, e odeiam-me com ódio cruel.
20 Guarda a minha alma e livra-me; não me deixes envergonhado, pois em ti me refugio.
21 A integridade e a retidão me guardem, pois em ti espero.
22 Ó Deus, resgata a Israel de todas as suas angústias.— Salmo 25:1-22 (Almeida Revista e Atualizada)
A Estrutura Acróstica — De A a Z com Deus

O Salmo 25 é um dos cinco poemas acrósticos do saltério (juntamente com os Salmos 9-10, 34, 37, 111, 112 e 119). No poema acróstico hebraico, cada versículo começa com a letra consecutiva do alfabeto — do alef (equivalente ao “A”) ao tav (equivalente ao “Z”). Esta forma extremamente disciplinada de composição poética tinha dois propósitos:
Primeiro, servía como recurso mnemônico — o acróstico ajudava a memorizar o poema, pois cada letra do alfabeto sinalizava onde o próximo versículo começava. Em cultura de tradição oral, onde os salmos eram memorizados e cantados, esta era vantagem prática significativa.
Segundo, a forma acróstica expressava completude e totalidade — do alef ao tav é a forma hebraica de dizer “do começo ao fim,” “de A a Z.” O Salmo 25 é, portanto, uma oração completa — que cobre de forma sistemática toda a extensão da experiência de quem busca ser ensinado por Deus. Leia o Salmo 9 como outro exemplo de poema acróstico no saltério.
Três Grandes Temas do Salmo 25
O Salmo 25 entrelaça três grandes temas que se iluminam mutuamente:
Tema 1 — O Pedido de Orientação (v.4-5, 8-9, 12): “Faze-me conhecer os teus caminhos; ensina-me as tuas veredas; conduz-me na tua verdade.” É o tema central — o pedido do discípulo que quer ser ensinado por Deus. A orientação pedida não é apenas informação intelectual — é condução existencial, ser guiado pelo caminho certo da vida.
Tema 2 — A Confissão e o Perdão (v.6-7, 11, 18): “Não te lembres dos pecados da minha mocidade… perdoa a minha iniquidade, pois é grande… perdoa todos os meus pecados.” O pedido de orientação está intimamente ligado ao pedido de perdão — porque quem carrega o peso do passado não consegue ver claramente o caminho do futuro.
Tema 3 — A Confiança e a Espera (v.1-3, 15, 21): “A ti, Senhor, elevo a minha alma… em ti confio… os meus olhos estão sempre no Senhor.” A fundação de toda a oração é a confiança e a espera — a alma elevada a Deus como postura que precede e sustenta os pedidos específicos.
Análise Versículo a Versículo
Versículo 1-2 — Elevar a Alma como Postura de Oração
“A ti, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em ti confio; não me deixes envergonhado.”
“A ti, Senhor, elevo a minha alma” (elecha YHWH nafshi essa) — a abertura do Salmo 25 é uma das imagens de oração mais ricas do saltério. “Elevar a alma” é gesto espiritual de orientação deliberada — como quem levanta o rosto em direção à luz, como quem aponta a bússola para o norte. A alma não vai a Deus por acidente — é elevada deliberadamente, com intenção, com esforço de vontade. O Salmo 86:4 usa a mesma expressão: “alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.”
“Meu Deus, em ti confio” — a confiança (batachti) como postura fundamental. A alma elevada (v.1) é a alma que confia — ambas são posições de fé que orientam o ser humano para Deus antes de qualquer pedido específico. “Não me deixes envergonhado” — o maior medo de quem confia é que a confiança seja frustrada — que colocar a esperança em Deus leve à vergonha pública de ter confiado em vão. O versículo 3 responde: “nenhum dos que esperam em ti será envergonhado.” Leia o Salmo 62 — “só em Deus descansa a minha alma” — como aprofundamento desta postura de confiança.
Versículos 4-5 — Faze-me Conhecer os Teus Caminhos
“Faze-me conhecer os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas. Conduz-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; em ti espero todo o dia.”
Os versículos 4-5 são o coração pedagógico do Salmo 25 — o pedido mais específico e mais distintivo do salmo inteiro. Quatro imperativos de aprendizado em dois versículos: “faze-me conhecer,” “ensina-me,” “conduz-me,” “ensina-me” (novamente). A repetição e a variedade dos verbos revelam a intensidade do desejo de ser ensinado — não uma vez, não superficialmente, mas conduzido profundamente na verdade de Deus.
“Faze-me conhecer os teus caminhos, Senhor” (derachecha YHWH hodiyeni) — os “caminhos de Deus” (derachot) são a forma de Deus agir, os padrões do Seu caráter revelados na história, os princípios que governam a criação e a redenção. Conhecer os caminhos de Deus é mais do que saber informações sobre Deus — é entender como Ele pensa, como Ele age, o que Ele valoriza. É o conhecimento que transforma o comportamento porque transforma a visão de mundo.
“Conduz-me na tua verdade” (hadricheini beamitecha) — “conduz” é verbo de liderança ativa — não apenas apontar a direção, mas ir à frente e guiar o caminho. A “verdade” (emet) de Deus não é apenas proposição intelectual correta — é realidade fundamental sobre como as coisas são, sobre o que é real e o que é ilusório. Ser “conduzido na verdade de Deus” é ter a visão de mundo alinhada com a realidade como Deus a criou e como ele a conhece.
“Em ti espero todo o dia” — a espera que não tem prazo, que não é apenas nas crises, que é modo de vida permanente. “Todo o dia” — não apenas nos momentos de oração formal, não apenas quando a situação é crítica — a espera em Deus é postura contínua que permeia toda a existência. Leia o Salmo 130 — “a minha alma espera” — como o aprofundamento da espera descrita aqui.
Versículo 6-7 — Lembra-te das Tuas Misericórdias: Não te Lembres dos Meus Pecados
“Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas bondades, pois são desde a eternidade. Não te lembres dos pecados da minha mocidade nem das minhas transgressões; lembra-te de mim segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, Senhor.”
Os versículos 6-7 são teologicamente densos e estruturalmente antitéticos: “lembra-te” das misericórdias de Deus (v.6) versus “não te lembres” dos pecados de Davi (v.7). A memória divina é convocada seletivamente — que Deus lembre o que Ele é (misericordioso, bondoso, eterno) e esqueça o que Davi foi (pecador na mocidade, transgressor).
“As tuas misericórdias… são desde a eternidade” — o chesed (misericórdia, amor leal) de Deus não é recente, não é resposta às circunstâncias — é “desde a eternidade,” anterior a qualquer história humana. O perdão que Davi pede não é algo que Deus precisa ser persuadido a conceder — é algo que faz parte do que Deus sempre foi e sempre será. Lamentações 3:22-23 confirma: “as misericórdias do Senhor não têm fim; as suas bondades não se esgotam; renovam-se cada manhã.”
“Não te lembres dos pecados da minha mocidade” — os pecados da juventude são os que deixam marcas mais duradouras — tanto na memória do pecador que os carrega com vergonha, quanto na reputação que os outros mantêm. Davi pede que Deus não use o passado como critério do presente — que a misericórdia eterna de Deus supere a memória do pecado temporal. Leia o Salmo 103:12 — “quanto o oriente dista do ocidente, assim ele afasta de nós as nossas transgressões.”
Versículo 8-9 — Bom e Reto: Deus Ensina os Pecadores e os Humildes
“Bom e reto é o Senhor; portanto, ensinará os pecadores no caminho. Guiará os humildes no julgamento e ensinará aos humildes o seu caminho.”
O versículo 8 é um dos mais importante do Salmo 25 porque revela quem Deus ensina: os pecadores e os humildes. Não os perfeitos, não os que já sabem, não os que demonstraram capacidade prévia de seguir o caminho — mas os pecadores (quem errou o caminho) e os humildes (quem reconhece que precisa de guia). A bondade e a retidão de Deus são exatamente a razão para que Ele ensine quem não merece ser ensinado — é graça, não recompensa.
“Ensinará os pecadores no caminho” — esta afirmação é revolucionária. O pecador normalmente esperaria ser excluído, afastado do caminho de Deus por causa do pecado. O Salmo 25 diz o contrário: o pecador é ensinado por Deus — desde que, como o versículo anterior indica, esteja disposto a reconhecer o pecado e buscar o perdão. O ensino de Deus não espera que o aluno seja perfeito — começa com o aluno imperfeito e o forma no caminho.
“Guiará os humildes no julgamento e ensinará aos humildes o seu caminho” — a humildade (anavim) é a qualidade necessária para receber o ensino de Deus. Quem já sabe tudo não aprende; quem está cheio de si mesmo não tem espaço para o ensino de Deus. A humildade que reconhece a própria limitação e a dependência de Deus é a postura que abre o aprendizado. É o mesmo princípio de Mateus 18:3-4: “se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Leia o versículos sobre confiança em Deus.
Versículo 10 — Misericórdia e Verdade: as Veredas de Deus
“Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.”
“Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade” — uma das declarações mais abrangentes sobre o caráter do agir de Deus em todo o saltério. “Todas” — sem exceção. As circunstâncias difíceis, os caminhos que pareciam errado, os desvios que foram dolorosos — todos eles, vistos da perspectiva da fé, são caracterizados por misericórdia (chesed) e verdade (emet). Dois atributos divinos que se complementam: misericórdia é a bondade que excede o merecido; verdade é a fidelidade que cumpre o prometido. Juntos, cobrem toda a extensão do relacionamento de Deus com Seu povo.
“Para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos” — a promessa não é universal e automática — é para quem guarda a aliança. Não como condição de salvação (a aliança é iniciativa de Deus, não conquista humana) mas como postura de responsividade: quem recebe a aliança e a guarda vive dentro do espaço onde a misericórdia e a verdade de Deus são experimentadas em toda a sua riqueza.
Versículo 11 — Por Amor do Teu Nome: Perdão da Grande Iniquidade
“Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande.”
O versículo 11 é um dos mais teologicamente ricos do Salmo 25. O pedido de perdão tem dois elementos notáveis: o fundamento e a razão para o perdão.
O fundamento: “por amor do teu nome” — Davi não pede perdão porque merece, não porque o arrependimento foi suficientemente profundo, não porque prometeu não pecar mais. Pede “por amor do teu nome” — pelo caráter que o nome de Deus representa, pela reputação de Deus como misericordioso, pela glória de Deus como Aquele que perdoa. É a estratégia mais profunda de intercessão — usar os próprios atributos de Deus como argumento para que Ele aja conforme o que É.
A razão paradoxal: “pois é grande” — Davi pede perdão precisamente porque a iniquidade é grande. Em lógica humana, a gravidade do pecado seria razão para duvidar do perdão. Em lógica divina, a gravidade do pecado é razão adicional para clamar pela misericórdia que só Deus tem em medida suficiente. Quanto maior o pecado, maior a misericórdia que se precisa — e quanto maior a misericórdia necessária, mais claramente se revela a glória do Deus que perdoa. Leia os versículos sobre perdão.
Versículo 14 — O Segredo do Senhor para os que O Temem
“O segredo do Senhor é para os que o temem; e ele lhes fará conhecer a sua aliança.”
“O segredo do Senhor” (sod YHWH) — sod é a intimidade confidencial, o conselho íntimo que se partilha apenas com os mais próximos. Na cultura do Antigo Oriente Médio, o rei partilhava os seus “segredos” — planos, intenções, estratégias — apenas com os conselheiros de mais confiança. O Salmo 25:14 declara que Deus partilha Seus “segredos” — o que está em Seu coração, o que planeja fazer, o sentido mais profundo dos eventos — com quem O teme.
Esta é uma das afirmações mais preciosas sobre a intimidade com Deus no saltério: o temor de Deus não é relação de medo servil — é relação de confiança íntima onde Deus revela o que está mais fundo. “Ele lhes fará conhecer a sua aliança” — o conhecimento da aliança não é apenas informação teológica sobre a aliança — é experiência viva do que a aliança significa, da fidelidade de Deus que a sustenta. Leia o Salmo 84 — “bem-aventurado o homem cuja força está em ti” — sobre esta intimidade com Deus.
Versículo 15 — Os Meus Olhos Estão Sempre no Senhor
“Os meus olhos estão sempre no Senhor; porque ele tirará os meus pés do laço.”
“Os meus olhos estão sempre no Senhor” — uma das declarações mais belas de orientação espiritual contínua no saltério. “Sempre” (tamid) — de forma constante, permanente, sem interrupção. Os olhos voltados permanentemente para Deus é a postura que permite ver quando os laços se armam — e confiar que Ele os removerá.
“Porque ele tirará os meus pés do laço” — o laço (resheth) é armadilha, rede para capturar. Os laços da vida — as armadilhas do pecado, as ciladas dos adversários, as situações que aprisionam — serão removidas por Deus. A certeza do livramento está fundamentada na orientação dos olhos: quem olha para Deus permanentemente pode confiar que Deus está olhando de volta, vendo os laços que o orante não consegue ver, providenciando o livramento antes que o aprisionamento se complete. Leia os versículos de esperança.
Versículo 21 — Integridade e Retidão como Guardiães
“A integridade e a retidão me guardem, pois em ti espero.”
“A integridade e a retidão me guardem” — personificação das qualidades morais como guardiães. A integridade (tom) — a completude, o ser o mesmo por dentro e por fora — e a retidão (yosher) — o alinhamento com o que é correto — são apresentadas como forças protetoras que cercam quem vive com elas. É a mesma teologia do Salmo 15:5 (“quem assim procede nunca será abalado”) — a integridade não é apenas virtude para o bem dos outros; é proteção para quem a pratica.
“Pois em ti espero” — o fundamento de toda a oração e toda a esperança. A espera em Deus (qiviti) é o que sustenta a integridade mesmo quando o custo de ser íntegro é alto, mesmo quando o caminho honesto parece desvantajoso, mesmo quando os ímpios prosperam pelos métodos que a integridade recusa. A espera em Deus é o que torna a integridade sustentável a longo prazo. Leia o Salmo 15 sobre a integridade como condição de habitar com Deus.
O Salmo 25 e a Pedagogia Divina
O Salmo 25 é o texto mais pedagógico do saltério — o que mais desenvolve a ideia de Deus como mestre e do crente como discípulo. Três aspectos desta pedagogia merecem atenção:
O que Deus ensina: “Os seus caminhos” (v.4), “as suas veredas” (v.4), “a sua verdade” (v.5), “o seu caminho” (v.9), “a sua aliança” (v.14). O ensino de Deus não é informação genérica sobre o mundo — é revelação específica de como Deus age, como Ele pensa, o que Ele prometeu e o que Ele quer. É ensino que forma o caráter e orienta a vida.
Quem Deus ensina: Os pecadores (v.8), os humildes (v.9), os que temem ao Senhor (v.12, 14), os que guardam a aliança (v.10). O requisito não é perfeição ou excelência intelectual — é atitude: reconhecer o próprio pecado, humilhar-se, temer a Deus e guardar a aliança. São atitudes de relacionamento correto, não de desempenho moral.
Como Deus ensina: “Ensinará” (v.8, 9, 12), “guiará” (v.9), “fará conhecer” (v.14), “conduzirá” (v.9). O ensino de Deus é ativo — não apenas informação disponível para quem quiser buscar, mas iniciativa pedagógica de Deus que vai ao encontro do discípulo disposto. Leia o Salmo 119 — o maior salmo sobre a Palavra de Deus como instrumento de ensino.
O Salmo 25 e o Novo Testamento
O Salmo 25 ressoa em vários textos do Novo Testamento. O versículo 9 (“guiará os humildes e ensinará aos humildes o seu caminho”) ecoa nas Bem-aventuranças de Jesus: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5:5) — usando a mesma linguagem de herança do versículo 13 do Salmo 25 (“a sua descendência herdará a terra”). A conexão é deliberada: Jesus recolhe a tradição do Salmo 25 sobre os humildes que recebem ensino e herança divinas.
O versículo 14 (“o segredo do Senhor é para os que o temem”) ressoa em João 15:15: “já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos fiz conhecer.” O “segredo do Senhor” que o Salmo 25 prometia aos que temem a Deus é revelado por Jesus aos discípulos — tornando a promessa do Salmo realidade neotestamentária.
Tiago 1:5 — “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente” — é a versão neotestamentária do pedido do Salmo 25:4: “ensina-me as tuas veredas.” O mesmo Deus que ensina os humildes no Salmo 25 dá sabedoria liberalmente a quem pede em Tiago 1. Leia o Salmo 86:11 — “ensina-me, Senhor, o teu caminho” — como o pedido mais próximo do Salmo 25.
Como Viver o Salmo 25 no Cotidiano
1. Elevar a Alma — A Postura que Precede Todo Pedido
“A ti, Senhor, elevo a minha alma” (v.1) — praticar este gesto deliberado de orientação da alma para Deus antes de qualquer pedido específico. Não começar a oração com a lista de pedidos — começar com a elevação da alma, com a orientação do coração para Deus. Este gesto simples — que pode durar apenas alguns segundos de silêncio intencional — é o que transforma a oração de lista de pedidos em encontro com Deus. Para a Oração da Manhã, começar com o versículo 1 do Salmo 25.
2. Pedir Orientação Antes de Soluções
O pedido central do Salmo 25 é orientação, não solução: “ensina-me, conduz-me, faze-me conhecer.” Nas situações difíceis, a tendência natural é pedir a Deus que resolva o problema. O Salmo 25 convida a uma postura diferente: pedir primeiro que Deus ensine o caminho — que mostre como navegar a situação com sabedoria. A solução eventualmente vem; mas o ensino forma um caráter que saberá navegar as próximas situações também.
3. Usar o Versículo 11 nos Momentos de Maior Culpa
“Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande” — nos momentos de maior peso de culpa, quando o pecado parece grande demais para ser perdoado, declarar este versículo é posicionamento correto. A grandeza do pecado não é argumento contra o perdão — é argumento adicional para a grandeza da misericórdia que só Deus tem. Leia o Salmo 32 — “bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada” — como a resposta ao versículo 11.
4. Manter os Olhos no Senhor — O Versículo 15 como Prática
“Os meus olhos estão sempre no Senhor” — desenvolver a prática de trazer regularmente o olhar de volta para Deus ao longo do dia. A vida tende a desviar o foco para as circunstâncias, para os problemas, para as pessoas ao redor. O versículo 15 convida a uma prática de reorientação deliberada: quando o foco escorrega das circunstâncias, trazer de volta para o Senhor — não negando as circunstâncias, mas colocando-as dentro da perspectiva maior de quem é o Senhor dessas circunstâncias.
O Salmo 25 na Liturgia Cristã
Na Liturgia das Horas, o Salmo 25 é cantado nas Laudes de segunda-feira e nas Vésperas de alguns dias da semana. É especialmente frequente na Quaresma — o tempo de penitência e conversão onde os temas do Salmo 25 (pedido de perdão dos pecados passados, pedido de orientação no caminho de Deus, espera confiante) são mais diretamente relevantes.
O versículo 7 — “não te lembres dos pecados da minha mocidade nem das minhas transgressões” — é particularmente cantado nas Laudes quaresmais, como oração de abertura que reconhece o pecado antes de pedir orientação. E o versículo 4 — “ensina-me as tuas veredas” — é frequentemente o versículo responsorial em missas de início de ano letivo, de início de missões e de ordenações — qualquer momento em que a comunidade está pedindo a Deus que ensine o caminho a seguir.
Oração Baseada no Salmo 25
A Ti, Senhor, elevo a minha alma.
Meu Deus, em Ti confio.
Não me deixes envergonhado —
porque em Ti espero.Faze-me conhecer os Teus caminhos.
Ensina-me as Tuas veredas.
Conduz-me na Tua verdade —
Tu és o Deus da minha salvação.Lembra-Te das Tuas misericórdias, que são desde a eternidade.
Não te lembres dos pecados da minha mocidade.
Lembra-Te de mim segundo a Tua misericórdia.Por amor do Teu nome, Senhor,
perdoa a minha iniquidade — pois é grande.
Grande demais para mim.
Suficiente para a Tua misericórdia.Os meus olhos estão sempre no Senhor —
porque Ele tirará os meus pés do laço.
A integridade e a retidão me guardem,
pois em Ti espero.
Amém.
Frases do Salmo 25 para Compartilhar
- “A ti, Senhor, elevo a minha alma.” — Salmo 25:1
- “Faze-me conhecer os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas.” — Salmo 25:4
- “Conduz-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação.” — Salmo 25:5
- “Não te lembres dos pecados da minha mocidade nem das minhas transgressões.” — Salmo 25:7
- “Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande.” — Salmo 25:11
- “O segredo do Senhor é para os que o temem.” — Salmo 25:14
- “Os meus olhos estão sempre no Senhor.” — Salmo 25:15
- “Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança.” — Salmo 25:10
- “O maior pedido não é que Deus resolva — é que Deus ensine. O Salmo 25 é a oração do discípulo que quer aprender.”

O Salmo 25 e Outros Conteúdos do Site
- Salmo 1 — “Medita de dia e de noite” — o estudo da Palavra que o Salmo 25 pede para ser ensinado.
- Salmo 119 — O maior salmo sobre a Palavra de Deus como instrumento de ensino divino.
- Salmo 32 — “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada” — resposta ao pedido de perdão do Salmo 25.
- Salmo 86 — “Ensina-me, Senhor, o teu caminho” — pedido mais próximo ao coração do Salmo 25.
- Salmo 103 — “As suas misericórdias são desde a eternidade” — confirmação do versículo 6 do Salmo 25.
- Salmo 15 — “Anda em integridade” — o caráter do versículo 21 do Salmo 25.
- Versículos sobre Perdão — “Por amor do teu nome, perdoa” — o v.11 do Salmo 25 desenvolvido.
- Versículos de Esperança — “Em ti espero todo o dia” — a espera que o Salmo 25 celebra.
- Oração da Manhã — “A ti, Senhor, elevo a minha alma” como abertura perfeita do dia.



